Um Amor Complicado.

13 Capítulo 13 - A beleza de um olhar.


Notas iniciais
Olá! Eu finalmente voltei! Sei que demorei muito, e eu também fiquei impressionada. Nunca demorei tanto com um capítulo, por mais difícil que ele fosse. Com esse, aconteceu porque eu fiquei sem tempo para nada. Entre os meus motivos se encaixam a escola, minha saúde e minha família. Eu entrei numa crise de criatividade horrível nos primeiros dias de outubro, e quando ela voltou, escrevi o capítulo. Porém, não tive tempo de postar. Então, agora que consegui, não vou demorar mais! Desculpem-me por tudo! T-T Obrigada à PaumDoLaw, Lillyan Thais, Sogequeen, Lunista Crowler, Monkey D Amanda, Liza Swan, Futrika, Irial kun, FoxxyLady, OzZynhA, Raquel Ohara, Persephone Oleander, ame kazashite, PortgasL e JkUchiha, pelos reviews de vocês! Adorei! *u* E à Mina do Jackson, dani velozo, Relunize, Anime Yaoi Love, BonneyD, Giulia Potter, Amasi, mellorine, misaki mei, Laura M e Andy, muito obrigada pelos comentários e sejam bem vindos à fanfic! ^.^ Voltando a história, eu decidi dividir o capítulo em dois, senão ficaria muito cansativo para vocês. Então, nesse temos a volta dele ao Japão. Espero que gostem. Boa leitura.

Capítulo 13

Doze dias se passaram devagar, como se realmente se arrastassem.

Nesse tempo, descobri que sou quase autodidata. Aprendi a ler kanjis em três dias e a escrever em quatro. Com o alfabeto ocidental, só dois dias bastaram. Aprendi as cores principais: vermelho, amarelo, azul, verde, laranja, rosa, roxo, marrom, preto e branco. Li que existem milhões de cores a mais, porém são apenas muitas variações umas das outras.

Finalmente, agora minha visão é ótima. Consigo enxergar tudo perfeitamente. Quando olho Chopper, consigo enxergar cada pelo de seu corpo. Consigo distinguir texturas sem toca-las. É incrível.

E até que enfim, posso voltar para casa.

– Sanji, não está esquecendo nada? – pergunta Chopper. Assinto.

– Peguei tudo. Vamos embora, pelo amor de Deus. – peço, e ele ri.

Depois de pagarmos a hospedagem, entramos num táxi e vamos até o aeroporto, onde enfrentamos uma fila para entrar no avião.

Minha mente não para de me levar aos dias em que Zoro estava comigo, no quarto do hotel e no hospital. Não consigo parar de pensar em nossos momentos juntos.

O alívio que senti quando ele chegou ao hotel, o jeito que ele chorava em meu ombro quando nos abraçamos, a forma como me tocou quando fizemos amor no sofá, os momentos em que ele me acolheu em seus braços, me tranquilizou e prometeu que tudo daria certo... Até mesmo seu olhar de angústia ao revelar que nossos sangues não eram compatíveis.

– Sanji, vamos! – chama Chopper, tirando-me de minha distração. Sigo-o e quase solto um grito ao ver o avião.

É... Simplesmente gigantesco. Como algo tão pesado consegue voar?

– Vamos, vamos! Quer voltar para casa ou não? – grita ele, já na porta do embarque. Sorrio e corro em sua direção, subindo todas aquelas escadas.

– Os nossos assentos são mais perto da janela. O meu é o... – olho minha passagem. – É o 125.

– O meu é ao lado. Você fica na janela. – diz ele, e eu assinto. Quando achamos nossos lugares, nos sentamos e nos acomodamos.

– Próxima parada: Omsk. – falo, para mim mesmo. Oito horas de viagem até a primeira parada. Depois, mais oito até Tóquio.

Saindo de Munique às 8h00, pararemos em Omsk às 22h00, e em Tóquio 7h00. É uma loucura, por causa dos fusos horários. Se olharmos no mapa, veremos que na Alemanha temos “+1”, em Omsk temos “+7” e, no Japão, “+9”. Acabaremos viajando dezesseis horas, mas por conta do fuso, chegaremos quase um dia depois da decolagem.

– Ladies and gentlemen, please get comfortable in their seats and arrest seatbelts. In an emergency, oxygen masks will drop from the ceiling above their heads. – fala uma aeromoça linda. - The airplane has taken off at any time. Have a good trip.*

Sinto o sangue começar a escorrer de meu nariz.

– Não acredito, Sanji. – fala Chopper, já tirando uma toalha do bolso. – Por favor, mantenha os olhos fechados. Você tem sangrado muito ultimamente.

– Desculpe. – respondo, sorrindo e segurando meu nariz.

Fecho os olhos e sinto o avião começar a andar pela pista. Em seguida, sinto-o decolando.

Depois de vinte minutos, Chopper toca meu braço.

– Sanji, olhe pela janela.

Obedeço-o e coloco o rosto perto da janela. Vejo várias nuvens extremamente perto. Porém, quando olho para baixo, um arrepio percorre minha espinha, meu coração acelera e um pavor horroroso me possui. Começo a tremer.

– Sanji?

– Chopper, acho que... Não gosto muito de altura. – falo, saindo da janela. – Sério. Estou apavorado.

– Estou vendo. – fala. Começo a suar frio. – Acalme-se, Sanji. Respira fundo. Parece que você tem acrofobia.

– Isso é pavor de altura? – pergunto, segurando o braço da poltrona com muita força.

– Sim.

– Então eu com certeza sou acrofóbico, se essa palavra existir. – falo. – Chopper, troca de lugar comigo, rápido. Preciso ir ao banheiro.

– Vai vomitar? – pergunta, preocupado. Levanto-me.

– Também. – repondo, e ele presume que meu intestino foi afetado. O que é a plena verdade.

Em Omsk...

Chopper corre até mim com uma caixinha de água de coco.

– Isso vai ajudar a melhorar um pouco.

– Muito obrigado, Chopper. Essa viagem está acabando comigo. – confesso, suspirando. Outra onda de enjoo me assombra. – Acho que estou grávido.

Ele ri.

– Felizmente para você, isso é impossível. – fala. Encaro-o.

– Está tentando insinuar alguma coisa, Tony Tony Chopper? – pergunto. Ele ri mais um pouco, mas nega com a cabeça.

– Não, nada. Precisamos voltar para o avião, Sanji. – fala, e eu assinto.

– Estamos parados aqui há mais de uma hora, né? – pergunto. Ele assente, e eu me levanto.

– Bom, vamos. Por favor, fique no meu lugar. – peço.

– Pode deixar. Aproveite para dormir um pouco. – sugere.

Até que não é má ideia.

Ao entrarmos no avião, assumo o assento de Chopper, e ele o meu. Pego meu travesseiro de pescoço e me aconchego confortavelmente, já apertando o cinto.

Vejo todos os passageiros entrarem, e começo a ficar sonolento.

– Está ansioso para chegar em casa, né? – pergunta Chopper. Olho-o, meio grogue.

– Sem sombra de dúvida. – respondo.

A aeromoça entra, só que dessa vez é outra. Ela começa a dar as mesmas instruções em inglês, e quando termina, o piloto diz as mesmas coisas de antes. Por fim o avião decola, e eu me seguro com uma força absurda, com medo de cair do céu.

Consigo pegar no sono quando, finalmente, o avião entra em estabilidade e não se mexe mais. Suspiro e agarro-me à sensação de que, quando abrir os olhos, verei algo totalmente novo.

Porque sei que isso realmente acontecerá.

Oito horas depois...

– Sanji? – ouço. Tento voltar ao meu confortável sono. – Sanji, nós vamos pousar!

–Hã? – pergunto, acordando aos poucos. – Já?

– Você dormiu o tempo todo. – lembra.

– Que bom. Não aguento mais esse avião. – confesso, suspirando.

Depois de alguns minutos, o avião pousa e nós dois saímos, para então pegarmos nossas malas, já dentro do aeroporto.

– Realmente não gosto dessa mala. – falo, pegando minha bagagem na esteira. – É muito chamativa. Só faltava ter glitter e lantejoulas.

– Você e sua mania de comprar as coisas que as vendedoras de indicam. – responde ele, rindo. – A culpa não é de ninguém, senão sua.

– Também não precisa jogar na minha cara, poxa. – peço, sentindo o rosto quente. – Eu sei que tenho um ponto fraco...

– Ponto fraco? Sanji, se eu não cuidasse de você, você já estaria seco, sem sangue. – fala. – Não pense que eu terei reservas com o seu sangue por muito tempo. Só da primeira vez que você viu um outdoor com uma modelo de lingerie, quase morreu.

– Okay, já entendi! – falo, corando mais ainda. – Mas aquela moça era tão...

Chopper dá um pulo de mestre e se agarra em meu rosto.

– Nem pense nisso. Não vou fazer transfusão de sangue no aeroporto. – fala, meio irritado.

– Certo. Desculpa. – falo, suspirando. – Não vou mais pensar em mulheres até chegarmos em casa. Juro.

– Assim está melhor. – admite. O aeroporto, apesar de quase vazio, mantém um certo burburinho.

Chopper desce do meu rosto e, assim que meus olhos se adaptam às imagens perfeitamente, avisto uma cabeleira alaranjada, na frente do portão quatro.

Sorrio e saio correndo, arrastando minha mala pelas rodinhas. No meio do caminho, começo a acenar.

– NAMI-SAN! – grito, o mais alto que posso. Ela olha para todos os lados, e me encontra. Ao me ver, seu sorriso se abre e ela também acena.

Ele veio. Ele veio me buscar.

Ao seu lado, consigo identificar Brook, Franky, Luffy e Law.

– Sanji-kun! – diz ela, aliviada ao se agarrar em meu pescoço. – Que bom que está bem!

Curto seu abraço, segurando-a pela cintura. Sinto o cheiro familiar de seu cabelo.

– Nami-san. – murmuro. Ela me olha no rosto. – Você é muito linda.

– Eu sei. – responde, sorrindo e me dando um singelo beijo na bochecha. – Okaeri.

– Tadaima. – respondo.

– Sanji, Sanji! – diz Franky. Inicialmente, me assusto com seu tamanho e cor de cabelo. Porém, rapidamente me acostumo.

– Hey, Franky. Gostei do seu penteado. Topete estiloso. – elogio-o. Ele ri, me dá um abraço apertado, levantando-me do chão. Sinto o gelado de seus braços mecânicos e o quente de sua pele. Não é ruim, mas diferente.

– Sanji-san, o que acha da minha aparência? – pergunta Brook, mais alto do que eu imaginava. Parece animado.

– Hm... É bem do jeito que eu imaginava, Brook. Seu cabelo é muito legal. – falo. Ele solta algumas risadas e me agradece. Luffy também me cumprimenta, se enrolando em volta de mim com seu poder bizarro de se esticar.

– Sanji, estou com fome! – reclama, esticando seu pescoço até ficar na altura da minha cabeça. Em seguida, ele se desenrola de mim e fica normal, com um sorriso gigantesco no rosto. Vejo-o cutucar o nariz. – Que bom que voltou para me alimentar!

– Luffy, enérgico como sempre. – falo, suspirando. – Que bom que não morreu de fome na minha ausência.

– Não morreu, mas faltou pouco. – diz Law.

Olho-o e marco bem suas características. Não posso esquecer a pessoa que salvou a minha vida.

– Law. – falo, e aperto sua mão. – Obrigado por tudo.

– Não me agradeça. Agradeça ao seu amigo, o Roronoa. – fala. – Ele é de confiança.

– Eu sei. Ele acabou me contando o que tentou fazer para me salvar. – respondo. Law assente. – Falando nisso... Cadê ele?

Nami-san me olha, mas desvia segundos depois.

– Zoro? – pergunta. Em seguida, suspira. – Ele... Não quis vir.

Hã?

Uma angústia toma conta de mim. Ele não quis vir? Porque não? Eu fiz algo de errado?

Neste momento, Chopper chega e cumprimenta a todos, feliz por estar de volta.

– O Franky trouxe a vã, para caber todo mundo. – fala. Nami-san ainda é incapaz de olhar em meus olhos. – Podemos ir?

– Sim. Não vejo a hora de deitar um pouco. – falo, sorrindo.

Todos saímos do aeroporto e, chegando no estacionamento, me assusto quando avisto a vã de Franky.

– Uau. – solto. – Essa vã... Tem a sua cara, Franky.

No todo, a vã se parece um navio de madeira. Nas laterais estão pintadas duas aberturas do Soldier Dock System, o famoso sistema de que Franky se orgulha de ter inventado. Assim como algumas outras partes do carro, o capô é vermelho e tem uma imagem, como se fosse a proa de um navio. Parece um sol, ao mesmo tempo que também parece um leão.

– Esse é o carro do Sunny-Go. Eu que fiz. – fala, orgulhoso.

– Enquanto eu estive fora? – pergunto. Ele assente. – Uau.

– Vamos, vamos entrar. – fala, colocando sua mão gigantesca em minhas costas.

– Certo, vamos.

Tóquio acabou me dando dor de cabeça. Tem tanta luz, tantas cores, tanto outdoor, tantas palavras piscando... Não consigo nem pensar.

– Sanji-kun, um remédio. – fala Nami-san, entregando-me um comprimido e um copo com água.

– Obrigado. – agradeço-a.

– Sanji-san, seus olhos são bem azuis, né? – pergunta Brook, “observando-me” bem de perto. – Os meus são castanhos.

– Você não tem olhos, Brook. – fala Franky. Brook entra em depressão.

– Não fala isso, por favor... – pede. Sem conseguir segurar, caio na risada e acabo contagiando todo mundo.

– Mudando de assunto... Sua casa é legal, Luffy. – falo. – É mais arrumada do que eu pensei.

– Só está assim por que eu não consigo viver no meio da sujeira. – diz Law, e Luffy ri.

Sento-me no sofá, coçando os olhos. Neste momento, a campainha toca. Luffy corre e abre a porta, sem ao menos verificar no olho mágico.

– Robin! – exclama.

– Olá, Luffy. Como está? – pergunta. Sua voz chega em mim antes de sua imagem.

– Como sempre! Entra, o Sanji está aqui. – diz ele. Assim que Robin-chan entra, meu coração para.

Sinto o sangue quase jorrar de meu nariz, e desmaio rapidamente. Como alguém pode ser tão linda? É quase surreal.

Porém, acordo minutos depois.

– Sanji, você está bem? – pergunta Chopper. Assinto. Olho para baixo e me vejo todo melecado com meu sangue. – Ainda bem que foi só uma jorrada. Estou sem sangue aqui.

– Ai... – resmungo, sentindo uma fraqueza momentânea.

– Desculpa, eu... – ouço. Olho para a direita e a imagem de Robin-chan novamente me surpreende. Seguro-me o máximo que posso.

– Está tudo bem, Robin-chan. – falo.- É que você é belíssima.

– Galanteador como sempre. Né, Sanji-kun? – pergunta, sorrindo. Sorrio de volta.

– Fazer o quê? Eu nasci para amar as damas. – falo, suspirando. Ela ri.

– Ah, o Usopp está subindo. Eu dei uma carona para ele, e como agradecimento ele decidiu estacionar. – fala ela.

– Certo. Vou fazer um chá e um bolo. – anuncio, me levantando.

Não sei como, mas encontrei ingredientes suficientes para um bom bolo leve e não muito doce, de laranja.

Depois do bolo pronto, faço o chá. Então, Usopp chega.

– Finalmente! – falo. – O bolo vai esfriar, Usopp.

– Sanji! – exclama, feliz. Ele anda até mim, me dá um abraço de “brother” e se senta junto com os outros. – Estou com inveja dos seus olhos.

Todos riem, e eu aprecio aquele momento entre amigos. Realmente... Só o Zoro não está aqui.

– Pessoal, acho que eu á vou. – falo. Todos me olham.

– O quê? Sanji-kun, nós te damos uma carona. – fala Nami-san. Sorrio para ela.

– Nami-san, eu peguei metrô a vida inteira. Não vou me perder, e estou muito cansado. – explico. Ela concorda. – Quero ir logo para casa.

– Certo. – responde.

Despeço-me de todos e saio do apartamento. Antes de fechar a porta, Nami-san a segura e sai junto comigo.

– Não fique assim. Eu não sei o motivo de ele não querer vir, mas com certeza tem algum. – assegura. – Talvez seja alguma coisa muito importante na natação, sei lá...

– Duvido muito. – murmuro. Então dou um sorriso horrivelmente falso. – Até mais, Nami-san.

Saio do prédio e facilmente encontro o metrô. Pego-o e fico espremido entre muitas pessoas. Chegando na minha estação, decido pegar um táxi até meu prédio.

Caio na cama, ainda de roupão. Minha cabeça lateja, e eu estou com sono. Pego meu celular e fico apenar deslizando a tela de um lado para outro. Entro na agenda sem querer, e encontro algo estranho.

Por que eu tenho o telefone do Dracule Mihawk?

Suspiro. Natação? Uma ova. Conheço Zoro o suficiente para saber que isso não o impediria de qualquer coisa.

Espera um pouco... Natação?

Toco no nome de Mihawk e ele atende no terceiro toque.

Hai? – pergunta ele. Suspiro.

­ — Oi. – respondo. – Aqui é Kuro Ashi no Sanji. Será que você me conhece?

Hm... Creio que sim. – responde. Sinto como se ele estivesse sorrindo. – Soube que passou por uma cirurgia de grande risco. Parabéns pela vitória.

– Obrigado.

– Então? O que quer de mim?

– Você por acaso tem o endereço de onde o Zoro faz natação? – pergunto. Meu rosto fica um pouco quente.

Eu não lembro o endereço, mas sei como ir. – fala. – Você tem que pegar o metrô e descer uma estação depois de onde desceria para ir a casa dele.

Certo. Muito obrigado. – falo, desligando.

Decidido, levanto-me da cama e coloco uma camiseta branca, uma calça jeans e um tênis. Coloco o celular no bolso, escovo os dentes e pego meus óculos escuros.

Saio de casa e decido pegar um ônibus até a estação do metrô. Como esperado, ônibus lotado.

Entro e tento um espaço mais perto da porta. Seguro em um dos ferros próprios para isso.

Porque ele não quis me ver? Está com algum problema?

Começo a teorizar milhares de coisas, entre doenças, problemas psicológicos e até meu maior medo: rejeição.

Minha linha de pensamento é interrompida ao sentir uma mão apertar minha bunda. Arrepio e imediatamente olho para trás, procurando o tarado que fez isso. Porém, só encontro pessoas alheias a qualquer movimento.

Quando volto a ficar de costas, a mesma mão dá a volta e minha cintura e acaricia minha barriga por baixo da roupa. Agarro a mão e viro-me. É um velho tarado.

Aperto sua mão com força suficiente para quase quebrar.

– Em quem pensa que está tocando, seu velho nojento? – falo, chamando a atenção de todos dentro do ônibus.

– O quê? Você está maluco? – pergunta o velho, tentando disfarçar. Aperto o botão para descer no próximo ponto.

– Me tocou sim. Não me diga que não foi você que estava passando a mão na minha barriga, porque eu sei que foi. – falo. Com raiva, seguro-o perto da porta. – Isso não é coisa que se faça, tarado. Você é deplorável.

A porta se abre e eu o empurro para fora.

– Vá procurar alguém que queira o seu toque. – falo, antes de a porta se fechar e o ônibus continuar a andar.

A viagem se segue, e eu nunca fui tão observado na minha vida. Quando chego no metrô, sento-me o mais rápido que consigo.

Então, quase meia hora depois, desço na estação. Bem na frente há uma academia muito sofisticada. Está na cara que só pessoas ricas a frequentam.

Quando entro, vou em direção ao balcão. Uma garota de mais ou menos 18 anos me atende.

– Olá. Eu gostaria de conversar com uma pessoa que está aí dentro. Será que eu posso? – pergunto, tirando meus óculos. A garota parece se hipnotizar.

– Maravilhoso. – murmura, encarando-me. Sorrio.

– Perdão? – pergunto. Ela cora e pede desculpas.

– Qual é o nome da pessoa? Precisamos ver se ele está presente mesmo.

– Roronoa Zoro.

Ela digita o nome e a foto de Zoro aparece na tela, uma 3x4.

– Sim, ele entrou faz quase uma hora. – fala. Em seguida, me entrega um cartãozinho. – Pode entrar e procurar.

Agradeço-a e passo pela catraca.

A academia por si só é tão bonita que chega a ser intimidante. Há várias pessoas malhando, em sua maioria homens exageradamente musculosos.

Em cima de uma porta, avisto uma placa escrita “Piscina”. Sigo na direção indicada e desço algumas escadas. Um vapor toma conta do lugar, quase tão quente quanto uma sauna.

As piscinas são fechadas, e ao redor delas há placas de vidro. Ando pelo corredor central, entre as duas, procurando por qualquer sinal de Zoro. Não o encontro, e bato no vidro para chamar o treinador. Ele sai.

– Com licença... Você é o treinado do Roronoa Zoro? – pergunto. Ele sorri, orgulhoso.

– Sim, sou. Não é a toa que ele é o melhor nadador da equipe. – fala. Uau. Eu não sabia.

– Ele está por aqui? – pergunto.

– Ah, não. Ele acabou de terminar o treino, foi tomar banho. – responde. – Talvez não tenha nem entrado embaixo do chuveiro.

– Será que eu posso entrar para procura-lo? – pergunto. Ele assente.

– Claro. Fique a vontade. – responde. Até que o treinador é legal.

– Obrigado.

Ando até vestiário e entro. O lugar está absolutamente vazio, assim como quase toda a academia. Exceto por uma pessoa.

Vejo Zoro de perfil, arrumando seu armário. Parece muito pensativo. Vejo que está sem camiseta, só com uma bermuda de natação. Não perca o foco, Sanji — penso, com o rosto já corado. Seu cheiro está impregnado no ar do vestiário. Não deixo de notar uma toalha em seu pescoço.

– Zoro. – falo. Ele se vira, assustado. Ao me ver, desvia os olhos e cora.

Tiro os óculos e faço o que já deveria ter feito há muito tempo: observo cada um de seus detalhes.

Zoro tem o corpo masculino mais perfeito que eu conseguiria imaginar. Os músculos do abdômen, peito, braços, pernas e todo o resto são perfeitamente malhados. Consigo ver a definição de cada uma deles, envoltos por sua pele morena.

A cicatriz que antes pude tocar é muito maior do que imaginava.

Sua bermuda de natação deixa parte de seu quadril à mostra, um caimento também perfeito.

Como um homem igual a esse conseguiu ficar oito meses sem sexo? Impossível!

­– Zoro. – chamo-o novamente. Ele não me olha. – Se você quer saber, essa é uma ótima primeira visão do seu corpo.

Encosto-me no batente da porta.

– Devo admitir que estou... Encantado. – falo. Certo, eu não ia dizer isso. Enfim. – Será que você poderia virar de costas?

Não consigo conter o tom malicioso em minha voz, e ele percebe isso. Ainda corado, assente e se vira.

Vejo suas costas, toda aquela definição... E o traseiro. Meu Deus, se o Senhor realmente existe, tenho certeza que colocou toda a masculinidade e gostosura neste homem.

– Diga algo. – peço. – Preciso ouvir sua voz, para saber se é real.

Ainda de costas, ele pronuncia a única coisa que eu queria ouvir, depois de tantos dias.

– Ero-Cook. – murmura.

Sorrio e ando em sua direção. Puxo a toalha de seu pescoço e jogo-a dentro do armário aberto.

Me aproximo o suficiente para quase poder encostar o nariz em sua nuca.

– Senti sua falta. – fala, em alto e bom som.

Fraquejo diante de suas palavras.

– Posso te tocar? Ainda estou impressionado com a sua imagem. – falo, corando por ter tomado a decisão de ser completamente franco, pelo menos neste momento.

– Por favor. – permite. Encosto minha testa em sua nuca e coloco minhas mãos em seus ombros.

Desço-as vagarosamente, sentindo cada centímetro de sua pele. Sua temperatura é familiar na ponta de meus dedos, e aproveito isso para relaxar um pouco. Passo os dedos pelas linhas de seus músculos, pela coluna e, finalmente, sua bunda.

Aperto-a, dessa vez de olhos fechados. É fato que, desde que comecei a enxergar, descobri que tenho uma atração especial por bundas. Porém, mulheres europeias e asiáticas são quase desprovidas desta dádiva, sendo compensadas nos seios. Exemplos são Nami-san e Robin-chan.

É por isso que, quando encontro uma tão gostosa de apertar, dou o devido valor.

– Seu toque está diferente. – percebe Zoro. Sorrio e me aproximo de seu ouvido.

– É porque agora eu sei onde estou tocando. – respondo. Sinto-o se arrepiar, mas não tiro minhas mãos do seu traseiro.

Zoro se vira, de repente. Seus olhos encontram os meus, e naquele momento, tenho uma sensação de calma e segurança momentâneas.

– Seus olhos são mais claros que os meus. – falo, mudando de assunto. – Azul acinzentado, como o céu nublado.

– Gostou? – pergunta, sorrindo.

– N-Não é que eu tenha gostado... – falo, envergonhado. – Foi só um comentário.

– É mesmo? – pergunta. Zoro aproxima seu rosto do meu e roça nossos lábios. – Pois eu amo seus olhos. E também a sua boca. E seu nariz, seu cabelo, seu pescoço, seus ombros, seu peito, sua barriga, suas costas, suas pernas... Tudo. Estou com tantas saudades que sou capaz de beijar cada partezinha do seu corpo.

Meu corpo se arrepia inteiro e se amolece só de imaginar sua boca ávida em meu corpo. Estou quente. Muito quente. Quem eu estou tentando enganar? Eu sou inteiramente dele.

– Eu... — começo, e desvio o rosto, tentando esconder minha vergonha e excitação. – Também senti sua falta.

Zoro fica mais do que surpreso com minha afirmação. É como se ele não acreditasse.

– Desculpa, eu... Acho que nadei demais e estou com a pressão baixa. – fala, piscando e sacudindo a cabeça. – Estou tendo alucinações.

– Não foi uma alucinação, baka. – falo, sorrindo. – Dê mais valor às coisas que eu digo, para eu não ter que repetir.

Seu rosto parece uma interrogação.

– Eu disse... – começo, suspirando. Abraço seu pescoço e dou-lhe um selinho demorado. – Que senti sua falta.

Zoro abraça minha cintura.

– Então me beija. – pede. Coro mais ainda.

– Aqui?

– Você que sabe. Se formos para um lugar reservado, eu vou querer fazer muito mais do que só beijar. – confessa, mordendo minha boca. – E eu quero fazer tudo bem devagar, então...

– Você é um canalha, sabia? – pergunto, subindo minha mão para segurar seus cabelos entre meus dedos.

– E você é um gostoso.

No momento em que sinto seus lábios nos meus, não existe mais mundo: não existe vestiário, não existe treinador, não existe perigo, não existe preocupação... Nada. Só nós dois.

Sua boca começa a se mover com a minha, numa sincronia perfeita já conhecida por nós dois. Sinto sua língua encostar em meus lábios e entrar em minha boca, iniciando um beijo calmo, mas cheio de saudade.

Zoro roça nossas línguas devagar, e eu somente acompanho seus movimentos, deliciando-me com a sua técnica. Ele puxa meu lábio inferior com os dentes, suavemente, para logo depois voltar a me beijar, entre beijos mais longos e selinhos demorados.

Depois de alguns segundos, Zoro desce sua língua por meu pescoço, traçando uma linha com sua saliva.

– É, não adianta. – murmura. – Vamos para a minha casa.

– Hã? – pergunto, quando ele me solta repentinamente. – Por quê?

Ele pega uma mochila, uma camiseta e um par de chinelos e me olha como se eu fosse uma criança inocente. Então, sorri e coloca a boca em meu ouvido.

– Eu não te disse que queria beijar cada parte do seu corpo? – sussurra, arrepiando-me. – Achou que eu estava brincando?

Meu corpo estremece novamente.

Com muita vergonha, ansioso e ainda por cima excitado, apenas sou capaz de assentir.

Zoro sorri e me puxa pelo braço.

POV Zoro

Sanji entra em meu apartamento e, ao observar cada parte do lugar, parece impressionado.

– Uau... É bem mais arrumado do que eu pensava. – confessa, e eu sorrio.

– Obrigado... Eu acho. – respondo, deixando minha mochila sobre uma cadeira.

– Quer dizer... É tudo uma coisa só. Não tem paredes entre os cômodos... Só nos quartos. – observa.

– É padrão no prédio. O apartamento da Nami é assim. – falo, tirando meu celular da mochila. – Quer ver algo bonito?

Sanji cora e desvia seus lindos olhos de mim.

– Vá até a sacada, lá no quarto. Eu vou daqui a pouco. – falo. Ele assente e anda até lá. Quase morrendo de cede, vou até a cozinha e encho um copo com água gelada. Então, vou até o quarto.

Vejo Sanji de costas, encostado na sacada, observando a paisagem.

– Que lindo. – murmura, apreciando as cerejeiras floridas. Dou mais alguns goles na água e ando até ele, quase encostando em seu corpo.

– Sim, maravilhoso. – sussurro.

Sanji se vira de forma abrupta e bate a mão em meu copo, virando-o em cima de mim e sobre sua camiseta branca.

– Gelado! – reclama, afastando a camiseta do corpo. – Isso é quase gelo!

– Eu estou com calor, poxa. – explico, já tirando minha camiseta molhada.

– Droga, Zoro. Logo a camiseta que eu ganhei da Robin-chan...

Enquanto ele olha a própria roupa, observo seu corpo. Muito interessante. A camiseta ficou transparente.

Largo o copo sobre a mesinha.

– Venha cá. – chamo-o. Ele me segue, e eu o coloco em frente ao meu espelho de corpo inteiro, me posicionando logo atrás. Abraço-o. – Está vendo como é extremamente sexy?

Sanji me olha através do espelho, envergonhado.

– Não fale deste jeito, Zoro. Me sinto um depravado. – murmura. Meu coração se enche de carinho.

Sanji... – falo. Então, sorrio. – É por isso que sou apaixonado por você.

Notas finais
Tradução do texto em inglês: "Senhoras e senhores, por favor, fiquem à vontade em seus assentos e apertem seus cintos de segurança. Em caso de emergência, máscaras de oxigênio cairão do teto sobre suas cabeças. O avião decola a qualquer momento. Tenham uma boa viagem." _____________________________________________________________________________ Então? Gostaram? Eu curti muito =3 Principalmente aquela imagem, muito tentadora, kkkkkk. Então, já perceberam que no próximo tem lemon, né? Aquele do espelho, sabe? Que eu prometi? KKKKKK' Talvez eu consiga posta-lo na semana que vem, talvez. Não é nada certo. Espero que me perdoem pela demora horrível. Sei que vocês sentiram muita falta, que eu fui muito malvada, mas espero que me entendam e aceitem minhas desculpas. Então? O que acharam? Fiquei muito feliz com todos os reviews que recebi, e gostaria que continuasse assim pra sempre! KKKKK' Muito obrigada por todas as leitoras fantasmas que se manifestaram, fiquei muito feliz em receber vocês. Por favor, continuem deixando suas opiniões! XD Pessoal que eu amo tanto, até mais. Dessa vez, vou dar tudo de mim para não demorar tanto, igual dessa vez. Estou me sentindo muito mal por vocês. Espero que me perdoem ;-; Mas enfim. Estou muito triste e feliz ao mesmo tempo, porque a minha série predileta, aquela que me moveu e me fez muito feliz, acabou. Naruto vai me fazer muita falta, sem sombra de dúvidas. T-T Muito obrigada por tudo, Kishimoto-sensei. Beijos a até o próximo! ^w^ *3*