Um Amor Arranjado
10 Movidos pelo Perdão
Notas iniciais
– Não o mate. – Implorou Sakura, colocando-se em frente a pobre vítima.
Shaoran olhou a figura a sua frente. A jovem tinha um olhar de pena e dor, mas aquilo não fez com que os homens com armas apontadas para a moça as abaixassem.
– Mas o que? ... Abaixem as armas. – Shaoran gritou irritado. Os seus funcionários abaixaram as armas com uma nuvem de confusão sobre suas cabeças. — O que faz aqui? Enlouqueceu?
A ausência de palavras não fora um problema para que a jovem Kinomoto pudesse expressar o que sentia no momento. Seus olhos esverdeados a entregaram, deixando visível o ar de súplica e piedade que a flor inalava. Uma coisa chamara a atenção do chinês, o medo. Ele não estava ali. Ao invés disto, encontrava-se uma flor desabrochando-se com grande determinação.
– Responda-me. — Shaoran deu passos curtos à frente. Não compreendera o motivo de sua voz sair em uma forma de ‘pedido’ e não como ‘ordem’. Porém, tinha algo mente. “Controle-se Shaoran. Não queira fazer mal a uma flor” pensou.
Sakura continuou paralisada. Tinha uma feição destemida. Nem mesmo os passos de seu marido fora capaz de amedronta-la. — Tenha piedade. – Replicou. O chinês a olhou confuso.
– Por favor. – Disse Sakura aos sussurros. Shaoran fitou aqueles olhos, aqueles grandes e esverdeados olhos. Suspirou alto. É, aqueles olhos era o seu ponto fraco.
– Levem-no daqui. – Ordenou apontando para o rapaz torturado. – Para onde o levaremos senhor Li?
Shaoran deu de ombros, balançando a cabeça desdenhosamente. – Eu não sei. Apenas levem-no. – Os dois funcionários assentiram segurando nos braços da vítima, mas foram repreendidos assim que levantaram o pobre homem. – Por favor, garantam que ele fique a salvo. – Disse a jovem flor infiltrando seus olhos nos funcionários do seu marido.
Os dois homens trocaram olhares hesitantes, e logo após fitaram o seu chefe como se pedissem a permissão para ser feito o que a jovem pedira. Shaoran bufou virando os olhos, porém dera permissão.
– Muito obrigado, moça bela. – Agradeceu o homem ainda em estado de desespero. Sakura sorrio em resposta e limpou o sangue que teimava em sair das narinas do rapaz com um lenço branco. – Não precisa me agradecer.
– Sim, eu preciso, — Falou sendo levado pelos homens. – Serei eternamente grato. – Disse por fim, desaparecendo da pequena casa.
A moça permaneceu parada observando atentamente a porta em que o rapaz fora levado. Sua mente tentava processar tudo o que acabara de presenciar. Retirou-se dos seus pensamentos ao perceber que não estava sozinha. Shaoran limpou sua garganta enquanto aproximava-se da sua mulher. — A senhorita é de fato teimosa.
Sakura volveu seu corpo em direção ao chinês, sentiu suas bochechas corarem em resposta ao comentário do jovem. — Perdoe-me. – Pediu abaixando sua cabeça.
– Não peça por perdão. Apenas aprenda a viver desta forma, pois sempre será assim. Estamos nos referindo à senhorita, não é mesmo? É teimosa. – Disse Shaoran dando de ombros. A flor o observou em uma completa confusão. – Hoe, desculpe-me de qualquer forma.
O silêncio penetrou aquele local, causando grande desconforto para o casal. Porém algo despertara a atenção da inocente jovem, recordando-a do que a trouxera para aquela casinha. — Por que estava à tortura aquele pobre homem? – Questionou. O jovem coçou sua cabeça, suspirando fundo. O que diria para a jovem? A verdade? Ou melhor, por que estava tão preocupado em ter a resposta?
– Não é do seu interesse, não se intrometa. – Respondeu vestindo a sua mascara amarga. – Sim, é do meu interesse. Como pôde estar disposto a retirar uma vida? – Disse entredentes.
– Você não entende... – Defendeu-se, se aproximando da jovem. – Não chegue perto, — falou Sakura enquanto dava pequenos passos para trás. – então era verdade tudo o que eu ouvira falar sobre o senhor.
– O que?
– O senhor tortura pelo seu simples prazer, mata como se isto alimentasse a sua alma. – Falava a jovem ofegante. – Sakura, não é desta forma...
– Não é desta forma? Explique-me o que acabei de ver com meus próprios olhos. – Sakura jogava as palavras como se isto a torturasse. – Não há o que explicar Kinomoto.
– Como consegues dormir com tanta maldade em teu coração? Como pode viver sabendo que é o motivo de sofrimento de inúmeras pessoas inocentes? Eu tenho pena do senhor, tenho nojo. – As palavras lhe doíam o peito. As lágrimas já desciam de seus olhos, enquanto soluçava involuntariamente.
– A senhorita não me entende, é o meu dever! – Esbravejou Shaoran. A jovem flor balançou a cabeça negativamente. Retirou-se da pequena casa correndo, tentando ao máximo não tropeçar em seus próprios pés. Os soluços e as lágrimas não tinham fim, impossibilitando a visão e a respiração da moça.
Chegando ao quarto deitou-se em sua cama, afundando sua cabeça sobre o travesseiro. Passara a noite daquela forma, inundando o seu peito de dor, enquanto as lágrimas tornavam-se rotina.
Levantou o seu rosto com a vinda do sol, e novamente não se encontrava com disposição para viver sua vida. Continuou em sua cama, em estado de grande melancolia.
– Sakura-chan? – Questionou Chun. A jovem permaneceu em silêncio, fitando apenas o vazio. A senhora caminhou até a cama da flor. Sentou-se ao lado da mesma, empertigando-se. — Bela flor, o que há?
– Por que as pessoas são tão más? – Perguntou de forma tão ingênua que por um momento Chun chegou a pensar que fosse uma criança a questiona-la.
– Sakura-chan, não há explicações para isto. E não temos muito que fazer por estas pessoas. Receio que devemos apenas orar e ter esperança.
– Esperança? Ter esperança onde? – Chun sorrio abertamente, enquanto deslizava seus dedos nos cabelos da flor. – Bem querida, a minha está na senhorita. — Respondeu levantando-se e se retirando do quarto. Sakura olhava fixamente para a porta, tão estupefata, tão confusa. “O que Chun-san quis dizer com isto?” Questionou-se mentalmente.
No escritório encontrava-se um Shaoran dormindo sobre sua mesa. – Shaoran-kun, acorde.
O chinês permaneceu em estado de sonolência. – Oh meu Deus, vamos acorde!- Exclamou Eriol empurrando seu amigo da cadeira. O jovem caiu no chão despertando rapidamente, enquanto gemia de dor. Eriol deu um leve riso o observando.
– Por que estas no chão? Levante-se seu tolo.
– Porque eu tenho um relacionamento secreto com estes azulejos. – Disse revirando os olhos.
– Ah, perdoe-me por interrompê-lo. – O garoto dos olhos azuis tampou seus lábios, repreendendo o riso que insistia em sair. – O que fazes aqui tão cedo? – Questionou o chinês sentando-se e bocejando.
– Tenho notícias. – Anunciou oferecendo sua mão para levantar o seu amigo. Shaoran aceitou, levantando-se em um pulo. – Desembucha seu londrino.
– De acordo com minhas fontes, seu tio virá em cerca de duas semanas. – Shaoran suspirou sentando em sua cadeira. Ia pronunciar algo, mas logo fora interrompido pelo amigo. – Há mais noticias. Virá com dois ‘amigos’ para ajuda-lo a tocar com os negócios Li. – O jovem chinês levantou-se perplexo. – O que quer dizer com isto?
– Ele virá ajuda-lo com os negócios. – Shaoran assentiu franzindo a testa. – Tem mais? – Questionou torcendo por um “não”.
– Sim. O seu tio também virá saber sobre sua esposa e se a obrigação que tem a fazer está sendo executada.
– Oh Deus, que pesadelo. – Falou para si.
– Ah bem, ele espera que sua esposa seja uma milady, uma verdadeira dama. – Continuou Eriol. – Está querendo pouco, não é mesmo? – Debochou o chinês.
– Terei que prepara-la, correto? – Questionou o inglês suspirando. – Terás. – Confirmou Shaoran balançando a cabeça positivamente.
Em um dos quartos da mansão, uma flor encontrava-se em estado de petrificação, porém, a sua mente encontrava-se em puro reboliço. Seus sentimentos incompreendidos, a nostalgia de um passado doloroso, a felicidade que um dia já reinara o seu ser, a obrigação de vivenciar sua nova dor.
– Tenho permissão para entrar?
Sakura moveu sua cabeça em direção a porta, deparando-se com um par de olhos âmbares a observando. – Claro, o quarto também é o do senhor. – Disse secamente. Shaoran adentrou sem hesitação. Sentou-se ao lado da jovem, observando-a curioso. – Perdoe-me.
– O que disse? – Falou Sakura, perguntando-se se ouvira bem. – És a minha esposa, é um direito teu saber a histórias destas paredes. Então, perdoe-me.
Sakura gaguejou. Apenas não sabia o que poderia ser dito naquele momento. – Tudo bem. – Sussurrou. – Apenas peço paciência, e pare com suas teimosias. Não posso garantir que eu vá me controlar da próxima vez, senhorita. – Falou seu marido sério. A jovem assentiu. — E tenho algo a mais para lhe pedir.
A jovem o olhou curiosa, dando sinal para prosseguir com a sua cabeça. – Em algumas semanas meu tio virá para vossa mansão. Ele anseia em conhecê-la, porém espera que a senhorita seja uma verdadeira dama. – Disse pausadamente.
– Está dizendo que não sei me portar? – Questionou a flor, sentindo suas bochechas entrarem em erupção de raiva. Cruzou os braços teimosamente. – Não é isto, só estou dizendo que... Ele espera algo mais. – Falou fixando seus olhos nos de sua mulher. — Ah bem. O que quer que eu faça?
– Terás aula com o senhor Hiiragizawa, um inglês completamente cortês. – Respondeu sério. Sakura assentiu. – Ah, e mais uma coisa. — Shaoran pareceu pensativo antes de prosseguir. – Procure não se colocar em confusão. – Suplicou. A flor assentiu corando levemente. – E peço sua permissão para dormir aqui esta noite. – Pediu estreitando os olhos. A jovem assentiu, repetindo as primeiras palavras que foram ditas ao jovem adentrar o quarto. Shaoran sorrio torto, retirando-se.
A flor deitou-se a cama, sentindo-se leve agora que chegou a um acordo com seu marido. Poderia negar inúmeras vezes para si mesma, porém seu coração iria açoita-la até cair em sono profundo, aquele sorriso torto despertara estranhas sensações na jovem. Revirou-se na cama, entregando-se ao sono e tendo seu último pensamento em um meio sorriso.
Sakura despertou-se dando um pequeno pulo, e com uma respiração ofegante. Olhou para os lados, mas tudo ainda encontrava-se em completa escuridão. Levantou-se indo em direção a janela onde havia uma guerra entre relâmpagos e trovões. A jovem sentou-se no chão em frente à janela, pondo suas mãos sobre o rosto, escondendo-a. Seu coração palpitava fortemente. Sempre fora medrosa. Quando menor invadia o quarto de seu pai por razões bobas. Uma delas era seu grande temor: O medo por trovões e relâmpagos.
Sentiu seu pulmão esvaziar-se, pondo a mão delicadamente sobre seu peito. Suspirou pesadamente procurando acalmar-se. Shaoran tateou o lado em que sua mulher dormira, mas não encontrou nada além de lençóis desforrados. Abriu os seus olhos, deparando-se com uma flor ofegante com os olhos fechados e uma mão sobre o peito. Pôs- se de pé, indo em direção á Sakura que não notara que seu marido havia acordado, não notara nem que o mesmo encontrava-se no quarto.
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