Um Último Suspiro
28 Descoberta Fatal
Algumas horas depois que eu fiz Léo se acalmar e dormir, sai do quarto dele e comecei a andar na direção de meu quarto, os corredores estavão vazios e, após alguns passos, comecei a me sentir estranho... Sentia tonturas e minha visão embaçava... Segundos depois minha cabeça começou a doer tanto que parecia que ia explodir, meu braço esquerdo começou a arder, parecia que estava queimando, quando eu olhei para ele minha visão se apagou e um borrão verde ficou marcado em meus olhos.
Acordei sentindo uma leve brisa em meu rosto e com o sol me cegando, minha cabeça latejava e eu sentia um estranho gosto de metal doce em minha boca. Me sentei e coloquei a mão em minha cabeça... Algo estava errado... A sensação da minha mão tocando minha cabeça estava... Diferente... Parecia que havia algo em minha mão, algo como escamas... Abri meus olhos e soltei um enorme grito de terror ao ver um estranho e deformado braço com garras no lugar de dedos. Meu braço estava coberto por escamas e estava agora duas ou três vezes maior do que o normal, minha mão era uma bola de escamas verdes com garras no lugar dos dedos, eu tentava arrancá-lo dali mas nada acontecia, apenas meu braço esquerdo estava daquela forma, minhas unhas comuns não faziam nem arranhões nas grossas escamas de meu braço esquerdo, o medo tomava conta de mim enquanto eu pensava no que eu deveria fazer para fazer meu braço voltar ao normal.
Olhei em volta e então vi onde estava... Eu me encontrava no telhado de algum prédio, um prédio bem alto de onde eu conseguia ver a cidade inteira... Esqueci de meu braço e me levantei lentamente, a única coisa que havia em minha cabeça era como eu fui parar ali... Fui até a borda do prédio e olhei para baixo, o prédio que eu estava devia ter cerca de 20 ou 30 andares... Como eu fui parar no telhado de um prédio desses? E que maldito gosto era aquele em minha boca?
Eu tinha que me preocupar com isso depois, primeiro eu precisava pensar em alguma forma de descer... Olhei em volta e me deparei com uma cena nojenta... Parecia um ninho de hunters num espaço aberto... Havia sangue e pedaços de corpos para todos os lados, algo se mexia mais para frente e, ao olhar melhor, eu vi que era um... Um homem! Corri até ele por puro instinto, algo me dizia para atáca-lo e acabar com ele, quando me aproximei ele olhou para mim... Era um homem vivo, ele tinha uma expressão de terror no rosto e cortes profundos e horrendos nas pernas, ele começou a gritar mas então meu braço se mexeu sozinho e fatiou sua cabeça num golpe único e fatal... O sangue jorrava do pescoço do homem... Eu havia matado um ser humano... Cai de joelhos ali mesmo e comecei a vomitar, como eu poderia ter feito aquilo? Por que eu fiz aquilo?
Após alguns minutos caido de joelhos em frente ao corpo do homem, a ânsia de vomito havia parado e o gosto de metal havia mudado para um gosto azedo de vômito... Limpei minha boca e me levantei, precisava sair dali rápido, olhei em volta mas então um cheiro doce começou a fazer minha cabeça ficar mais leve... Um cheiro suave que me dava fome... Fechei os olhos e comecei a farejar o ar buscando a origem do cheiro, me sentia um animal mas não me importava... Não me importava até ver de onde vinha o cheiro doce... O cheiro que me abria o apetite e me fazia ter água na boca vinha do corpo caido do homem, uma voz na minha cabeça me dizia para arrancar um pedaço dele e comer enquanto outra me dizia para pular do alto do prédio e me matar... Eu já não sabia o que fazer, a loucura tomava conta de mim...
Eu não conseguia viver com essa culpa... Ao olhar em volta eu vi todo o estrago que fiz... Pedaços de corpos estavam espalhados pelo chão, havia muito sangue ali e o único corpo inteiro que havia por ali era o meu e o do homem que eu havia acabado de matar... A culpa começava a me consumir... Meu corpo todo tremia... A expressão de pavor e horror no rosto do homem ficavam martelando em minha mente... Eu não merecia mais viver ali... Caminhei lentamente até a borda do telhado, a queda seria muito alta, mas seria o suficiente para me matar... Eu me tornei um monstro e era assim que iria morrer... Como um monstro...
Um último passo para a morte certa... Apenas fechei os olhos e pulei para o fim...
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