Um Amor Capaz De Libertar
21 Capítulo XIX - Aventura
Notas iniciais
Mãos grossas circundavam o pescoço dela, apertando, sufocando-a enquanto o ar se esvaia de seu corpo entre gemidos de desespero, tão amenos que quase não se podia ouvi-los. O suor escorrendo na testa dele, enquanto as orbes dele encontravam os olhos achocolatados da garota, cada vez mais pálida. As íris mais escuras segundo por segundo, até que por fim, mortas.
Jacob acordou em um salto. Levou a mão ao rosto e enxugou as gotículas de suor ali presentes. Seu coração bombeando tão rápido e forte que podia senti-lo sem sequer levar a palma ao peito.
Era a primeira vez em meses que sonhava com Isabella. Tinha estado tão absorto em seus "negócios" por tanto tempo que quase esquecera-se de sua menina. Quase.
Por algum motivo, — mesmo sentindo-se confuso e um tanto angustiado com as imagens do sonho — vê-la morrer, mesmo que em seu inconsciente, gerava uma descarga de adrenalina em seu corpo. Céus, como aquele último olhar havia sido excitante para ele!
A cor fugindo da pele dela enquanto ele a matava. Ainda assim, a parte que não obedecia somente ao seu corpo e as sensações que aquele momento o causava, insistia martelando em seu cérebro como quem dizia "Você seria capaz de fazer isso com sua menina?". Bem, ele não sabia responder ao certo. Sentia-se satisfeito ao matá-la, mesmo que em sonho, mas parte de si mesmo ainda achava que ela poderia sofrer mais ao invés de somente morrer. Ou talvez, apenas um talvez, ele ainda a amasse.
Amor não era algo o qual Jacob soubesse definir. De fato, a palavra mais correta seria "obsessão", porém ele não via as coisas dessa forma. Ele não poderia jamais entender a doença que se apossava daquele coração.
Na manhã daquele dia, depois de voltar a dormir, mesmo com o pesadelo ainda em mente, ele levantou para mais uma diversão-bem-paga. Foi até seu escritório, o mesmo que fora um dia de J Jenks, e deu algumas cédulas para um rapaz, contratado para fazer o trabalho sujo de matar um funcionário de uma grande empresa. O dono desta não estava satisfeito com o que vinha acontecendo em sua fábrica, então pagou a Jacob para que lidasse com isso o mais discretamente possível.
Como ele próprio não estava em seu melhor temperamento, mandou o rapaz em seu lugar. Obviamente, o garoto fez merda, não conseguindo manter a discrição exigida pelo cliente.
Na mesma tarde, Jacob chamou o moço para um passeio. Como se o ensinasse como as coisas deveriam ser feitas, atirou-lhe na cabeça e deixou o corpo onde ele havia sido morto mesmo, no meio de uma floresta ao sul.
Ele já estava lidando com aquilo por meses, sabia bem sobre ser discreto e não deixar pistas. De qualquer forma, o trabalho (para o qual fora pago) estava feito e qualquer um que não o fizesse corretamente, teria o mesmo destino trágico que o imprestável teve.
À noite, descontando todo o estresse daquele dia, fodeu com uma puta de luxo em um motel 5 estrelas. Afinal, todo aquele esquema de assassinato o tinha enriquecido absurdamente rápido.
Quem diria que James estava certo quando o disse que ele deveria seguir aquele caminho, começando por Isabella, seu ponto frágil, e testando suas capacidades nela, já que ela era a ultima pessoa que ele machucaria, naquela época.
–
Isabella resmungou em sua cama quando o ruivo a acordou com cócegas e beijos em seu rosto. Ele disse:
– Vamos Bells! Tem que se apressar!
– Não começa, Edward. São nove da manhã e hoje é domingo. Sem chances que eu vou acordar essa hora.
Ela retrucou convicta e virou para o lado, levando seu cobertor junto.
Revirando os olhos, Edward arrumou uma outra forma de convencê-la. Deitou em cima da garota e deixou todo seu peso cair sobre ela, até que o ar se fez escasso e o sono impossível para Bella.
– Ok, ok! Eu vou morrer desse jeito. — Disse emburrada, com um vinco se formando em sua testa lisa. — Por que quer tanto acordar cedo?
Edward a respondeu, enquanto ela esfregava os olhos, se espreguiçando.
– É uma surpresa. Vamos tomar um café primeiro. Melhor você levar óculos de sol e protetor solar, acho que vai precisar.
Edward apenas sugeriu isso e foi ele mesmo se arrumar. Para Bella, estava claro que iriam à praia, mas ela jamais contaria isso para Edward e estragaria a surpresa que ele parecia tão contente em ter feito.
Os dois lancharam tranquilos e quando deu 10:00 horas eles voltaram para o Volvo prata.
Edward dirigia tão dentro do limite de velocidade, que Bella tinha até se apavorado. Aquilo não era, nem de longe, normal dele.
Minutos antes de ela sentir o carro ir desacelerando, indicando que eles estavam chegando, Edward a alertou:
– Feche os olhos.
Ela obedeceu, e só voltou a abrir os olhos quando Edward, depois de ajudá-la a descer, disse que ela podia fazê-lo.
Assim que seus orbes se acostumaram com a luz forte do sol, ela abriu os lábios em completo espasmo, e os cobriu com as mãos.
Vários carros de corrida, — sim leitor, você leu isso certo — estavam todos dispostos em linha reta em um campo que parecia não ter fim. Em frente ao campo, havia uma pista de sabe-se-lá-Deus quantos metros de comprimento!
Só até aí, o passeio tinha valido a pena. Ela nem sabia que podia se encantar com carros desse jeito, mas acredite: ela podia. Mesmo que fosse algo — tecnicamente — para homens, ela não tinha como deixar de apreciar aquilo tudo.
Haviam outras pessoas lá também. Edward e Bella estavam admirando os automóveis quando um carro passou voando por eles, na pista ao lado, esvoaçando os cabelos da garota enquanto ela ria encantada.
– E aí, qual você gostou mais? — Edward perguntou. Bella o olhou com surpresa.
– Como assim?! Quer que eu escolha um? Eu gostei dessa Ferrari aqui — apontou um automóvel vermelho, dentre outros tantos. — Mas por que eu deveria escolher um carro? Não me diga que... — Observou Edward sorrindo matreiro — Oh meu Deus! Não me diga que vamos andar numa coisa dessas!
Ela começou a dar pulos de animação e a rir. Sem se conter, abraçou-o e o deu um beijo daqueles! Grande coisa se as pessoas estavam olhando... Porém, aquilo mexeu com seus hormônios mais do que esperava.
Já podia sentir a adrenalina correndo por suas veias, e combinar essa sensação com um beijo de Edward... Bem, isso era como clamar para que ele a despisse ali naquele carro fodidamente perfeito.
Quando separaram-se e estavam devidamente recuperados da sensação quente do beijo, foi a vez de Edward comunicar um instrutor qual era o carro que eles haviam escolhido para a "pequena" aventura.
A equipe do local tirou o carro do estacionamento e o posicionou na pista, enquanto Edward e Bella colocavam seus equipamentos de segurança.
O homem instruía Edward sobre como lidar com o carro e como se manter longe de acidentes quando dirigisse, dizendo que se caso não sentisse segurança em aumentar a velocidade, não deveria fazê-lo, pois poderia perder o controle. Além disso, inúmeras ambulâncias e equipes médicas estavam no local.
Enquanto isso, dentro da “mísera” Ferrari, aguardando por seu namorado, Bella tremia feito vara verde e suava frio nas mãos, mesmo que estas estivessem envoltas em luvas de proteção. Quando Edward sentou no assento ao seu lado, ela o olhou com desespero.
– Não vou conseguir! Meu Deus, não consigo fazer isso!
– Bells, eu estou aqui com você e se você me pedir para parar eu irei parar... – Ela o olhou de lado, sem credibilidade — ... Ou reduzir a velocidade, certo?! Mas se você quiser desistir tudo bem, eu entendo.
Ele disse, as esmeraldas tão vidradas nos chocolates dela, que ela arrumou coragem não-sei-daonde para dizer:
– Não! Eu vou fazer isso. Vou sim! Estou pronta, Edward.
E fechou a cara com determinação. Ela não ia mudar de idéia agora, Edward sabia. O orgulho dela não deixava.
– Certo, confie em mim. — E segurou e beijou a palma da garota.
Ele posicionou o carro bem no meio da pista e o acelerou enquanto as luzes do semáforo mudavam de vermelho para verde. Quando isso aconteceu, Edward soltou o freio e o carro andou bons metros pela pista, deixando a marca preta dos pneus para trás.
Bella tinha os olhos fechados nos primeiros segundos, mas só conseguia ouvir o som do motor e sentir o vento batendo em seu rosto. Quando abriu os olhos viu tudo passar em um borrão.
Num segundo havia uma árvore, no segundo seguinte não havia mais.
Ainda assim a sensação era tão gostosa e eletrizante que ela gritou, levantando os braços e rindo. Edward percebendo a reação da garota, ainda que sem tirar os olhos por um segundo da pista, aumentou ainda mais a velocidade, alcançando incríveis 200 km/h, sabendo que a pista era larga o suficiente e praticamente sem curvas.
Dentro de minutos, tinham feito as duas voltas que deveriam. O coração de ambos os dois batia descontrolado e quando Edward desligou o carro no mesmo lugar do qual saíram, os dois ficaram sem reação pelo o que pareceu um longo tempo.
Estavam em estado de choque, completamente extasiados e incrédulos. As mãos de Edward ainda seguravam o volante com força, — tanta força — que ela sabia que sem as luvas, os nós de seus dedos estariam brancos.
Saíram os dois da Ferrari e Bella tinha as pernas bambas feito pudim.
O quão insana era ela, por entrar dentro de um maldito carro de corrida, com um homem — que mesmo amando carros como Edward amava – nunca havia dirigido um daqueles, — e pior ainda — Ter gostado disso?
Sem muita demora, após se recuperarem brevemente, os dois — principalmente Bella – acabaram, cada um, com uma garrafa inteira d'água.
Nunca na vida dela, tinha imaginado fazer tal coisa, mas para sua surpresa tinha gostado muito, e dificilmente faria outra coisa tão legal e criativa como aquela, no restante da mesma.
Sorte a dela, que tinha Edward para fazer isso pelos dois!
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