Notas iniciais
Hey minhas anjinhas! Esse capitulo vem do fundo meu core e tem uma parte scovee (sugiram outro nome urgente) muito fofa, alem de momentos de emoçao bem grandes. Parece que temos uma nova leitora... Bem vinda a fic Jo! E a Anjo e a Ester, obrigada pela fidelidade. Aproveitem, nefilins!

Nós entramos no escuro e sofisticado apartamento do Patch, pela segunda vez hoje. Scott tenta disfarçar sua expressão de desconforto, mas é obvio que ele está aqui apenas por Nora. Meu estomago se contrai novamente. Será que ele gosta dela?

Eu dou uma olhada de canto para ela. Cabelos cacheados e armados, particularmente magrela demais. O que ele vê nela? Eu sacudo minha cabeça violentamente e me belisco. Que diabos você está pensando? Ela é sua melhor amiga, sua meia-irmã, e o que te importa se Scott gosta dela?

Em meu peito dois sentimentos duelam. A amizade e o ciúme. Nunca me senti desse jeito antes. Scott impele minhas piores atitudes ; a mentira , a inveja e... o desejo.

Ele está me encarando. Consigo ver o desejo em seus olhos quando ele olha para as minhas pernas semi-nuas. Eu ruborizo e encaro a janela. Mas minha mente está ciente do seu olhar em mim. Eu me apoio no batente prateado das janelas de vidro, sentindo a brisa oceânica perfumar a pele do meu rosto. Scott se aproxima e se apóia cruzando os braços do meu lado. Algo, como gelo derretido, desce pelas minhas costas e encontra o final da minha coluna.

–Nora disse que ia se deitar um pouco... – ele diz. Sua voz parece cansada. Antes que eu me impeça, eu pergunto.

–Você gosta dela, não é? – minha voz parece áspera. Eu engulo , mesmo minha boca estando seca.

–Gosto. – ele responde automaticamente, e se aproxima ainda mais de mim. – Ela é como uma irmã pra mim.

Uma irmã... Sei... O ódio me possui, e agora estou encarando ele, meus punhos cerrados ao lado do meu corpo.

–E você beijaria sua irmã? –percebo o veneno em minhas palavras e me arrependo. Os olhos dele endureceram. Ele não me encara.

–Soube sobre o seu pai... – ele diz, mas sua voz é fria. – Sinto muito.

–Eu volto meus olhos para o mar, meus cotovelos na madeira escura, meu queixo em meus dedos.

–Sim... – eu suspiro e me odeio por isso. – Gostaria de tê-lo conhecido...

–Eu conheci meu pai... – ele diz, sua voz suavizando um pouco. — Quando eu tinha cinco anos, ele desapareceu... Disse que tinha outra mulher... Uma filha...

Ele faz uma pausa.

–Sinto muito. – eu digo, completamente impotente e arrependida de ter dito aquelas palavras.

Ele me dispensa com um aceno de sua mão. Então de repente dá um sorrisinho sem graça.

–Eu achava que... – ele respira fundo. – Eu pensava que talvez fosse você...

–O que? – eu o encaro, mas ele continua com os olhos fixos a frente.

–Era por isso que eu te irritava tanto. – ele olha para baixo. – Hoje percebo como fui idiota... Me desculpa, Vee? – ele me lança um olhar de lado, como de uma criança abandonada (uma criança muito grande) e eu não me contenho. Envolvo meus braços pelos seus ombros, e deito minha cabeça na curva de seu pescoço quente. Ele parece surpreso, mas não diz nada. Ele enlaça minha cintura com seus dedos e pela primeira vez em muito tempo, me sinto segura. Seus braços são como uma muralha. Seu cheiro é forte e delicioso, um toque de café e incenso de canela.

Por um momento ficamos assim. Concentrados na pele um do outro, ouvindo o som das ondas quebrando ao vento. Então eu , delicadamente, me afasto dele. Ainda há muitos perguntas a serem feitas. Voltamos a nossa posição de observadores.

–Como você e o Patch chegaram tão rápido na casa de fazenda? – eu pergunto. O céu começou a atingir uma cor caramelada, uma mistura entre marrom e laranja que me lembra a infância. Eu olho para Scott com o canto dos olhos e tenho certeza de ter visto um lampejo de sorriso.

–Bem... Nós íamos convidá-las para uma sessão cinema... Mas parece que tivemos suspense ao vivo, então...

Eu não sorrio com a ironia. O desespero que senti quando a fumaça embaçou meus olhos me atinge novamente. Eu sinto ódio...

–Você acha que Patch e o detetive Basso têm razão? – pergunto, trincando os dentes. Não estou com raiva de Scott, tampouco. Estou com raiva do culpado... Ele vai pagar...

–Não sei. – toda a ironia deixou a sua voz. – Por que motivo alguém tentaria queimar duas garotas vivas?

Por que... Lembro dessa mesma pergunta saindo dos lábios da minha mãe no sonho. Meu pai foi mandado para o inferno... Mas porque? Quem sabe os dois fatos estejam interligados... Excelente. Isso só me faz ter mais certeza do quanto minha mãe é necessária...

–É uma incógnita. – eu digo. O crepúsculo chega de repente, e eu me afasto da janela. Scott vem atrás de mim.

–Estou com fome... – eu digo, minha fome me atingindo como uma avalanche. Percebo que a única refeição que eu e Nora fizemos hoje foi o café da manhã.

–Venha... – ele pega minha mão e os pelos do meu antebraço se arrepiam. – Vou te ensinar a fazer espagheti alle vongole.

Nós adentramos a cozinha negra de Patch e minha boca cai. As paredes são de pedra cinzenta reluzente, as bancadas de mármore escuro e os aparelhos prateados recém tirados da caixa.

Scott solta a minha mão e arregaça as mangas. Ele lava suas mãos com o detergente neutro da pia e eu faço o mesmo.Eu observo curiosa enquanto ele tira um pedaço de carvão do bolso e traça bigodes finos em seu buço recém barbeado. Então ele faz uma expressão concentrada e diz:

–Ottimo. Andare al lavoro, veloce...

Eu não consigo conter uma risada. Nunca imaginei que Scott soubesse falar italiano. Eu lavo minhas mãos, ainda com um pequeno sorriso culpado. Enquanto nós dois estamos agindo como dependentes químicos idiotas, Nora está sofrendo em seu quarto. Mas é uma escolha dela, não é?

–Você deve ter percebido... – Scott voltou a falar inglês, mas manteve seus bigodes pretos. – Que se trata de uma receita italiana...

Não me diga... Eu reviro os olhos, mas ele ignora.

–E, sendo assim... – ele prossegue – requer alguns ingredientes um pouco... diferentes... No caso, os vongoles.

–O que são vonlogues?

Ele sorri e eu não entendo a graça. Ora, não tenho obrigação de saber da cozinha italiana. Isso provavelmente não vai cair no vestibular de Yale...

–São vongoles . – eu ruborizo. – Mariscos cujo carne é muito apreciada pela culinária italiana. Contudo, não se encontram vongoles no mercadinho da esquina... Então, irei personalizar essa receita, utilizando... – ele abre o freezer prateado de Patch e volta com um saquinho congelado e um olhar de satisfação. – Anéis de lula.

–Anéis de lula? – eu ergo as sobrancelhas. – Por que diabos Patch tem anéis de lula em sua geladeira?

–Por que... – ele coloca o pacote na pia e abre a torneira. – ele tem um paladar sofisticado como o meu, diferente de certas pessoas...

–Ora... – eu replico. – Por que então você, Sr. Chef , quer a ajuda de uma pessoa com paladar tão carente?

Ele sorri, mas não diz nada.

Uma hora depois, estamos pondo a mesa, juntamente com o Patch, que chegou há uns cinco minutos e parece chateado. Mas se bem que ele sempre parece chateado...

Nora sentiu o cheiro do vongole (sim, eu consegui aprender a pronunciar) falsificado e se juntou a nós. Seus olhos estão inchados e vermelhos, provavelmente não há mais lagrimas para serem eliminadas.

Nós quatro sentamos e comemos em silencio à elegante mesa de carvalho da sala, Patch em frente a Nora, e Scott ao lado de Patch. Está deliciosamente incrível, como a lasanha vegetariana que ele fez. Sinceramente fico surpresa, uma vez que peguei a lata errada no armário e coloquei leite condensado e não creme de leite no molho de lula. Mas quem é que nunca confundiu os dois, certo?

Terminamos nosso refeição e antes que o silencio se torne incomodo, Patch o incerra.

–Eu e detetive Basso pegamos algumas coisas... Suspeitas. – ele começa com cautela. Os olhos de Nora, que antes estavam sobre seus talheres, agora encaram o namorado com extrema atenção.

–Como o que? – eu pergunto, cruzando meus braços sobre o peito e passando a língua pelos meus lábios cremosos de molho.

Ele abre a jaqueta e tira um pedaço de pano, enrolado cuidadosamente em algo solido. Nora retira das mãos dele imediatamente e nós três observamos avidamente enquanto seus dedos delicados retiram um colar de prata de dentro do tecido. Scott congela a minha frente, a cor se esvai dos seus olhos em um instante.

–Scott? – Patch aperta seu braço e por um momento vejo um lampejo de fraternidade atingir seus olhos. – O que...

–Esse colar... – ele diz, as palavras saem um pouco engasgadas. – Ele é do meu pai.

Notas finais
O que acharam? Beijos e até o proximo Tia Carolzinha