Um Amor Complicado.
26 Capítulo 25 - Finalmente paz... Ou não?
Notas iniciais
Capítulo 25
POV Sanji
Sinto-me preso e suado. Parece que tem uma rocha enorme sobre mim, impossibilitando minha respiração.
Quente. Está muito quente.
Abro meus olhos e não me surpreendo ao enxergar tudo embaçado ao meu redor. Meus olhos demoram a se adaptar com a luz, até que enfim percebo que realmente tem alguém muito pesado em cima de mim.
Zoro dorme pacificamente sobre meu corpo, abraçado ao meu tronco. Meu nariz está amassado contra seu peito e minhas pernas, presas.
Com a força dos braços, empurro sua barriga e consigo apoiar meu joelho, empurrando-o para o lado e me libertando. Com um suspiro, ele continua a dormir.
Ofegante por meu esforço, tiro o cobertor de cima de mim e finalmente sinto o ar circular pela superfície da minha pele.
Levanto-me da cama e alongo as costas.
Espera. Eu não adormeci em uma cama. Se bem me lembro, eu desmaiei depois de...
As lembranças da noite passada invadem minha mente, ruborizando meu rosto por completo.
— Mas... Se tudo aquilo aconteceu, por que eu não estou com dor? – murmuro para mim mesmo, tocando meu quadril nu.
Sem resposta para a minha pergunta, começo a analisar o ambiente. Ao lado da cama enorme, há uma sacada espaçosa que dá vista para a cidade. Dentro do quarto, um tapete que parece muito caro. Tento ignorar minhas roupas jogadas de qualquer jeito no chão junto as dele, no caminho que vai do quarto à porta.
Ando devagar e passo por um jogo de sofás grandes, de couro. Há também uma mesa de centro e uma televisão de pelo menos 60 polegadas. Na parede oposta, há um piano extremamente bonito e, logo atrás, uma pequena adega de vinhos.
— Quanto será a diária nesse lugar? – pergunto, suspirando.
Sentindo meu corpo suado e sujo, decido tomar banho.
Vou em direção à cama e avisto Zoro deitado de bruços.
— Ei, Zoro. – chamo, colocando a mão em seu ombro. – Zoro?
Ele se mexe e vira a cabeça para o outro lado.
— Marimo, acorda! Temos que voltar para casa! – falo, escutando seu ronco. Acabo me irritando. – Se você não acordar agora, juro que vou fazer algo que você não vai gostar.
Ele nem se mexe.
Corro meus olhos por suas costas e subo na cama, sentando sobre suas coxas.
Sorrindo para mim mesmo, seguro sua bunda com as duas mãos, apalpando suas nádegas. Aproveitando o fato de estar sem roupa, encaixo meu membro entre elas e, mesmo com o cobertor entre nosso contato direto, posso senti-lo.
Encosto meu peito em suas costas e beijo sua nuca.
— Isso. Mais para baixo, Ero-Cook. – diz ele. Suspiro e levanto o rosto.
— Sério que você estava acordado? – pergunto. Ele assente e ri. – E não me segurou quando coloquei meu pau na sua bunda?
— E o que tem demais? Não faço isso o tempo todo com você? – pergunta ele, apoiando o corpo sobre os cotovelos. Deito-me sobre meus braços, ainda em suas costas.
— Faz. – respondo. — Eu só... Pensei que você não deixaria se eu realmente quisesse.
— Ero-Cook, nós somos um casal. Ao invés de só pensar, fale. Talvez tenha uma resposta diferente do que achava que teria.
Ele suspira, o que faz o cobertor deslizar uma pouco de suas costas.
— Uau. Acho que eu deveria cortar minhas unhas.
Passo os dedos levemente sobre as feridas, feitas por mim na noite anterior.
— Suas unhas não me incomodam... Eu até gosto. – fala, sorrindo maliciosamente. – Quero tomar banho...
— Nada disso. Eu vou primeiro. Você pede o café da manhã. – falo, levantando-me e tirando o cobertor de cima dele.
— Nós podemos tomar banho juntos...
— Nem pensar. Você sabe que isso nunca dá certo. – respondo, dando a volta na cama e indo em direção ao banheiro.
— Para mim, dá incrivelmente certo.
Sorrio com sua resposta e, já na porta do banheiro, viro-me em sua direção.
— Zoro... Você estava falando sério? Sobre nós trocarmos de posição? – pergunto.
— Sanji, essa coisa de “posição” é da nossa cabeça. Na real, nada disso importa. Se eu puder te dar prazer, estarei satisfeito. – responde, sorrindo.
— Então... Da próxima vez... Pode ser? – pergunto. Meu rosto está quente por causa da vergonha.
— Você realmente sente tesão pela minha bunda? – pergunta. Com certeza está me provocando.
— Não é só a bunda. Tudo em você me atrai, idiota. – respondo, desviando meu olhar.
— É, eu sei que sou bonito. – responde, provocando-me ainda mais.
— Ah, seu... Filho da mãe! – respondo, correndo e pulando sobre ele. Zoro cai na cama, comigo sentado sobre sua barriga.
Seguro seus braços na cama, prendendo-o.
Ele ri e morde o lábio inferior.
— O quê? Quer agora? – pergunta, sem fazer a mínima força para se libertar.
Sorrio para ele e, suspirando, beijo seus lábios.
— Não, estou cansado. Mas você não está livre, Marimo.
— Sim, eu sei. – responde ele, fazendo bico de novo. Rio e beijo-o, saindo de cima de seu corpo.
Vou até a porta do banheiro e, quando vou entrar, ele me chama.
— O que foi? – pergunto, virando-me novamente.
— Aishiteru. – diz ele. Meu coração acelera e meu rosto esquenta novamente. Apenas assinto e, muito envergonhado, entro no banheiro.
Merda. Ele me pegou desprevenido.
Sinto a água ao meu redor, confortavelmente quente. Sinto meus músculos relaxados, e a tensão de meus ombros se foi por completo.
De olhos fechados, consigo até sentir minha respiração.
Mas de repente, meu estado de meditação é interrompido pela porta do banheiro sendo aberta.
— Não sabe bater? – pergunto, ao ver Zoro fechando a porta atrás de si.
— Se você quisesse que eu batesse, teria trancado a porta. – responde, com um sorriso torto.
— Eu esqueci.
— Sei. – fala ele, parado em frente a pia. – Já pedi o café. Quando sair, é só comer.
— Você já comeu? – pergunto, curioso.
— Sim. Preciso escovar os dentes. – responde, abrindo a primeira gaveta do gabinete e tirando a pequena bolsinha do próprio hotel.
— A propósito, eu já usei essa escova. – aviso, virando-me na banheira. Coloco a perna direita para fora, juntando a frente de meu corpo à lateral.
Ele vira seu rosto em minha direção e levanta uma sobrancelha.
— Não acha que eu vou ter nojo da sua boca, né? – pergunta.
— Não sei... Acho que a boca é um lugar cheio de bactérias. – respondo. Ele sorri enquanto coloca o creme dental sobre as cerdas.
— Eu não me importo. Já coloquei minha boca em lugares seus muito mais interessantes. – diz ele, começando sua higiene bucal.
Eu coro e sorrio ao mesmo tempo.
Observo-o durante todo o processo, até ele secar os lábios e suspirar.
— Você se importa se eu tomar banho? – pergunta, excessivamente educado.
— De forma alguma. – respondo, ansioso pelo show. – Colocou essa bermuda para pegar a comida?
— Coloquei. – afirma, tirando-a e pendurando-a na porta. Ele liga o chuveiro e espera a água esquentar.
Observando-o atentamente, vejo-o entrar embaixo d’água e deixa-la escorrer pelas costas, chegando até a bunda e descendo pelas pernas.
Deus, obrigado por poder enxergar isso.
— Você prefere que eu fique de costas, de frente ou de lado? – pergunta, rindo. Eu sorrio.
— Do jeito que você quiser está bom. – respondo, fitando sua nuca.
Ele se vira e decide ficar de frente, com a água caindo em suas costas. Ele chega a fazer uma careta.
— Ai. – solta, se afastando um pouco. – Está ardendo.
No mesmo momento, sinto meu rosto quente e desvio meus olhos.
— D-Desculpa. – gaguejo.
Ele ri, volta para a água e pega o shampoo.
— Não se preocupe, Ero-Cook. – responde, já com o cabelo todo branco. – Não é insuportável.
— Eu machuquei sua cicatriz? – pergunto.
— A das costas não, mas a da nuca... Está doendo um pouquinho. – responde, tirando o sabão dos cabelos.
— Quando terminar, venha até aqui para eu ver. – peço, preocupado.
— Claro.
Observo-o por mais um tempo, até ele começar a ensaboar o tronco, com muito mais cuidado nas costelas.
— Sanji, você está se sentindo bem? – pergunta, tirando-me do meu quase transe.
— Em que sentido?
— Você está sem fumar há um tempo, então...
— Ah, isso. Não posso negar que sinto muita vontade, principalmente depois de comer, mas... Eu achei que seria... Seria... – repito, quando ele leva as mãos até seu pênis.
— Seria?
Pigarreio e desvio meus olhos, tentando me concentrar.
— Eu achei que seria muito pior. – confesso.
— E no restaurante? Você come doces? – pergunta, fazendo-me voltar a atenção para ele novamente.
— Eu não posso, você sabe. – respondo.
— Você tecnicamente não pode beber, também. – diz ele.
— Depende. Não posso beber e nem comer nada que adicione glicose ao meu sangue. – explico. – Por exemplo... Eu posso tomar vinho, mas não posso comer pão.
— Que analogia profunda, Ero-Cook. – provoca, terminando de lavar suas pernas.
Finalmente ele termina e desliga o chuveiro. Ainda molhado, vem até mim e se senta no banquinho, de costas. Subo minhas mãos até sua nuca e toco em sua cicatriz, um pouco inchada.
— Está inchada. – informo. – Por quê?
— Não lembra de ontem? Você quase arrancou meu cabelo. – responde, rindo.
— Ah, Zoro. Que vergonha. – falo, levando minhas mãos ao rosto a fim de me esconder.
Sinto suas mãos em meus antebraços.
— Não tem que ter vergonha, Ero-Cook. – murmura, com a voz mais suave. – Eu adorei o que fizemos ontem. E você também, por isso puxou tanto o meu cabelo.
Tiro minhas mãos do rosto e fito seus olhos. Por algum motivo, ele está feliz.
— O que foi? – pergunto, curioso.
Ainda sorrindo, Zoro entra na banheira e se senta, na minha frente e meio inclinado na minha direção.
— Nada...
— Zoro, você está muito misterioso. O que foi? – pressiono. Ele se inclina ainda mais na minha direção, forçando-me a deitar na porcelana.
— Eu só... Tive um sonho esquisito. Estou com um mau pressentimento. – fala. Ele segura meu braço e beija meu pulso, subindo por meu antebraço até a dobra.
— Zoro, faz quanto tempo que você está sem treinar? – pergunto. Ele sobe seus beijos por meu bíceps e ombro.
— Hm... Talvez... Três semanas? – pergunta-se, começando a beijar minha clavícula esquerda. Deixo minha cabeça pender para trás, tão relaxado a ponto de senti-la pesada.
— Não sente falta? – pergunto, fechando os olhos em resposta ao arrepio que sinto ao senti-lo beijar a curva de meu pescoço.
— Muita. Sinto que estou virando um robô enferrujado. – murmura. – Mas se eu não seguir o que o Chopper pediu, nunca mais vou poder competir.
— A fisioterapia te deixa cansado? – pergunto.
— Bastante. O esforço físico que eu faço lá não é nada perto do que eu faria se estivesse bem, mas... Toda vez que tento fazer alguma atividade mais pesada, sinto como se uma faca se enterrasse nesses ferimentos.
— Que bom que o Mihawk entende, né? – pergunto, pousando minhas mãos em seus ombros.
— Bom, ele me liga todos os dias. – responde, surpreendendo-me.
— Pra quê? – pergunto, mais alto do que gostaria. Ele tira a boca de meu pescoço.
— Para jogar conversa fora, eu acho. – responde. – Sabe, ele não tem esposa e nem muitos amigos, então...
— Como assim? O melhor amigo dele é o Shanks. Com um amigo desses, você não precisa de outros. – respondo, levemente irritado. Por que eu estou me irritando?
— O que está dizendo, Ero-Cook? Eu também tenho um melhor amigo, e nem por isso não preciso dos outros. – diz ele, subindo a mão por meu braço. De repente, ele se interrompe. – Não me diga que... Sanji, você está com ciúmes?
Meu rosto esquenta por completo e meus olhos se arregalam.
— Ci-ci-ciúmes!? – exclamo, levantando meu rosto. – É claro que não!
Zoro sorri, e percebo seu rosto um pouco corado, também.
— Sanji... Não tem com o que se preocupar. Eu não costumo me apaixonar por outros caras. – fala ele, passando a mão em minha bochecha. – E se quiser saber... Você é meu melhor amigo.
— Não é o Luffy? – pergunto, sem pensar. Acabo deixando transparecer ainda mais meu ciúme ridículo.
Zoro se move na água e vem ainda mais para perto de mim.
— Não. Ele é... Meu segundo melhor amigo. – responde, rindo de minha reação.
— Hm... Você tem uma melhor amiga? – pergunto, já saindo da minha crise.
— Sim. Obviamente que é a Nami.
— Pensei que fosse a Tashigi-chan. – solto.
— Não, ela é como... Uma irmã mais nova. Se bem que ela se parece muito com minha primeira paixão.
— Primeira paixão? – pergunto. – E você se lembra?
— Sim, é inesquecível. Ela era filha do Sensei do meu dojo, e foi dela que eu herdei a Wadou Ichimonji. – revela. Quando ele fala dela, vejo dor em seus olhos.
— Ela te deu a espada branca? – pergunto, um pouco confuso pelo seu uso de palavras.
— Não exatamente. O pai dela me deu... Depois que ela morreu. – fala, baixando os olhos. – “Kuina” era seu nome.
— Zoro... Por que não me contou isso antes? – pergunto, preocupado.
— Porque você nunca perguntou. – responde, sorrindo um pouco.
— Então, tem mais alguma coisa que você queira me contar? – pergunto. Ele suspira e pensa um pouco.
— Hm... Eu uso óculos para ler de perto. – fala.
— Sério? Eu nunca vi você usando.
— É por que eu nunca ando com eles.
— Certo. Tem mais alguma coisa?
Zoro pensa mais.
— Ah, tem mais uma coisa. Mas não sei se devo te contar.
— Zoro, por favor. Depois de tudo o que passamos, acho que não há mais nada que me surpreenda. – falo, inevitavelmente lembrando vários momentos nossos.
Ele crava seus olhos nos meus.
— Promete que não vai rir? – pergunta. Aquilo me assusta, mas eu assinto. – Bom, quando eu comecei a treinar com o Mihawk, ele dizia que faltava alguma coisa nos meus movimentos... Até descobrir que meus dedos eram tecnicamente “fracos” para o empunho de katanas um pouco mais pesadas.
— E o que tem demais nisso? – pergunto, confuso.
— Não, o pior vem agora. – começa, suspirando. – O Mihawk... Me forçou a tocar piano.
— Piano? – pergunto. – Mas o que o piano tem a ver com as espadas?
— Por causa dos movimentos dos dedos, teoricamente aprender a tocar me ajudaria com o treinamento. E acredite ou não, deu certo. – diz ele, chocando-me.
— Está me dizendo que sabe tocar piano? – pergunto, estupefato. – Uah, não combina com você.
— Eu sei. É por isso que ninguém tem conhecimento disso.
— Mas... Você sabe tocar como? O básico? – pergunto. Ele nega.
— Não. Conheço muitas notas. Acabou que o piano também me ajudou a evoluir minha audição. – revela.
— Uau, Zoro. Isso é incrível. – solto, sem pensar.
— Não vai rir? – pergunta.
— Não. Quando sairmos do banheiro, que tal tocarmos um pouco? – proponho.
— Você sabe?
— É, eu cresci na França. Era meio obrigatório, na escola onde eu estudava. – explico.
— A França é legal? – pergunta, sorrindo um pouco.
— Sim, é linda. Mas eu prefiro o Japão. – respondo-o. Ele sorri e, de repente, seus olhos tomam uma cor diferente. Suas pupilas parecem ter dilatado.
— E... Como se diz “ore wa omae ni kisushitai”, em francês? – pergunta. Coro com sua pergunta e seu olhar intenso.
— “Je veux vous embrasser.” – falo. Estranho a minha própria voz falando francês. – Nossa, faz tempo que não falo nada em francês.
— Ero-Cook. Estou excitado. – diz ele, fazendo-me corar.
— Quê!? Por quê!? – exclamo, confuso.
— Por algum motivo, você fica muito sexy quando fala francês. – diz ele, chegando mais perto. Perto o bastante para eu sentir seu calor em minha pele. – Diga mais alguma coisa.
Zoro me olha com luxúria, mas ao mesmo tempo admiração.
— Okay, okay. – concordo. Penso um pouco. – “Je ne regrette rien.”
— O que significa?
— “Eu não tenho arrependimentos”.
— Uau. Gostei dessa. Mais uma. – pede.
Fecho os olhos para pensar em algo, e lembro-me dele me declarando seu amor um pouco antes de eu entrar no banheiro.
Coro com minha decisão.
— “Je t'aime” – solto. Sem esperar minha tradução, Zoro leva a mão até meu pescoço. É claro, idiota. É óbvio o que você quis dizer. Olha a sua cara de adolescente apaixonada!
— Ero-Cook... – murmura, encostando sua testa na minha.
Ponho minha mão em seu antebraço e acabo com o espaço entre nós, sentindo seus lábios com os meus.
No primeiro momento, Zoro segura minha nuca e minha cintura, porém, diferentemente de ontem, ele está sendo totalmente calmo.
Sinto quando ele entreabre os lábios e toca os meus com a ponta da língua, devagar.
— Eu estou meio dolorido, então... Vamos sem pressa hoje. Okay? – sussurra, mordendo meu lábio inferior. Sorrio minimamente e assinto, abraçando seu pescoço.
Zoro deixa minha boca e beija meu queixo, passando por meu pescoço. Ele beija meu esterno vagarosamente, começando a descer por minha barriga, onde a água toca.
— Sanji, senta aqui em cima. – pede, referindo-se à parte de trás da banheira, onde ela se conecta com a parede.
Faço o que ele pede e deslizo pela porcelana, levantando-me até poder sentar na parte mais alta. Para me sentir mais confortável, coloco uma perna para fora da banheira e me seguro dos lados.
Zoro sorri maliciosamente ao ver que meu membro ficou exatamente na altura de seus olhos.
— Uau, Ero-Cook. Sexo lento também te excita? – pergunta, fazendo-me corar.
— Você ficar beijando meu corpo me excita. – corrijo, fitando meu membro ereto.
— Ótimo. Se prepare, porque agora eu vou beijar um lugar ainda mais sensível... – murmura, passando suas mãos por baixo das minhas coxas para poder segurar firme meu quadril.
Entreabro os lábios, agora ofegante pela ansiedade de poder sentir sua boca.
Observo-o quando ele encosta apenas os lábios em minha glande, deixando um beijo simples ali. Vejo-o deslizar a ponta da língua, macia, por toda a minha glande, fazendo-me apertar a porcelana com força.
Fecho os olhos e suspiro quando ele começa a me chupar, acariciando-me com a língua ao mesmo tempo. Ele segura meu pênis pela base e tira-o da boca, lambendo tudo e colocando-o na boca novamente.
— Aahn... – solto, sentindo a umidade e temperatura de sua boca, junto com a pressão que ele exerce ao me chupar, sem muita força. – Zoro...
— Hm? – ouço.
— Sua boca... – murmuro, levando minha mão até seus cabelos. – Uah...
Sem me avisar, Zoro começa a acariciar meu ânus, o que me faz prender meu lábio inferior entre os dentes e abrir um pouco mais as pernas.

Ele para de me chupar e começa a me masturbar, chupando só a glande, com mais intensidade. O calor de sua boca se transforma em ainda mais tesão e percorre toda a minha região genital, fazendo-me contrair involuntariamente.
— Ah...- gemo, tendo um pequeno espasmo. Olho para baixo e vejo-o engolir meu pênis quase inteiro, voltando a tirá-lo. Quando ele coloca de novo, sinto o começo de sua garganta e seguro seus cabelos com mais força, quase puxando sua cabeça para trás, num impulso de segurar meu orgasmo.
— Quer que eu pare? – pergunta, dando uma última lambida. Eu assinto, ofegante e com o rosto muito quente. – Por quê?
Ele sobe por meu corpo, deixando beijos demorados por minha barriga, subindo por meu esterno e queixo.
— Eu estava... – sussurro, abraçando seu pescoço. – Quase...
Zoro encaixa seus lábios nos meus.
— Eu adoro ver como você fica quando está perto de gozar. – resmunga, rouco. – Você se descontrola. É muito excitante, sabia?
— Sério? – pergunto, um pouco fora de órbita.
— Uhum.
— Então, pode ver de novo, se quiser. Ainda não gozei, Marimo. – respondo. Ele sorri e envolve meu membro com a mão.
— Com toda certeza, Ero-Cook. – murmura. Fecho os olhos novamente, quando ele me aperta com um pouco mais de força. Novamente, ele me masturba.
Aperto as pálpebras e deixo minha respiração acelerada sair por minha boca, sentindo-me cada ver mais perto do orgasmo.
— Zoro... – murmuro, puxando-o para um beijo.
— Sanji... Geme meu nome... – pede, abafado. Percebo que ele também está chegando ao ápice, com a mão livre.
— Zoro... – solto. Seguro seus braços e prendo minhas pernas ao seu redor. – Zoro... Mm...
— Isso... Vou gozar... – murmura, aumentando a velocidade em sua mão. Arquejo e aperto sua pele, até sentir o orgasmo se alastrar por meu ventre e me causar contrações musculares, que continuam por vários segundos.
Respiro pesadamente, e sinto quando Zoro começa a acariciar a pele do meu ombro, pescoço e peito, somente com as pontas dos dedos.
— Você está tão quente... – murmura. – Seu rosto está vermelho.
— É...? – pergunto, ofegando. – Isso é porque foi uma atividade longa e o banheiro está bem abafado...
— Está sexy. – murmura, passando seus dedos por minha barriga. – Muito bonito, também.
Abro meus olhos e vejo-o fitando minha pele. Estranhamente, ele parece admirado. Olho para baixo e vejo meu sêmen, misturado com o seu, sobre minha barriga.
Então, começo a observar sua pele morena, molhada e um pouco rosada, também. Sem me conter, beijo seu pescoço e seu maxilar.
— Isso porque não temos um espelho, Marimo. – brinco. Sem resposta, ele cora.
— Não estou acostumado com você sendo tão carinhoso, Sanji. – confessa.
— Não se preocupe. Você vai se acostumar. – respondo. Ele sorri.
— Algo me diz que não vai ser muito difícil.
Algum tempo depois...
POV Zoro
Dentro da loja provavelmente é o único lugar quente deste bairro inteiro.
— Ah, aqui é tão quente... – murmuro, com as costas encostadas na parede, só nos separando minha camiseta regata.
— Era para ser, mesmo. Não foi a toa que eu comprei e mandei instalar tantos aquecedores. – responde Nami. Eu suspiro, me arrepiando.
— Foi um ótimo investimento, se quer saber. – falo, feliz por não ter que usar uma blusa de frio.
— É. Tem aquecedor de chão, de parede, de ambiente... Ficou maravilhoso, Nami-san. – diz a Capitã, sorrindo.
— O que é esse sorriso, Capitã? – pergunto, colocando mus cotovelos sobre a bancada e desencostando as costas da parede.
Ela cora.
— Não é justo. Você também fica o tempo inteiro sorrindo. – rebate, fazendo corar de vergonha.
— Isso não é verdade!
— É sim! Sorrindo com cara de idiota, para o nada e sem razão! – responde, arrumando os óculos. Merda. Por que ela é tão igual à Kuina!?
— Calem as bocas! – grita Nami, assustando a nós dois. – Vocês dois estão iguais, apaixonados e felizes. A única que está sozinha nessa porra de sociedade sou eu.
— E... Isso é ruim? – pergunto. Ela me fuzila com os olhos e logo desvia.
— Não, se quer saber, eu estou muito bem solteira. – começa, levantando o nariz.
— Tem certeza? – pergunto.
Ela me olha e se desespera.
— Nããããoo! – lamenta, se jogando no balcão. – Eu vou morrer sozinha e com noventa gatos, Zoro! Socoooooorro!
Aquilo me assusta.
— Calma, Nami-san. Uma hora vai acontecer de você encontrar alguém especial...
— Eu vou morrer gorda, sozinha e peluda... – reclama, fazendo-me imaginar uma cena nada agradável.
— Nami, acho que você provavelmente precisa comer um doce. – falo, vendo seu estado.
— Ele tem razão, Nami-san. Você só está de TPM.
— Está dizendo isso... Mas você já tem o Smoker... O Zoro tem o Sanji-kun... O Luffy tem o Law... E eu?
— Não esquenta, Nami. Você tem a pior personalidade do mundo, mas provavelmente é a mulher mais gostosa que eu conheço. – falo. Ela enxuga as lágrimas.
— Sério?
— É... Depois da Robin. – confesso, levando um tapa na cara como resposta.
— VOCÊS HOMENS E ESSA MANIA DE GOSTAR DE MULHERES MAIS VELHAS! – grita, irritada. – Quer saber? Eu vou sair e comer a coisa mais gordurosa e doce que encontrar. E talvez eu desista dos homens.
Ela pega sua bolsa embaixo do balcão e começa a andar a passos firmes na direção da porta e sai rapidamente.
— Nami, espera! – grito, me levantando do chão. – Tashigi, cuide da loja. Eu vou atrás dela.
Sem esperar a resposta saio da loja e corro atrás da Nami, que anda apressadamente até seu carro.
— Não me siga, seu Marimo Apaixonado e feliz! – grita, chutando a neve.
— Não diga isso como se fosse um xingamento, sua bruxa! – grito de volta. – Nami!
Ela entra no carro e o liga rapidamente. Apenas dá tempo de eu pular para dentro... Pela janela aberta.
— Você é maluco!? – pergunta, vendo eu me arrumando no banco do passageiro. – Podia ter se machucado!
— Você quer comer doce? Vamos comer doce, então. – falo, já colocando o cinto de segurança. – Vamos até o Sanji e vamos pedir a sobremesa mais doce que tiver.
Ela olha para mim por um instante.
— Eu até cheguei a pensar que você estaria tentando me animar, mas aposto que só quer ver o Sanji-kun. Não é? – pergunta.
— Talvez. – respondo. Ela quase me bate novamente, mas começa a prestar atenção no trânsito.
Ao chegarmos, ela deixa o carro na porta e arremessa a chave para o manobrista.
— Sanji-kun! –grita, ao entrar no restaurante. Droga. Tinha esquecido o quanto este lugar é frescurento.
Todos os clientes olham para nós, estranhando toda a situação.
— Sanji-kun, venha aqui! – grita novamente, passando por entre as mesas. Apenas a sigo, tentando esquentar meus braços.
— Eu ouço sua voz, Nami-swan! – ouço, vindo do outro lado do grande lugar. Sanji vem correndo da cozinha e se ajoelha aos pés de Nami, tomando uma de suas mãos e levando-a até os lábios. – A que devo a honra de sua visita?
— Antes de qualquer coisa... Será que a gente pode sentar, Nami? – pergunto, numa educação forçada e quase batendo os dentes, ansioso por poder me encolher um pouco. – Eu estou sem blusa, caralho...
— Você é burro? Por que deixou sua blusa para trás?
— Porque eu saí correndo atrás de você, sua mal agradecida!
— Certo, venha. Vamos sentar no lugar macio. – diz ela, puxando-me pelo braço. Sentamos nos lugares da parede, onde as cadeiras são substituídas por sofás.
— Então? Vieram almoçar? – pergunta Sanji, ainda em pé.
— Não. Sanji-kun, eu quero comer a coisa mais doce que você tiver no Menu. Se tiver chocolate é melhor ainda. – diz Nami, assustando Sanji um pouco.
— Bom, hoje nós temos Mille Feuilles... Normalmente não vai chocolate, mas eu posso colocar um pouco... – diz Sanji, cauteloso.
— É doce? – pergunta.
— Com certeza.
— Ótimo, quero um desse. Na verdade, dois. – pede ela. Sanji chama um dos garçons e pede para ele anotar o pedido.
— Zoro, vai querer alguma coisa? – pergunta ele.
— Qualquer comida gostosa, está bom para mim. – respondo, encolhido.
— Certo. Para ele, você traz uma lagosta. – diz ele, dispensando o garçom. – Ah, Zoro, quer alguma sobremesa?
— Sim. Você, na minha cama, com caramelo por cima. – respondo, sorrindo. Ele cora e se irrita.
— Kuriyama, espera! – pede. O garçom volta. – Sobre a lagosta... Pede para a Emanuelle-chan dar uma leve gratinada nela, como eu sempre faço.
— Claro, Chef. – responde o garçom, indo na direção da cozinha. Por sua vez, Sanji se senta ao lado da Nami.
— Que injusto. Eu estou com frio, sabia? – pergunto, provocando-o.
— E o que eu tenho a ver com isso? – pergunta, irritado e ainda corado. – Está nevando, e você de regata. Cabeça de Marimo.
— Culpa da Nami. Ela saiu correndo e me deixou sem ação. – acuso, desviando o olhar.
— Enfim! Só não briguem! – diz ela, colocando as mãos na testa.
— Nami-san... O que foi? Você está aflita... – conclui o Ero-Cook, tocando o braço dela com as pontas dos dedos. Ele passa o braço direito por suas costas e a abraça, pousando a mão na manga de seu casaco.
— Ah, Sanji-kun. Eu só... Acho que estou de TPM. – diz ela, totalmente sem ânimo.
— Isso é estranho. Você não é assim. Nunca te vi chateada desse jeito... O que está acontecendo? – pergunta ele.
— É, normalmente quando você fica chateada, sai berrando e batendo em mim ou no Ero-Cook...
— Zoro! – repreende Sanji. – Cala a boca!
— O quê? É a verdade!
— Mas não precisa falar! – responde ele, voltando a falar com ela.
O frio começa a realmente me preocupar, quando sinto todos os meus membros superficialmente gelados. Sim, TODOS os membros.
Aperto ainda mais meu abraço em meu próprio tronco e encosto a testa na mesa, tentando me encolher. Neste momento, sinto minhas costelas gritarem de dor. Alerta, alerta. Hipotermia? Talvez.
Suspirando, sento-me com a coluna reta e cruzo as pernas sobre o sofá. Coloco minhas mãos entre elas e junto as pontas dos dedos, suspirando.
Aqui não é o melhor lugar do mundo para isso, mas vai servir.
Fecho meus olhos e me concentro em meu ponto de equilíbrio, no centro do abdômen. Ali, sinto que ainda está quente. Presto atenção em minha respiração e em meus batimentos. Sinto o sangue passando por minhas veias mais devagar.
Concentro-me na fonte de calor em meu abdômen e tento fazê-la se espalhar, por meio da meditação.
Não é a toa que eu treinei anos controle de energia, embaixo de uma cachoeira.
O calor começa a se estender e chega até meu estômago, alastrando-se por minhas costas e peito, até chegar em meus ombros e pescoço, quando eu tenho um arrepio.
Sinto a energia descendo por minhas pernas, até as panturrilhas.
— Z-Zoro? – ouço, bem longe de minha consciência. – Ei, Zoro!
— Hm? – pergunto, ainda de olhos fechados.
— Você está deixando nós dois com calor. – diz Nami, e eu abro meus olhos, encontrando o olhar preocupado de Sanji.
— O que está fazendo? Você está parecendo um aquecedor!
— Eu estava meditando... Para esquentar. Não vai durar muito, então eu tenho que comer rápido. – falo. Por sorte, vejo o garçom trazendo três pratos para a nossa mesa. – Que rápido.
— Não, você virou estátua por uns dez minutos. – esclarece ela. Eu suspiro.
— É, as vezes perco a noção do tempo.
— Pensei que fosse ruim só em noção de direção, Zoro. – provoca Sanji.
— Sua lagosta, Senhor. – diz o garçom, colocando o prato com a maior lagosta que eu já vi na minha frente.
— Uau. Nossa. Isso vai ser bom.
— E seus dois Mil Folhas, Senhorita. – diz ele, deixando os dois pratos para Nami.
Ela mal espera ele lhe entregar os talheres e começa a devorar o doce, enquanto eu começo a minha refeição.
— Está dispensado, Kuriyama. – diz Sanji. O garçom sai de nossa vista. – Nami-san... Acho que você deveria relaxar.
— Relaxar? Eu acabei de te contar toda essa frustração que estou vivendo e você diz que quer que eu relaxe? Falar é fácil quando você tem o Zoro.
— Não é isso... O que eu quero dizer é que... Quando você para de procurar, alguém vai aparecer. É inevitável. Só cuidado para não colocá-lo na friendzone. – alerta ele, fazendo-me soltar um sorriso.
— Eu não sei se acredito nisso, Sanji-kun... – confessa ela, insegura.
— Não se preocupe. O maior prazer do Cupido é confundir a gente.
— É, Nami. Enquanto seu coração não se atrai por ninguém, aproveita para provar vários sabores... Se é que me entende. – brinco. – Afinal, você tem 21 anos.
— Ele está certo. – fala Sanji, surpreendendo-me.
Ele não vai dizer que ela tem que se reservar pra ele ou qualquer coisa do tipo?
Neste momento, o celular de Sanji toca.
— Só um instante. – pede enquanto eu só assinto. Minha boca está muito ocupada. – Ah, Asami.
— Asami?
— Sim, estou em intervalo. Por que? – pergunta. – Ah, sim. O Zoro quebrou o celular arremessando-o na parede. Nada muito incomum.
— Ele quer falar comigo? – pergunto. Ele acena que sim, mas continua conversando.
— Normalmente às 22:00. – responde a mais uma pergunta que não consigo ouvir. – Sério? Certo. Estarei aí junto com ele.
Quando ele desliga, fico curioso.
— Ele quer que você vá ao clube hoje, mesmo ainda em recuperação. – fala, suspirando. – Disse que contratou um membro novo e quer que a gente o conheça.
Dou de ombros.
— Não vejo problema nenhum. – respondo, comendo as últimas carnes da minha lagosta.
— Está com dor? – pergunta.
— Um pouco, por causa do frio. – confesso.
Ele assente e se levanta.
— Nami-san, eu e o Marimo vamos indo. Qualquer dúvida, pode me ligar. – diz ele, fazendo-me levantar . – Os pratos você diz ao Kuriyama que são por conta da casa.
— Está bem.
— Até depois, Nami-san! Te amo! – fala ele, fazendo-me revirar os olhos.
— Dá para parar de expressar seu amor por ela tão abertamente?
— Por que? Qual o problema?
— Você tem que dizer essas coisas somente para mim, Ero-Cook.
Sanji cora até a raiz dos cabelos.
— C-Cala a boca. Marimo idiota. – xinga, puxando-me pelo abraço na direção da cozinha. Sorrio sozinho com a sua reação.
— Onde nós vamos?
— Preciso passar no vestiário, tirar esse dólmã e te arranjar uma blusa. – responde.
Sanji me puxa sem pressa.
— Ero-Cook, por que está me...
De repete me ocorre algo. Em cinco meses juntos, nunca andamos de mãos dadas.
Uah. A mão dele é tão macia... Será que é por isso que ele é tão delicado e preciso na cozinha?
Entrelaço nossos dedos e diminuo meu passo, assustando-o. Ele olha para trás e me acompanha, sem soltar a minha mão.
— O que foi? – pergunta, fitando-me com seus olhos azuis vívidos.
— Nada. Só que... Eu percebi que nunca segurei sua mão dessa forma antes. – explico. Ele olha para baixo e cora. – Está quentinha.
Aproveito nossa semelhança de altura e beijo sua testa facilmente.
— Também nunca fiz isso. – falo, sorrindo. – É um carinho simples, mas... Por que nunca fiz isso?
— Não seja bobo. – murmura. – Quando eu estava me recuperando da cirurgia, você vivia beijando minhas pálpebras e meus pontos perto das orelhas. Lembra? Ainda estávamos na Alemanha.
O resto do meu corpo se aquece ao lembrar-me de coisas tão doces.
— Sim. Meus beijos são um ótimo remédio para tudo. – brinco, fazendo-o rir.
— Idiota. – diz, empurrando meu ombro levemente. Aperto sua mão levemente e ele cora. – Por que não solta minha mão?
— Quer que eu solte? – pergunto. – Ou está só com vergonha?
— O que vai fazer se alguém nos vir assim!? – pergunta, levemente exaltado.
— Eu...
Começo a responder e, entretido na conversa, não vejo o batente da porta do vestiário e bato a canela com força.
— ITAI! – grito, agarrando minha canela.
— O que aconteceu? – pergunta alguém, de dentro do lugar. Um homem vestido com o uniforme de garçom aparece. – Chef!? Que grito foi esse?
— Ah, não esquenta. – solto, levantando-me novamente. – Bati a perna.
— Nossa, cara. Que susto. – diz o garçom, com a mão no peito.
Por causa de minha incrível falta de atenção, irrito-me. Mas que droga... Como eu não vi a porra da parede?
Já irritado com a parede e também por não poder mais segurar a mão de Sanji, fico com raiva.
— Ero-Cook, vou te esperar lá fora. – falo, já tomando o caminho da saída. Abro a porta de ferro e sinto uma bola enorme de neve cair sobre minha cabeça. Com as mãos, jogo todo aquele gelo para o chão.
Ali fora, vejo neve por todos os lados.
Merda. Eu estava tão quente agora há pouco... E como eu não vi aquela parede!?
Espero alguns minutos com meu corpo tendo tremeliques e meu queixo batendo, até que Sanji sai, devidamente agasalhado com um sobretudo bem grosso e pesado.
— Por que não ficou lá dentro, Marimo!? – pergunta, irritado. Não consigo respondê-lo. – Você está... Azul!
— Q-Que d-droga... – tento, falhando miseravelmente. – E-Eu gost-to de v-verd-de.
— Idiota. – resmunga, jogando um casaco sobre meus ombros. Eu o coloco, fecho todos os botões, e Sanji me entrega luvas de lã.
— Uau... T-Tudo serviu. – gaguejo, assoprando minhas luvas com o intuito de esquentar mais rápido.
— É porque não é nada meu. – explica. – É de um dos meus companheiros da cozinha.
— Agradeça ele por mim.
— Depois você faz isso. – corrige. – Venha. Como eu ainda não tenho um carro, teremos que ir de trem.
— Que? Sério? – pergunto, esfregando meus braços.
— Sim. Ou então um táxi. – responde.
— Ah, não. Vamos esperar a Nami. – decido.
— O Asami disse que temos que ir agora! – alerta.
— Tsc. – solto, segurando sua mão novamente. Puxo com pressa e entro no prédio novamente, passando pelo vestiário rapidamente e entrando no restaurante.
Avisto a cabeleira laranja já perto da porta, e corro em sua direção.
— Venha, Ero-Cook! – puxo-o, olhando para trás. Vejo seu cachecol quase escapando de seu pescoço. – Nami!
Ela me ouve e franze o cenho, obviamente estranhando a situação.
— Precisamos voltar até a loja! – falo. – E rápido!
— Ah, querem que eu os leve?
— Óbvio! – exclamo.
— Okay, vamos!
Nami pede ao manobrista que busque seu carro e, quando ele volta, Sanji o diz que a taxa de estacionamento fica por conta da casa.
Ela entra no carro e eu e Sanji damos a volta. Então, só aí percebo que ainda estamos de mãos dadas.
Ele decide ir no banco da frente, e quando vou abrir a de trás, não encontro a maçaneta.
— Droga de carro de três portas. – resmungo, sendo obrigado a dar a volta novamente.
Quando finalmente estou dentro, Nami arranca já em alta velocidade.
Sanji puxa o freio de mão e desliga o carro.
Suspiro ao ver meu amigo Armário parado na porta do clube.
— Faz tanto tempo... – murmuro. – O Armário cresceu mais ou é impressão minha?
— Você não lembra o nome dele mesmo, né? – pergunta, rindo. Saímos do carro e Sanji aciona o alarme, guardando as chaves dentro do bolso.
— Boa noite, Mr. Kuro Ashi. – cumprimenta o Armário, abrindo a porta para nós. – Boa noite, Mr. Roronoa.
— Boa noite, Mr. Armário. – cumprimento, olhando para cima. Vejo um mínimo sorriso em seu rosto.
Entramos passamos pela recepcionista, que eu também não me lembro do nome.
— Sanji-san! Zoro-san! – exclama Sakurazaki, ao nos ver. – Juntos novamente, hã?
— É... Mais ou menos. Zoro ainda está se recuperando.
— Bom, foi uma pancada bem feia, suponho. – diz ele, sorrindo e estendendo sua mão para mim. Eu a aperto.
— Nada com que se preocupar, pode apostar. – falo, fazendo-o rir. – Tem alguém aí?
— Ah, sim. – responde. – PESSOAL! ZORO-SAN ESTÁ DE VOLTA!
Espanto-me com seu grito repentino, e Sanji só ri. Subimos as escadas para o clube e encontramos todos os hosts juntos, as mulheres e os homens.
— Zoro-saaaaaaaaan! – ouço, sem exatamente reconhecer de onde vem. – Você veio!
De repente meu corpo é atingido por um corpo magro e esbelto, tirando-me meu ar.
— Ren... – murmuro, sentindo dores um tanto quanto fortes. – Nunca me acostumo com a forma como você me abraça...
— Ei, Ren! Ele quebrou três costelas, se lembra!? – grita Asami. Ren me solta e eu me curvo, tentando voltar a respirar.
Sanji coloca um de meus braços ao redor de seu pescoço, ajudando-me a me manter em pé.
— Chegaram as estrelas da festa! – exclama alguma das mulheres, excitando os outros a baterem palmas.
— Que festa? – pergunta Sanji.
— A festa de boas-vindas ao nosso novo companheiro de trabalho! – anuncia mais alguém.
— Deem as boas vindas ao Takeshi-kun! – diz Asami, apresentando-nos um homem um pouco mais alto que eu, porém mais magro. Seu rosto é bonito, e seu cabelo é branco. Estranhamente, seus olhos são amarelos. Na meia-luz do clube, ele seriamente se parece com uma cobra. Ou melhor: uma serpente.
— Yoroshiku, Zoro-senpai. – diz ele, fazendo uma leve reverência. – Espero que nos demos bem.
— É. Também espero. – respondo. Ele é esquisito. Parece que está sendo irônico e bastante falso.
— Você é o novato, então... – murmura Sanji, olhando-o desconfiado. Provavelmente está sentindo a mesma coisa que eu.
— Sim. Yukimura Takeshi, muito prazer. – responde ele.
— Asami, você realmente só nos chamou para isso? – pergunto, voltando a arrumar minha postura.
— É... Assumo que te chamei para saber se você estava mesmo tão mal quanto Sanji dizia. – responde. Sua sinceridade me irrita um pouco.
— Você definitivamente não é o melhor chefe do mundo. – respondo. – Não, eu não estou doente. Estou só fazendo fisioterapia.
— Todos os dias. E está usando uma cinta. E ainda não consegue espirrar sem gritar de dor. Ah, também não consegue aguentar o abraço de urso do Ren sem quase desmaiar. – fala Sanji, fazendo-me corar.
— Sanji... Shh. – peço. Todos riem de mim.
— Uau, Sanji-san... Você sabe bastante do Zoro-senpai, né? – pergunta Yukimura.
— O quê? Você não tem amigos? – pergunto, irritado por seu intrometimento. – Pessoas próximas normalmente sabem dessas coisas básicas.
— Oh, desculpe-me. Você tem razão. – responde. Sério. Ele está conseguindo me esquentar.
— Bom, vamos beber? – pergunta Asami, obviamente percebendo meu olhar sanguinário em direção ao novato.
— Vamos! – exclama Ren, dando um pulo.
Alguém liga a música, e o barman começa a servir todos os tipos de bebida, como sempre.
— O de sempre, Zoro-san? – pergunta ele, quando me sento perto do balcão. Sanji vai dançar.
— Sim, por favor. – peço.
Ele disponibiliza minha garrafa de sakê e eu dou o primeiro gole.
— Zoro-san, estou tão feliz em ter você aqui novamente! – fala Ren, se sentando meu lado. – Vai voltar a trabalhar?
— Sim, com certeza. Estou precisando pagar umas dívidas. – explico.
— Ah, aquilo que o Sanji ficou fazendo hora extra, né? – pergunta, direto.
— Uah, Ren... Você não é nada sutil. – falo, sorrindo um pouco. – Mas sim, é isso mesmo. Ele está bancando minha fisioterapia.
— Hm... Então você não está treinando, suponho.
— Não fui autorizado pelo meu médico ainda. – explico. – Mas estou me sentindo como um robô enferrujado e flácido ao mesmo tempo.
— Ah, é? Para mim, parece como sempre... – começa. – Extremamente gostoso.
Quase cuspo tudo o que estava em minha boca, e engasgo.
— Ren! – reclamo. – Não diga essas coisas do nada!
— O quê? Só fui sincero. – responde, sorrindo maliciosamente. Levanto uma sobrancelha, desconfiado. – Além do mais...
Ele se levanta.
— O quê? – pergunto. Ele chega perto de mim, o suficiente para sussurrar em meu ouvido.
— Algum dia eu ainda terei você dentro de mim, Zoro-san. – sussurra, provocante. – E tenho certeza que será maravilhoso.
Ele me dá as costas, mas antes que saia, eu seguro seu pulso.
— Ren, eu... Achei que tivesse entendido. – começo, já me arrependendo. – Eu amo o Sanji. Não vou traí-lo.
Ele sorri e cora.
— Não, Zoro-san. Você não vai fazer isso, eu sei. – responde, vindo mais perto. – Eu adoro o jeito como vocês se amam.
— Então o quê...
— Só que eu não estou te dizendo para me amar. – fala. – Quer dizer, eu te amo, mas... Não da mesma forma que antes. Entende?
— Sinceramente? Nem um pouco. – assumo, confuso.
— O que eu quero dizer é que amo seu corpo. Você é literalmente meu tipo. – responde. – Eu adoro o gosto do seu enorme pau, e também nunca esqueci seus beijos. Mas não preciso do seu amor, por que... Eu me apaixonei por outra pessoa.
— Então porque não faz essas coisas com essa tal pessoa? – pergunto, ainda confuso.
— Eu já fiz até mais, mas... Não acredito que seja a mesma coisa. Na verdade, eu... Gostaria de fazer com vocês dois. – fala desviando o olhar.
Minha surpresa não cabe em mim.
— Está falando sério, Ren? – pergunto. – Como assim?
— Hm... Eu ia conversar com você sobre isso depois, mas... – começa, envergonhado. – Ah, dane-se. Eu queria fazer algo com nós quatro, entende? Você, o Sanji-san, eu e meu namorado...
— Espera... É muita informação para mim. – peço, suspirando. – Resumindo, você quer fazer uma troca de casais. É isso?
— É, tipo isso.
— Ren, me desculpe, mas... Você está fazendo tudo isso só para transar comigo, então... Não envolva o Sanji nessa história. – peço. – Ele jamais iria aceitar algo assim, e eu não vou traí-lo.
— Você não me deseja? – pergunta, olhando tão fundo nos meus olhos que me sinto intimidado. – Espera... Então, se o Sanji-san, concordar, você topa?
Eu suspiro. É claro que ele vai recusar isso para sempre, idiota.
— Ah, claro. Se e somente se ele concordar, eu faço tudo o que você quiser. – falo, irônico. Ele nem percebe, de tanta felicidade.
— Obrigado, Zoro-san! Vou falar com ele agora mesmo!
Vejo-o sair correndo para a pista de dança. Esse Ren... Ao mesmo tempo que pode ser extremamente inocente e fofo, pode ser bem safado e esperto. Pelo menos ele é honesto.
É sério que ele está se esforçando tanto por um corpo tão cheio de cicatrizes como o meu?
Suspiro e volto a beber. Coitado. Vai voltar para casa chorando depois de levar uma bela bronca do chefe por estar tentando ter relações pessoais no trabalho.
Quando abro meus olhos novamente, vejo Sanji dançando junto com as nossas companheiras de trabalho. Elas acompanham seu ritmo, mas em nenhum momento tentam assediá-lo ao algo do tipo.
De repente, vejo alguém acenando para mim, do outro lado do salão, na entrada do corredor dos quartos.
Yukimura está me chamando para conversar a sós. Estranho.
Solto a garrafa sobre o balcão e dou a volta no povo, chegando ao meu destino mais rápido.
— O que quer? – pergunto. Ele sorri e pede para eu acompanha-lo até um dos quartos.
Quando entro em um deles junto com ele, Yukimura tranca a porta.
— Então?
— Bom, vou direto ao ponto. – começa. – Quero vinte e cinco milhões de yenes.
— QUÊ!? – pergunto. – Como assim!?
— Eu fotografei você e o Kuro Ashi quando estavam se divertido no estacionamento do mercado, dentro do carro.
Aquilo me surpreende, e eu sinto um estranho frio na barriga.
— Isso é mentira, óbvio. – respondo, tentando soar confiante.
— Não se faça de idiota, Roronoa. Veja você mesmo. – fala, entregando seu celular na minha mão. – Se quiser pode até apagar, mas eu tenho várias cópias em casa.
Logo na primeira foto, posso ver Sanji inclinando o rosto para trás, quase gozando em meu colo. Daí por diante, todas as fotos nos mostram nitidamente numa relação íntima... Algo que seria impossível de contestar, se vazasse.
A primeira alternativa que me vem à cabeça é dar a maior surra que esse cara já sentiu, mas descarto-a logo que penso que as fotos podem aparecer em tudo quanto é jornal.
A segunda alternativa que me vem à cabeça é pensar que realmente não me importo, já que só aparecemos nos beijando e também não ligo de ser associado a ele, já que realmente o amo, mas...
E ele? Sanji se sentiria confortável em assumir nossa relação publicamente? Para nossos amigos, conhecidos e até para uma eventual mídia que nos procure? Óbvio que não. Nós andamos separados na rua, e no clube não temos nenhum contato. Ele não se sentiria bem.
— Você... Falou com ele? – pergunto, preocupado.
— Estou tentando não ter que recorrer a tal coisa, mas... Talvez eu deva chamá-lo? – ameaça. Eu suspiro e começo a andar pelo quarto.
Merda. Tudo porque eu não quis esperar chegarmos até a porra do hotel. A culpa de tudo isso é minha. Que ótima pessoa eu sou.
Ainda com seu celular em mãos, suspiro mais uma vez.
— Certo. Eu pago, mas você terá que me devolver tudo o que tem. – falo.
— Sim, pode apostar. Temos um trato. – fala, estendendo a mão. Eu o olho e, sorrindo, jogo seu celular no chão com força e o esmago com o pé.
— Sim. Só terá que comprar um novo celular. – falo, tirando-o da minha frente com um empurrão.
Saio daquele quarto extremamente irritado, com os nervos à flor da pele.
Não acredito que fui tão idiota. Como pude expor Sanji dessa forma? Como pude colocar em risco sua imagem, sua privacidade? Como posso... Como posso me redimir? Como faço para ele não se sentir ameaçado, com medo de preconceitos e coisas do tipo?
Não posso assumir nosso compromisso se ele não concorda. O que eu faço?
— Zoro, aonde você estava? – pergunta Sanji, quando volto ao salão.
— Em lugar nenhum. Vou para casa. – respondo, confuso demais para qualquer resposta coerente.
— Para casa? Mas nós acabamos de chegar! – diz ele, mas já estou tomando maior distância. – Zoro!
— Eu... Estou confuso. Só preciso sair daqui, ou então vou quebrar alguma coisa.
Ele não me responde, e eu saio dali antes de ver seu rosto triste por minhas palavras secas. Desço as escadas e saio do clube, correndo para a avenida o mais rápido possível.
Eu só... Preciso ficar sozinho.
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