Um Amor Complicado.

11 Capítulo 11 - Sentimentos Aflorados.


Notas iniciais
Olá! Senti tanta falta de vocês! ;-; E mesmo assim, eu travei na hora de escrevei. Não sabia o que estava acontecendo comigo, sinceramente. Tive um bloqueio na minha criatividade que acabou com toda e qualquer ideia. Mas quando udo voltou ao normal, consegui escrever. E aí está! Um capítulo com um pouco de drama, medo e sentimentos românticos *u* kkkkkk À Futrika, Monkey D Amanda, Liza Swan, Sogequeen, Lunista Crowler, Raquel Ohara, PaumDoLaw, FoxxyLady, Tamy, Lillyan Thais e Irial kun, obrigada pelos omentários! Lindo e maravilhosos, como sempre! Eu tenho os melhores leitores do mundo! kkkkk' Persephone Oleander, seja muito bem vinda! *u* E A OzZynhA, OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO! EU AMEI, ADOREI, CHOREI, PULEI, ENFIM... FICOU TÃO LINDA! *U* MUITO OBRIGADA MESMO! KKKKK' Bom, para quem gosta do Law, ele faz uma aparição aí. KKKK' Um aparição FUNDAMENTAL para o resto da fanfic. Boa leitura!

Capítulo 11

Acordo suado e mais quente do que jamais estive. Zoro tem uma temperatura corporal tão elevada que parece um aquecedor.

Saio de seu abraço e deixo-o dormindo. Corro para o banheiro e tomo um banho, refrescando-me um pouco. Quando termino, começo a me secar.

Lembranças da madrugada voltam à minha mente, e eu coro de vergonha. Aquilo não era eu. Não é possível. Porque eu gostei tanto?

– Falando nisso... Não está doendo. – murmuro, percebendo que não sinto dores no quadril ou em qualquer articulação.

Isso quer dizer que ele fez um bom trabalho... Ou eu estava muito mais excitado do que o normal? As duas são difíceis de considerar.

– Que merda. – murmuro, vestindo a cueca.

Começo a ensaboar a metade de meu rosto, procurando meu aparelho de barbear. Pego-o sobre a pia e, com o máximo de cuidado possível, começo a passar as lâminas, tirando minha barba lentamente.

Quando termino, já se passaram mais de dez minutos. Lavo o rosto e seco-o com a toalha, escovando os dentes em seguida.

Saio do banheiro e ando até minha mala, em busca de uma roupa qualquer. Uma camiseta e uma calça jeans. Mais simples do que isso, impossível.

Certo. Vou acordar o espadachim.

Silenciosamente e descalço, caminho até a pequena sala. Porém, interrompo meus passos quando ouço um som estranho. Uma agitação esquisita.

– Merda, merda! Por quê? – ouço o sussurro. Sinto-me confuso.

– Zoro? Você já acordou? – pergunto, sentindo meus dedos dos pés encostarem-se ao colchão.

– S-S-S... – ouço.

– O que foi? Virou Maria-Fumaça? – pergunto.

Inesperadamente, ele me abraça.

– O q...

– Eu achei que você tinha ido para o hospital sem mim. – confessa, soltando-me em seguida. Sua voz expressa todo o seu alívio. – Que bom.

– Eu só fui tomar banho, Zoro. – tranquilizo-o. – Demorei porque fiz a barba.

– Estou vendo. – responde, passando os dedos por meu rosto. – É a primeira vez que vejo seu rosto tão liso.

– Eu sei. – respondo.

– Deixando isso de lado, Ero-Cook... – começa. Suas mãos pousam em minha cintura e ele coloca o nariz no meu pescoço, encostando seus lábios naquela pele sensível por alguns segundos. – Você está tão cheiroso... É muito convidativo.

– Nem pense nisso, Kuso-Kenshi. Estou em jejum, então estou cansado e com fome.

– Falando em cansaço... – começa novamente. Ouço o sorriso em sua voz quando ele pega minha bunda preguiçosamente. – Aqui... Está doendo?

Coro e viro o rosto, tentando esconder minha vergonha.

– Não, não está. – respondo. Recebo um beijo rápido e ele me solta.

– Sabia. Eu sou foda. – fala, irritando-me. – Vou tomar um banho.

– Você é muito convencido. – falo, ouvindo sua risada como resposta. Sinto meu celular tremer no bolso e sei que são dez horas.

Corro para o quarto.

– Chopper, bom dia! – exclamo, infiltrando meus dedos nos pelos de seu rosto. – Está na hora.

– Hm... – resmunga, rolando na cama. – Bom dia...

– Vamos, levante-se. Hoje é o dia da minha cirurgia, e eu não quero chegar atrasado. – lembro-o. Ouço-o se levantar.

– Você tem razão. – concorda. – O Zoro já acordou?

– Sim. Está tomando banho. – informo.

– Ok. Então eu vou comer alguma coisa e escovar os dentes. Fique pronto, Sanji.

– Só faltam meus óculos.

POV Zoro

Quatro horas depois...

Sanji está usando aquela roupa de paciente que é uma espécie de avental. Em seu quarto no hospital, ele parece extremamente tranquilo.

– Como se sente? – pergunto, cruzando os braços e me sentando perto do leito.

– Esse cobertor é desconfortavelmente pesado, estou com uma roupa de plástico que quase não me cobre... – responde, suspirando. — Bom, estou um pouco apreensivo.

– Por causa da cirurgia? – pergunto, e ele assente.

– São 35% de chances de sucesso, afinal. – começa, coçando os próprios olhos. – Eu confio no Chopper, confio no Doutor Klaus e também no Yamazaki-sensei, mas... Eles serem confiáveis não muda o fato de quem tenho 65% de chance de sair morto da cirurgia.

– Entendo. – respondo. – Mas eu não penso desse jeito.

– Eu sei. – responde ele. – Só que eu não sou você, Zoro. Eu tenho confiança na minha vida, mas não tanto quanto você.

Faz-se silêncio por alguns segundos.

– Sabe, quando eu recebi esse corte no tronco... – começo, atraindo sua atenção. – Eu sangrei muito. Depois de o Chopper me suturar, eu não o obedeci e fui lutar contra o Hachi, do bando do Arlong. Na época eu consegui ganhar, mas fui direto para o hospital.

Ele não responde, e eu tomo liberdade para continuar.

– Quando cheguei lá, estava tudo infeccionado e, além disso, não havia por perto um doador de sangue compatível. – continuo. – A infecção começou a se alastrar muito rápido, porque eu não tratei a ferida. Você não imaginaria isso, mas... Tecnicamente, eu morri seis vezes.

– Teve parada cardíaca!? – pergunta, espantado.

– Tive. Eles usaram o desfibrilador várias vezes para me reanimar. – explico. – E se não fosse pelos analgésicos do Chopper, eu teria entrado em coma, depois da cirurgia. Eu nunca o vi tão bravo e preocupado ao mesmo tempo.

Ele assente.

– Sanji, essa expectativa de sucesso é válida no caso de cirurgiões normais, hospital normal e paciente normal. – falo. – Você tem os melhores cirurgiões, está no melhor hospital da Alemanha e é extremamente resistente. Não tanto quanto eu, mas é.

Ele revira os olhos, fazendo um bico de irritação. Sorrio.

– Eu não sei se vai dar tudo certo. Também não creio em Deus ou Buda. – falo, levantando-me da cadeira. Tiro sua franja da testa, colocando-a para trás. – Mas sei que você vai se dar bem. Sanji, acredito em você.

– Zoro... – murmura. Seus olhos ficam mais úmidos. – Obrigado. E eu não vou morrer. Não entes de ver a Nami-san e a Robin-chan.

Tentando parecer tão confiante... Quem você acha que engana?

– Isso é ótimo. Mas você não vai querer olhar para elas. Eu estou aqui, afinal. – brinco. Ao invés de rir, ele cora.

– Grande bosta. Você nem é “lá essas coisas”.

– Não foi o que você disse hoje de madrugada, quando estava pedindo para eu meter “mais forte, mais rápido...”. – provoco-o, tentando imitar sua linda voz, enquanto gemia. Como imaginado, uma tentativa completamente falha.

– O q... – murmura, indignado. – Zoro, você é tão... Eu só não te chuto, por que estou fraco.

– Você só ameaça, Ero-Cook. – falo, sorrindo. – Eu sei que você é completamente apaixonado por mim, meu amor.

– Ah...

Espero sua resposta, mas ele não diz nada.

– Sanji?

Olho seu rosto. Completamente corado, ele até treme de vergonha. Espera. Isso que eu disse... É a verdade?

­– Sanji, você... – murmuro.

– N-Não é isso, é só que...

– Sh. – solto, colocando um dedo em seus lábios. – Preciso te beijar.

Substituo meu dedo por minha boca e tomo seus lábios, provando-os novamente. É como se fosse sempre nosso primeiro beijo. Cada vez é uma sensação diferente, com um sabor diferente e, além disso, a cada beijo uma chama nova se acende.

– Mm... – ouço, entre nossas bocas moldadas. Acaricio sua língua com a minha lentamente, absorvendo tudo o que posso daquele momento. Seguro seu rosto , procurando manter um ritmo suave. – Zoro...

– Hm? – resmungo. Ele interrompe o beijo, corando bastante.

– Estou duro. – revela.

Okay, okay. Foda-se a suavidade.

Seguro-o pela nuca e beijo-o novamente, mais intensamente. Sanji começa a ter arrepios leves e a amolecer em meus braços.

– Sanji, você está bem? – pergunto, soltando-o. Percebo-o quase dormindo, ofegante e meio pálido.

– Claro que não... – murmura, respirando fundo. – Estou em jejum de 16 horas, seu imbecil... E você ainda fica tirando minhas energias...

De repente, ele desmaia.

– Sanji? – pergunto, já puxando o controle com o botão vermelho. – Sanji? Sanji!

Aperto o botão continuamente.

– ENFERMEIRA! ENFERMEIRA! SOCORRO! MERDA, COMO SE CHAMA A ENFERMEIRA EM ALEMÃO!? – grito, apertando o botão. Chego a afundá-lo, sem querer. – Sanji, acorda...

Deixo-o na cama e corro para a porta do quarto.

– CHOPPER! – grito, recebendo a atenção de várias pessoas ao mesmo tempo. – CHOPPER!

Em segundos, Chopper vira no corredor e vem correndo, desesperado.

– O Sanji desmaiou! – noticio. Ele se desespera mais ainda, já entrando no quarto.

– Ele está muito fraco! – observa, sem ao menos toca-lo. – Zoro, qualquer hora você me mata do coração.

– Ele está bem? – pergunto. Agora mais tranquilo, Chopper assente.

– Só precisa de um pouco de glicose. – responde, acalmando-me. – Eu disse para ele não fazer nada que exigisse esforço. Pedi para que ficasse em repouso completo.

Tecnicamente, eu sou o culpado.

– Eu vou dar glicose a ele, Zoro. Pode ficar tranquilo. Sanji vai acordar daqui alguns segundos.

Como vão as coisas, Chopper-ya? – ouço. Uma voz desconhecida para mim. Viro-me e encontro um espadachim com algumas tatuagens e um estranho boné com estampa de vaca.

– Quem é você? – pergunto, incomodado pela presença intrusa dentro do quarto. Não sabe pedir licença?

– Trafalgar Law. – apresenta-se, com um sorrisinho irônico. – Sou amigo do Chapéu de Palha-ya.

– Ah. – resmungo. – Sou Roronoa Zoro.

– Eu sei. – responde. – Você é conhecido mundialmente.

– Se você diz... – respondo, suspirando. – O que você está fazendo aqui?

– Ele é conhecido como o “Cirurgião da Morte”, Zoro. O Law é muito competente. – diz Chopper, cuidando de Sanji.

– Vim acompanhar a cirurgia. Interessei-me porque é de alto risco, então...

– Não. – corto-o.

– O quê?

– Você é surdo? Eu disse “Não”. – repito. – Por que eu devo deixar alguém que é o “Cirurgião da Morte” acompanhar a cirurgia dele?

– Eu não sei. Isso é critério seu, não tenho nada a ver com isso. Sei que vou acompanhar a cirurgia, e você não vai me impedir. – desafia.

– Quer ver? – pergunto, aceitando sua provocação. – Sinto muito, mas você não vai tocar nele.

– Qual a relação de vocês, afinal? Por que essa superproteção? – pergunta.

– Porque ele é muito importante para mim. – respondo, fuzilando-o com os olhos. – Preciso de mais algum motivo?

Law não responde, pois Sanji acorda, tossindo.

– Merda. – murmura, sem abrir os olhos. – Não grite, Zoro. Estou com dor de cabeça.

– Desculpa. – peço, instintivamente. – Melhorou?

– Sinto que meu corpo está um pouco mais forte, mas continuo morrendo de fome.

– Chopper, falta muito para a cirurgia? – pergunto, já impaciente. – Ele está há quase um dia sem comer.

– Como é uma cirurgia agendada, temos que ter um pouco mais de paciência. – responde ele, enquanto Sanji controla sua respiração, para não fraquejar mais ainda. – Mas já está tudo pronto. Inclusive, vou ligar para o Doutor Klaus. Ele está no prédio três, tendo uma reunião.

– Certo. – falo. Chopper pega o celular edigita alguns números.

Sento-me ao lado da cama novamente, preocupado.

– Zoro, pode pegar meu celular para mim? – pede, com sua voz baixa. Assinto, alcançando seu celular sobre a mesinha branca.

Okay. Estou indo para aí. – ouço, e Chopper desliga o celular. – Eu vou ter que ir encontrar os outros médicos e assistentes, para discutir o caso do Sanji. Em meia hora eu estou de volta para marcar o rosto do Sanji.

– Sim. Vou cuidar de tudo aqui.

– Law, vamos? – pergunta Chopper, convocando-o. Law me encara por alguns segundos, e sem dizer nada, acompanha Chopper.

– Estou me sentindo inválido. – declara Sanji, com um sorriso triste. – Percebeu que o Chopper não falou comigo? Eu não estou precisando de supervisão, droga.

– Calma, Ero-Cook. – peço, sorrindo um pouco. – Todos estão preocupados. Ele só está querendo agilizar tudo. Você não é inválido, só está em jejum.

– Mesmo assim.

– Pare de se depreciar. – peço. – Você não é inválido por estar sem comer e precisar de cuidados. Seres humanos não são feitos para viver como robôs, com resistência contínua. Você não pode ser forte o tempo todo.

Sanji vira o rosto para o outro lado. Vejo suas mãos segurarem os lençóis.

– É, acho que você tem razão. Estou parecendo uma criança. – fala. Sua voz sai estranha, quase embargada. Droga. Ele está quase chorando.

– Sanji...

– Procure o número da Nami-san. – pede, interrompendo-me. – Depois, me entregue o celular.

Faço o que pede e lhe entrego o celular. Sanji encosta a parte de trás da cabeça no travesseiro e leva o celular o ouvido.

– Nami-san, tudo bem? – pergunta. Tento escutar a Nami, mas não consigo. – Sim, estou bem. Na verdade, estou indo para a cirurgia.

Mais alguns segundos de silêncio.

– Sim. De alguma forma, não estou com medo da cirurgia em si. – continua ele, levando a mão desocupada aos olhos. – Mas são 65% de chance de falha. Não é algo tão “ignorável”.

Nami continua falando.

– Eu sei. Mas, Nami-san... Eu não quero morrer. – murmura, deixando escapar um pequeno arquejo. – Quero continuar conhecendo as coisas, continuar sentindo as coisas. Só que... Ser cego é, para mim, no mínimo frustrante.

Por que ele não desabafa essas coisas para mim?

– Obrigado. – continua ele, ouvindo algo mais. – É, ele está aqui. Zoro está me apoiando.

Então, ele se interrompe por alguns instantes. De repente, solta uma maior quantidade de ar e começa a chorar. Percebo que a Nami não está só encorajando-o, mas está principalmente consolando-o.

– Obrigado, Nami-san. Você é linda, sabia? – pergunta, em meio a muitas lágrimas. Meu peito se aperta diante de seu sofrimento. Meus olhos começam a arder, e luto para engolir o nó em minha garganta. – Muito obrigado. Eu também te amo.

Neste momento, sinto meu peito se apertar mais forte. Sanji recebeu uma confissão de amor? Da Nami?

Merda. Parece que minha cabeça vai queimar. Assusto-me com a decepção que me possui: eu quero essas palavras para mim. Quero que elas sejam minhas.

Observo-o mais um pouco, sem escutar sua conversa. Uma simples centelha se acende em minha mente quando me conformo, finalmente me dando conta de algo que já acontece há um bom tempo.

Eu o amo. E não é pouco.

– Sim. Até mais, Nami-san. – murmura, desligando o celular. Sanji se senta na cama, com as pernas para fora do colchão.

Deixando meus pensamentos e sentimentos de lado, observo-o.

– Está melhor?

Sanji dirige seus olhos a mim, corado pelo choro. Então ele tampa o rosto e seu corpo começa a tremer novamente.

Vendo-o deste jeito, não consigo controlar meu corpo. Levanto-me e o abraço, com seu rosto na altura do meu peito.

– Por que está chorando? – pergunto. – Não deveria estar feliz? A Nami disse que te ama.

Sanji segura minha camiseta e encosta a testa em mim.

– A Nami-san... Estava se despedindo. – diz ele, chorando. – Ela disse que ia dar tudo certo, mas não conseguiu parecer confiante. No final, ela disse: “Você é especial, Sanji. Não se esqueça disso, nunca. Não importa o que aconteça, você sempre será amado por todos que gosta. Inclusive eu.”. Porque dói tanto saber que eu posso morrer? Quer dizer, semanas atrás eu nem ligaria para nada disso. Se eu morresse, estaria indiferente. Mas agora... Eu quero viver.

Sorrio diante de sua confissão.

– Isso é porque você tem pessoas das quais você quer cuidar. Pessoas com as quais você quer estar, coisas que quer vivenciar. – respondo. – Eu sei que o fato de ser arriscado é muito assustador, mas você tem que confiar que vai dar tudo certo.

– Por que eu deveria?

– Porque eu estou com você. – murmuro. – Enquanto estiver comigo e confiar em mim, nada de ruim vai acontecer a você. Disso, você pode ter certeza.

Segundos se passam, e ele para de chorar.

– Zoro... – ouço.

– Sim?

– Eu confio em você. – sussurra. Então, ele segura minhas mãos e beija as palmas. – Minha vida está em suas mãos.

Sorrio, feliz.

– É uma honra. – murmuro, beijando seus lábios. – E faça o favor de se deitar.

Sanji sorri e se deita.

Chopper chega dez minutos depois.

– Eu consegui terminar mais cedo. Trouxe o canetão. – fala ele, e caminha até nós.

Chopper começa a passar vários traços no rosto do Sanji, perto das orelhas e na linha do cabelo.

– Isso é onde vai passar o bisturi? – pergunto. Ele assente. – Melhor eu nem perguntar o motivo.

Quando termina, várias pessoas entram no quarto e Sanji é obrigado a passar para a mesa de cirurgia, forrada com um colchão fino e lençóis. Além disso, ele recebe um cobertor pesado.

– Essa mesa tem rodas? – pergunta.

– Sim, tem. – respondo.

– Sanji, estamos prontos. Vamos levar você para a sala de cirurgia. – declara a rena.

– Certo. Faça um bom trabalho, Doutor. – responde ele, e Chopper abre um sorriso gigante e feliz.

– Deixa comigo!

– E Zoro... Espere-me. – murmura. Sorrio.

– Claro. – respondo.

Acompanho o pessoal todo até o limite do meu acesso. De longe, vejo Sanji dando um leve sorriso. Sento-me numa das cadeiras, do lado de fora da sala de cirurgia.

Acalme-se, Zoro. A cirurgia tem mínima duração de doze horas e meia. Seja paciente, não se preocupe. Não tem como o Sanji morrer.

Mas... E se? Se ele morrer, o que eu faço? Quais são as minhas alternativas?

Em toda a minha vida, eu me apaixonei por duas pessoas. A primeira, eu tinha apenas oito anos de idade. Apaixonei-me pela filha do meu sensei, a Kuina. Um tempo depois de descobrir isso, mesmo tão novo, Kuina morreu. Eu a vi embaixo daquele lençol branco, pálida e fria, sem vida; ali, decidi que faria o máximo para não gostar de ninguém de verdade.

E consegui, por aproximadamente treze anos. Quando Sanji apareceu, eu já havia realmente desistido da minha vida amorosa. Estava conformado que minha vida seria treinar o tempo todo, competir, procurar mulheres gostosas para passar uma única noite e, no dia seguinte, fazer a mesma coisa.

Foi quando eu decidi entrar em recesso sexual: não tive sexo, por oito meses.

Sanji veio justamente quando eu já estava quase explodindo de frustração sexual. Quando senti seu cheiro pela primeira vez, quase enlouqueci. Quando senti a sensação de sua pele na minha, tive vontade de toca-lo por inteiro. Quando começamos a conversar, senti que ele me agradava. Sua presença tranquila e ao mesmo tempo marcante, o jeito como ele sorri espontaneamente quando está feliz...

E ao descobrir que ele não enxerga, minha admiração só cresceu mais e mais. Senti vontade de coloca-lo sob minha proteção, mesmo que não precisasse. Por mais que ele se irritasse comigo e me batesse, eu sabia que ele também me queria por perto.

Eu tenho medo de acontecer a mesma coisa que aconteceu com a Kuina? Sim. Só que, agora, esse medo é muito mais intenso. Naquela época, eu tinha apenas oito anos, não sabia nada da vida. Hoje em dia, justamente por conhecer o Sanji, sinto que, se o pior acontecer, vou simplesmente... Enlouquecer.

Por que... Eu preciso dele. Não consigo me imaginar sem ele. Não sei como nem quando esse sentimento se tornou tão forte, mas... Aconteceu.

Eu realmente amo o Ero-Cook.

–-----X------

Duas horas depois de início da cirurgia, Chopper sai da sala, eufórico.

– Zoro, temos um problema. – anuncia. Law, sentado ao meu lado, se levanta junto comigo.

Preparo-me para ouvir o pior.

– Law, se você não entrar agora mesmo, Sanji vai ter uma morte cerebral. – fala ele, e eu engasgo com minha saliva. – Um dos assistentes cortou uma veia errada no cérebro.

– Cadê esse filho da puta!? Vou afundar o crânio dele na porrada! – solto, irado.

– Zoro-ya? – ouço, e me viro. Law me olha, como se pedisse permissão.

– Vá, vá logo! – exclamo. – Salve a vida dele, Trafalgar Law.

Law me estende a mão e trocamos um rápido aperto. Ele decide por deixar sua katana em meus cuidados.

Instantes depois, desabo na cadeira. Com os cotovelos apoiados nas coxas, seguro minha cabeça com as mãos.

Morte cerebral. Morte cerebral. Morte cerebral.

Não. Não. Não. Não. Não.

– Merda, por quê? – pergunto-me, baixo.

Estou imensamente frustrado. Não posso fazer nada. Nunca me senti tão impotente. Tão... Inválido.

Seguro meus próprios cabelos com força, apertando os olhos com força.

O celular treme em meu bolso. É a Nami.

– Nami.

Zoro, como está o Sanji-kun? Já entrou para a cirurgia? – pergunta. Suspiro.

Sim, mas não está nada bem. – revelo. Juntando coragem, inflo meus pulmões. – Ele pode ter morte cerebral. Um assistente desgraçado cortou a veia errada na cabeça dele.

M-Meu Deus... – sussurra, horrorizada. – Sanji-kun...

­– Eu não sei o que fazer. – confesso. – Ele está morrendo, eu não consigo fazer nada para impedir.

Você parece tão calmo...

– Não estou. Quero-o vivo.

Onze horas depois...

A porta se abre, e eu me coloco de pé.

Chopper caminha até mim, e percebo sua olheiras profundas de cansaço extremo.

– A cirurgia... – começa, suspirando. – Foi um sucesso.

Meu pulmão perde todo o ar disponível, e eu não sei se sorrio, pulo, corro, ou choro.

– Quer dizer, não exatamente. Só saberemos se deu tudo certo daqui duas semanas. – diz ele, colocando a mão na testa. – O Law salvou a situação de um jeito quase inacreditável. Sem deixar sangrar ou qualquer coisa. Sua Akuma no Mi é genial.

– Chopper, você... – murmuro, levantando-o. – É o melhor médico do mundo.

Inesperadamente, ele começa a chorar, soluçando.

– Eu sei! Deu tudo certo, Zoro! – exclama, abraçando meu pescoço e chorando em meu ombro. – O Sanji está vivo!

– Sim. – respondo, calmo. – Parabéns, Chopper. Bom trabalho.

Neste instante, Law sai da sala, também cansado.

– Law... – falo, atraindo sua atenção. – Obrigado.

Ele me olha e assente.

– Não há de quê. – responde, sério. – Por mais estranho que pareça, eu me divirto muito com cirurgias de alto risco.

– De qualquer forma, obrigado. Estou retirando o que disse antes. – falo, e ele dá um pequeno sorriso como resposta. – Aqui, sua katana.

Chopper, ainda grudado em meu pescoço, começa a se acalmar. Law pega a katana da minha mão.

– Verdade. Obrigado, Law. – murmura.

– Chega de agradecimentos. Isso é constrangedor. – fala ele, com o rosto encoberto pelo boné. – Estou acostumado a ser odiado, não gostado.

– Bom, eu também não tenho muitas pessoas que gostem de mim. – falo, rindo de mim mesmo.

– Doutor Chopper. – chama outro médico, saindo sala. – Precisamos transferir o paciente para o quarto.

– Entendido. – responde Chopper, desgrudando de mim. – Doutor Klaus, obrigado pelo trabalho.

– O mesmo para você. – responde o alemão que fala japonês. Em seguida, ele se dirige a mim. – Você é o acompanhante?

– Ah, sim. Sou. – respondo.

– Pode esperar o Sanji no quarto. Vamos leva-lo para lá em poucos minutos. Já testamos seus sinais vitais, e ele já está sem o aparelho de oxigênio. Só está dormindo por que o efeito da anestesia geral é forte, então ele ficará grogue por um bom tempo.

– Tudo bem. – falo, assentindo. – Até mais, e obrigado por tudo.

Viro-me e me dirijo para o quarto. Law fica para trás, para ajudar.

Quando chego no quarto, puxo o celular do bolso e ligo para Nami.

Zoro, o que foi? – pergunta, preocupada.

– A cirurgia terminou. – falo, sorrindo sozinho. – E o Sanji está bem. Law salvou-o.

Ouço seus gritos de felicidade.

Isso! Está vendo, Mihawk!? Eu te disse que ele ia sair dessa! Seu pessimista de bosta! – grita ela, rindo também. – Está me devendo duzentos mil euros!

– Nami, espera um pouco. – falo, interrompendo-a. – Você apostou dinheiro na sobrevivência do Sanji?

Sim! E acabei de faturar muito! Uhu!

– Você é muito cara de pau. – falo, rindo um pouco. – Mas ainda bem que ganhou. Enfim, avise para o resto do pessoal. Eu tenho alguém para cuidar.

Pode deixar! Zoro, obrigada pela ligação! E volte logo! – fala, feliz.

– Sim, sim. Até mais, Nami.

Desligo o celular e me sento na poltrona maior, permitindo-me o mínimo de descanso. Recosto-me e fecho os olhos por alguns segundos.

Ainda bem. Nem acredito que tudo deu certo.

Acordo sem nem perceber que tinha dormido. Passo a mãos nos olhos, tentando acordar e me acostumar à visão do ambiente.

– Uah... – solto, bocejando.

– Bom dia, flor do dia. – ouço, e pulo na poltrona. Olho na direção da cama e vejo Sanji deitado, imóvel.

– Ero-Cook! – exclamo.

– Sh! Estou com dor de cabeça, baka. – fala, e avisto seu pequeno sorriso.

Sento na cadeira ao lado da cama, permitindo-me focar seu rosto.

Quer dizer... Não há rosto.

Tudo o que vejo é um monte de faixas em sua cabeça, tampando tudo. Parece uma múmia. Só consigo ver sua boca e seu nariz.

– Uau, Sanji. O que é tudo isso? – pergunto, assustado.

– Eles quebraram minha cabeça, gênio. Estou cheio de parafusos, grampos e pontos. – fala, rindo. – Ainda bem que estou tampado. Devo estar horrível. Enfermeiras não podem me ver desse jeito deplorável.

– Eu não ligaria de ver nada disso. – falo. – Você sabe que eu poderia te beijar agora, mesmo com tudo isso aí, não sabe?

Ele fica sem palavras.

– Eu sei que você está corando muito embaixo desse monte de pano.

– C-Cale a boca, Kuso-Kenshi. Eu disse que estou com dor de cabeça. – diz ele, enquanto eu sorrio.

Sem me conter, inclino-me para frente e abraço-o com cuidado, sentindo seu cheiro em seu pescoço.

– Que bom que você está vivo, Sanji. – falo, inspirando o máximo de seu cheiro. – Fiquei muito preocupado.

Ele me abraça de volta.

– Sim. Eu gosto de estar vivo. – responde.

Notas finais
Então? Gostaram? Odiaram? Elogios? Críticas construtivas? Espero que tudo esteja dentro dos conformes, kkkkkkk. Viram? O Law basicamente salvou um dos nossos protagonistas. Sempre gostei do Law *---* KKKKK' Leitores e leitoras fantasmas, venham conversar com a autora! Preciso saber se vocês estão gostando do desenvolvimento, kkkkkkk. Um "Gostei" já basta para fazer meu dia mais feliz! Qualquer pergunta: ask.fm/NakayamaKaori Até o próximo capítulo! *u* Beijos!