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Notas iniciais
Oi! ( ͡° ͜ʖ ͡°) Primeira Shizaya que eu escrevo então eu acho que eu vou "fugir" um pouco da personalidade deles. Ah, eu não sei como o Izaya era quando tinha quatro anos, então eu "criei" essa personalidade para ele aí. Boa leitura!

Uma pequena reunião na casa de Shinra. Foi com isso que o dia de Shizuo — que havia começado maravilhosamente bem — terminou. O médico havia convidado todos os amigos, alegando que eles precisavam se divertir um pouco, passar um tempo juntos. E os ilustres convidados para comparecerem foram: Kadoka e sua turma, Mikado, Anri, Kida, Shizuo e Izaya. Logo de início percebe-se que não foi uma boa ideia, pois juntar Shizuo e Izaya em um mesmo local nunca termina bem, todavia resolveram ignorar isso, já que o informante parecia particularmente amigável naquele dia e fingiu nem ter visto Shizuo. O loiro não pareceu muito feliz por ter sido ignorado e estava prestes a atirar o sofá no moreno, mas foi impedido por Celty. Fora isso a “reunião” estava chegando a ser até agradável, Shizuo estava sentado no sofá “conversando” com Celty, enquanto Izaya estava do outro lado da sala, falando animadamente com Kadoka e Shinra.

Tudo teria terminado perfeitamente bem, se Shinra não tivesse resolvido convidar Izaya para fazer alguma coisa dentro do quarto onde normalmente ele tratava dos pacientes que vinham até ele. Celty parecia desconfiar de algo e quase foi atrás dos dois, mas parou no último segundo, dando a meia volta e sentando-se de novo, aparentando estar extremamente nervosa. Shizuo chegou a tentar perguntar se tinha algo de errado, mas foi interrompido por Shinra, que havia acabado de voltar, fechando a porta atrás de si bruscamente para em seguida dar um sorriso amarelo, percebendo que havia atraído a atenção de todos os seus convidados. Escapando por baixo da porta havia uma fumaça em tons rosados.

– Shinra, tem fumaça saindo. – alertou Kadoka.

– Eu sei – disse e riu sem graça. – Temos um problema maior do que a fumaça.

– Cadê o Izaya-san? – Erika quis saber.

– Então, eu já ia chegar nessa parte...

– Shinra, o que diabos aconteceu?

– Shizuo-kun, sempre tão amável – brincou, mas estava visivelmente nervoso. Começou a passar as mãos pelo cabelo, rindo sem graça. – Sobre o Izaya... eu acho... que eu meio que... bem, eu fiz ele voltar a ser criança.

– Você o quê?! – Kida foi o primeiro a entender o que Shinra havia dito, pois os outros ainda pareciam em choque.

– Então, às vezes eu tenho vontade de criar alguns remédios novos, e eu sempre peço para que o Izaya os teste, mas ele sempre se nega e eu achei que hoje ia ser a mesma coisa! Mas justo hoje ele resolveu aceitar, e digamos que eu misturei alguns elementos aqui e ali que não deveriam ter sido usados e então... BUM! – falou tudo enquanto gesticulava bastante com as mãos.

– Shinra, isso não é possível. Não tem como uma coisa dessas ter acontecido. – afirmou Shizuo calmamente enquanto procurava por seu maço de cigarros.

– Eu também achava que não seria possível existir uma mulher sem cabeça, mas veja só, ela existe! E eu amo ela! A minha bela Celty!

– “Idiota.” – foi o comentário de Celty em seu PDA.

Shinra pareceu finalmente se dar conta de tudo o que tinha acontecido e assumiu uma expressão séria. Parou no centro da sala e encarou todos a sua volta, suspirando.

– Eu preciso de alguém que conhecia o Izaya desde que ele tinha por volta de quatro anos.

– Eu conhecia. – contou Kadoka.

– Ótimo! Me acompanhe – chamou e seguiu em direção a porta de onde havia saído, indicando-a para Kadoka. – Espero que você saiba lidar com crianças. – disse antes de fecha-la e dessa vez sentar-se ao lado de Celty.

– “Shinra, explique-se.” – pediu Celty.

– O remédio que eu pedi pro Izaya experimentar acabou fazendo-o voltar a ter por volta de quatro anos – suspirou pesadamente antes de continuar. – Ele supostamente não se lembra de ninguém que conheceu depois dessa idade e consequentemente não se lembra de mim. Por isso deduzi que seria melhor se ele visse alguém já conhecido, ou algo assim...

– Dá pra reverter esse remédio? –indagou Mikado.

– Eu não sei ao certo se dá, porque eu não me lembro o que eu coloquei no remédio. – respondeu rindo alto.

O barulho da porta se abrindo atraiu a atenção dos todos os presentes. Kadoka surgiu dela, carregando algo em seus braços. Um menininho de cabelos pretos e pele pálida estava nos braços do maior, os bracinhos em volta do pescoço de Kadoka, tentando esconder sua cabeça nos ombros dele.

– Shinra – chamou Kadoka em um tom baixo e perigosamente ameaçador. -, confesso que não acreditei quando você falou, mas... trate de fazê-lo voltar ao normal.

– Eu juro que se eu soubesse como, eu faria! – exclamou enquanto se levantava.

– Espera, isso quer dizer que, o Izaya está com quatro anos de idade, e não pode se defender de um ataque vindo de alguém maior que ele, certo? – perguntou Masaomi.

– Bem, certo.

– Então eu posso simplesmente mata-lo agora e minha vida seria o paraíso! – entusiasmou-se e deu um passo para frente, entretanto foi obrigado a parar quando Mikado segurou seu braço.

– Masaomi, você não vai encostar nele, okay? – avisou Mikado.

– Eu não vou fazer nada. Só quero vê-lo de perto, okay? – falou enquanto se soltava do amigo e seguia na direção de Kadoka.

Kyohei instintivamente apertou a criança em seus braços, como se isso fosse protegê-la de algum surto de assassino vindo do loiro. Isso fez com que Izaya murmurasse algo, mas sem tirar a cabeça de seu esconderijo.

– Vamos Izaya –chan~! Olhe para mim e me deixe ter o prazer de te machucar um pouquinho~. – cantarolou enquanto tocava as costas da criança, tentando atrair a atenção de Izaya para si. Acabou funcionando, Izaya lentamente virou o rosto para o loiro, com os olhos cerrados, coçando com as costas das mãos os olhos. E quando ele finalmente abriu os olhos e Kida teve aquelas pérolas avermelhas voltadas para si não conseguiu fazer nada.

Ter o rosto infantil de Izaya olhando-o daquela forma curiosa e adorável o fez recuar horrorizado. O moreno olhou para Kadoka em uma pergunta muda, que ele confirmou com um aceno, então o mini-informante virou-se de frente para Kida e estendeu os braços, pedindo colo. Masaomi pegou-o de forma desajeitada e quase o derrubou no processo, mas no fim obteve sucesso naquela difícil tarefa. A primeira coisa que a criança fez ao sentir-se segura foi encarrar Kida, estreitando os olhos. Depois de sua breve analise terminar, ele sorriu de forma meiga e o abraçou. O loiro parecia que ia ter um ataque ali mesmo.

– I-isso... não tem como! Essa criança não é o Izaya! – exclamou.

– Não – Kadoka negou. -, é o Izaya sim. Tenho certeza. A personalidade dele era um pouco diferente quando ele era menor, mas é ele.

– “Um pouco diferente”?! Olha pra isso! – apontou com um pouco de dificuldade e com o braço que não segurava a criança para Izaya, que alegremente abraçava o loiro e sorria, parou de abraça-lo apenas para brincar com uma mecha do cabelo dele.

– Eu sei, adorável! Mas o Izaya também era adorável antes... – Shinra parou e forçou uma tosse ao perceber que todos o encaravam e tentou mudar de assunto antes que se ferrasse mais. – Digo, ele precisa ficar com alguém enquanto eu não acho um jeito de reverter o remédio.

Kadoka prontamente se ofereceu, sendo apoiado por Erika e Walker, Mikado também disse que podia ajudar, mas que não sabia lidar com crianças, Celty disse que ele podia ficar por ali mesmo e que ela se responsabilizaria por cuidar dele, até Masaomi se arriscou. Parece que a personalidade do informante com quatro anos agradou a todos, entretanto os planos de Shinra já estavam decididos e a pessoa que ele queria que se oferecesse permaneceu calada, fumando seu cigarro.

– Creio que o Izaya apreciaria ficar com cada um de vocês, mas no momento ele precisa de alguém forte, pois Izaya tem muitos inimigos e alguns deles podem ter a mesma ideia que Kida-kun e tentar se aproveitar do estado... “fragilizado” do Izaya – começou e fitou Shizuo. – E é por isso que ele precisa ficar com alguém forte o bastante para protegê-lo, alguém com uma força extraordinária, alguém capaz...

– Não. – veio a resposta de Shizuo.

– Mas, Shizuo-kun...

– Shinra, não.

– Veja bem, Shizuo-kun, se você não ajudá-lo ele pode acabar morto!

– E isso não seria uma coisa boa? Vamos simplesmente jogá-lo na rua e isso faria a vida de todos nós mais fácil e feliz!

Recebeu um olhar reprovador de todos os presentes na sala, com exceção de Celty, porque... bem, ela não conseguiria lhe mandar nenhum tipo de olhar. Shizuo queria entender o que estava acontecendo ali. O informante vivia ferrando a vida das pessoas, a sua vida em particular, e ele tinha que tomar conta dele? E uma coisa pior ainda, protegê-lo? Não, definitivamente não. E tinha mais, todas as pessoas ali – com exceção de Shinra, Kadoka e Mikado — não pareciam gostar muito de Izaya, então o informante volta a ter quatro anos e todo mundo decide gostar dele? Ele não, obrigado. Estava perfeitamente bem odiando Izaya e continuaria odiando ele não importando a idade que ele tivesse.

Shinra suspirou. Em seguida olhou para Izaya e pareceu ter uma ideia. Se aproximou de Kida sorrindo e tocou Izaya, conseguindo a atenção do moreno, fazendo com que ele parasse de brincar com os fios loiros de Kida.

– Izaya-kun, venha comigo – chamou. Izaya aceitou o pedido e deixou Kida, indo para os braços de Shinra. O médico ilegal caminhou calmamente até Shizuo e ficou de frente para ele. – Este homem loiro e com roupas de barman se chama Heiwajima Shizuo, ele disse que vai cuidar de você e te proteger dos caras maus. – Shizuo ia protestar, mas Izaya falou primeiro.

– Tipo um super-herói? – a voz infantil do moreno se fez presente pela primeira vez.

– Sim, tipo um super-herói. – confirmou e colocou o menor no sofá, e este assim que se sentou virou-se na direção de Shizuo.

– Hei... Heiwa... Heiwajima-san – começou com um pouco de dificuldade, achando o sobrenome difícil. – É verdade?

– Claro que é verdade! – Shinra fingiu estar ofendido, entretanto o proposito daquela frase foi cortar o loiro.

– Incrível! Hei... Heiwajima-san é um super-herói de verdade? – aproximou-se de Shizuo, quase subindo no colo dele, e colocou suas mãos nas coxas dele, servindo de apoio para que conseguisse encará-lo. – Eu vou ter o meu próprio super-herói? Heiwajima-san vai ser meu herói?

Shizuo achou tudo estranho. Primeiro a voz do informante, que estava infantil e dócil, depois a personalidade e a forma como o seu sobrenome foi dito, era estranho e chegou a sentir falta do apelido pelo qual era chamado normalmente pelo moreno. E por quanto tempo Izaya planejava encará-lo com toda aquela animação, com esperança que ele confirmasse que iria sim ser o seu “super-herói”? Ele quase não conseguiu negar. Quase. E quando negou não foi bem do jeito certo...

– Não. Eu quero mais é que os “caras maus” te matem. Eu te odeio, Izaya-kun, e por mim você já estaria morto.

Okay, a ideia de Shinra não deu muito certo. Izaya, que olhava para Shizuo com os olhos arregalados, mudou a direção do olhar de Shizuo para Shinra e o médio pôde o ver espremer os lábios e o inferior tremer levemente enquanto as lágrimas se acumulavam nos olhos.

– Droga – Shinra sentou-se ao lado dele e acariciou levemente o topo de sua cabeça. – Não foi isso que ele quis dizer...

– Não, foi exatamente isso.

– Shizuo-kun! – alterou um pouco o tom de voz para em seguida sussurrar, de forma que o informante não ouvisse. – Você sabia que isso que disse agora pode afetar a personalidade dele quando ele voltar ao normal?!

– Eu não me importo.

Kadoka resolveu tirar Izaya da sala para poderem resolver o assunto sem que ele tivesse que presenciar alguma cena... desagradável. Pegou-o no colo e seguiu em direção ao banheiro, para tentar parar aquelas possíveis lágrimas.

– Heiwajima-san não gosta de mim?

– Bem... não.

– Eu fiz alguma coisa que ele não gostou?

– Não. Mas você fez algumas coisas muito ruins para ele.

– Fiz? Mas eu nem conhecia ele... o sorvete de ontem era dele? Eu tomei sem saber! Eu posso pedir desculpas!

Sorvete de ontem? Ah, ele se lembrava vagamente de Izaya ter dividido um pote de sorvete que achara na geladeira da escola com ele, quando eles eram pequenos. Então ele não se lembrava mesmo... de nada depois dos quatro anos.

– Esqueça sobre isso, okay? Ele só estava de mau humor. – sentou Izaya na pia e ligou a torneira.

– O que você vai fazer, Kyo? – perguntou curioso.

Kyo? Quem era Kyo? Ah, Kyohei. Izaya de quatro anos o chamava de “Kyo” e não de “Dotachin” como estava acostumado.

– Izaya – chamou. -, me chame de Dotachin.

– Dotachin?

– Sim.

– Kyo gosta mais de Dotachin?

– Sim.

– Então, o que você vai fazer, Dotachin? – Kadoka sorriu.

– Vou fazer uma mágica.

– Mágica? – os olhos de Izaya brilharam. Nem parecia mais prestes a chorar, entretanto era melhor prevenir, não devia ser muito legal para uma criança ouvir “eu te odeio” e “por mim você já estaria morto”.

– Com essa mágica você vai ficar muito forte. E não vai precisar de um “super-herói” para te proteger. E qualquer coisa que o Shizuo fale de mal para você não vai te afetar. Uma magia anti-lágrimas. – porque o Izaya de quatro anos era chorão. Adoravelmente chorão, Kadoka lembrara.

– Não vou mais chorar?

– Não. – disse e viu o moreno sorrir e fechar os olhos, esperando pela tal mágica.

Kadoka juntou um pouco de água nas mãos e molhou o rosto de Izaya.

– Pronto.

Izaya abriu os olhos e tocou o liquido em seu rosto, olhando para Kadoka de uma forma desconfiada.

– Pronto? Só isso? Isso não é só água? – oh, apesar de ter quatro aos, Izaya sempre fora inteligente.

– É uma água especial – respondeu, mas não pareceu convencer Izaya. – Ela foi encantada antes.

– Sério?! Que legal! Obrigado, Dotachin! – pulou de cima da pia e abraçou o maior.

– Agora nós vamos voltar, mas lembre-se do feitiço, você não pode chorar.

– Certo! – concordou animado, escondendo a cabeça no ombro dele.

Voltaram para a sala e a encontraram em completo silêncio. Shinra sustentava um olhar firme e decidido, Shizuo um derrotado e Erika parecia bastante animada, o que indicava que...

– E então?

– Ele vai ficar com o Shizuo.

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Notas finais
Segunda fanfic que eu escrevo, eu ainda estou meio perdida por aqui! Se quiser comentar, eu agradeço! Estou sempre aberta a sugestões. Tchau! ( ͡° ͜ʖ ͡°)