Um Último Suspiro
22 Resgate Mal Sucedido e Uma Casa Morta
Notas iniciais
Fiquei cego por alguns instantes... Vi toda minha vida passar por meus olhos nesse curto período de cegueira... Meus pais sorrindo para mim quando aprendi a andar de bicicleta... Meu primeiro beijo... Os zumbis... Então o som de um tiro me tirou do transe, acordei sentado no chão com um dos soldados parado ao meu lado com a arma apontada para frente e, caida na minha frente, o corpo da mulher estava estirado na minha frente. O soldado me ajudou a levantar e olhou para mim, guardando sua arma.
Soldado- Tudo bem garoto?
Eu- Tu... Tudo sim... Acho... Ela está... Está...
Soldado- Sim... Desculpe por isso...
Ele suspirou e me levou para fora do quarto, fechando a porta devagar, voltamos a andar pelo corredor e a checar os quartos, depois de entrar em vários onde só se podia ver poças de sangue e partes de corpos... Não era algo lindo de se ver mas depois de entrar em dezenas de quartos iguais e vomitar algumas várias vezes você se acostuma... Depois de subir até o último andar e voltar para a entrada do hotel descobri que Eduardo e seu time conseguiram encontrar duas pessoas, dois garotos que tinham cara de serem arruaceiros... Eles me pareciam familiares... Dei de ombros e sorri olhando pro alto e notando que logo começaria a escurecer, voltei a olhar para eduardo que entendeu e logo balançou positivamente a cabeça.
Eduardo- De volta para base soldados!
Os soldados bateram continuência e logo seguimos na direção da garagem do prédio onde ficava o elevador para a base subterrânea. Após alguns minutos o elevador logo nos levou de volta para a base, assim que a porta se abriu a primeira coisa que vi foi uma Carol com um enorme sorriso no rosto e olhos cintilantes virados na minha direção, sorri de volta para ela com um sorriso bobo e cocei a nuca.
Eu- Hum... Voltei...
Ela andou até mim, sorrindo e então me deu um enorme tapa na cara... Forte o suficiente para me fazer virar e cair de cara no chão.
Carol- Da próxima vez eu vou junto com você, garoto idiota!
Ela virou as costas e saiu andando, me deixando sentado no chão com metade do rosto inchado e vermelho, Eduardo riu e me ajudou a levantar.
Eduardo- Acho que ela gosta de você.
Eu- Não parece...
Algumas semanas foram se passando, todos os dias saiamos em busca de sobreviventes e comida, a cada dia ficava mais díficil achar qualquer coisa pois era preciso ir cada vez mais longe da base... A busca mais longa que tivemos até agora demorou cerca de três dias e três noites para voltarmos e acabamos perdendo dois soldados e um sobrevivente... As munições para as armas que havia na base estavam no fim, a comida estava acabando e ninguém mais suportava viver daquele jeito... Numa tarde enquanto conversava com Eduardo sobre onde ainda faltava procurar na cidade Carol veio até mim.
Carol- Preciso falar com você.
Me virei para ela e saimos da sala, ela parecia preocupada com alguma coisa...
Eu- O que houve?
Carol- Eu ouvi de um dos sobreviventes que tem uma casa, uma casa bem grande pra falar a verdade, que pode ter ainda alguns mantimentos... É só uma hipótese mas eu... Eu quero ir checar a casa.
Olhei pra ela e suspirei.
Eu- Claro, vou só chamar o Eduardo e mais alguns soldados então...
Carol- Vamos apenas eu e você... Não quero arriscar mais nenhuma vida...
Olhei surpreso para ela e ao mesmo tempo confuso... Será que seria assim tão arriscado ir até lá? E se não houver nada na casa, vamos arriscar nossas vidas à toa?
Carol- Por favor...
Eu- Ma... Mas...
Suspirei e acenei positivamente com a cabeça.
Eu- Ok, mas se algo acontecer quero que você corra pro mais longe possível ok?
Ela sorriu e me abraçou, logo saindo correndo e gritando para mim.
Carol- Te encontro no elevador, não demore!
É em momentos como esse que penso se estou fazendo a coisa certa... Depois de meia hora me arrumando e pegando minhas armas fui em direção ao elevador, Carol estava com ele aberto me esperando, sorri e acenei e logo que entrei no elevador as portas se fecharam e ele começou a subir.
Eu- Você tem certeza que quer fazer isso?
Carol- Absoluta!
Suspirei e voltei a ficar quieto como sempre. Alguns minutos depois o elevador se abriu na superfície, estava tudo silencioso, Carol saiu andando e eu apenas a seguia com uma shotgun nas mãos.
Eu- Você sabe o caminho certo?
Carol- Claro que sei! Agora quieto ou vai chamar a atenção de alguns monstros.
Sério... Como eu consegui me apaixonar por ela?
Apenas suspirei e continuei seguindo ela, olhando em volta procurando por algum sinal de zumbis, depois do que pareceram horas andando ela parou em frente à uma enorme casa, haviam alguns corpos mutilados no jardim e a grama, que antes deveria ser verde, estava completamente vermelha, olhei para Carol e então segui até a janela para ver se havia alguém lá dentro, quando cheguei perto da janela vi uma cena um tanto quanto... Bizarra... Acho que depois disso eu nunca mais ficaria surpreso em ver qualquer outra coisa...
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