Um Último Suspiro
27 Criador e Compreensão
Tudo estava escuro, quando abri os olhos vi que eu estava no que parecia ser uma sala de cirurgias, havia uma lâmpada sobre minha cabeça e uma mesinha com instrumentos estranhos sobre ela, instrumentos médicos. Tentei me levantar e só então percebi que meus punhos e tornozelos estavam presos a mesa, e também que alguém havia retirado minhas roupas, cada peça de roupa que tinha em meu corpo havia sido retirada...
Podia ouvir os passos de alguém ecoando pelas paredes da sala, mas não conseguia mexer minha cabeça o suficiente para olhar para quem quer que fosse, podia ouvir duas pessoas cochichando mas não conseguia entender o que elas falavam, algumas poucas palavras soavam melhores, dentre elas a única que eu consegui entender foi a palavra vírus.
Os passos se aproximaram de mim e então vi meu reflexo em óculos escuros que me pareciam familiares, mas não foi por tempo suficiente para lembrar onde eu já havia visto aqueles óculos antes pois, no momento em que olhei para cima, senti algo perfurar meu pescoço... Tudo escureceu rapidamente e a voz de um homem ficou ecoando em minha cabeça...
Homem- Bons sonhos, cobaia 063
Logo acordei com alguém estapeando meu rosto, ao abrir os olhos vi uma Carol olhando para mim com lágrimas nos olhos e um tanto quanto preocupada, ela estava com a mão no alto para me dar um outro tapa quando percebeu que eu estava olhando para ela. Logo ela me abraçou tão forte que eu senti que minha cabeça ia explodir, também sentia uma forte dor de cabeça e não conseguia tirar aqueles óculos escuros da minha mente...
Carol- Pelos deuses, eu pensei que você tinha... Tinha...
Vi novas lágrimas se formarem no rosto dela, com muita dificuldade ergui minha mão até seu rosto e o acaricei levemente, tentando esboçar um sorriso.
Eu- Acha mesmo que eu ia te abandonar?
Ela apenas sorriu e me ajudou a levantar, minhas pernas estavam um pouco trêmulas e também dormentes, quando olhei em volta vi que eu estava na frente da garagem que dava entrada para Keryon... Carol me ajudou a andar até o elevador, Eduardo e mais alguns soldados estavam parados ali, esperando a gente entrar no elevador. Descemos até o subsolo e Carol me levou até meu quarto, ele continuava arrumado como eu o havia deixado mas eu sentia que havia algo diferente nele... Como se algo estivesse faltando ali dentro... Me desapoiei de Carol e cambaleei até minha cama, sentando na mesma. Carol sentou ao meu lado e segurou em minha mão, ela me olhava de modo preocupado e, de certo modo, ela parecia se sentir culpada por alguma coisa...
Eu- Alguma coisa errada?
Carol- Não... Não é nada... Vou te deixar descansar ok?
Ela se levantou, me deu um selinho e logo saiu do quarto, eu apenas suspirei e olhei em volta, não conseguia entender o que estava faltando ali... Algo importante... Logo ouvi a porta se abrir e, ao me virar para ver quem era, vi Léo entrando no quarto de cabeça baixa, ele seguia lentamente na minha direção até que parou na minha frente... Depois de alguns minutos em silêncio ele falou.
Léo- Me desculpe...
Eu- Não foi sua culpa Léo... Eu entendo o que você sente...
Coloquei a mão sobre o ombro de Léo, via algumas lágrimas cairem no chão e então ele levantou o rosto, estava inchado, ele deveria ter chorado por bastante tempo... Puxei-o para perto de mim e o abracei... Não fora culpa dele o que aconteceu comigo, não foi culpa de ninguém... Pelo menos eu quero que ele pense assim...
Eu- Léo, você não tem o por que se desculpar, não foi sua culpa...
Léo- Se-se eu na-não tivesse fugido da-da base...
Ele falava entre os soluços, a cada nova palavra ele apertava mais o abraço, eu passava a mão levemente por sua cabeça, tentando fazê-lo se acalmar...
Eu- Eu entendo o que você sente, como você se sente também... Mas a Aléxia não vai tomar seu lugar de jeito nenhum ok? Sua mãe, eu e Carol te amamos do mesmo jeito que amamos Aléxia, ok?
Léo me apertou mais e começou a chorar, eu o abracei mais forte... Acho que eu devo agir como um pai para ele agora... Ele e Aléxia... Eu preciso amadurecer e deixar de agir como uma criança rebelde... Acho que era isso que meu pai sempre quis que eu fizesse...
Eu- Léo... Não se preocupe com nada ok? Eu vou te proteger, proteger você, Carol, sua mãe, Aléxia... Vou proteger todos que estão vivendo aqui conosco... Vou fazer de tudo para proteger todos vocês ok?
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