Um Amor Arranjado
21 A Volta
Notas iniciais
Sakura observara a terra ao seu redor, enquanto inspirava fortemente aquele ar por uma última vez. Poderia rir pelo fato de ter chegado a pensar que não seria bem acolhida neste solo, mas o seu seio encontrava-se sob o fundo de uma tristeza inerente.
– Sentirei tanto a sua falta, minha flor. – disse Yelan a apertando contra o seu corpo.
– Digo o mesmo, Yelan-san.
– Sei que a senhorita passara por momentos de aflição, mas nunca se deixe cair, minha jovem Sakura. – disse a mulher, docemente. Sakura assentiu.
– Adeus, meu filho. – disse a senhora Li, abraçando o jovem Shaoran.
– Adeus, mamãe. – sorrira amarelo, enquanto a cerejeira despedia-se dos outros empregados.
– Nos veremos em breve. – disse a flor.
– Com certeza. – afirmou Wang.
Shaoran pegara na mão de sua esposa, a conduzindo para o automóvel. Sentados, volveram os seus corpos em direção à janela, acenaram, com uma pitada de tristeza em olhos âmbar e esmeraldinos.
A viagem fora longa e silenciosa. Talvez o casal estivesse a processar todos os acontecimentos dos últimos dias. Retornaram a mansão já conhecida, direcionando-se para o jardim. As estrelas se exibiam em um céu noturno, como estivessem a brincar.
Sakura levantara o seu rosto, visualizando a imensidão do infinito.
– As estrelas ainda me surpreendem também. – disse o Li, observando o céu da noite. A jovem o mirou com os seus olhos verdes, fitando o leve sorriso que o rapaz deixara brotar de forma inocente. Sakura se prendera àquela imagem enquanto franzia a sua testa, pensativa.
O chinês logo percebera o peso de olhos verdes sobre si. Virou-se para a jovem, observando o seu estado.
– O que há? – questionou.
Sakura piscara diversas vezes até encontrar-se presente.
– Oh, nada. – sorriu amarelo. Shaoran assentira suspirando.
– Vamos entrar. – disse a conduzindo para o lar.
Shaoran adentrara em seu escritório, relembrando-se dos momentos de glória e desespero que passara ali. Sentiu-se aliviado ao reconhecer cada detalhe do seu precioso cômodo. Afundara-se em sua cadeira, atrás da antiga e conhecida mesa.
– Shaoran! – gritara Eriol adentrando ao local. O rapaz se sobressaltara de sua cadeira, passando a fitar o seu amigo inglês com os olhos arregalados.
– Que susto, Eriol. – retrucou o chinês, aborrecido.
– Desculpe amigo, eu estava sentindo a sua falta. – disse um pouco cabisbaixo. Shaoran bufara, revirando os seus olhos.
– Tudo bem. – disse o chinês se levantando e estendendo os seus braços diante ao amigo. Os olhos de Eriol se arregalaram, despejando a surpresa e a felicidade de ter o seu amigo novamente.
Jogou-se sobre o chinês, o abraçando fortemente.
– Shaoran-kun, conte-me tudo. – pediu o amigo inglês enquanto o apertava.
– Por favor, solte-me. – implorara o rapaz sem oxigênio em plenos pulmões.
– Tudo bem. – disse Eriol soltando-se do Li.
– Obrigado. – falou um chinês ofegante.
– Então... Como foi? – Shaoran suspirara, tateando as palavras a serem utilizadas.
– Bem, não há nenhuma palavra que descreva. – argumentou por fim.
Sakura caminhou levemente em direção a sua cama. Não sabia explicar a si mesma, mas encontrava-se em paz em meio ao alvoroço que fora os seus últimos dias. Sorria bobamente ao deparar-se com a imagem de um sorriso acanhado pertencente ao seu marido. Independente da forma que via este, aquele pequeno detalhe estava sempre em mente. A jovem volveu o seu corpo em direção à porta, logo após ouvir três batidas.
– Pois não?
– Sakura-chan? – questionou Chun, mostrando apenas a sua face.
– Chun-san! – pulou Sakura indo de encontro aos braços de sua governanta. A senhora correspondeu o seu abraço, mesmo que lhe faltando um pouco de ar não iria reclamar por receber tamanho amor da flor.
– Senti a sua falta. – disse a moça.
– Oh, minha jovem, eu também!- disse Chun afugentando as suas lágrimas debilmente.
– Não chore Chun-san. Estou de volta. – disse Sakura desfazendo-se do abraço, colhendo as lágrimas da governanta. A senhora apenas assentiu.
– Conte-me tudo. – pedira Chun, sentando-se na cama juntamente com a cerejeira.
Sakura sorrira, sentindo o rubor preencher a sua face. Contou-lhe tudo. Contou-lhe sobre a dor que sentira, sobre o que perdera, e sobre aquilo que voltara a preencher o seu seio, expelindo o estado de melancolia em que sua alma pertencera durante dias. Mal pudera observar a passagem do tempo. Ambas percebendo, se despediram e rumaram aos seus sonhos.
Na manhã seguinte, a jovem Sakura já se encontrava de pé. Sabia qual seria o seu destino naquele dia. Andou por entre plantas, flores e árvores. Então, deparou-se com a casa que vira há poucos dias.
Procurara o caminho que Yukito ensinara a chegar nos fundos, logo vira o parque no qual crianças corriam de um lado para o outro.
– Onde está a Shiyu-chan? – questionou a si mesma.
– Não sei dizer, também estou a procurando. – a jovem sobressaltara ao reconhecer tal voz.
– Yukito? – perguntou virando-se e encontrando o mesmo, com um doce sorriso nos lábios.
– Sim. – confirmou.
– O que faz aqui? – disse Sakura.
– Vim ver a pequenina. – falou o rapaz.
– Oh, eu também. – proferiu Sakura cabisbaixa. Yukito permaneceu em silêncio, voltando os seus olhos para o parque e encontrando a pequena criança.
– Shiyu-chan. – afirmou abaixando-se entre os arbustos. Sakura abaixou-se ao seu lado. Yukito assobiou, fazendo a criança arregalar os seus olhos ao perceber o assobio já conhecido de seu amigo jardineiro. Correu em direção aos arbustos, deparando-se com uma jovem inquieta.
– Sakura-chan? – questionou Shiyu.
– Shiyu-chan. – disse a cerejeira erguendo os seus braços. A criança soltara as suas lágrimas mais amargas, nominadas “saudades”, e a abraçou fortemente.
– Pensei que tinha se esquecido de mim. – disse a menina entre soluços.
– Nunca. – negou Sakura. – Eu te amo, Shiyu-chan.
– Eu também a amo. – disse a criança. Sakura se desfez do abraço, olhando-a nos olhos.
– Eu irei a tirar daqui, mas não será hoje, Shiyu- chan. – disse pausadamente. – Peço mais um pouco de paciência. – a criança assentiu, limpando as suas lágrimas.
Algum tempo depois, Sakura encontrava-se ao caminho de casa. Porém, a presença do jardineiro a incomodava de alguma forma.
– Não precisa me levar para casa. – disse a jovem. – Sei o caminho.
– Faço questão de leva-la em segurança. – sorriu Yukito. Sakura sentira as suas bochechas corarem rapidamente com a ação do rapaz, ainda estava tudo tão confuso.
Mais algum tempo se passara, encontravam-se sobre o jardim da mansão.
– Obrigada.
– Não há de quê. – respondeu o rapaz. Sakura sorrira amarelo, andando em direção à mansão. Yukito a pegara rapidamente pela mão, fazendo-a se virar para o jardineiro.
– Sakura, preciso falar com a senhorita. – disse constrangido.
– O que há Yukito? – questionou a moça um pouco encabulada.
– A senhorita pensou no que eu lhe disse na última vez? – perguntou. Sakura olhou de um lado para o outro, sem saber qual seria a sua resposta. Não poderia mentira, muito menos dizer a verdade.
– Ah, Yukito. – suspirou.
– Sakura-chan, por favor. – implorou o rapaz aproximando-se da moça. Sakura arregalara os olhos.
– Eu sei que isto é um pesadelo. Sei que não aguenta mais esta casa. – falou olhando-a nos olhos, enquanto pegava em seu queixo.
– Fuja comigo. – sussurrou. Sakura negara exageradamente com a sua cabeça.
– Enlouqueceu?
– Sei que está infeliz, Sakura. – disse aproximando os seus lábios do da moça.
– Eu posso fazê-la feliz. – disse quase a encostar os lábios. Sakura fechara os seus olhos, completamente inerte, entregue àquele momento.
– Não! – esbravejou virando o seu rosto.
– Desculpe Yukito-san, mas eu estou feliz. Eu não sei ao certo, mas não tenho do que reclamar. – Yukito abaixou a sua cabeça, assentindo.
– Tudo bem, só pense a respeito, minha flor. – disse partindo.
Sakura ficara imóvel, enquanto estava boquiaberta pensava no que acabara de ocorrer. Encontrava-se completamente frágil nos braços do jardineiro. Suspirou exasperada. Ora, não sabia o porquê da confusão entre o Yukito e o seu marido. Confusão. Aquele sentimento já conhecido pela cerejeira.
Levantou a sua cabeça indo em direção à porta principal, parara em uma distância significativa. Deparando-se com um carro conhecido da família Li. “O que ele faz aqui?” questionou-se com amargura.
Shaoran observara tudo de longe, por trás de uma frágil janela de vidro. Sentira o seu coração doer de forma incoerente, enquanto fechava os seus olhos com tamanha força.
– Então, confia mesmo nesta moça? – perguntou Fei Reed. Shaoran abaixara a sua cabeça, batendo na janela com o seu punho.
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