Um Amor Arranjado
8 A Triste Realidade
Notas iniciais
Sakura, de fato, tinha sonhos encantadores. Porém, sempre que os belos percursos destes sonhos chegam ao fim, enxerga somente a escuridão, dando origem aos seus temores. Seus terríveis pesadelos. – Senhorita, desperte. – A jovem sentira todo o seu corpo balançar, com mãos desconhecidas a chacoalha-la. – Acorde.
A cerejeira abriu os olhos rapidamente, ofegante. Como de costume ao desespero, perdeu o oxigênio. Sentou-se em busca de ar, enquanto seus olhos buscavam pelo dono da voz que a despertara. Deparou-se com um belo jardineiro sentado á sua frente. O rapaz continha um olhar preocupado em cima da moça, que ainda procurava pelo oxigênio. – Estás bem? Eu a vi debater-se enquanto estavas a dormir. – Anunciou Yukito, segurando os ombros da jovem. Sakura não pôde responder, já que se encontrava em uma luta com seu pulmão. — O que há?
- De-e-e-sculpe, mas e-e-u tenho problemas c-om falta de oxi-xi-gênio. – Explicou-se em um fio de voz. – Oh meu Deus, fique aqui, irei procurar ajuda.
- Nã-ão, ficará tudo bem. – Sorrio a jovem. Fechou seus olhos, mantendo a concentração e a calma. Yukito agarrou-lhe a mão, segurando-a firme. Sakura o observou, dando um rubor em suas bochechas. Arrepiou-se por completo ao sentir aquele toque. Suspirou fundo, recuperando todo o que oxigênio que lhe faltou enquanto ocupava seu corpo com a paciência. Reabriu seus olhos, deparando-se com olhos acinzentados tomados pela preocupação.
- Como se sente? – Questionou Yukito, ainda segurando a mão da jovem. – Estou bem. – Sorrio Sakura em resposta. O jardineiro afrouxou suas mãos nas da garota, deixando passar um leve suspiro de alívio entre seus lábios.
- O que fazes aqui? – Questionou o rapaz ainda um pouco preocupado. – Eu moro aqui agora. – Respondeu a cerejeira, seca. Yukito a observou com certo espanto, completamente apreensivo. – Mora aqui?
- Sim. – Confirmou Sakura, de cabeça baixa. Sentiu as lágrimas prontas para inundar seus olhos, mas fora surpreendida com uma delicada flor de cerejeira posta em seu colo. Levantou sua face, observando um largo sorriso estampado no rosto do jardineiro. – Obrigada.
- Não há de que, senhorita. – Disse Yukito.
- Sakura, senhor. – Repetiu as palavras ditas pelo jovem assim que se conheceram. Yukito deu uma leve gargalhada, jogando sua cabeça para trás prazerosamente. – Tudo bem, Sakura-chan.
- O que fazes aqui? – Perguntou a pequena garota. – Ah, eu costumo trabalhar nos jardins dos grandes senhores da cidade.
- Ah sim, por isso que este jardim é tão belo. – Respondeu Sakura pensativa. O jardineiro sorrio largo, enquanto levantava-se e oferecia a mão para a jovem se levantar. – Assim a senhorita me deixa sem graça. – É a verdade, Yukito-san. – Falou a flor, com as mãos na cintura.
- Então Sakura-chan, já conhece a cidade? – Perguntou o rapaz, ainda sorrindo. – Ah, não tive a oportunidade. – Respondeu. Com tudo que havera lhe acontecido, esqueceu-se por completo que havia vida lá fora, aliás, estava acostumada em manter-se presa ás quatro paredes. – Não queres ir comigo?
Sakura o fitou confusa. Sua vontade era imensa, porém o medo preenchia o seu coração. – Ah, não sei se devo. – Disse hesitante. O belo sorriso do jardineiro sumira, dando lugar a uma expressão de desapontamento. O ver desta forma fora como uma facada no coração da moça, que respondeu rapidamente. – Ah, uma volta não me farar mal.
Logo o belo sorriso do jovem reaparecera, assim como a esperança. Pegou a mão da flor delicadamente, enquanto a conduzia para a saída. Sakura olhou para trás, tendo em vista seu livro isolado, abaixo da grandiosa cerejeira. Voltou seus olhos para o rapaz, deparando-se com um belíssimo sorriso e o brilho em seus olhos. Caminharam entre uma bela floresta, enquanto a jovem surpreendia-se com a beleza da natureza. Logo chegaram à pequena cidade. Havia comerciantes para todos os lados, pessoas conversando entre si, crianças a correr, pessoas idosas e mais jovens. Sakura nunca esteve entre tantos desconhecidos antes, poderia assustar-se com este fato, porém o via como algo maravilhoso. Yukito a levou para alguma barraquinha e entregou-a uma maçã. A jovem sorrio em resposta, apertando a maçã contra seu seio. Sentia-se especial com aquele rapaz. E ele sentia o mesmo quanto á moça. Caminharam mais um pouco, enquanto gargalhavam com as histórias que compartilhavam. Durante a sua caminhada, Sakura petrificou-se com uma situação vista pelos seus olhos esverdeados. Uma pequena criança encontrava-se com vestes em péssimas condições, uma aparência suja, enquanto encolhia-se no chão de tamanho frio. Logo o sorriso da flor se desfez, vindo lágrimas átonas.
Aproximou-se da garotinha, oferecendo sua maçã. A mesma afastou-se com medo, escondendo seu rosto entre as mãos. – Pegue-a, confie em mim. – E assim acolheu a maçã, dando uma leve mordida. – Temos que tira-la daqui, Yukito-san. – Disse volvendo seu corpo para o rapaz. O jardineiro a fitou pensativo.
– Já sei. – Falou enquanto pegava a pequena garota em seu colo. – Siga-me, Sakura-chan.
Sakura o seguiu apressadamente, enquanto limpava suas lágrimas. Logo chegaram a uma humilde casa de cor amarela. O rapaz dos olhos acinzentados bateu na porta, ainda com a pequenina em seu colo. Não demorou muito até uma linda moça abrir a porta. Sua pele era clara, seus cabelos longos e pretos, enquanto seus olhos eram profundos com uma cor violeta. – Yukito-san, o que há? – Questionou a mesma, observando a pequena em seu colo. – Ajude-nos Tomoyo-chan, por favor.
Tomoyo assentiu, dando passagem aos visitantes. Sakura entrou hesitante, observando cada detalhe. Era de fato humilde. Humilde em relação a sua mansão. – Coloque-a aqui. – Comentou a jovem dos olhos violeta, apontando para um sofá. Yukito assim o fez, pôs a garotinha que adormecia docemente. – Conte-me, o que houve.
- A achamos na rua, desamparada. – Disse Yukito, enquanto segurava a mão da cerejeira. Tomoyo deixou brotar um belo sorriso em seus lábios, ao deparar-se com a flor. – Ah sim. Moça, qual é o seu nome? – Perguntou.
- Sakura. – Respondeu timidamente.
- Belíssimo nome!- Afirmou educadamente. Sakura corou em resposta. Tomoyo dirigiu-se para a cozinha, logo reaparecendo com uma bandeja cheia de doces e xícaras de chá. — Por favor, sirvam-se.
Sakura pegou sua xícara, hesitante, e sentou-se do lado do jovem jardineiro. – Por favor, cuide desta pequena garota. Eu posso pagar-lhe o prejuízo. – Implorou a cerejeira.
Tomoyo sorrio largamente, afirmando com a cabeça. – Não se preocupe bela flor. Cuidarei dela, e não precisarás pagar nada. – Sakura suspirou aliviada e sussurrou um pequeno “Obrigada”. Passara-se a tarde inteira naquela pequena casa, conhecendo os seus novos amigos. Nem havera reparado na ausência do sol. Em certo momento, seu rosto virou para a janela, arregalando os olhos ao deparar com estrelas em um céu preto. — Oh meu Deus, preciso ir.
- A levarei de volta. – Disse Yukito. Sakura gostaria de negar a ajuda, porém não tinha nenhum conhecimento do caminho de volta. – Ah, é uma pena. Mas nos veremos novamente. Poderás visitar esta pequenina sempre. — Disse Tomoyo, enquanto abraçava a jovem. Sakura espantou-se com o ato, mas fora agradável. Sairam da casa amarela apressadamente. Ao chegar a frente a sua mansão, despediu-se do jardineiro.
– Adeus, Sakura-chan. Veremos-nos em breve. – Disse o rapaz, afastando-se. Sakura o observou até desaparecer no escuro por completo. Virou-se para a mansão a sua frente, suspirando pesadamente e assim voltou para sua triste realidade. – Onde esteve? – Questionou uma voz forte assim que adentrara sua nova casa.
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