Ultraviolence

1 Capítulo I — Anjos e Demônios


O barulho agudo e estridente do relógio cada vez que o ponteiro maior girava lhe dava nos nervos. Ela jamais pisara no salão de espera que dava para o escritório particular de seu chefe, pois ali era onde Lúcifer tratava apenas dos assuntos sérios e Annabeth não era muito de causar problemas. Ela era do tipo que fazia as pessoas causarem problemas por ela. Uma nefilim muito esperta, modéstia à parte. Talvez a mais esperta do Inferno inteiro.

Os nefilins eram criaturas estritamente rejeitadas no Céu, apenas pela sua impureza. Frutos de anjo com humano eram rebeldes e sem falar que anjos não tinham permissão para relacionar-se com humanos. Por serem criaturas sobrenaturais e incapazes de levar a vida de um humano, os nefilins eram acolhidos por Lúcifer e viviam no Inferno. Mas Annabeth não se incomodava por ter sido obrigada à morar no Inferno. Era como ser obrigada à morar em um local de trabalho bem legal.

Ao contrário do que muitos pensavam, no Inferno não fazia calor, não pegava fogo e nem tudo era vermelho. Para falar a verdade, Lúcifer sempre fora fã do ouro, então boa parte da decoração do prédio (sim, meus queridos, o Inferno era um prédio. Não era uma casinha rodeada de fogo, nem uma cidade. Ninguém deixaria Lúcifer ter uma cidade só pra ele.) era dourada. Lá era ornamentado por tanta luxúria que não tinha como não gostar do Inferno. Quer dizer, se você não levar em conta o temperamento extremamente sete-pecados de Lúcifer. Egoísta, invejoso, aborrecido. Ele não era lá o chefe mais generoso de todos os tempos.

O salão de espera era amplo, com um lustre gigante no teto e paredes de cor dourada, enfeitadas com apenas um relógio grande e luminoso sem números. Tinha duas mesas cobertas por tigelas de balinhas e uma máquina de café expresso, dois sofás amarelos — extremamente confortáveis, Annabeth pensou quando sentou-se em um deles — e um tapete felpudo de cor vinho. Ao seu redor, haviam duas portas; a do elevador e a do escritório de Lúcifer. Annabeth não fazia ideia do que diabos seu chefe fazia nessa sala de tão importante que a fizera esperar por pouco mais de duas horas. Todas aquelas balinhas e cafés deixariam a nefilim gorda e hiperativa, de fato, pois ela já sentia-se extremamente desconfortável por estar parada.

A porta do escritório do chefe abriu-se, logo revelando duas exumanas (eram como chamavam as humanas que já morreram e foram parar no Inferno, afinal, nem todos por ali tinham a honra de serem chamados de demônios) com roupas desordenadas e batom espalhado por todo o rosto. Annabeth revirou os olhos. Só podia ser.

— Annabeth, querida — a voz grave e rouca de Lúcifer a fizera levantar instantaneamente. Ele deu um sorriso de canto e seus olhos azuis adquiriram a cor negra por uns segundos. Lúcifer era metamorfo. Podia mudar a cor dos olhos, dos cabelos, a forma do corpo, mas não a aparência por completo. Era como se ele pudesse fazer uma cirurgia plástica sem precisar fazer cirurgia plástica, entenderam? — Sinto se lhe deixei esperando muito tempo. Elas estavam me devendo uma grande quantia. Pode entrar.

— Não sente, não, chefe — zombou, caminhando até a porta de carvalho. Lúcifer era um homem extremamente charmoso. Bem, era de se esperar de alguém que representa os sete pecados em si. Tinha uma beleza de anjo e um sorriso sedutor sempre em seus lábios. Sua aparência normal era pele bronzeada, olhos azuis como uma piscina extremamente funda e cristalina e cabelos negros e bagunçados. Soltou uma risada abafada e abriu um dos braços, indicando para Annabeth entrar.

— Tenho um assunto muito importante para discutir com você. Aliás, discutir não, porque não existe a opção eu-não-aceito — ergueu a sobrancelha, sentando-se na cadeira escura atrás de uma bancada de madeira vazia — as coisas que deviam estar na bancada estavam largada no chão, e Annabeth teve de medir os passos para não quebrar nada, seu chefe arrancaria suas tripas. Cogitou sentar na cadeira fronte a bancada, mas seu estômago revirou quando lembrou das duas mulheres que saíram agora pouco e resolveu ficar em pé. Lúcifer percebeu seu olhar de nojo e riu.

— Fez uma boa escolha. Acho melhor não sentar-se no sofá também. Fique em pé, faz bem pra saúde — sorriu ele, brincando com uma caneta em mãos.

— Queria saber desde quando saúde importa por aqui — Annabeth murmurou, cruzando os braços. — Pode falar, sou todo ouvidos.

— O.k., Chase. Então, você acabara de completar seus vinte e um anos e...

— Vinte e dois — interrompeu ela. Lúcifer deu de ombros.

— Mesma coisa. Se eu quiser que você tenha vinte e um, terá vinte e um. Não me questione — ergueu o dedo indicador ao ver Annabeth abrir a boca, então continuou: — Bom, você vem treinando para ser anjo da guarda há alguns anos e seu último protegido acabou morrendo atropelado, o que indicou que você não sabia muito o significado da palavra guarda.

— Eu seria expulsa daqui se dissesse que eu quem joguei ele na frente do carro? — perguntou ela, olhando para as unhas. Ergueu o olhar para Lúcifer e ao ver suas sobrancelhas arqueadas, deu de ombros. — Eu odiava ele. Era o maior chatão, sério.

— Uma pena que ele seja o seu atual vizinho de quarto.

— Nem palavras podem expressar o quão lamento por isso até hoje — revirou os olhos e seu chefe riu.

— De toda forma, adivinhe quem vai virar anjo da guarda novamente? — Lúcifer perguntou animado, abrindo os braços como se fosse uma boa notícia para Annabeth. A mesma, por outro lado, lançou-lhe um olhar indignado. Não esperava ser cogitada para anjo da guarda após fingir assassinar Brian. Apenas os dois sabiam que Brian não foi empurrado por Annabeth, ele apenas não olhou para os dois lados ao atravessar a rua e teve o azar de ir ao encontro de um carro cujo o motorista estava bêbado. Mas Brian amava a nefilim, então jamais abriria sua boca para contrariar Annabeth ao ouvi-la dizer que fora jogado.

— Não me olhe assim, não pedi pra você nascer metade anjo. Não, também não pode recusar, lembra o que eu disse? Recuse e coloco você pra morar no elevador. Você sabe, todos os nefilins são obrigados à trabalhar como anjo da guarda devido à sua ligação com... ele. — apontou para cima com a cabeça. — Continuando, vai querer saber sobre o seu mais novo produto ou vai ficar de birra?

Annabeth revirou os olhos.

— Manda bala, chefe — bufou, fitando-o com atenção a partir dali. Lúcifer retirou uma ficha dentre outras demais, em uma das gavetas da bancada. Folheou os papéis e limpou a garganta. Seus olhos recorreram lentamente pela ficha e seus dedos foram ágeis ao destacar uma foto pequena e entregar à Annabeth. A última visualizou a foto com atenção.

Era um homem de aparência jovem e pele pálida, olhos quase tão azuis quanto os de Lúcifer e cabelos castanho-escuros. Usava um terno que parecia muito caro, o que indicava que ele era rico.

— Seu nome é Percy Jackson, filho de Poseidon Jackson — Annabeth conteve um sorriso ao ouvir o nome ridículo do pai —, o empresário mais rico de Los Angeles, dono da empresa de joias Olympus. Vinte anos, com uma ficha curta na policia devido à agressão a um paparazzi e um policial. — Lúcifer ergueu as sobrancelhas, como se dissesse “esse vai dar trabalho”. Jogou a ficha na mesa e entrelaçou seus dedos, colocando-os sobre a ficha. — Ele é problemático, obviamente. Seu dever é mantê-lo longe das encrencas e longe da morte também. Não sei o que vou fazer se esse trocinho vier morar no Inferno antes de eu me preparar psicologicamente. Ele é do tipo rebelde, vai se dar bem com você.

— Oh, obrigada pelo elogio — revirou os olhos pela milésima vez no dia. Ele era bonito, sim. Não Lúcifer, Percy. Mas Annabeth achava um saco trabalhar como anjo da guarda. De anjo ela não tinha nada, estava mais pra demônio da guarda, levando em conta o seu péssimo trabalho com Brian Land. Lúcifer sorriu de canto.

— Você — apontou para Annabeth e tirou da gaveta um papel antes de continuar a frase, então entregou-a. Annabeth passou rapidamente seus olhos no que chamavam de currículo. — será a mais nova secretária de Percy. Ele é o único que pode e deve saber sobre sua origem, caso ocorra o contrário, seu retorno para o Inferno não será aceito. Caso falhe mais uma vez com outro protegido, será punida. Caso você apronte algo no mundo dos humanos, será punida. E caso Percy apronte, será punida, também. Não aceitamos devolução. — Annabeth riu. — E ele não deve voltar a aparecer fronte aos oficiais devido à agressão ou qualquer outra coisa, estamos entendidos?

— Mas e se ele me agredir? — Annabeth perguntou, gesticulando com as mãos e forçando uma expressão de inconformada. Seu chefe soltou uma risada sarcástica. Qualquer um sabia que aquilo era o maior blefe, pois Annie treinara luta toda a sua vida para quando chegasse ao mundo dos humanos com esse trabalho. Aqueles que viviam no Inferno eram mais perigosos do que podiam imaginar. Annabeth sorriu de canto ao ouvir seu chefe falar:

— Ora, Annabeth, não existe mulher mais perigosa no Inferno do que você.

E Lúcifer não podia ter dito algo mais verdadeiro.

Notas finais
Então, é a minha primeira fanfiction de Percy Jackson, sem falar que é a minha primeira fic de Universo Alternativo, também. Sooo, espero que tenham gostado! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.