Um Acaso de Sorte
1 Capítulo Único
As plantas e a grama da rua ainda estavam úmidas com o orvalho da madrugada, quando Ezreal saiu naquela manhã. Fora difícil levantar e sair de seu quarto de estudos, com todos os itens que englobam sua mais recente descoberta esperando para serem estudados com mais calma e precisão, mas sua saída naquela manhã era imprescindível para sua pesquisa.
O local de destino era um antigo prédio de grande valor para Piltover, pois os grandes gênios da cidade passaram por ali. A famosa Academia de Piltover se erguia imponente no centro da cidade e, como sempre fizera quando passava por ali, Ezreal parou para contemplá-la antes de entrar. Por dentro, o local conseguia ostentar a mesma imponência de seu exterior, mesmo com tantas pessoas passando por ali. Foi direto ao encontro de seu antigo amigo, que já o aguardava em frente à biblioteca.
- Bom dia, Jayce! – Ezreal disse ansioso, procurando com os olhos se o amigo tinha algo em mãos.
- Não se afobe, Ez, eu consegui o que você queria. Na verdade, não foi muito difícil de achar, depois de você me mostrar aquelas imagens. Que figura mais sombria, viu... Mas sei que me contará tudo sobre ela assim que descobrir mais a respeito. – Jayce estendeu a mão que segurava um pacote, no que Ezreal prontamente recebeu e checou o conteúdo.
- Prometo devolver-lhe assim que terminar meus estudos, você não sabe como isso é importante pra mim.
- Imagino, você não consegue se conter quando o assunto envolve suas pesquisas. – Jayce riu. Impressionante como esse simples ato já era o suficiente para chamar a atenção das garotas que passavam ao seu redor.
Após tomarem uma xícara de café, os dois amigos se despediram e Ezreal seguiu seu caminho de volta pra casa, mas dessa vez resolveu pegar um atalho por um beco não muito movimentado. Foi ali que tropeçou em algo e caiu miseravelmente no chão, deixando o conteúdo do pacote escapar e batendo naquilo que o derrubou. Ou melhor, quem.
Um senhor de cabelos e barba branca estava caído encostado à parede e, a julgar pela túnica que vestia, dava pra saber que não pertencia àquela região. Ezreal sabia quem era, havia reconhecido assim que o olhou nos olhos. Zilean... Seu olhar estava repleto de um vazio, como se estivesse em transe, mas, ao cruzá-lo com o objeto caído, se arregalou em terror e demonstrou reconhecimento.
- Esta figura... – Zilean parecia aterrorizado ao olhar a capa do antigo livro que estava a sua frente. Ela era feita em couro preto, mas era sua figura que chamava a atenção, uma espada de lâmina serrilhada que possuía um formato único. – Eu já a vi, essa espada! Ah, essa espada horrível...
- Senhor Zilean, por favor, se acalme! Diga-me o que sabe sobre essa imagem, de onde o senhor a conhece? – Seria possível que este senhor a sua frente realmente soubesse? Ezreal se lembrou de que Zilean era mais antigo nesse mundo do que aparentava ser: após fazer experimentos mal sucedidos que envolviam o tempo, fora amaldiçoado a vagar eternamente sem sua mente possuir conexão com o tempo presente, mas isso não o impedia de ter relances de conexão, principalmente depois de entrar na Liga.
Ezreal perdeu as esperanças ao ver que os olhos de Zilean voltaram à calmaria de transe anterior, então devolveu o livro ao pacote e já estava indo embora quando Zilean começou:
- Frio... Está muito frio aqui. Por que tem tantas pessoas feridas? Onde está a minha torre do relógio? Esse lugar... Estou no meio de um campo de batalha, a julgar pelo sangue e cheiro de ferida aberta. Já há tantos mortos, mas ainda assim, vejo uma horda de inimigos se aproximando. Será esse o meu fim? A esperança morreu no coração das pessoas daqui, só vejo tristeza e certeza da morte nesses rostos... Espera, que sentimento é esse me invadindo? Todos estão se levantando e brandindo suas armas, tenho certeza que vamos vencer agora. – Os olhos de Zilean voltaram a ter o brilho da consciência e ele se calou. Ezreal não pode evitar uma expressão de frustração ao ver a narrativa interrompida. – Rapaz, você quer que eu continue? Consigo me lembrar de tudo quando saio de um transe...
“Pois bem, vejo pela sua cara que você quer que eu continue. Depois que as pessoas brandiram suas armas, um ser que carrega uma espada única apareceu para nos comandar. Esta mesma espada que encapa o seu livro. Ele exalava o cheiro do medo e seu olhar tinha uma energia de tal forma bélica, que todos se sentiram confiantes ao seu lado. A vitória veio logo em seguida, você precisava ver como ele lutava... Tão forte e de aparência demoníaca, com grandes asas que derramavam sombras àqueles que não estavam ao seu lado no campo de batalha. Impressionante como tão de repente como ele apareceu, se esvaiu, deixando apenas um nome e dizendo que era o último de seu povo.”
Ezreal ouviu o nome como se sua vida dependesse daquilo. Após se despedir de Zilean, correu para casa. Há tempos pesquisava sobre uma figura que aparecia repetidamente na história, sempre virando uma batalha que se julgava perdida e ouvir relatos de alguém que presenciou uma delas só aumentou seu interesse. Queria contar tudo para Lux. A garota iria visita-lo mais tarde, e iria adorar ouvir sobre aquilo. O livro pertencia originalmente à Noxus e, desde que botou na cabeça que seu irmão estava apaixonado por uma certa noxiana, Lux queria saber tudo a respeito de lá, ainda mais porque essa figura também aparecia em Demacia.
Ezreal tinha muito o que estudar naquele dia. Queria saber tudo o possível sobre a figura sombria. Figura, não. Agora ela já possuía um nome... Aatrox. De certa forma, pronunciar o nome da criatura fez com que um arrepio subisse por sua coluna, com tantos conflitos acontecendo entre Noxus e Demacia, e até mesmo a guerra que dividia Freljord, será que sua geração veria o retorno de Aatrox aos Campos da Justiça? Só o tempo poderia dizer...
Fale com o autor