Notas iniciais
Desculpem de novo a ausência. Minha mãe teve que fazer uma cirurgia de última hora, e aliás, ela ainda está no hospital, então estava complicado de postar. Considerem esse capítulo um presente pelo último surto Robsten dia 31/10. ♥ Espero que gostem, beijos. E por favor, se você ler, comente. Vai me fazer muito feliz, tô precisando.

O coração da garota bombeava sangue para seu corpo com mais força. Ela levou as mãos à cabeça, desarrumando seus cabelos, gotículas salgadas deslizando até seus lábios. Os olhos avermelhados e seu corpo tremendo com soluços involuntários. Ela tinha certeza que dessa vez Jacob não agia por vingança, ou por querê-la junto dele, mas sim por prazer. Prazer em destroçar as pessoas de uma forma que ela não imaginava ser possível.

Ela mordeu o próprio lábio e virou-se, o corpo chacoalhando trêmulo nesse pequeno movimento. Edward a esperava na soleira da porta, sua roupa esfarrapada e seu cabelo desgrenhado. A face dele envolta em sangue, do lado esquerdo onde a luz atingira seu rosto.

– Bella...- Ele sussurrou em um gemido de dor.

Ela correu até ele e o segurou a tempo antes que ele caísse em seus braços. Não sabia muito bem de onde havia conseguido forças para não deixá-lo cair, porém acreditava que nem mesmo naquela situação, Edward teria depositado todo seu peso sobre ela.

– Eu estou bem aqui, fique calmo. – Bella sussurrou o melhor que pôde para que as palavras não saíssem engasgadas.

Então ela arrastou-o até o sofá, deitando-o ali com cuidado. Ele parecia sentir muita dor.

– Fique aqui que eu já volto. – Bella disse, indo até o banheiro e buscando suprimentos de primeiros socorros.

Ela sabia que Jacob havia feito algo a Edward até mesmo antes de receber aquela mensagem de voz. No entanto, ela descobrira que não sabia o quão longe Black iria. Talvez até soubesse, afinal ele tivera coragem de batê-la e humilhá-la pelo período que ela esteve em sua presença, mas o fato é que Bella se recusava à aceitar que talvez não pudesse lidar mais com Jacob.

Ela voltou para a sala de estar, secando suas lágrimas e exibindo uma fachada que não sentia por dentro. Tinha de ser forte por ele agora. Ele havia protegido-a tantas vezes em tão pouco tempo. Então chegara a vez dela ser o porto seguro de Edward, afinal ele só estava naquela situação por causa dela.

Bella sentia-se culpada ao se dar conta disto e queria desistir de tudo, queria conseguir deixar Edward, queria poder esquecer o sentimento que tão fortemente arrebatava seu coração. Mas ela era fraca. Ela não estava em condições de fazer isso, não daquela forma. Abandonar Edward seria a coisa mais difícil para Bella, e ela tinha consciência disso.

Edward voltou seus incríveis olhos verdes para Isabella. Seu olhar contornado de roxo a fez engolir em seco. Quis chorar, chorar como uma criança naquele momento por ter sido a responsável por aquilo. Aquele tom de esmeralda lindo dos olhos dele agora estava apagado, sem vida e isso doía em seu âmago.

Bella sentou-se ao lado de Edward e abriu a maleta com primeiros socorros, umidificando um algodão em desinfetante e levando-o até o supercílio de Edward, com o sangue um pouco já seco ali. Ele reagiu, cerrando os olhos com a ardência. Isabella limpou o local e fez um curativo, passando ao lábio ferido dele e assim depositando um beijo no canto de sua boca, observando-o estremecer com o contato.

Eles não precisavam trocar palavras, eles apenas sentiam. Dor, aflição e... amor.

Edward levou seu olhar até o dela, com uma intensidade que não dava espaço para questionamentos. Ela inclinou-se sobre o corpo dele, colando seus lábios e beijando-o com fervor. Seus lábios moldando-se perfeitamente, enquanto um leve sabor de ferro aguçava o paladar de Bella, que não se importou com tal fato. Eles precisavam-se, e somente isso bastava.

Edward deslizou sua mão até a cintura de Bella, puxando-a para si e forçando seu corpo a sentar-se em seu colo, jamais descolando suas bocas urgentes uma da outra. As mãos quentes de Edward roçando nas laterais do corpo de Bella fizeram-na estremecer. Cada uma de suas pernas pendiam ao lado do corpo dele. Era como se não houvesse dor quando Edward a tinha assim. O cheiro do Cullen impregnava-se nas roupas e na pele de Bella aos seus toques, deixando-a levemente tonta.

Ela levou seus dedos até os cabelos de Edward, puxando-os forte, arranhando-lhe a nuca obtendo grunhidos baixos e roucos dele, aquela voz unicamente de Edward.

Ela suspirou longamente assim que a boca de Edward chocou-se com a pele de seu pescoço, fechando seus lábios ali e beijando, seus dentes marcando sua pele fazendo-a arquear a cabeça para trás, sentindo a língua dele roçar em toda a extensão de seu pescoço ao fazê-lo e as mãos dele apertarem as laterais de seu corpo, sentindo os dedos dele causando-lhe arrepios ao tocar diretamente sua pele, subindo neste pequeno ato a barra da blusa de Bella por descuido.

Suas respirações ofegantes e o ruído de seus lábios beijando-se era o único som presente no cômodo. E então, como se Bella se desse conta do que estava por acontecer, girou o corpo de lado, afastou-se de Edward livrando-o da prisão entre suas pernas e recostou as costas contra a guarda do sofá.

Olhou para Edward e levou os dedos aos lábios. Os chocolates fixos nos verdes dele.

– Eu não posso. – Disse quase em um sussurro. – Eu não... Consigo fazer isso.

Edward exalou um profundo suspiro. Era de se imaginar que depois de todas as coisas que Bella havia passado, fazer isso seria difícil pra ela.

– Tudo bem, não precisamos apressar nada, se não quiser. – Ele disse.

Assentiu apenas, concordando.

– Devemos nos preocupar com coisas mais importantes agora. – Edward continuou.

Isso era verdade, ela tinha de admitir. Ele ainda estava bem ferido, e precisaria de repouso. Também tinham de descobrir o que fazer sobre Jacob, mas parecia que suas cabeças não conseguiam pensar em muita coisa naquele momento.

Ajudou Edward à ir até seu quarto, deixando-o confortável na cama, pondo alguns travesseiros extras para garantir isso. Fez com que ele ingerisse um relaxante muscular apesar da teimosia constante dele, e selou os lábios dele apenas mais uma vez antes de ir até seu quarto. Não se sentia confortável ainda com a ideia de dormir com Edward. Os pensamentos causavam-na arrepios, e ela não entendia bem o por quê. Ele era bom com Bella, então por que tanta aversão?

Vestiu sua roupa de dormir e escovou os dentes, deitando na cama para dormir, mas passou duas horas acordada antes de realmente conseguir pegar no sono. Quando o fez, portanto, sonhou com Edward sendo espancado. Era a plena visão do inferno.

Acordou com o suor acumulado em sua nuca, e seu travesseiro molhado porque chorou durante a noite. Foi até o banheiro, ligou a torneira e pôs a mão em concha para pegar um pouco de água, levando-a até a nuca. A sensação de frescor invadindo os poros de Bella, fazendo-a fechar os olhos. Fez o mesmo em seu rosto, deixando que a água levasse juntos os resquícios salgados de suas lágrimas.

Já não conseguia mais dormir, então foi até o quarto de Edward, sentou-se no pequeno sofá ao lado de sua cama e o observou dormir por horas à fio. Suas mãos acariciavam os fios cor de bronze, e deslizava as pontas de seus dedos até o meio de suas costas, retornando até que a respiração de Edward se tornasse pesada e seu sono mais tranquilo. Era uma boa forma de passar a noite.

Do outro lado da cidade, em um escritório que cheirava à livros empoeirados, se ouviam apenas duas vozes.

– Jacob, meu caro, você deveria ser mais cauteloso com seus atos. – Jenks falava, suas mãos unidas com dedos entrelaçados – Sugiro que você repense a forma com que age da próxima vez. – Estalou a língua.

– Ora, Jenks. Somos parceiros, não é? Nós dois sabemos que era preciso fazer aquilo, Isabella merecia um aviso. – Jacob riu com escárnio, prosseguindo – Tenho tudo sob controle.

– Da próxima vez você não será poupado, Black. – Alertou, os olhos fixos no moreno, tossindo por causa do cigarro entre os dedos.

– Não precisa se preocupar, Jenks. Não haverá outra vez. – Jacob disse, sacando uma arma de dentro do terno, observando a face espantada do chefe, com os olhos esbugalhados. – Afinal, somos parceiros como eu disse, não amigos.

Jacob mirou o cano da arma no centro da cabeça de Jenks, e soltou o gatilho.

Notas finais
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