Meu pai parou o carro em frente a um portão enorme e enferrujado. Desci com minha mãe, enquanto que minhas malas eram colocadas do lado de meu pés. Olhei para mamãe e a vi chorando, puxa eu sabia que ela não queria me deixar ali, mas por que não se manifestava? Talvez, se dissesse algo eu pudesse voltar para casa com eles e sermos muito felizes juntos, como sempre.

Era a hora de ir. recebi um ultimo abraço apertado e alguns conselhos como: "Comporte-se bem." "Seja educado." "Respeite os professores." — Acenei com a cabeça enquanto os via me deixando sozinho em meio a aquele lugar horripilante e horroroso.

Respirei fundo.

Peguei minha bagagem e passei pelo enorme portão de ferro que rangia muito: "RIIIMMM!"

-Já vi que vou odiar esse lugar." — Resmunguei.

Entrei naquele lugar grande que cheirava mofo e naftalina. Não havia quase nenhuma alma viva nos corredores, o que era bem estranho. Continuei andando até a diretoria. Bati na porta, mas ninguém abriu. Tornei a bater, nada nenhum movimento:

-Tem alguém aí? — Chamei.

Novamente se fez um silêncio irritante:

-EI! — Gritei com a voz aguda. — Tem alguém dentro dessa sala?!

(As vezes minha voz afina quando fico irritado ou nervoso.)

-Já vou "garota estressada!"

-Garota?! Quem você chamou de garota? Eu sou um garoto! — Por mais que eu tentasse minha voz ainda estava bem fina.

Então, a porta se abriu na minha frente e uma senhora incrivelmente baixa surgiu de trás dela, sua maquiagem estava borrada e seu cabelo bem despenteado. Tudo indicava que dormia ou coisa parecida. Nos encaramos (AURA NEGRA) por alguns minutos quando finalmente ela me disse para entrar:

Sinto muito pela demora. — Iniciou se sentando em sua poltrona alta apoiando o rosto com os braços. -Diga, o que deseja?

— Eu sou um calouro, acabei de chegar e...

-Só isso? — Desdenhou quase dormindo. — Preencha este formulário, assine aqui, rubrique ali, ponha sua digital no canto da folha e pronto, seja bem vindo a nossa instituição de ensino. Qualquer dúvida, basta perguntar aos alunos, porque como pode ver, estou realmente muito ocupada.

-Ok, mais eu...

-Saia da minha sala e feche a porta, obrigada.

Fui expulso daquela minuscula saleta. Nem tive tempo para perguntar onde ficava o meu quarto, suspirei e comecei a minha busca. Aquele lugar era vazio, hora e meia, eu via algumas garotas, elas me olhavam e entre risinhos cochichavam algo que não conseguia entender. Continuei olhando para elas e nem notei o que estava na minha frente.

Acabei dando um encontrão num dos garotos da escola, o impacto foi tão forte que caí sentado, já ele, permaneceu em pé me encarando com um sorriso no rosto. Automaticamente fiquei vermelho:

-Está perdido? — Perguntou sorrindo e estendendo a mão para me ajudar a levantar.

-Um pouco. — Respondi cabisbaixo me levantando sozinho e recolhendo as malas.

-Qual o seu nome parceiro?

"Parceiro" — Corei.

-M-Meu nome é Len... E- E o seu?

-Sou Kyte, prazer Len-kun.

Kyte-kun era bonito. Alto, loiro, olhos castanhos amarelados, com certeza uma garota se apaixonaria por ele a primeira vista. Tornei a abaixar o rosto, para disfarçar meu nervosismo, olhei para as meninas e lancei um sorriso amigável, a intenção era ser sensual, mas nunca fui bom em seduzir ninguém, especialmente o lápis oposto.

-Precisa de ajuda? — Nossa como ele era educado.

Fiz sinal negativo com a cabeça e saí sem dizer nada. Acho que fui em pouco grosseiro com Kyte-kun, mas tratei de esquecer aquilo e continuar minha busca pelo quarto 801 que parecia ter desaparecido.

Depois de inúmeras voltas por toda a escola, finalmente eu consegui encontrar o meu aposento. Suspirei profundamente e entrei. Era estranho eu não ter colega de quarto, foi então que me lembrei, meus pais pagaram o dobro para que eu tivesse um quarto só para mim. Não entendi bem o motivo, mas achei melhor deixar quieto esse assunto.

Tratei de arrumar tudo, coloquei meus livros de estudo na parte de cima da prateleira e meus BL embaixo. Eu sempre gostei muito de mangás, era uma terapia para mim já que sempre fui muito sozinho desde a minha infância por causa dos conflitos que existiam na minha família.

Minha séria favorita era VITRAL, que contava a história de dois garotos, um que queria ser famoso e o outro rico, aí eles são amaldiçoados por um espírito antigo e precisam se unir para conseguir retirar a maldição, só que os dois se apaixonam.

Eu realmente amava essa série.

Duas horas depois, me arrumei para o jantar e assim que saí do meu quarto, quase fui pisoteado vivo. (AURA NEGRA) Era muita gente! Me segurei na parede para os outros passarem.

Assim que todos saíram, me senti seguro para poder andar e só depois de alguns minutos, notei que não estava sozinho como pensava. Parei em frente a diretoria e pude ver seis garotos que conversavam bastante no corredor em voz baixa. Estavam todos de uniforme escuro e um deles eu pude reconhecer.

Era o garoto que havia se batido comigo a pouco, Kyte-kun! Me escondi atrás dos armários e tentei ouvir o que conversavam. Impossivel. Eles não falavam diretamente uns com os outros, mas sim por códigos o que deixava bem complicado na hora de entender.

Talvez essa fosse a intenção.

Tentei me esforçar ao máximo para compreender, mas a única palavra que eu entendia era blood que queria dizer sangue. Sangue? Será que algum deles estava machucado? De repente, um dos rapazes olhou diretamente para onde eu estava. Tremi por inteiro, desde o ultimo dos meus cachos até os dedos dos pés. Aqueles olhos vermelhos começaram a me assustar (AURA NEGRA). Resolvi sair de fininho.

Assim que me virei o rapaz de olhos cor de fogo, estava atrás de mim, encostado na parede com os braços cruzados me encarando com certo desprezo. Abaixei o olhar enquanto que saia de perto dele e me trancava novamente no quarto.

Notas finais
Bem o que acharam, eu aceito elogios e também criticas porque sei que quem critica quer nosso bem e sei que elas nos fazem crescer, até mais pessoal fiquem com Deus que mais tarde eu posto o capitulo 2 :)