Um Amor Demoniaco
2 Capítulo 2
"Caras esquisitos". — Pensei enquanto tomava banho. Será que Kyte-kun era amigo deles? E o que o sangue tinha haver com tudo aquilo? Um arrepio acabou percorrendo todo meu corpo só de pensar naquela palavra. (AURA NEGRA)
-Vou descobrir qual o problema deles.
Mas primeiro eu precisava correr para a aula: "Lasco!" -pensei me vestindo rápido, pegando vários livros de todas as materias e saindo feito um louco do quarto.
–Durante esta guerra, uma personalidade, se é que podemos chamá-lo assim, formou um império. Adolf Hitler, com suas idéias anti-semitas, perseguiu, torturou e matou judeus, e outras minorias, como: ciganos, homossexuais. — Tentei entrar de fininho, mas fui descoberto. -Antes tarde do que nunca senhor Len. — Disse o professor me barrando assim que me viu.
-Eu...Eu... Sinto muito Taokio-Senpai, acho que exagerei no banho essa manhã. Garanto que não vai acontecer denovo.
-Sei que não. — Sorriu diabolicamente. — Como castigo, eu quero uma redação de 1200 palavras explicando detalhadamente como se deu inicio a segunda guerra mundial e o que foi o holocausto, é bastante difícil por isso darei muito tempo. Você tem até amanha de manhã.
(AURA NEGRA) Respirei fundo e fui me sentar. Difícil foi enfrentar os risinhos dos outros alunos, aquilo estava me incomodando um pouco. Me dirigi a janela e sentei na primeira cadeira. Todos olhavam para mim, tentei parecer seguro, mas não consegui. Pelo contrário fiquei completamente sem graça quando vi aquele garoto o Kyte e seus amigos. Virei meu pescoço um pouquinho para sua direção e ele acenou para mim com um belo sorriso naquele rosto lindo, confesso, fiquei mais nervoso ainda e vermelho como um pimentão.
Tivemos três e chatas aulas de história que logo que o sino bateu para o almoço saí em passos rápidos, pois além do sono, estava com bastante fome:
-Bom dia Len-kun. — Era ele.
Dei um pulo de susto e me virei dando de encontro com aqueles olhos.
-B-Bom dia... — Respondi corado. -Dormiu bem?
-Acho que sim e você? — Ele nunca tirava aquele sorriso do rosto.
Foi o que eu pensei. Kyte-Kun ficou sério e me puxou pelo braço porque eu ia ser atropelado pela manada de pessoas, olhei para elas, esfomeadas. Pareciam que nunca tinham visto comida na vida. Tremi e abaixei a cabeça:
-Sabe... Meu braço tá doendo. — Falei depois de um longo minuto de silêncio.
-Credo garoto! Fraquinho hein, vem cá, você é homem ou o quê?
-Claro que sou homem! — Mais uma vez minha voz afinou.
Tapei a boca com as mãos. Kyte riu e me soltou.
Andamos em silêncio até a fila. Notei que ele me olhava muito de canto, fiquei sem graça mas não lhe dirigi a palavra. Arrumei um dos cachos atrás da orelha para disfarçar o que obvio, não deu muito certo.
"Por que ele tinha que ser tão lindo?"
Minha cabeça estava bem bagunçada, além de lindo, era misterioso a combinação perfeita. Eu sentia que queria cada vez mais desvendar um a um todos os seus segredos mais intímos. (PERVERTIDO) Entramos na fila, depois cada um foi para um canto, me sentei próximo a duas garotas e ele com aqueles colegas bizarros dele. Analisei um por um e pude concluir uma coisa, todos tinham os olhos vermelhos como labaredas, menos... Kyte. Mas por que? Fiquei pensando nisso e nem notei as garotas me chamando:
-Hum?! — Olhei para elas porque jogaram uma colher em mim. -Me perdoem, eu acho que estava meio distráido.
-Agente percebeu mesmo. — Sorriu uma delas se aproximando. -O meu nome é Euphimia, mas pode me chamar de Euphi-Chan se quiser e essa aqui é a Talia. Você é Len não é?
-Sim, Euphi-Chan. — Retribui o sorriso.
-Senta mais perto da gente.
-Claro.
Aquela era a primeira vez que não travava na frente de garotas, me senti um homem e tanto. Nós rimos e pude falar a elas do que eu mais gostava, falamos de moda, contamos fofocas, entre muitas outras coisas masculinas, até mencionei as revistas que eu tinha no quarto:
-Você é bem fofo. — Disseram. — Sempre quisemos um amigo assim como você, bem feminino.
(AURA NEGRA)
-O quê? — Exclamei agudamente. — Me chamaram de gay?
-N-Não é que... bem...
-É que bem nada! Não sou gay!
Hoje entendo que elas não quiseram me ofender, no fundo, bem lá no fundo eu sempre soube que era diferente. Talvez fosse por esse motivo que eu me peguei atraído por aquele cara dos olhos dourados.
Mais a noite, fugi de meu quarto e resolvi caminhar um pouco no pátio que ficava atrás da escola e novamente os vi, estavam todos encapuzados, mas sabia que era eles. — "Lá vamos nós outra vez." — Pensei os seguindo porão adentro. Estava decidido a descobrir o que eles escondiam não importava como.
Entrei em passos lentos e leves dentro do porão que ficava embaixo do prédio escolar. Fazia bastante frio lá dentro, então como não era acostumado, minha boca começou a bater. Com certeza valeria a pena.
Não conseguia enxergar muita coisa e havia pouco ar lá dentro. Andei mais e me encostei num baú, foi então que os vi.-"Beleza, já era hora!" — Eles estavam em volta de um circulo e Kyte estava vestido todo de branco.
Ele estava tão lindo...
Por que eu tinha que pensar nessas coisas? Dei dois passos para trás e foi nesse instante que senti uma mão pousando no meu ombro.
Meu coração gelou e quase parou de bater.
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