Notas iniciais
Hey... Estou agradecendo especialmente a Anjo e a Ester, que favoritaram essa história. Não sei se alguns comentários mais ( minhas anjinhas que comentam ignorem isto, por favor) é pedir muito. E Jo, será que você podia começar a pensar nessa hipótese? Sem mais palavras... Aproveitem!

Scott e eu descemos as escadas para o estacionamento do condomínio de Patch de mãos dadas, e a essa altura eu já me acostumei com os pequenos choques que ocorrem com nossa aproximação. Brinco com os dedos dele, maiores e mais fortes que os meus. Nossas palmas parecem peças de um quebra cabeça que se encaixam perfeitamente, como se nossas mãos fossem feitas uma para a outra. Ele abre a porta de passageiro para mim e nós entramos em seu Mustang. Ele liga o rádio e eu me surpreendo com a música que está tocando. É The Reason do Hoobastank . Eu aumento o volume e começo a acompanhar a letra desfinadamente.

(...) There’s many things I wish I didn't do

Tem muitas coisas que eu gostaria de não ter feito

But I continue learning

Mas eu continuo aprendendo

I never meant to do those things to you

Eu nunca quis fazer essas coisas com você

And so I have to say before I go

E então eu tenho algo para dizer antes de partir

That I just want you to know

E eu só queria que você soubesse

I’ve found a reason for me

Eu achei uma razão para mim

To change who I used to be

Para mudar o que eu costumava ser

A reason to start over new

Uma razão para começar tudo de novo

And the reason is you

E a razão é você. ..

Eu paro de cantar, não somente porque agora começou um solo de guitarra, mas porque uma mão fria parece estar sufocando minha garganta. Tem muitas coisas que eu gostaria de não ter feito, como diz a musica. Uma delas é ter sido filha de Adam ou Arthuriel, não importa. A outra é ter mentido para o Scott. E outra, ainda pior do que as primeiras, é ter deixado ele me beijar e corresponder com o mesmo ardor, quem sabe até mais. A música recomeça, e provavelmente pensando que é sua deixa, Scott começa a cantá-la.

I’m sorry that I hurt you

Eu peço desculpas se te machuquei

It’s something I must live with every day

É algo com o qual eu tenho de viver todos os dias

É inevitável relacionar isso com nosso pais. Quando meu pai possuiu o pai de Scott, sera que ele se arrependeu? Será que todos os dias até ele ser mandado para o inferno ele não lamentou o que fez? E por fim, por que ele o fez? Ele poderia... Poderia ter possuído um nephil, mas optou por possuir um de sua própria espécie... Sinto vergonha por meu pai. Antes eu achava injusto vê-lo mandado para o inferno. Mas agora...

(...) And be the one who catches all your tears

E ser o único que recolhe todas as suas lágrimas

That’s why I need you to hear

É por isso que eu preciso que você ouça

Scott estaciona o carro mas não interrompe sua voz. Eu me concentro nele pela primeira vez desde que ele começou a cantar. Um de seus braços está do lado de fora da janela, o outro nas costas do meu banco. Ele está encarando o volante com muita concentração e sua voz... Seu timbre é suave, naturalmente rouco e sexy, e seus lábios...

(...) And the reason is...

Eu o calo com meus lábios antes que ele termine. Por um momento ele parece surpreso, então prende minhas coxas com suas mãos. Eu brinco com a língua dele, mas minha concentração se esvai quando ele sobe um pouco mais a mão, onde normalmente encontraria a beirada da minha calcinha, mas eu me lembro que estou sem... Involuntariamente eu chego para trás, minhas costas colidindo com o volante que acaba emitindo um som horrivelmente alto. Scott solta minhas pernas imediatamente e eu ruborizo, sem encarar seus olhos.

–Eu... eu... – procuro por palavras convenientes, mas estou paralisada.

–Vee... – o tom dele é calmo, e tenho certeza que há um sorriso em seus lábios agora. – Está tudo bem, de verdade.

Eu o encaro, e apostei certo. Ele está sorrindo e surpreendentemente até parece um pouco envergonhado.

–Olha... – ele ergue o meu queixo com seus dedos, me fazendo encarar seus olhos. – Se você só quiser uns amassos, eu não me importo. Assim como não me importaria se você quisesse só me abraçar ou... – ele sorri maliciosamente e eu dou um tapa em seu braço. Ele dá de ombros, mas seu sorriso não se desfaz. – O que eu quero dizer é o que já disse. Só estar ao seu lado é suficiente.

Eu beijo seus lábios delicadamente e ele enlaça nossos dedos, mas não passa disso. Enfim descemos do carro e ele me leva até a porta meio carbonizada da casa de fazenda.

–Você vai ficar bem aí? – ele pergunta, apontando sugestivamente para a moto de Patch, que está estacionada um pouco mais a frente do seu Mustang. Eu sorrio.

–Sim. Nora e Patch não iam fazer nada sabendo que eu chegaria a qualquer hora... – digo isto, apesar de não estar completamente convencida.

–Certo. – ele se aproxima mais. – Então apenas me deixe te levar até o quarto.

Eu tento protestar mas assim que atravesso a porta a surpresa me atinge. As janelas estão pretas, as cortinas metade destruídas e no lugar em que Rony ficava agora se encontra um monte de cinzas. Eu sinto meus joelhos fraquejarem e tenho certeza que cairia se Scott não tivesse me segurado a tempo. Ele parece tão abalado quanto eu.

–Não acredito que meu pai... Quero dizer... Por que ele faria isso? – ele diz, quase num sussurro. Nós atravessamos o mar de destruição e subimos as escadas, que estão chamuscadas até o décimo degrau. No meio do corredor uma sombra escura e esguia nos encontra, os dedos nos lábios em um sinal de silencio.

Nora está dormindo, ele sussurra em nossas mentes. Scott faz uma expressão de descontentamento e retruca.

E você não poderia nos dizer isso normalmente? Saia da minha cabeça, anjo.

Eu sorrio. Patch lança a Scott um olhar nada menos que cruel.

Você sabe o quanto demorou até ela parar de chorar? Não quero por tudo a perder simplesmente por causa de sua repulsa infantil. Estou indo embora.

Ele para meio as escadas e olha para mim.

Vee, sua mãe ligou. Ela disse que já chegou em casa e pediu para você ir para lá quando chegasse. Mas acho melhor você vesti alguma coisa antes...

Ele me mede de cima a baixo. Eu suspiro.

E como você espera que eu faça isso sem acordar a Nora? Minhas roupas estão lá dentro, esqueceu?

Patch desaparece e volta um segundo depois com minhas roupas, que estão cheirando a um misto de carvão de churrasco e sabão em pó. Eu o encaro sem conseguir disfarçar o quanto estou impressionada. Ele não fez um barulho sequer.

Pronto. Satisfeita? Agora, se não se importa, Scott, você pode levar a Vee para casa?

E sem mais palavras ele desaparece escada abaixo.

Eu me troco no quarto de Blight, e pela primeira vez me pergunto o que a mãe de Nora vai achar quando vir o estado de sua casa. Provavelmente vai surtar.

Eu saio do quarto e procuro Scott, que estava no corredor quando entrei. Deve ter descido, com certeza. Eu desço as escadas o mais silenciosamente que consigo e me deparo com a silhueta familiar parada junto a porta da cozinha. Eu me esgueiro por detrás de Scott e observo o cômodo. Só há preto e um pálido cinza por todo lugar. Felizmente os eletrodomésticos sobreviveram a chacina, mas todo o resto, incluindo os armários e a porta da despensa, jazem em uma pilha de pó como o pobre Rony.

–Não pode ter sido ele... – Scott murmura. –Ele nunca faria algo assim por diversão, apenas com alguém que realmente desejasse ver morto. E a única pessoa que consigo imaginar já está queimando eternamente...

Ele caminha em direção a porta da sala, mas eu permaneço encarando as cinzas enegrecidas, ignorando o forte aroma de incenso de igreja que está por todo lugar. Meus olhos ficam embaçados e sinto uma vontade imensa de cortar meu braço e deixar com que todo o eu sangue escorra. Esse sangue sujo e não desejado...

Não, Scott. – eu penso amargamente. – Seu pai acertou o alvo bem no meio.

Notas finais
Particularmente achei este capitulo meio chatinho, mas no próximo haverá o encontro com a mae da Vee, então se preparem para novas emoções. Beijos da Tia Carolzinha. P.S. : Espero que estejam pensando nos meus pedidos com carinho. Beijinho.