Um Amor Capaz De Libertar
10 Capítulo IX - Quem Sabe Um Dia Isto Se Chame Amor
Notas iniciais
Edward
Três singelos toques de campainha.
Bati meus pés nervosamente sobre o assoalho que cobria a varanda da casa onde Bella me endereçou como sua, mas, no entanto ninguém vinha atender. Via flashes de luzes atravessando a vidraçaria da porta, certamente vindos da televisão, e então ouvi alguém resmungar algo lá de dentro. Um vulto vindo na direção da porta e então, ela é aberta por Jacob, que continha uma lata de cerveja na mão desocupada pela maçaneta. Parecia muito surpreso em ver-me ali.
- O que você está fazendo aqui? – Disse ele, com seu tom absurdamente petulante.
- Vim falar com Isabella. – Eu falei, o fitando por entre os cílios.
- Ela não está! – Falou rudemente, como se estivesse me expulsando ali mesmo, e sabe, sinceramente, eu não duvidava nenhum pouco de que ele realmente o estivesse fazendo, mas eu não iria embora. Não sem antes levar Isabella junto de mim.
- Edward? – Ouvi a voz melodiosa dela ao longe, chamando por mim e contrariando o que Jacob dissera.
Fitei Jacob por um instante, o encarando com a mesma carranca que ele me encarava. Não iria dar a ele o gosto da vitória, se era isso que ele esperava que aquela cara de idiota indicasse.
Rumei sala adentro, sem me importar com o fato de que o moreno tentou me barrar e fui direto à direção das escadas, de onde viera a sonoridade da voz de Isabella.
Os pés, adornados com um salto agulha preto, deslizavam cuidadosamente sobre a madeira, causando o som característico de quando a sola do calçado entra em contato com algo que se parece oco. Usava um vestido vermelho vivo, que ia até pouco acima dos joelhos, exibindo suas pernas brancas e delineando seu corpo esguio, exibindo suas curvas muito bem desenhadas.
Tive de lembrar-me por um segundo como se respirava, ela estava tão, mas tão linda e sexy! Em meu íntimo, a vontade que eu tinha em vê-la tão bonita, arrumada e perfumada especialmente para mim, era de despi-la ali mesmo.
Pense como se fosse um chocolate, que apenas ao olhá-lo embrulhado sente a boca salivar, os olhos brilharem. Agora pense nele sem o invólucro que o mantém fechado. Mil vezes melhor! Ao menos era assim que pensava nela, quando a via, especialmente naquele momento, tão apaixonante. Era humanamente impossível não deleitar-se apenas com a presença daquela garota, daquela mulher frente a mim, porém, era também errôneo ter pensamentos tão vulgares com alguém como Isabella.
- Deixe-me ajudá-la... – Ofereci, estendendo minha mão para ela, porém, o cretino de quem sabem que falo, se interpôs impedindo o contato que eu tanto ansiava.
- Ela não precisa de ajuda! – Cuspiu, raivoso e com os olhos fumegando raiva. – Bella, você não irá sair com ele – Dirigiu o dedo indicador para mim. – Não é mesmo? Você não fará isso, certo?!
Jacob dirigia o olhar duramente para Bella, como se salientasse o que aconteceria caso ela fosse. Ela sabia bem do que era possível por parte de Jacob, mas seu anjo estava bem em sua frente, e nada poderia ele fazer enquanto as asas dele envolvessem-na em segurança e proteção.
- Ela vai, e você não pode fazer nada para impedi-la! – Respondi por Bella, ultrajado com a coragem dele em decidir as coisas por Isabella.
- Ah não?! – O vi abaixar-se e largar a cerveja ao pé da escada e cerrar o punho, inspirando fundo. Achei que a intenção dele fosse me bater, mas desistiu pelo o que pude notar. – É melhor não levar muito tempo! – Ele não aconselhou, mas sim ameaçou. Tinha que rir da cara dele, mas por algum motivo me controlei, afinal Isabella estava ali do lado.
- Bem... Acho melhor irmos indo então, não é? – Olhei para Isabella, que corava fortemente agora e assentiu ao meu convite, aceitando segurar minha mão quando a ofereci. Senti-me feliz quando ela o fez, quando a palma dela tocou a minha espontaneamente, aquecendo-se na segurança que minha mão a proporcionava.
Guiei-a para longe de Jacob e o seu hálito cheirando à cerveja, até meu Volvo prateado estacionado no meio-fio. Poderia não ser a carruagem que ela merecia, sendo a princesa que era, mas ainda assim parecia dar pro gasto, visto o sorriso que ela dava ao meu lado, e isso, de alguma forma, preenchia todo o vazio em meu coração que eu sequer sabia existir antes de vê-la.
Bella
Ela adentrou o veículo assim que ele abriu a porta para ela, e inspirou o cheiro do couro misturado ao perfume dele. Tão bom, que poderia ficar presa ali dentro sem importar-se, apenas para que pudesse deliciar-se com o aroma exótico dele por mais tempo, isso se estar à companhia dele não fosse ainda mais satisfatório.
Mal deu-se por conta de que o carro já movia-se pelas ruas providas de calmaria essa hora da noite. Notou que Edward dirigia em alta velocidade, e isso a causava certo frio na barriga, embora soubesse que ele não faria nada para machucá-la. Pouco sabia ela que na verdade, ele descobrira naquele instante que gostava de mostrar-se um pouco prudente na presença dela, talvez para chamar sua atenção, não sabia ao certo.
O caminho seguiu silencioso, exceto por uma música do The Cure que tocava no rádio. Ela estava um pouco envergonhada pelo o comportamento ridículo vindo da parte de Jacob, quando Edward chegara lá. Estava de saco cheio dele, de ver sua face todos os dias. O sentimento que nutria por ele agora já não era mais nem perto de amizade. Do contrário, crescia cada vez mais rancoroso e odioso por aquele que só a desrespeitava. Poderia ela não ser a mais bem-feitora do mundo, mas ainda assim, tudo o que fizera um dia não lhe fazia merecedora de tais atitudes, de tamanho desrespeito. O mais engraçado de tudo, era que ele ainda tinha esperanças de conquistá-la. Era um louco, mas nada podia ela fazer, pois a chantagem de sempre assolava seus sonhos que nunca aconteceriam por conta de seu passado, nunca enfrentado face a face antes.
Edward achara melhor não importuná-la de momento, afinal teriam muito que conversar assim que chegassem ao lugar em que escolhera para jantarem.
Não demorando muito, o carro parou em frente à um estabelecimento de boa aparência. Parecia ser um dos melhores lugares da cidade, e ela não havia estado ali antes.
Seu olhar mirou Edward, curiosa e ele lhe retribuiu com um sorriso torto, como se pudesse ler exatamente suas dúvidas.
- Inaugurou há poucos dias... – E desfez de seu cinto, bem como Bella fizera a seguir. – Não estive aqui antes, espero que seja do seu agrado!
- E do seu! – Lembrou-o e sorriu, vendo-o abrir a porta e deixar o automóvel. Segundos depois, Edward estava segurando a porta aberta para ela passar. O fez cautelosa, já que seus pés poderiam cair em falso a qualquer instante, ainda mais com um salto daqueles que se aventurara a usar para ser ao menos aparentemente bonita perto dele. Claro que não havia comparações, para ela, pois ele mais lhe parecia um ser divino do que um mero humano. Não haviam competições de beleza com ele, e seria até mesmo injusto com ela ter tal concorrente, ainda mais vestido com uma camisa azul petróleo, contrastando perfeitamente com seus olhos esverdeados, um jeans preto e sapatos sociais. Não tinha certeza de como conseguia respirar perto dele.
Irromperam o restaurante, abarrotado de gente e com um burburinho rolando solto, mas Edward guiou-a para um cômodo distante da parte frontal do lugar, onde parecia deveras mais calmo e ainda poderiam apreciar músicas calmas e a conversa ao redor não os atrapalharia. Isabella não pode deixar de ficar contente, ao ver tanta dedicação dele, não só pelo a escolha minuciosa do lugar ou do tratamento respeitador que ele tinha para com ela, mas dedicação também ao tê-la salvado. Era gratificante em seu âmago saber que ele fazia isso por ela, e sim, ela sabia ser somente por ela, pois quando fitava os olhos dele, eles não diziam outra coisa.
Sentaram-se por fim, e depois de muito olhar o cardápio, Edward ofereceu-se para pedir por Bella, que se mantinha indecisa entre tantas coisas com nomes que soavam apetitosos. Ele também pedira um vinho tinto suave para acompanhar o jantar, e assim foi atendido rapidamente.
Enquanto Isabella bebericava sua primeira taça de vinho, fitou Edward por cima do cristal da taça e descansou o objeto sobre a mesa, logo mordendo o lábio inferior, sentindo o rubor tomar conta de suas bochechas.
- Me desculpe hoje, por Jacob. Ele não sabe lidar muito bem com esse tipo de hm, visita. – Olhou para as mãos neste momento.
- Ele não sabe lidar com você, por isto. – Explicou ele, admirando-a silenciosamente. – Posso pedir algo? – Ele pôs uma das mãos sobre a mesa, gesticulando.
- Sim. – Ela sorriu sutilmente.
- Olhe para mim, Isabella. – Assim que ouviu seu pedido, obedeceu, encontrando o tom de verde que mais apreciava no mundo.
- Você fica absurdamente linda quando cora. – Ele abriu um sorriso que expunha todos os dentes, enquanto ouvia o riso baixo dela. – Alguém já lhe disse isso?
Ela negou com a cabeça, fazendo as ondulações de seu cabelo agitarem-se suavemente com o movimento. – Não mesmo, você é o primeiro. – Ela alargou o sorriso. – Digamos que não costumo ter muitos encontros, desde... Desde algum tempo. – Referiu-se ao incidente passado, porém era lógico que ele não sabia do que ela estava falando.
- Entendo... É difícil de acreditar, quando se trata de alguém como você, Isabella! – Sorriu. – Ou... Talvez seja só eu, com meu modo de ver você.
A fala se perdeu na garganta de Bella enquanto ela pensava em algo para dizer em troca, sem ter palavras depois do que ele lhe dissera. Era tão... Tão encantador! Teve medo em confiar assim, cegamente em seu anjo, não sabia se ele falava coisas assim também para outras, mas seguindo seu coração acreditava e sabia que ele era assim somente com ela, somente dela, com aquela ligação de olhares e de sentimentos que só os dois sentiam um pelo outro. Era inevitável naquele ponto da situação, ignorar tamanho encantamento que se apoderava dos dois, tamanha ligação que os mantinha cada vez mais próximos, mais interligados, mais amantes e confidentes.
Edward contou a ela sobre como se tornara arquiteto, sobre a vida dos pais e a infância, sobre o emprego e a faculdade. Deixou Bella a par de tudo, e ela como retribuição contou-lhe tudo o que era necessário. Não poderia traumatizá-lo também, e afastá-lo de si tão repentinamente. Talvez nunca o contasse sobre o que aconteceu.
Eles divertiam-se entre garfadas e gargalhadas, até que uma pergunta vinda de Edward fez o semblante de Bella cair levemente.
- E Jacob? O que vocês dois são? – Ele enrugou a testa. – Quer dizer... Ele não parece ser muito gentil com você, pela demonstração que vi hoje. Não querendo julgá-lo é claro... Só... Me sinto curioso sobre isto.
Ela soltou um longo suspiro antes de responder. – Jacob é o que eu costumava considerar um amigo. Ultimamente, já não sei mais. – Ela sorriu fraco. – Isso é tudo o que posso contar por agora. Me desculpe... – Sussurrou a última frase.
Edward apreciava o mistério que era aquela garota, teria como objetivo de vida desvendá-la em seu tempo, e então poder fazê-la feliz novamente, como sabia que não era mais, apenas pelo semblante que continha na face, o olhar distante e sutilmente sombrio, mas que ele havia notado.
Impulsionado por confortá-la e trazer um pouco de paz ao seu coração tão gélido e quebradiço, como podia perceber, levou as pontas dos longos dedos até o rosto corado de Isabella, deslizando o polegar da altura de sua orelha até a ponta do queixo, sussurrando-lhe em retorno:
- Não se desculpe... Não quero forçá-la a nada. – Não conteve-se com a ânsia de tocá-la por mais tempo e levou uma pequena mecha fujona dos cabelos achocolatados para trás da orelha dela. – Me sinto impulsivo perto de você, quero conhecê-la mais do que tudo, Isabella, mas minha última intenção seria magoá-la para satisfazer minha egoísta curiosidade.
O toque caloroso e convidativo dele a fez fechar os olhos, acalentando sua alma com o pequeno afago e quando os abriu novamente, suspirou com a amabilidade e compreensão dele. – Obrigada por entender! Eu também desejo muito desvendar você, partilhar momentos com você... Mas não posso ser tão ávida.
A vontade real era de contá-lo tudo. Mas não lhe era permitido. Pensara naquele momento sair correndo porta afora, pois era errado mantê-lo perto de uma assassina como ela. Era errado colocá-lo em perigo, apenas porque sentia coisas grandiosas por ele, das quais não sabia nomear até então. O certo, na verdade, era cortar relações e qualquer afetividade com Edward Cullen. Este era o correto a se fazer, mas o que sentia era tão forte, que não conseguia. Não conseguiria se afastar dele, nem mesmo pelo seu próprio bem, por mais que desejasse fazê-lo, notou enquanto fitava-o no restaurante, que jamais seria capaz de tal ato. Deixá-lo estava fora de cogitação, até que ele pedisse-a para que o fizesse.
Ainda que não lhe fosse conhecido a noção do sentimento que apoderava-se de si e inflava seu coração, sabia ser algo especial, pois nunca antes o sentira.
A ideia do amor para Bella era novidade, algo prestes a ser descoberto, era um mistério o qual queria desvendar ao lado de Edward.
- Não me importo em esperá-la. – Ele garantiu, confortando seu coração fragilizado. – Podemos ir? – Perguntou, após uma pausa.
- Ir? Para onde? – Bella arqueou as sobrancelhas.
- Hm... Surpresa! – Ele respondeu, rindo matreiro assim que movia a cadeira de Isabella para que ela pudesse sair.
Ele fez questão de pagar a conta para ambos, insistindo que fora ele quem fizera o convite, portanto era seu dever pagar o jantar dela, e não aceitava “não” como resposta.
Partiram então dali, e Bella se mostrava cada vez mais curiosa à medida que deixavam os limites da cidade.
Já era por volta de onze e trinta da noite, quando lhe foi requisitado, por parte de Edward, que cerrasse seus olhos, e assim o fez, atentando-se no som do ronco do motor sendo desligado, substituindo o ruído quase inexistente, pela calmaria vinda da respiração de Edward.
Havia um forte e longo chiado do lado de fora do carro, ultrapassando o aço que encobria a lataria do veículo. O som era semelhante ao de ondas quebrando. Ondas! Foi como se um lhe desse um estalo na mente. Ele a trouxera à praia!
Ela pôde ouvir ainda, a porta de Edward batendo, quando ele deixara o carro, dando a volta em passos lentos para abrir a porta dela. Bella não conteve um suspiro curto ao sentir o toque das mãos dele nas dela, enquanto ele ajudava-a na tarefa de descer do carro, de olhos fechados.
Sentiu a areia fofa e macia abaixo de seus pés, e a brisa característica beira-mar açoitar seu rosto, bagunçando seus cabelos, inebriando-a com o olfato de água e sal. Fazia tanto tempo que não ia à praia que já não lembrava-se mais como era bom!
As mãos de Edward deixaram as suas brevemente para fechar a porta do carro que permanecera aberta, e ela necessitou evitar um muxoxo, mas então ele voltou-se para ela novamente. Ela pôde sentir que ele sorria de alguma forma, e desejou poder abrir os olhos para admirar tal maravilha.
Como se atendesse seu pedido mental, a voz rouca e suave de Edward proferiu:
- Pronto. Pode abrir. – E assim ela o fez, piscando algumas vezes para acostumar-se ao ambiente e encontrou um sorriso nos lábios de Edward, tal como imaginou, e o qual retribuiu imediatamente. – Gosta desse lugar? – Ele perguntou.
Necessitou passar os olhos envolta. Observou as ondas chocando-se contra a areia fina, quebrando-se e lhe ocorreu que fosse uma praia deserta, pois não havia movimento algum, ao menos perto deles. Levou os olhos acima, admirando o céu tapado de estrelas, pontinhos de luz brilhantes e com uma lua cheia contemplando o momento dos dois. Suspirou, maravilhada e voltou os olhos a Edward.
- Aqui é lindo! – E os olhos brilharam ao pensar que somente não era tão lindo quanto os olhos de seu anjo.
Era estranho o modo como ele a comovia, o modo como ela se tornava uma pessoa melhor ao lado dele, quando estava junto de Edward. Era como se ela não houvesse cometido nenhum crime naquela noite trágica, como se todas as consequências deste crime não fossem ruins como eram, na verdade, era como se nem existissem. Talvez fosse o que as pessoas chamavam de paixão, mas isso ainda não era conhecido dos dois naquele tempo. Tão absortos na vida que levavam, que não tinham nem mesmo um conhecimento prévio do que estava se apoderando aos poucos dos corações deles.
Sentaram-se à beira-mar, Isabella com as pernas torcidas para o lado, apoiando-se da melhor forma que pôde por conta do vestido, enquanto Edward tinha ambas as pernas curvadas para cima, e as mãos apoiando o restante do corpo atrás de si mesmo, tocando a areia gélida àquela hora da noite.
- Você visita seus pais? – Edward perguntou, fitando o horizonte ao longo do mar.
- Às vezes. Não temos mais tanto contato depois que parti. Quase sempre passava os finais de semana com a família de Jacob... – Suspirou, tombando a cabeça de lado enquanto mirava as ondas quebrando. – Agora nem isso preciso mais fazer. – Ela sorriu fracamente, enquanto Edward virou o rosto para fitá-la.
- Por que não? – Edward apoiou os braços sobre as pernas e a encarou.
Bella fitava o mar, distraída, como se seus pensamentos houvessem vagado para outro instante, quando respondeu. – Digamos que eu não tive um passado feliz... – Então tornou a olhar Edward.
- Estou disposto a ouvir... – Ele a fitou por alguns instantes, contemplando seu silêncio. – Mas tudo bem se não estiver afim de falar. – Confortou-a.
- Não... Tudo bem. É melhor eu contar logo... – Ela deu-se por conta de que se fosse para ter algo com ele, não poderia esconder dele detalhes assim. Se ele tivesse de deixá-la por isto, pouparia sofrimento de ambos mais tarde, ao criarem esperanças. – Eu estava grávida, quando fui morar com Jacob. Mas depois que eu – Engoliu em seco antes de prosseguir, tentando conter o choro – perdi o bebê, as coisas não foram mais as mesmas, mas eu preciso continuar lá e... – Ela suspirou, ponderando se deveria continuar, o estresse emocional tomando conta de si aos poucos, assim como o medo de afastá-lo de si.
Decidida que ele não a aceitaria contando todos os seus fatos sujos, seu passado condenado, ela levantou-se, indo em direção ao carro na intenção de buscar suas coisas.
Edward confuso com seu ato inesperado levantou-se e caminhou para perto dela, ficando pouco distante de alcançá-la. – Ei, Bella! – A chamou. – O que está fazendo?
Ela virou-se paulatinamente, olhando-o nos olhos e deu de ombros. A expressão de dor se fazendo presente na face doce dela. – Você... Você não precisa saber disso. Não devo atormentá-lo com meus problemas... Acho que preciso ir!
O homem aproximou-se dela, negando-lhe com a cabeça e tocando-a no rosto suavemente, tranquilizando-a. – Não tem de me contar nada agora se não quiser. Eu a convidei para sair porque quero que se divirta... Não se preocupe, certo? – Ela assentiu, compreendendo. – Vem... Não vá embora ainda! – Fez sinal com a cabeça para que ela o seguisse.
Foram até a beira do mar e livraram-se dos calçados, quando Isabella questionou, agora com a aparência mais alegre. – O que você quer fazer aqui? – E Edward a fitou sorrindo matreiro.
- Nada... – Disse, mas assim que ela fitou o luar, Edward a tomou de surpresa em seus braços. – Só o normal quando se vem à uma praia!
Bella debatia-se nos braços dele, que a mantinham em segurança, não a permitindo cair ou insinuando soltá-la, portanto era inútil as tentativas de escapatória.
Ele adentrou o mar até que a água lhe cobrisse o abdômen e assim mergulhou com ela, molhando aos dois.
Bella fechou os olhos com força enquanto a água fria, porém ainda assim agradável, envolvia e embebia seu pequeno corpo. Durante o mergulho, soltou-se por fim de Edward e subiu à superfície, sendo acompanhada dele segundos depois, que gargalhava da situação em que agora ela se encontrava.
- Poderia ao menos ter me avisado que viríamos à praia! – Ela riu, não resistindo e deixando-se contagiar pelo som melodioso que provinha do riso dele. Era o som mais lindo que seus ouvidos já haviam captado, como não se entregar à isso?!
- Mas assim perderia toda a graça! – Sorriram cúmplices um para o outro.
- Você não presta Edward! – Ela gargalhou, jogando um pouco de água nele, tal como uma criança boba.
- Eu nunca disse o contrário! – Edward defendeu-se, dando de ombros e abaixando-se um pouco até alcançar o pé dela, puxando-o de forma que a fizesse mergulhar involuntariamente.
Ao retornar, Bella juntou as forças contidas em si e avançou sobre Edward, o impulsionando a descer e mergulhar, na intenção de dar o troco, porém fora surpreendida quando ele a segurou pelos braços, obrigando-a a parar, como se ele a colocasse no lugar dela, tomando ciência de que seus esforços não a dariam vantagem alguma. Não era um ato grosseiro, por mais que pudesse parecê-lo, pois ele a segurava de forma tão delicada mas ainda assim firme, que a manteve estática frente à ele, apenas os pulmões de ambos movendo-se enquanto a eletricidade fazia seu caminho pela espinha de Bella, fazendo seus pelos eriçarem-se enquanto fitava Edward nos olhos, que estava tão imóvel quanto ela. Só então Bella percebeu que o ato de tentar levá-lo água abaixo os fez mais próximos no instante em que Edward a segurou. Seus corpos estavam à centímetros de tocarem-se, o calor que provinha dele transpassando para ela, aquecendo seu coração que então batia descompassado.
As esmeraldas de Edward estavam de um tom escurecido, líquido, inebriados pelo desejo que crescia entre ambos. Bella suspirou em tom quase inaudível quando ele aproximou o rosto do dela, e já se podia sentir a respiração calma, porém entrecortada dele batendo contra seu rosto. Edward fitou os lábios rosados de Bella, úmidos pelo contato com a água e fechou os olhos em antecipação, podendo inspirar o hálito doce e fresco dela, que surrupiava por seu rosto e tentava-o a tomar os lábios dela nos seus. Ela fechou os olhos, quase entregando-se às sensações que alimentavam seu desejo de beijá-lo, quando, à um centímetro do ato ela afastou-se bruscamente. Sua mente a recordando do crime que cometera, do perigo que o deixaria correr se o envolvesse em sua vida. Não deveria deixar isso ir ainda mais longe! Ela queria o bem de Edward mais do que tudo, e sabia consigo mesma, que o bem dele não seria ao seu lado, ao lado de alguém que o passado condena como condenava a ela.
Edward deixou um suspiro escapar em desapontamento, mas deveria respeitar o espaço dela. Porém, não entendia porque ela havia afastado-se. Se ela não desejasse aquilo tanto quanto ele desejava, até compreenderia... Mas ele vira nos olhos dela que ela queria! Aceitou o fracasso por fim, e olhou para Bella, que mantinha os olhos baixos.
- Acho melhor nós irmos... – Ele falou, vendo o desconforto dela, talvez pela timidez que a assolava, porém a água fria não permitia transparecer através das maçãs de seu rosto.
Isabella assentiu apenas, o seguindo, passando pela areia e pegando seus sapatos de onde os deixara, o acompanhando até o carro para então deixarem a praia. Ela tremia, pela reação térmica de seu corpo, que lhe causava frio. Edward ao perceber, questionou:
- Está com frio? – E Bella o olhou, envolta nos próprios braços tentando aquecer-se.
- Sim, um pouco. – Admitiu, enquanto viu Edward ir até o porta-malas buscar algo que não pôde ver, até que ele lhe envolvesse com um cobertor fino, porém quente e ela agradeceu-o em voz baixa.
Assim que o fez, a proximidade entre ambos aumentou, trazendo à tona as correntes elétricas que faziam de Edward desejoso de beijar os lábios de Bella. Involuntariamente, seus olhos esverdeados rumaram para o seu ponto de desejo, e levou o polegar até os lábios dela, contornando-os vagarosamente, delineando-os e apreciando a textura macia, a umidade da ponta da língua dela provocando-o. Deslizou o dedo antes nos lábios dela até seu queixo fino, levantando seu rosto assim até encontrar os olhos dela nos seus, e assim, ignorando qualquer sinal de protesto da parte dela, colou seus lábios nos dela, tomando-os em um beijo intenso.
Isabella perdeu-se nos olhos de Edward, sendo envolvida por uma sensação tão boa quando os lábios dele chocaram-se com os dela, que teve de fechar os olhos para apreciar a sensação. Ele a beijava devagar, porém com uma intensidade que jamais sentira, a fazia desejar que aquele beijo jamais se findasse.
Edward encostou as costas de Bella contra a superfície do carro, segurando-a firmemente pela cintura, enquanto seu corpo ao encostar-se no dela, a prendia ali e a sensação era tão boa, que a última coisa que passaria por sua mente seria sair dali. O contraste era perfeito entre o frio do metal do carro, com o corpo dele que a aquecia de pouquinho em pouquinho, até que já não sabia mais qual a utilidade do cobertor que mantinha-se envolto em si.
Isabella rumou sua mão para a nuca dele, entrelaçando seus dedos finos e esguios no cabelo acobreado que ele tinha, sentindo a maciez dos fios, enquanto o aroma delicioso de Edward emanava de sua pele, diretamente entrando em contato com seu nariz. O mesmo acontecia com o sabor dos lábios dele, incrivelmente doces que faziam-na querer aprofundar ainda mais o beijo, infiltrando sua língua na boca dele, mas não o fez por não querer parecer invasiva demais, além do que, não sabia como, só com os lábios ele havia dado-a o melhor beijo de sua vida. Somente quando o ar se tornou de extrema necessidade, eles acabaram por separarem-se, ofegantes e tendo a sensação de que o mundo parara naqueles minutos em que se mantiveram interligados. Bella sentia-se até mesmo tonta, tamanha a intensidade com que deixaram-se envolver, e Edward não parecia diferente, pois apoiava uma mão contra o capô do carro. Bella não entendia, pois nada do que lera, do que lhe disseram ou do que sentira em toda sua vida, explicava a magnitude do que sentira com Edward. Talvez estivesse doida, ou deixara-se enganar demais, mas estava tão perdidamente encantada com as descobertas que fizera, em apenas três dias que passara com seu anjo, que agora seria impossível ignorar. Fosse ele destinado a ser seu salvador, ou a ser sua perdição, mas ela não poderia mais livrar-se de Edward Cullen, era como se ele houvesse sido tatuado em seu coração, e não havia modo de apagá-lo dali. Estava atada à ele, e mal entendia do que se tratava, do que estava por se transformar aquela paixão arrebatadora e repentina: amor.
No caminho de volta para casa, enquanto Edward dirigia, trocavam alguns olhares tímidos, com sorrisos para acompanhar. Isabella sentia-se estranhamente completa, abençoada por ter seu anjo do seu lado e esperava que perdurasse por muito tempo. Acreditava sinceramente, que o destino pusera Edward em seu caminho propositalmente, por alguma razão maior do que podia imaginar.
Notas finais
PS: Uma menina linda me pediu para ajudá-la com sua história, porque ela também ajuda aqui com UACDL então, aqui vai o link, e sinceramente, vocês deveriam ler, porque não irão se arrepender! (Até rimou, olha só que meigo!)
http://fanfiction.com.br/historia/342760/Voce_E_O_Carma_Da_Minha_Vida/
É legal *-* Beijos então gente, se alguém me pediu pra postar o link aqui, e eu não postei, me avisa por DM que eu posto ta? Não me acertei ainda com esse novo sistema do Nyah! K
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