Um Amor Demoniaco
3 Capítulo 3
Senti que meu coração estava quase saindo pela boca me esforçei ao máximo para engolí-lo de volta. Não deu tempo de ver quem estava atrás de mim, mas era bem forte, fui arrastado até o circulo e arremessado lá dentro, com todos olhando para mim. Fiquei de pé bem rápido e me voltei para o rapaz que havia me tratado com violência. Era o rapaz de olhos vermelhos, o mesmo que cruzou os braços e me encarou a noite passada. Gelei de medo:
-Sebastian, sente-se por favor. — Iniciou Kyte-Kun apontando para o chão.
Sua voz era bem suave. Virei meu rosto e o analisei dos pés a cabeça, depois, abaixei a cabeça bastante nervoso:
-O quê veio fazer aqui? — Perguntou.
-Era eu quem devia perguntar isso. O quê vocês vem fazer aqui? Por um acaso invocam espíritos durante a noite é?
Todos riram, inclusive Kyte. (AURA NEGRA) Comecei a pensar que falei besteira e fiquei bem corado nas bochechas. Ele deu um passo a frente em minha direção ainda sorrindo com aquele olhar piedoso, me afastei e o empurrei:
-Não chega perto de mim! — Gritei agudamente. — Mais que porcaria de voz!
Tapei a boca com a minha mão, enquanto mais uma vez ouvia as risadas daqueles garotos esquisitos. (AURA NEGRA)
-Deixa de besteira Kyte-Senpai! — Exclamou Sebastian se levantando e vindo na minha direção. Me encolhi perto dele. — Vamos acabar com esse parasita de uma vez, não está vendo que ele vai sair contando pra todo mundo o que viu aqui?
-Mais contar o quê? — Perguntei.
Silêncio absoluto. Lancei um último olhar para todos antes de...
Na manhã seguinte, acordei em um pulo e caí da cama. -"Puxa foi só um sonho ruim." — Pensei passando as mãos no rosto. Me levantei e fui tomar banho. Que estranho, tudo parecia tão real que ainda podia sentir as mãos de Sebastian-San no meu braço que doía um pouco. Espera aí? Como assim "doía um pouco?" Saí correndo do chuveiro e fiquei de frente com o espelho, olhei para meu corpo meio magro e vi marcas de dedos no antebraço esquerdo. Me sentei pensativo:
-Não pode ser verdade, foi apenas um sonho ruim... Só isso, Kyte jamais seria um...
"Demônio." — Era o que pensei em dizer, mas me calei. Também aquilo não fazia sentido, não devia ser real. Me levantei e quando estava terminando de arrumar aquela gravata , ouvi alguém batendo na porta. Desisti da missão impossível e fui atender:
-Você? — Perguntei surpreso.
-O quê foi? Não dormiu bem a noite, está com bastante olheiras. — Disse apontando para a marca embaixo dos olhos.
-Kyte-kun, o quê está fazendo? — Me assustei pois ele aproximou demais seu rosto do meu.
-Nada, seu medroso. — Sorriu me encarando. -Só ia arrumar sua gravata.
Fiquei completamente vermleho quando senti suas mãos quentes no meu pescoço, acabei estremecendo, acho que ele percebeu, pois ficou sem jeito e se afastou de mim, depois me olhou e sorrindo novamente, colocou o dedo indicador nos lábios, eu somente observava:
-Por que você me faz essas coisas? Por que é tão legal comigo? -Questionei cabisbaixo. — Você mal me conhece...
-Só porque me preocupo com você.
-Sério? -Senti meu coração acelerando.
-Claro. — Sorriu. -Você é meu amigo e os amigos devem se preocupar uns com os outros, certo?
-Ah... — Resmunguei corado e olhando para o lado. — Claro.
Do nada, chegaram os outros garotos perto da gente, eu com medo, encostei meu rosto na porta:
-Bom dia, Sebastian-San. — Sussurrei.
Ele não respondeu, apenas deu um leve sorriso forçado, os outros cochichavam entre si e me olhavam, confesso que acabei ficando meio incomodado com aquilo. Então um deles foi ao meu lado e sorriu gentilmente:
-Eu sou Hikaru, muito prazer Len-kun, e esses são Heidaro, Akatski e meu irmão Ichiru-kun.
-Oi... -Cumprimentei a maneira japonesa do lugar onde nasci, me reverenciando.
-Menino estúpido. — Disse Sebastian. — Só um aperto de mão já bastava.
Os outros inclusive Kyte, riram, acabei ficando sem graça.
-Bem, o papo está ótimo, mas como podem ver, eu tenho que terminar de me arrumar para ir a aula e hoje não quero me atrasar.Até mais tarde. — Sorri empurrando Kyte de leve e me trancando no quarto.
"Ah Kyte". — Pensei, balançei a cabeça e me dei dois tapas:
-Para com isso, você é um homem! — Resmunguei para mim mesmo na frente do espelho. — E-Eu não sou gay!
Era certo que eu sentia algo por ele, passaria com certeza, pelo menos eu tinha esperanças que isso acontecesse o mais rápido possível. Não podia estar apaixonado por ele, não fazia o menor sentido. Respirei fundo e comecei a arrumar o meu material escolar.
-Hoje não cheguei atrasado Senpai. — Lhe dei uma piscadela colocando meus livros sobre a mesa.
-Verdade, eu te parabenizo por isso. Mas cadê a redação que eu pedi?
"Vacilo!Sabia que tinha esquecido de alguma coisa!" -Pensei colocando uma das mãos no rosto, afinal de contas, nunca fui muito sortudo:
-O meu trabalho? Bem... O meu trabalho... Coisa engraçada não é mesmo?
-Não achei graça, cadê seu trabalho? — (AURA NEGRA)
-Está comigo.
Não podia ser. Me virei e vi Kyte em pé sorridente com algumas folhas nas mãos. Era difícil acreditar que ele havia feito o trabalho para mim.
-Por que a redação dele está com você? — perguntou o proferssor limpando os óculos.
-Ontem estávamos no pátio conversando e sem querer acho que Len deixou cair essas folhas, entõ pensei, vou ajudar meu colega atrapalhado.
"Atrapalhado?Runf!" — Pensei o fuzilando vivo com os olhos.
-Então tudo bem, o que espera? Vá buscar o texto.
Meio a contra gosto, suspirei e me aproximei, Kyte colocou as folhas na minha mão e sussurou que precisava falar comigo. Apenas acenei que sim com a cabeça e me afastei sem olhar para trás.
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