Um Amor Complicado.
15 Capítulo 15 - O maior medo.
Notas iniciais
Capítulo 15
POV Zoro
Mihawk me olha como se eu fosse maluco.
— Você só pode estar louco. – fala, inconformado.
— Por que? – pergunto, confuso. Seco meu suor na manga do kinagashi e volto a ficar ereto.
— Você acorda de manhã, vai para o seu trabalho com a Mercenária, vem pra cá, depois vai para a academia e em seguida para o Host Club. – fala, e eu concordo. – Que horas você está pensando em descansar, Roronoa?
— Bom, já que o trabalho com a Nami não é obrigatório, eu pensei que...
— Ouça. Você é um competidor olímpico e eu sou o seu treinador. Minha obrigação é cuidar do seu físico e seu desenvolvimento. Se esse serviço te atrapalhar, eu não vou hesitar um minuto em te tirar de lá. Entendeu? – pergunta, severo. Eu suspiro.
— Mihawk, você está exagerando. Acha que eu sou fraco? Que eu não consigo conciliar tudo isso? – pergunto, irritado.
— Você não é fraco, mas isso já é demais. – resmunga, se sentando. Com o treino terminado, guardo a Kitetsu e a Shuusui nas bainhas.
Observo-o por alguns minutos.
— Acho que o mínimo que você deveria fazer, como treinador e até mesmo como amigo, é me apoiar em minhas decisões. Trabalhar em um Host Club não vai tirar nada de mim, Mihawk. Eu só vou acompanhar pessoas enquanto elas bebem. – explico. – E eu sou responsável o suficiente para saber se algo me sobrecarrega ou não. Enfim, com licença. Vou embora.
— Roronoa, espera. – pede.
— Decidiu falar, agora?
— Você tem razão. Tudo bem, tudo bem. – diz ele. – Só me diga uma coisa.
— Hm?
— Você está indo trabalhar com o Kuro Ashi?
— Sim.
— Imaginei. – então, ele coça a nuca e suspira. – Você sabe o que faz, mas tome cuidado. Não se meta com drogas.
— Ceeerto.
Ele me dá um aceno de cabeça e eu pego minha mochila, já tirando minhas roupas e ficando só de cueca. Coloco uma camiseta e minha bermuda, além do tênis. Amarro minhas katanas na mochila com um nó apertado.
— Até amanhã, Mihawk. – falo, saindo de sua academia.
Suspirando, começo a minha corrida até o trabalho.
No meio do caminho, olho no celular e percebo que não posso passar no restaurante para ver o Sanji. Então, decido ligar.
— Alô? — atende. Só que não é ele. Quem é que está atendendo o celular do Sanji?
— Oi. O Sanji está por perto? – pergunto. Ouço sua voz no fundo, gritando comandos.
— Ah, sim. Me desculpe, mas o Chef está muito ocupado no momento. Ele ficou um mês fora, por isso tudo aqui está um caos. — diz o homem.
— Tudo bem. Quando tiver oportunidade, pode dizer que o Zoro ligou? – pergunto.
— Posso sim. Até mais, Zoro-san! – responde a pessoa. Então, desligo o telefone e continuo correndo até a loja.
Quando chego, abro a porta de vidro devagar. Porém, não vejo ninguém.
— Nami? – pergunto, indo até o balcão. – Nami, cadê você!?
Ouço passos das escadas do estoque, e Nami aparece.
— Bom dia, dorminhoco! – exclama, feliz. Ela porta um caderno e anota algumas coisas. – A noite foi boa, hein?
— C-Como assim? – pergunto, totalmente na defensiva.
— Dava para ouvir do meu apartamento os gemidos sensuais de prazer de vocês dois. – fala, fazendo corar totalmente. – Ou você esqueceu que o seu quarto divide parede com a minha sala?
— Droga! – exclamo. – Eu esqueci.
— Sem problemas. Isso quer dizer que vocês se entenderam, né? – pergunta, anotando mais alguma coisas.
— Completamente. – concordo, fazendo-a rir.
— Bom, a Tashigi ainda está presa na Marinha. Pelo que parece, o Smoker não quer deixa-la vir trabalhar, como antes. Mesmo assim vou manter o contrato dela.
— É melhor. Tirando eu, ela é única que sabe vender katanas, afinal. – falo. – A propósito, eu arranjei um emprego novo.
— Hein?
— É. Vou trabalhar no Host Club, junto com o Sanji. – continuo.
— Okay. Desde que não atrapalhe meus negócios com a loja, tudo bem. – ela dá de ombros.
Sorrio.
Eu não precisava da sua permissão, besta.
— Ohayo! – diz uma voz vinda de trás de mim, entrando na loja. Vejo o casaco escuro antes do boné manchado.
— Law? – pergunto.
— Zoro-ya. Nami-ya. – cumprimenta ele. – Preciso polir minha espada, mas o Luffy fez o favor de jogar todas as minhas ferramentas fora. Tem alguma que eu possa usar?
Algo me é estranho.
— Você acabou de chamá-lo de “Luffy”? – pergunto, confuso.
— É verdade... Pensei que você só chamasse o Luffy de “Mugiwara-ya”. E ainda, sem o “ya” no final? – pergunta Nami, analisando-o. – Estranho. Se fosse “Luffy-ya”, pelo menos...
— Bom, nós estamos dividindo o apartamento, certo? Nada mais natural do que ter uma certa intimidade. É inevitável. – diz ele. Aham. Sei muito bem a intimidade que vocês dois estão desenvolvendo.
— Deixando isso de lado... – falo, mudando de assunto. – Eu tenho algumas ferramentas atrás do balcão. Pode pegar e se acomodar em algum canto da loja.
— Obrigado.
Horas mais tarde...
Depois de estacionar meu carro, pego meu celular.
- Zoro?
— Estou no estacionamento. – aviso.
— Certo. Estou descendo.
Desligo e espero pacientemente, até ouvir uma batida no vidro. Então, saio do carro com minha mochila e tranco tudo, ativando o alarme.
— Nós temos uma hora para te deixar apresentável. – informa ele, me levando para dentro do clube pela entrada dos funcionários. – Venha, me siga.
— Ei, espera! – peço, segurando seu braço. Sanji vem ao meu encontro. – Cadê meu beijo de chegada?
Ele cora docemente e encosta os lábios nos meus, bem de leve.
— Satisfeito? – pergunta.
— Por enquanto, está bom. – respondo, sorrindo.
Sanji se separa de mim e me leva escada acima. Quando chegamos ao primeiro andar, vejo o vestiário masculino.
— Uau. É grande aqui. – observo. Ele concorda e vai até um armário. – E estamos sozinhos.
— Nem pense nisso, Zoro. – fala, e eu acabo rindo.
— Tudo bem, foi mal. – respondo. – Por que você queria essas minhas roupas?
— Trouxe o que você tinha de roupa social? – pergunta, e eu assinto.
— Sim. – respondo.
— Tomou banho antes de vir?
— Pra quê tanta pergunta? – pergunto. Apenas suspiro. – Tomei.
— Menos trabalho.
A porta do vestiário é aberta e entra um cara mais baixo do que eu, de cabelos escuros como os próprios olhos.
— Konbanwa, Sanji-san! – cumprimenta ele, alegre.
— Konbawa. – responde ele. – Zoro, esse é o Ren. Ele é o Host número dois do nosso clube.
— Uau. – falo, por educação. – Imagino que você seja o número um, então.
— Exato! – exclama Sanji.
— Zoro-san, eu sou Ren. Prazer em conhecê-lo. – diz ele, educado e me dando um aperto de mão.
— Igualmente.
— Foi contratado? – pergunta ele. – Espero que continue conosco.
— Eu ainda não sou contratado. Estou começando hoje, na verdade. – explico.
— Boa sorte.
— Zoro, o que está esperando para tirar essas roupas e colocar as apropriadas? – pergunta Sanji.
— Calma, já estou fazendo isso. – tranquilizo-o. Ren ri.
Tiro a mochila das costas, sentindo uma estranha ardência. Antes já estava, mas parece que piorou.
— Itai... – murmuro. Então, quando vou tirar a camiseta com rapidez, sinto uma ardência horrorosa, ainda maior, na pele das costas. – Ai! Mas que droga é essa!?
— O que houve? – pergunta Ren. Sanji parece concentrado demais em algo no celular.
— Minhas costas estão ardendo. Pode dar uma olhada para mim? – pergunto, retirando a camiseta com cuidado.
— P-Posso?
— Porque não poderia? – pergunto, estranhando.
— É que eu sou gay, então achei que você poderia... Sabe, ter alguma aversão.
— Ah, não se preocupe. Não tenho nada contra gays. Admiro, na verdade. – falo. Ele sorri mais uma vez, educado. – Agora, dá uma olhada aqui, pelo amor de Deus.
Viro-me de costas para ele, que parece se espantar ligeiramente. Sinto seu toque suave.
— Zoro-san, você esteve com alguém recentemente? – pergunta. – No sexo, quero dizer.
— Estive. – confirmo. Sanji olha-nos e faz uma expressão estranha ao ver Ren às minhas costas e eu sem camiseta.
— Sanji-san, venha ver.
Ele caminha até atrás de mim.
— O que foi? Tem algo nas minhas costas?
— Tem. Arranhões muito fortes. Na verdade, bem inchados e avermelhados. – diz Sanji. – Onde conseguiu isso?
— Bom, eu tenho uma vaga ideia, Ero-Cook. – falo, malicioso. Ele cora muito, tanto que até suas orelhas se avermelham.
— Você com certeza é bom no que faz, né? Adoraria provar um pouco disso qualquer dia. – diz Ren, rindo e saindo de perto de nós dois.
Assediado por um gay. O que acontece comigo?
Olho para Sanji, que ainda está todo envergonhado.
— Fui eu? – sussurra Sanji, surpreso.
— Sim. – respondo. – Mas isso é bom. Uma prova de que você gostou do que fizemos.
— Desculpe-me. – murmura, ainda envergonhado.
— Não precisa de desculpar, Sanji. Eu estou feliz por isso. – falo, sorrindo. – Posso te beijar agora?
— Não! – sussurra em resposta. – Claro que não! E-Eu... Vou buscar um curativo para você.
Sorrio. Uau.
.
Sanji mais uma vez arruma meu colete.
— Ero-Cook, eu estou bem.
Ele me olha como um profissional.
— Hm... Talvez se desabotoássemos os primeiros... – murmura, soltando os três primeiros botões de minha camisa branca. – Sim. Agora está perfeito.
— E porque você está fechando até o último e ainda colocando uma gravata? – pergunto.
— Para dar um contraste. – diz ele. – Eu estou voltando a trabalhar depois de um tempo e você está começando hoje. Resumindo, somos o centro das atenções.
— Que bom, porque eu não quero andar por aí com a roupa tão certa. Gosto das coisas mais bagunçadas. – falo, arregaçando as mangas da camisa.
— Está bom assim. Vou te levar até o Asami-san e depois vou te dizer as regras.
— Regras? – pergunto, seguindo-o.
— Sim, regras.
Sanji e eu saímos para o corredor, onde há várias mulheres e homens esperando para se trocarem. Afinal, aqui é um clube bissexual.
— Sanji-san, que bom que está de volta! – exclamam algumas pessoas.
— Espero que tenha melhorado!
— Dê o seu melhor!
Vozes e mais vozes misturadas. Ele realmente é conhecido. Todo mundo gosta dele.
— Boa noite para todo mundo! – exclama ele, alegre. Então, puxa meu braço com força e me faz subir uma escada vazia, onde no final há mais uma porta. – Ufa.
Na frente da porta, há um segurança que libera nossa entrada.
— Asami-san! – chama ele. Atrás de uma mesa de madeira, encontra-se um homem forte, de roupas incrivelmente sociais e com o cabelo liso e curto penteado para trás.
— Você veio. Ainda bem. – diz o homem, tirando seu cigarro da boca. – Então? Quem é ele?
— Ele é o meu jeito de quitar minha dívida. – fala Sanji, apresentando-me. Faço uma pequena reverência.
— Sou Roronoa Zoro. – falo. O chefe me avalia. – Gostaria que aceitasse meu serviço.
— Hm... – resmunga ele, apoiando os cotovelos na mesa. – Você tem um rosto legal, mas não sei... Pode abrir a camisa?
— O quê? – pergunto.
— Cale a boca e abre logo a porra da camisa, Zoro. – sussurra Sanji. Suspiro e abro o colete, seguido da camisa, sem pressa alguma.
— Interessante. Uma cicatriz. – observa ele. – Está contratado. Seu corpo é provavelmente o masculino mais perfeito que já vi.
— Obrigado. – agradeço, confuso. Devia levar isso como um elogio, certo?
— Fique apenas ciente que você não vai receber salário no primeiro mês, já que é para quitar a dívida do seu querido amigo Sanji. – fala.
— Estou ciente.
— E Sanji... É a primeira vez que te vejo sem óculos escuros. Continue sem eles. – fala o chefe, e Sanji assente.
Uma ponta de ciúme cresce dentro de mim. São meus, esses olhos. Não os observe tanto.
— Podem ir. E Roronoa, não se esqueça de passar aqui depois para assinar seu contrato.
— Pode deixar.
Nós dois saímos da sala do chefe e descemos até o primeiro andar. O estabelecimento começa a ter os primeiros clientes.
— Vamos nos sentar. – diz ele. Eu apenas o sigo. Sanji me leva até um sofá de couro escuro, bem grande. Nos sentamos e eu começo a abotoar minha camisa de volta.
— Então? – pergunto.
— Olha, nós temos algumas regras que devem ser seguidas à risca aqui dentro. Eu sei que você gosta de liberdade, mas o Asami-san pode ser bem perigoso quando provocado, então tome cuidado. – alerta ele, e eu assinto silenciosamente.
— Há regras tão absurdas assim?
— Não. Bom, vou apenas recitá-las para você. – diz ele. – Regra um: jamais fique muito bêbado. Você precisa estar consciente de suas ações.
— Isso é bem normal, certo?
— Regra dois: nunca tenha relações sexuais com algum cliente sem o uso de preservativo. – continua ele, e eu lhe dou um sorriso malicioso.
— Você não é um cliente, então tudo bem.
— E regra três: funcionários não podem se envolver sexualmente dentro das dependências do estabelecimento. – termina. A regra me murcha totalmente.
— Sério? – pergunto. – Nenhuma vez? Nada?
— Absolutamente nada. – reforça, e eu suspiro.
— Que droga. – solto, relaxando no sofá. – Mas não pense que não vou fazer nada só porque estamos aqui, Ero-Cook. Desde que ninguém veja, não tem problema.
— Fica quieto, eu ainda não terminei. – manda. – Quando o movimento começar, os clientes virão muito rápido. Elas ou eles vão poder escolher com qual host ficar. Quanto mais, melhor. A não ser que alguém peça um momento de companhia a sós, o que é bem raro, porque é muito mais caro do que o quarto.
— E o que é esse “momento a sós”?
— É quando alguém chega e reserva o resto do tempo que ficar no clube com você. E você é obrigado a fazer qualquer coisa que a pessoa quiser, desde que não envolva sexo sem camisinha. – explica, e aquilo me arrepia totalmente.
— Nossa.
— Ah, e tem um anexo. – continua. – Dependendo do que a pessoa pede quando está com você, aumenta a sua comissão. Por exemplo, se ela pedir a nossa garrafa de champagne mais caro, que custa três mil dólares, você pode se considerar o cara mais sortudo do ano.
— Três mil dólares? Você só pode estar brincando. – murmuro, impressionado.
— Pois é. Enfim, nós temos um palco para os eventuais shows e apresentações que temos, e hoje você e eu subiremos lá para te apresentar e anunciar minha volta. – diz ele.
— Deixa eu apenas fazer uma pergunta. – peço. Ele assente.
— Sim?
— Eu vou ter que dançar naquele cano?
— Que cano?
— Aquele negócio sensual que as mulheres estavam fazendo quando eu vim aqui pela primeira vez. – explico. Ele ri.
— Ah, Pole Dance. – fala. – Bom, você não é obrigado, até porque é uma dança bastante feminina. Mas se uma cliente muito especial quiser...
— E Striptease também? – pergunto.
— Se você quiser dar uma boa impressão no seu primeiro dia, seria ótimo. – revela. Mas que merda é essa? Agora eu tenho que tirar a minha roupa na frente de uma multidão de mulheres malucas?
Ouço seu riso.
— Aposto que você está se divertindo muito com isso. – falo.
— É claro. Porque eu sei que você jamais faria um Strip. – fala. Sinto uma provocação em seu tom de voz.
— Está me desafiando?
— Lógico que não. E eu nem preciso. Afinal, sou o número um, mesmo depois de tanto tempo fora. – fala. Aquilo me irrita.
Um fogo se acende em meu estômago.
— Acha que eu não conseguiria ser disputado pelos clientes? – pergunto. – Seu ego está me irritando muito, Sanji.
— Que pena. – responde, provocando-me mais ainda. E eu sou tão infantil que estou aceitando totalmente essa provocação.
— Ótimo. – falo, levantando-me. Ele também se levanta, e eu seguro seu colarinho gentilmente. – Prepare-se para ser o segundo, Ero-Cook. Você está muito arrogante.
— Como já te disse uma vez, confio no meu taco. – fala, completamente convencido.
— Ah, é? – pergunto, sorrindo. – Então, toma cuidado. Daquela porta, virão muitas mulheres muito gostosas. Daquelas tipo a Nami, sabe? A única coisa que te peço, é que tome cuidado. Você sabe que o seu sangue é raro.
— E o que isso tem a ver?
— Elas vão dar em cima de você. E agora você enxerga. – explico. – Não quero que nenhuma delas leve todo seu sangue, só isso.
Solto seu colarinho e desvio meu rosto corado.
— Zoro, você... – começa, tentando virar meu rosto para seu lado. – Você está com ciúmes!
— Não! – minto. – É apenas normal se preocupar com a pessoa que você gosta, poxa...
— O que... – ouço. Quando olho seu rosto, ele está extremamente corado e fofo. – Não diga coisas desnecessárias fora de hora, Marimo!
— Ero-Cook, você é tão fofo. – falo. – Posso te beijar agora?
— O que eu acabei de dizer sobre isso? Tapado!
Neste momento, chega no clube algo parecido com uma caravana. Homens e mulheres, juntos, um atrás do outro, sendo controlados pelos seguranças. Não chega a causar nenhum tumulto, mas me assusto com o volume de pessoa momentâneo.
— Okay. Hoje está mais cheio do que o normal. – observa Sanji. – Venha, vamos para o palco.
No palco não muito alto do clube, há um DJ operando seus equipamentos. Quando subo junto com Sanji, vejo que várias pessoas já estão escolhendo seus hosts e se sentando nos grandes e espaçosos sofás do estabelecimento.
— Por favor, abaixe um pouco o volume. – pede Sanji, e o DJ obedece imediatamente. Ele alcança um microfone e o liga. Em seguida, o DJ acende as luzes do palco, tornando tudo ao meu redor mais iluminado, apesar da meia-luz do clube.
Ainda com algumas pessoas chegando, o clube continua a encher.
— Não acha melhor esperarmos até todos entrarem? – pergunto, baixo o suficiente para só ele ouvir.
— Se nós fizermos isso, os outros Hosts ficarão com os clientes, Marimo. – diz ele, e eu suspiro. – Vamos aproveitar e chamar a atenção de todos. Seja sedutor.
— Não quero. – falo. – Posso ser normal?
— Dá na mesma.
— Está dizendo que eu sou naturalmente sedutor? – pergunto, malicioso.
— Depois a gente fala disso. Agora, preste atenção e atraia dinheiro. – diz ele, corado. Então, Ren chega no palco e sussurra algo no ouvido de Sanji.
Sanji sai do palco e se esconde em algum lugar.
— Vá com ele, Zoro-san. Eu vou apresentar vocês dois. – sussurra ele. Sinto-me grato e dou-lhe um tapinha no ombro.
— Obrigado. – agradeço, descendo do palco.
Quando quase vou passando direto para os quartos, Sanji segura meu pulso e me coloca atrás de si.
— Senhoras e senhores! – ouvimos, pelos autofalantes. No mesmo instante, o burburinho das pessoas conversando cessa. – Sejam muito bem-vindos ao melhor Host Club de Tóquio!
Várias palmas e até alguns gritos empolgados.
— Como todos já devem saber, esta é uma noite muito especial. – fala ele, tirando mais palmas das pessoas. Quando silencia um pouco, ele volta a falar. – Primeiramente eu gostaria de agradecer a todos por terem vindo. E eu, Ren, tenho a honra de anunciar a volta do nosso melhor acompanhante!
O barulho se torna quase ensurdecedor, e demora alguns segundos para baixar.
— Uau. Você é realmente famoso. – sussurro. Ele assente e suspira. – Boa sorte.
— Você vai precisar mais da sorte do que eu, Zoro. – responde, e eu apenas sorrio.
— Por favor, recebam com muitos aplausos o nosso favorito! Sanji-san! – chama Ren. Sanji sai andando lentamente e sobe até o palco, acenando. Os aplausos e os gritos são totais. Vejo-o fazer uma pequena reverência para os clientes.
— Konbanwa. – fala ele, no microfone. Sua voz é surpreendentemente doce e sexy. Algo que arrepia até o fim da espinha. Entendi. Então é mais ou menos assim que um Host age. — Muito obrigado por terem vindo me ver hoje.
— Sanji-san, o que houve? Suas clientes querem saber o motivo do seu sumiço! – fala Ren. Em seguida, ouço um riso de Sanji.
— Eu tive alguns problemas de saúde, mas felizmente me recuperei. E agora que estou curado, espero que todas vocês façam ótimo uso de mim, minhas damas. – gritos agudos e femininos se seguem. Sanji parece ser adorado como um deus. – Mas peço que esperem mais alguns segundos.
— Como assim, Sanji-san? – pergunta Ren, totalmente teatral.
— Bom, além de hoje ser uma noite especial pela minha volta, é especial também por outro motivo. – fala ele, causando um suspense. – Ou seja, uma noite duplamente especial.
— Isso mesmo, pessoal! E sabem porque? – pergunta Ren, causando curiosidade. Sinceramente, não precisava de tudo isso. Sou só eu. — Porque o Sanji-san, além de ter voltado, trouxe um acompanhante novinho em folha! Alguém muito próximo a ele!
A gritaria parece maior ainda.
— Por favor, recebam: o nosso mais novo acompanhante, Zoro-san! – ouço. Então, respiro fundo e solto todo o ar. Certo. Pareça sedutor.
Okay. Como eu faço isso?
Hm... Talvez... Se eu tentasse ser parecido com quando estou a sós com Sanji, poderia dar certo.
Levanto meu rosto e subo no palco na mesma velocidade de Sanji. As mulheres começam a gritar e a aplaudir, junto com alguns homens que me observam com puro desejo nos olhos. Honestamente, me sinto assustado.
E então, naquele momento, decido ser apenas eu.
— Zoro-san, venha cá! – chama Ren, e eu ando até ele. Sanji permanece do meu lado. – Aqui, apresente-se.
Seguro o microfone.
— Eu sou Roronoa Zoro. – falo, tranquilo. Minha voz sai tão rouca quanto eu já esperava. – Por favor, tomem conta de mim.
O clube é tomado por um silêncio repentino. Quando olho para Ren, vejo-o totalmente corado. Olho para Sanji, e ele se encontra na mesma situação.
— Uau, ap-posto que o Zoro-san acelerou muitos corações neste momento! – gagueja Ren, pigarreando.
O silêncio é interrompido por vários gritos e mais aplausos.
— Bom, revele um pouco sobre você! Tem quantos anos?
— Eu tenho 22. – respondo. Percebo que, quando falo, o silêncio se torna absoluto, para logo depois os aplausos voltarem.
— Quer dar algum recado?
— Não. Se eu quiser falar algo, vou adorar conversar a sós com minha cliente. – falo. Minha frase canalha causa aplausos e euforia.
— Então é isso! Por favor, falem com o organizador e peçam pela hora com os nossos acompanhantes! – diz Ren, encerrando.
Ele se vira para Sanji.
— Sanji-san, isso foi perfeito. A fala que você deu para o Zoro-san treinar foi maravilhosa. As clientes quase tiveram orgasmos! – observa ele. Seu comentário causa um nó na minha cabeça. – Eu vou descer. Preciso me arrumar.
Ren sai correndo.
— O que ele quis dizer? – pergunto.
— Ren acha que a sua frase super sensual e maliciosa foi ensaiada. – explica.
— Ah. Eu fui tão absurdo assim?
— Honestamente?
— Honestamente. – respondo.
— Eu fiquei duro. – murmura, perto do meu ouvido.
— Isso significa que eu fui bem? – pergunto, já virando meu rosto à procura de um beijo.
— Sim. Você cumpriu o seu propósito de ser sedutor. Agora, use isso nas clientes. – responde, saindo de perto do meu rosto.
— Tudo bem. Mas não quero beijar ninguém. – falo.
— Se for alguém que pague pelo privado, você é obrigado a fazer o que a pessoa quiser. Eu acabei de dizer. – fala, descendo do palco na minha frente.
Três horas depois...
Levo mais uma vez a taça de champagne aos meus lábios. No total, já atendi quase trinta clientes, contando que foram quase dez por hora.
Sinceramente, isso é bem exaustivo.
— Zoro-kun, você é tão másculo... – murmura uma das moças mais velhas. Ela é linda, mas deve ter seus 40 anos.
— Imagina. A minha masculinidade não é nada perto da sua sensualidade. – falo, criando mais uma frase feita.
Volto a conversar com as outras mulheres. Por algum motivo, elas não conseguem tirar as mãos de mim. Tentam desabotoar minha camisa o tempo todo.
Olho para o outro lado do clube, onde Sanji também se divide em vários para conversar com todas as clientes. A única diferença entre mim e ele é que ele toca as mulheres. Ele retribui. E isso me causa um ciúme ácido.
Fico irritado com aquilo. Ele parece hipnotizado pelas mulheres.
— Porque eu estou me segurando? Assim eu não vou conseguir ser o primeiro, porra... – sussurro, para mim mesmo. Uma das mulheres abraçadas em meu pescoço me olha.
— Disse alguma coisa, Zoro-kun? – sinto seu hálito de bebida. Na verdade, o cheiro de álcool está no ar.
Levanto-me com cuidado e, de pé, viro-me de frente para o sofá, onde todas estão sentadas.
— Por favor, prestem atenção em mim.
Coloco meu sorriso irônico no rosto e abro meu colete devagar. Sinto-me observado também por trás. Botão por botão, o olhar delas fica cada vez mais faminto. Quando começo a abrir a camisa, sinto que posso ser devorado a qualquer momento. Literalmente.
Quando estão todos abertos, estendo a mão para aquela que é a mais rica: a Kyouko-san, que elogiou meu físico antes.
Ela segura minha mão e eu, muito cafajeste e me aproveitando de minha posição, levanto-a e seguro sua cintura, colando seu corpo com o meu.
— Uau. – murmura, olhando em meus olhos. As outras clientes ficam agitadas.
— Você não estava me elogiando? Pois então toque-me. Agora. – mando, sussurrando em seu ouvido. Ela amolece consideravelmente e põe as duas mãos na minha barriga sem nem pestanejar.
É isso. Mulheres gostam de pegada. Especialmente essas. Eu só preciso ser naturalmente dominador. Não é difícil. É só pensar no Ero-Cook e no seu corpo tremendo por mim.
Sinto suas mãos subirem por meu tronco, e quando percebo que ela vai passar a acariciar minhas costas, seguro sua perna, e dobro-a do lado do meu corpo, quase jogando-a no sofá novamente. Subo minhas mãos por suas costas rapidamente e solto-a, voltando a ficar de pé.
— Alguém mais quer sentir-me? – pergunto, sendo totalmente correspondido. Porém, nesse instante, meu relógio apita. – Ah, que pena. Deu a hora de vocês. Alguém quer renovar?
Porém, um dos funcionários toca meu ombro e me mostra uma folha.
— Zoro-san, alguém te reservou.
Olho-o, surpreso.
— Está me dizendo que alguém reservou um “momento a sós” comigo? – pergunto. O funcionário assente, sorrindo. – Mas hoje é meu primeiro dia!
— Você não tem ideia de quantos pedidos eu já recebi pela hora com você. Está fazendo muito sucesso. – revela, e eu sorrio.
— Ótimo. Vou liberar essas clientes e você trás a outra.
— Como quiser.
— Damas, muito obrigado pela noite. Sinto muito, mas não vou poder ficar com vocês por mais tempo. Voltem amanhã e nós continuamos nossa... Conversa. – termino. Todas sorriem e, na minha visão, parecem muito afetadas por minha causa.
Elas começam a sair devagar e a Kyouko-san, sempre bem atrevida, deixa seu cartão de visitas dentro do bolso da minha camisa.
— Me ligue. – sussurra. Apenas sorrio. Quando ela vira de costas, tiro o cartão do bolso e rasgo-o, jogando-o fora. Afinal, não preciso. Não vou ligar mesmo.
Abotoo minhas roupas e pego a garrafa de champagne, virando-a.
Então, cometo o erro quase fatal de olhar para o outro lado do clube. Flagro Sanji com o rosto entre os seios de uma mulher, divertindo-se bastante. Quando tira o rosto, segura o nariz para não sangrar e começa a beijar seu busto, subindo pelo pescoço até o queixo.
Meu coração falha uma batida e eu paraliso diante da cena, com a taça nos lábios. Não consigo nem piscar.
Como na primeira vez que vim a este clube, Sanji beija-a vorazmente, segurando seus quadris e sua bunda.
É como se o resto do mundo não existisse e eu só visse os dois. Meu peito se aperta, meu coração acelera e um arrepio percorre meu corpo inteiro. Sei que essa é uma comparação tosca, mas eu quase sinto meu coração se rachar em dois e murchar.
Tudo bem que é pelo trabalho. Mas nunca vi nenhum Host fazer isso.
Sanji está sendo controlado por seu vício em mulheres. Esse era meu maior medo. Por isso que eu não disse que o amava ontem à noite.
E eu sabia que isso iria acontecer. Se ele já era viciado em mulheres antes de enxergar, agora então... É como se estivesse em transe. Consigo ver isso em seu rosto, mesmo distante.
A dor da traição percorre meu corpo e lágrimas começam a turvar minha visão contra a minha vontade.
Não olhe, idiota. Desvie seu rosto.
Parte de mim ainda acredita que ele vai me ver. Vai parar de beijá-la, de apalpa-la dessa forma e me ver. Mas sei que é quase impossível. Afinal, agora ele vê os peitos. Agora ele vê a bunda. Agora, ele vê que o corpo feminino pode satisfazer muito em suas formas.
E esse era meu medo.
— Zoro-san, sua cliente. – ouço, e finalmente consigo desviar minha atenção. Minha expressão de dor é visível e sinto uma lágrima quente escorrer por meu rosto. – Está tudo bem?
Falseio um sorriso.
— Desculpa, eu acabei de bocejar. – respondo. Ao encontrar minha cliente, reconheço-a imediatamente. – Nami!?
— Olá. – diz ela, sorrindo alegremente.
— Você é minha cliente? – pergunto.
— Na verdade não. Eu só vim acompanhando a sua cliente. Porque está bêbada. Ela está vindo. Eu vou beber um pouco. – fala, já saindo.
Acompanho-a com os olhos e não vejo quando alguém começa a correr na minha direção.
— Zoro-saaaaaaaan! – ouço, no mesmo momento em que um corpo atinge o meu e caio para trás, de costas no chão. A pessoa continua abraçada ao meu pescoço, e seu cabelo escuro se espalha por todos os lados. – Que saudade de você!
— Ai... – murmuro. Ela percebe o que fez e me solta, sentando sobre minha barriga.
— Ah, me desculpe! Machucou!? – pergunto. Eu nego, sentando-me e ignorando sua posição sexual sobre mim. Levanto-a junto comigo, segurando-a pela cintura.
— Então você é minha cliente, Tashigi. – falo. Ela assente. Vejo seu rosto corado pela bebida e apenas sorrio de volta. – Quanto tempo.
Surpreendo-me ao sentir seus braços ao redor de mim. Suspiro e apenas retribuo, abraçando seu corpo magro.
— Fiquei surpresa quando soube que você tinha virado um Host. – fala ela, arrastada. Já não está tão bêbada, mas ainda embriagada.
— Eu também fiquei. Venha, sente-se. – falo. Ela se senta ao meu lado. – Então? O que foi?
— Eu... Queria conversar. – diz ela. – Quero aproveitar que estou meio bêbada para falar sobre esse assunto, porque me dá muita vergonha.
— Espere um pouco. Quer beber mais alguma coisa? – pergunto, brincando. Ela aceita.
— Quero a bebida mais cara que tiver. – fala, e eu quase engasgo.
— É sério?
— Sim. Vai te ajudar, não vai? – pergunta.
— Vai, e muito. – respondo. Peço para o barman a garrafa do champagne mais caro e ele me entrega, junto com duas taças.
Volto para o sofá.
— Aqui. É Rosé, tem um gosto melhor. – comento, servindo-a.
Ela bebe um pouco e suspira, enquanto eu tento relaxar no sofá.
— Pronto? – pergunto. Ela assente. – Quando quiser falar.
Ela dá mais alguns goles.
— Bom, eu... Acho que posso estar apaixonada. – fala, e eu novamente engasgo.
— E vem falar isso para mim? – pergunto. – Porque não foi conversar com a Nami!?
— Porque eu preciso de uma visão masculina sobre o assunto. – confessa, o que me deixa mais calmo.
— Certo. E porque você acha que está apaixonada? – pergunto.
— É... Complicado. – responde, bebendo mais um pouco. – Quando eu estou perto desta pessoa meu coração fica acelerado, eu fico meio nervosa... Tenho vontade de ficar cada vez mais perto dele...
— É, isso se encaixa nos requisitos de um apaixonado. – falo. – Mas você tem vontade de fazer outras coisas?
— Como assim?
— Coisas que uma mulher faz com um homem, caramba. Beijar, por exemplo. – falo, divertindo-me. Ela cora.
— Tenho vontade de beijá-lo, sim. M-Mas...
— E sexo? Tem vontade de fazer sexo com ele? – pergunto. Ela cora mais ainda e arruma os óculos no rosto.
— I-Isso eu não sei direito. – confessa.
— Como assim? Nunca ficou excitada antes?
— Isso já, mas... Sabe, sou meio nova nesses assuntos. – diz ela. A realidade me atinge de uma só vez.
— Você... Só pode estar brincando. – falo, surpreso. – Capitã, você é virgem?
— E o que tem de mal nisso!? – pergunta, exaltada.
— Não tem nada de mal! Calma! – falo. Sirvo sua taça mais uma vez. – Bebe mais um pouco.
— Obrigada.
— Olha, a primeira coisa que você tem que pensar é se você o ama. A primeira vez com alguém que você ama é muito melhor do que com qualquer pessoa. – falo. Ela assente. – É por isso que minha primeira vez foi uma porcaria.
— Hm... Entendo. Você tinha quantos anos? – pergunta.
— Dezessete. Eu não tinha muito interesse nisso, sabe? Só fiz sexo porque meus amigos da escola já tinham namoradas. Eu só não queria ficar para trás. – respondo.
— E lembra como foi?
— Não. Mas eu sei que não foi tão bom, porque eu não gostava da pessoa da forma que se deve. – falo. –A primeira vez que transei com alguém por quem tinha sentimentos foi há algumas semanas.
— Quem?
— Quem o quê?
— Com quem foi a sua primeira vez, com dezessete anos? – pergunta. Eu sorrio e olho para a pessoa de relance, que conversa com algum outro cara.
— Com a Nami. – confesso. – Na época ela era magrela e tinha o cabelo curto. Nós sempre fomos muito amigos, tanto que só aconteceu porque nós dois tínhamos bebido e ela tinha acabado de terminar com o namorado.
— E... A primeira vez com amor? – pergunta. Aquilo me causa mais um aperto no peito e eu olho na outra direção, onde Sanji antes estava beijando várias mulheres ao mesmo tempo.
Só que não o encontro. Ele foi para o quarto e levou todas as mulheres com ele.
— Digamos que... É melhor eu não dizer. – falo, sorrindo minimamente. Ela sorri de volta, entendendo a situação. – Mas e você? Quem é o cara?
— Eu acho que você pode ficar surpreso, mas...
— É o Smoker, não é? – pergunto. Ela assente.
— Sim. – responde, angustiada. – Só que ele não pensa em mim desta forma. Eu passei vários dias com ele, e a única coisa que recebo são ordens e mais ordens. Já estou ficando cansada de tanto tentar, sabe?
— Sei. – respondo. – A única coisa que posso dizer e que vai te ajudar é que ele com certeza sente algo por você. Eu não sei o que é, mas que Vice-Almirante da Marinha sairia de seu posto para ir buscar uma capitã dentro de uma loja de espadas? É algo para se pensar, certo?
— Mesmo assim... – diz ela, tampando o rosto com as duas mãos. – Eu não sei o que fazer.
Um sentimento fraterno começa a aflorar dentro de mim. Lembro-me de quando eu era criança, junto com a Kuina.
É como se a Tashigi fosse minha irmã mais nova.
— Eu tenho uma solução. – falo, estendendo minha mão para ela segurar. Ela põe a mão sobre a minha. – Vamos dançar uma música bem romântica, depois vamos beber muito e no final eu te levo para a sua casa. Melhor do que ficar toda pensante e depressiva, certo?
— E desde quando você sabe dançar? – pergunta, sorrindo um pouco.
— Esse é um dos meus talentos escondidos, Capitã. – falo, levantando junto com ela. Percebo que seu vestido longo e escuro deixa as formas de seu corpo ainda mais bonitas. – Se quer um conselho, apareça na frente do Smoker com este vestido. Ele vai enlouquecer.
Ela fica totalmente corada.
— Eu só não te dou uns tapas, porque estou bêbada. – diz ela, tirando-me um riso fraco.
No meio do clube, aceno para o DJ. Quando ele me olha, faço um coração juntando as duas mãos. Ele entende no mesmo momento.
E então o clube é tomado por uma música lenta, muito romântica. Uma mistura de piano com violino, algo que eu ouviria facilmente.
(Música: https://www.youtube.com/watch?v=9RbcR_KSRB8 E a tradução, para quem quiser: http://www.vagalume.com.br/christina-perri/a-thousand-years-part-2-feat-steve-kaze-traducao.html )
— Ah, eu conheço essa música. – falo. – Perdi a conta de quantas vezes tive que assistir Crepúsculo com a Nami. E ela sempre chora no final.
Tashigi sorri quando eu toco sua cintura com a mão esquerda e pego a sua mão com a outra.
— Me concede esta dança, honrável Capitã Tashigi? – pergunto.
— Claro, honrável Melhor Espadachim do Mundo. – responde, colocando a mão em meu ombro.
Nada de paixão. Nada de luxúria, nada de sentimentos profundos. Apenas... Uma amizade. O sentimento simples que eu precisava neste momento de coração dolorido.
— Se prestar atenção na letra da música, pode arranjar belas palavras para a sua declaração. – aconselho. Ela assente e se põe a ouvir a música, enquanto conduzo nossos passos.
Em segundos, ela está em lágrimas. E eu decido apenas continuar dançando, já que, se eu abrir a boca, minha voz sairá embargada.
No meio da música ela tira os saltos e os segura com as mãos, abraçando-me em seguida. Surpreendo-me quando ela encosta o rosto em meu peito.
— Podemos apenas ficar indo de um lado para o outro? – pergunta, molhando minha roupa com as lágrimas. Sorrio e acaricio o alto de sua cabeça.
— Claro. Você manda. – falo, e nós dois apenas ficamos balançando, no ritmo da música.
Suspiro e continuo ouvindo a música. De tanto escutá-la antes, eu sei o que cada palavra significa. E é também por este motivo que sinto um terrível nó na garganta, junto com o sentimento de traição ainda fresco em mim.
Tashigi só percebe minha situação quando minha respiração começa a falhar e algumas das minhas lágrimas caem em seus ombros. Ela olha para cima e encontra meus olhos, para logo sorrir, mais uma vez entendendo tudo sem uma única palavra.
— Vai ficar tudo bem. – diz ela, para mim e para si mesma. Então, puxa minha nuca e beija minhas pálpebras, uma de cada vez.
— Você está bêbada, Tashigi. Completamente. – falo, rindo um pouco. Ela sorri.
— Eu sei. E eu sou aquela pessoa que quando bebe fica toda sentimental, sabe? – pergunta. Eu assinto.
— Sei. Então, me deixe ferir ainda mais meu orgulho de homem. – peço, já derramando mais algumas lágrimas. – Sabe, eu nunca fui de chorar por outras pessoas. Eu sempre fui bem seco.
— Não se preocupe. O amor faz isso com as pessoas. É o sentimento mais lindo, mas também o mais cruel de todos. Não concorda?
— Sim. Completamente. – falo. – Um homem de 22 anos chorando deste jeito por causa de amor... É bem ridículo.
Sim, é ridículo. Por causa de um beijo, me sinto destruído por dentro.
— Não é ridículo. Honestamente, acho que uma pessoa tem que ser muito madura para entender o que sente e assumir isso. – fala. – Parabéns, Zoro-san.
— Bom, obrigado. – falo, fungando e tentando limpar meus olhos.
Quando a música acaba, vejo algumas pessoas saírem da pista junto conosco. A música eletrônica volta a tocar.
— Bom, eu acho que já vou embora, então. – fala ela, colocando os saltos de volta nos pés.
— Vai mesmo? – pergunto.
— É melhor. Vou aproveitar que ainda estou conseguindo ficar de pé. – responde. – Mas antes, peça mais duas garrafas daquele champagne.
— Mais duas? Caramba. – falo. Quando peço as garrafas, ela segura uma delas e me deixa com a outra. – Eu te levo para casa. Estou de carro.
— Não, pode ficar. Seu turno ainda não acabou. – responde. – Apenas me dê a conta.
— Sim, você manda.
Chamo o funcionário de antes, que nos mostra todos os valores impressos numa nota fiscal. Tashigi lê tudo e assente, entregando-lhe um cartão.
— Pode passar no débito, por favor? – pede. Ele acena com a cabeça.
— Quatorze mil dólares no débito. Nossa. – falo, surpreso. – A Marinha paga bem.
— Paga sim. – responde ela, pegando o cartão de volta. – Estou indo, Zoro-san. Obrigada pela noite, apesar de muito curta.
— Eu que agradeço. Ah, quando chegar lá embaixo, peça para um segurança chamar um táxi para você.
— Pode deixar.
Quando ela vai embora, eu despenco no sofá e bebo a garrafa de champagne de uma vez só.
Observo o clube. Agora que está quase vazio, os Hosts já começam a terminar seus turnos e voltar para o vestiário.
Percebo que também não haverá mais ninguém para mim, então me levanto e tiro meu colete, começando a andar na direção dos quartos.
— Obrigado por hoje, Zoro-san! – diz um dos funcionários, e eu apenas sorrio e aceno.
Com o corpo exausto, passo na frente do corredor dos quartos e vou direto para o vestiário.
Não quero ver o Sanji depois de ter sexo com alguém que não seja eu.
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