Ultima Ratio
7 Respire

“Como saber se tudo é real ou inventado? Como saber o que fazer quando o tempo passa e não conseguimos controlar a nossa mente? ‘Apenas respire’, ela diz. ‘Apenas continue respirando, você não está sozinho, então respire fundo’”
•••
Yaoyorozu fechou os olhos, segurando o braço de Todoroki e colocando seus corpos à frente de Endeavor. Com o escudo erguido, estava pronta para proteger todos eles do ataque que estava por vir.
No entanto, tal ataque nunca veio.
Notando a ausência do calor direcionado para eles, Yaoyorozu abriu os olhos, confusa. Ela abaixou o escudo apenas um pouco, vendo um Dabi tão confuso quanto ela, encarando as mãos que não tinham qualquer sinal de chamas azuis.
A resposta para a pergunta de ambos veio logo quando Momo finalmente percebeu uma figura na porta atrás do vilão. Dabi também notou a presença dele um instante depois da garota… e tarde demais para fazer qualquer coisa.
— Aizawa-sensei-! — Momo exclamou, surpresa. Shouto, atrás dela, continuou sem erguer a cabeça, como se não tivesse ouvido a pequena comoção a sua frente.
O corpo dele se balançando pelo choro ainda era notado por Momo e ela finalmente se viu relaxar, sabendo que poderia prestar atenção nele agora, sem se preocupar com o vilão.
Seja lá como Aizawa tivesse encontrado aquele lugar, o importante é que Dabi estava sendo controlado. E eles não estavam mais sozinhos.
Momo se abaixou novamente, abandonando o escudo e voltando sua atenção completamente para Shouto.
Ao longe, ela ouviu Aizawa gritar alguma coisa para outros heróis profissionais que logo foram invadindo o lugar, rendendo Dabi e socorrendo Endeavor atrás deles, mas nada daquilo importava mais para a garota.
— Acabou, Todoroki-san, acabou — Yaoyorozu colocou a mão no ombro de Shouto, tentando acalmá-lo, mas de nada adiantou, era como se o fato de Aizawa ter aparecido não fizesse nenhuma diferença — Você está ferido? O que aconteceu?
Ele não parecia estar ferido, não muito, pelo menos, mas Momo não pode deixar de perguntar, preocupada. Ela não entendia a situação, mas independente disso seu coração estava apertado por vê-lo assim. Por vê-lo assim e não saber o que fazer para acalmá-lo.
Então, tudo o que fez no momento foi erguer seus braços para o corpo dele, envolvendo-o em um abraço firme, como se quisesse naquele gesto tirar dele toda a dor que sentia no momento.
Yaoyorozu nem sentia mais seus próprios ferimentos em meio à situação, como se a adrenalina e a preocupação do momento tivessem tirado seus pensamentos de qualquer outra coisa que não fosse Todoroki.
E ela se viu controlando suas emoções, sentindo o choro entalado na garganta somente por vê-lo daquele jeito.
Shouto sempre foi tão forte, sério e destemido, mas naquele momento estava completamente quebrado, vulnerável. E não saber o motivo tornava tudo ainda pior para ela, mas apesar disso, sentiu que não deveria insistir em uma explicação.
Deveria apenas estar ali por ele. Mostrar que, seja lá o que tivesse acontecido entre ele, Endeavor e possivelmente o vilão, Shouto tinha ela ao seu lado — sempre teve.
— Eu estou aqui — Momo se viu sussurrando para o garoto, a voz fraca e trêmula por ainda segurar o choro — Eu não sei o que aconteceu, mas você não está sozinho, nunca vai estar… eu estou aqui.
Ele não disse nada, mas não se afastou também. Então Yaoyorozu continuou repetindo aquilo, tentando, de alguma forma, acalmá-lo e se acalmar também.
Ela não soube quanto tempo se passou com os dois naquela posição. Provavelmente não tanto quanto parecia, afinal logo alguém os chamou de perto. A voz familiar não deixou dúvidas de quem era, apesar de Momo não erguer a cabeça para encará-lo, não ainda.
— Yaoyorozu-kun! Todoroki-kun! — Era Iida, claro. Com sua individualidade, ele foi o primeiro a alcançá-los, enquanto os heróis ainda lidavam com Dabi, tomando cuidado para sua individualidade não ser reativada.
Iida, que ia se aproximando ainda mais do casal, ao ver como se encontravam, ele parou, surpreso.
Surpreso por ver que Todoroki, nos braços de Yaoyorozu, estava chorando.
Todoroki, que quase nunca demonstrava emoções, mas que tinha um coração enorme e sempre estava pronto para ajudá-lo.
Todoroki, que sempre se mantinha forte em relação a tudo.
— Iida, para trás! — Aquela voz séria foi o que finalmente o fez se mexer. Iida se afastou obedientemente, embora ainda atônito, dando espaço para Aizawa tomar a frente.
O professor parecia mais preocupado do que realmente nervoso por terem quebrado todas as regras do colégio para estarem ali. Ele se agachou diante de Todoroki e Yaoyorozu, tocando no ombro da garota com cuidado, fazendo-a finalmente erguer a cabeça, sem se separar completamente de Todoroki.
— Yaoyorozu, Todoroki, vocês estão bem?
— E-eu estou, mas… — Ela não precisou terminar de responder, Aizawa entendeu, é claro. Ele lançou um olhar para o estado em que Todoroki se encontrava, com os braços em volta de Momo.
Ele tinha se acalmado um pouco e em algum momento durante o abraço da garota, havia retribuído o gesto e se aconchegado no corpo dela enquanto chorava. Os braços rodeavam sua cintura e a cabeça escondida em seu peito.
Momo olhou ao redor, percebendo que Endeavor estava sendo levado — ainda inconsciente — pelos demais heróis, Hawks entre eles, parecendo bastante perturbado.
— Estão cuidando dele, ele vai ficar bem — Aizawa falou, percebendo para onde Yaoyorozu olhava — Vamos, precisamos cuidar de vocês também. Todoroki, você está bem? Consegue se levantar?
Todoroki não respondeu e Aizawa não insistiu por enquanto, erguendo o braço para ajudar Yaoyorozu a se colocar de pé.
E ela começou a se mover do chão, soltando Shouto para se erguer, mas ao iniciar o movimento, sentiu as mãos dele em sua cintura se apertarem ainda mais, não deixando com que ela se levantasse. Como se implorasse silenciosamente para que a garota ficasse ali com ele.
Ela firmou o abraço ao redor dele então, aproximando sua boca do ouvido de Shouto.
— Todoroki-san, eu não vou te deixar... — ela murmurava baixinho apenas para ele — mas precisamos ir.
Ele ainda não se moveu, com a cabeça enterrada em seu peito, de modo que ela continuou falando.
— Logo vamos descobrir se seu pai está bem... e eu estou com você, eu estou do seu lado, lembra? Por favor, Todoroki-san, seja forte, você consegue!
Aquilo pareceu despertar um pouco Shouto.
— Dabi… — murmurou, finalmente erguendo o rosto e olhando para ela.
Seus olhos, antes aparentando tanta neutralidade, estavam banhados em preocupação e aquilo confundiu ainda mais Momo.
Principalmente porque a pergunta de Todoroki não foi direcionada ao seu pai e sim ao vilão. Ao vilão que até pouco tempo atrás Todoroki parecia ter desistido de enfrentar, parecia ter se rendido e aceitado a derrota.
Então Yaoyorozu não disse nada, mais perdida do que nunca, mas sabendo que aquele ainda não era o melhor momento para insistir em entender a situação, não quando ele finalmente tinha falado alguma coisa e parado de chorar.
— Ele já foi levado pelos outros heróis, não vai fazer mais nada contra você, fique tranquilo — Aizawa quem finalmente respondeu, fazendo com que a atenção de Shouto fosse para o professor, como se só naquele momento tivesse notado sua presença.
— Eu preciso vê-lo — falou, sua voz soando mais determinada do que antes. Ele soltou os braços que ainda estavam ao redor de Yaoyorozu e parecia pronto para se levantar e ir ao encontro do vilão.
Mas Aizawa colocou a mão em seu ombro, firme.
— Ele não vai a lugar nenhum, poderá vê-lo depois que tirarmos todos vocês daqui — Ele o acalmou, lançando um olhar para Momo que se levantava — Precisamos cuidar de vocês primeiro.
Todoroki pensou em insistir, mas sua determinação vacilou quando Yaoyorozu se colocou de pé e quase caiu em seguida.
Foi então que ele finalmente percebeu os outros a sua volta.
Momo, que até então esteve ao seu lado, o confortando, apresentava o corpo ainda mais coberto de ferimentos do que ele, o cansaço nítido em seu rosto. Provavelmente estava se esforçando muito para conseguir se manter firme com os dois pés no chão. Ao seu lado, Iida não parecia estar tão mal, mas estava tenso. Além disso, os outros amigos ainda não tinham aparecido, o que não poderia ser um bom sinal.
Shouto havia colocado todos eles nessa situação. E apesar do que tinha acontecido há pouco com seu pai... e seu irmão, a culpa caiu sobre seus ombros quando pensou nos colegas de classe.
Então, só por isso, ele se levantou e permaneceu em silêncio, deixando-se ser guiado pelo professor.
Não sentia mais vontade de chorar, mas o nervosismo, a inquietação, estava mais presente ainda dentro de si. Mais do que quando viu Endeavor sendo sequestrado pela televisão.
Só que dessa vez Shouto realmente não sabia o que fazer, muito menos o que pensar.
Uma parte dele queria ver Dabi. Não, Touya. Mas e então? O que falaria quando o encontrasse? Como agiria? Shouto não tinha a menor ideia.
E o pior é que uma pequena parte de si ainda se preocupava com seu pai. Mesmo depois de tudo… ele ainda queria saber se o homem estava realmente bem. Mas apesar de se preocupar, não tinha tanta certeza de que queria encará-lo naquele momento.
Uma confusão de sentimentos passava dentro de si.
Ainda em choque. Ainda absorvendo tudo. Mas também com preocupação, com raiva.
E com medo.
•••
Aizawa e Iida guiaram os dois estudantes para fora daquele labirinto de salas que tinham entrado.
O túnel de metrô mais iluminado por onde vieram mais cedo finalmente foi visto e Yaoyorozu não pode conter a surpresa ao perceber que o lugar estava um caos ainda pior do que o interior das salas onde enfrentaram os vilões.
Ela não fazia ideia do que tinha acontecido por ali, mas com certeza tinha sido algo feio.
Parte do teto daquele corredor extenso estava ao chão, a luz do amanhecer do sol clareava ainda mais o ambiente bastante destruído.
Yaoyorozu não soube dizer se Todoroki ao seu lado pareceu perceber a situação, mas se percebeu ele não falou nada e muito menos demonstrou qualquer surpresa, olhando com uma reação apática para um ponto a sua frente enquanto Aizawa andava um pouco mais distante, ainda os guiando.
— Iida-san… os outros estão bem? — Momo perguntou, se dando conta que aquela era a primeira vez que pensava neles.
Não era sua intenção ignorar seus amigos — jamais —, mas a situação que se metera ao enfrentar a vilã e depois tudo envolvendo Todoroki tinha feito com que a garota esquecesse momentaneamente que os outros também enfrentavam problemas.
— Kirishima-kun e Midoriya-kun estão sendo cuidados — Iida esclareceu, parecendo desconfortável — Bakugou-kun está melhor que eles, mas todos vão ficar bem.
Como se fosse uma deixa para aparecer, assim que subiram as escadas do metrô, direto para a avenida de Kyushu, Bakugou surgiu diante deles.
Ele estava com a roupa rasgada em alguns pontos e ambas as mãos enfaixadas, além de pequenos cortes por todo o seu corpo, mas parecia melhor até mesmo do que Momo.
— Deku e Kirishima estão indo para o hospital — Ele disse para o professor, olhando para os colegas logo depois — é melhor irem também.
Nenhuma provocação, nenhuma reclamação. Até mesmo Bakugou estava em seu limite.
E ninguém falou mais nada, apenas o acompanharam até uma ambulância que estava parada não muito longe dali. O lugar estava todo cercado por faixas policiais, embora não houvessem muitos cidadãos curiosos, tendo em vista que o dia apenas começava a amanhecer.
Depois disso, o dia passou como um borrão para Todoroki e até mesmo para os demais estudantes.
Eles foram separados quando chegaram ao hospital mais próximo, onde Kirishima e Midoriya já se encontravam. Enquanto Todoroki e Yaoyorozu iam sendo atendidos, cada um em uma sala, os outros iam sendo interrogados pela polícia.
Aizawa transitava entre as salas, procurando se informar melhor também, embora nem ele e nem os policiais tivessem conseguido muita coisa de Shouto.
Ele apenas respondeu de forma curta e breve aos questionamentos.
Sim, tinham ido ao resgate de Endeavor.
Sim, tinham encontrado o esconderijo.
Sim, tinham sido atacados e separados.
Sim. Sim. Sim...
As broncas dos policiais por ter agido de forma imprudente entraram e saíram pelo ouvido do garoto. Aizawa não disse nada, sabendo melhor do que os outros que aquele não era o momento para chamar atenção do estudante. Tinha algo errado com Todoroki, ele o conhecia o suficiente para perceber isso.
Shouto estava apático, como se nada ao seu redor realmente importasse.
Apenas quando tinha uma chance, ele se virava para o professor e os policiais e perguntava aonde Dabi estava.
“Está preso”
“Você está seguro”
“Não se preocupe”
Eram sempre as respostas dos policiais. Vagas, até mesmo quando Shouto insistia que desejava vê-lo.
É claro que não deixariam.
Provavelmente se revelasse o fato de que aquele era seu irmão, a história seria diferente. Mas Shouto não quis fazer isso, pelo menos não ainda. Não quando ele mesmo estava tendo um momento difícil tentando absorver tudo.
Além disso, antes de tudo ele precisava falar com o restante de sua família sobre Dabi. Pelo pouco que tinha conhecimento, Fuyumi, sua mãe e provavelmente Natsuo ainda acreditavam que Touya estava morto.
Será que Endeavor também tinha acreditado nisso ou tinha escondido a verdade deles?
Shouto não tinha certeza se queria a resposta daquela pergunta.
Então, depois de quatro longos e estressantes dias envolvendo hospital, viagem de volta para casa e ter que lidar com mais perguntas dos policiais, Todoroki finalmente conseguiu se ver livre de tudo.
Alguns de seus amigos, no entanto, ainda ficariam no hospital por pelo menos mais um dia ou dois, como era o caso de Midoriya e Kirishima, mas eles estavam bem — ou ficariam, com o tempo. Apenas precisariam de um descanso maior, principalmente depois de Recovery Girl trabalhar em ambos os garotos.
E agora que finalmente estava livre, Shouto se limitou a dizer para Yaoyorozu e Bakugou irem para o colégio sem ele. Ainda não era a hora de retornar e, pela primeira vez desde que ficou sabendo da história de Touya, Shouto havia definido o que fazer.
Ele sabia que ainda não o deixariam visitar Dabi e ainda não era o momento de comprar essa briga com os policiais.
Então Shouto decidiu que realmente precisava conversar com sua família. Sua mãe ainda estava internada, mas já estava bem o suficiente para poder discutir aquele assunto e ele não estava disposto a esconder a verdade dela e nem de seus irmãos.
Por isso, Shouto apenas se viu saindo de um hospital para entrar em outro assim que pôs os pés em Tóquio.
Ele andava pelos corredores já tão familiares daquele hospital, tendo em vista que já passara inúmeras vezes por ali, não demorando a encontrar a porta do quarto aonde Todoroki Rei estava instalada.
Shouto tocou a maçaneta da porta, pronto para virá-la e encarar sua mãe, com a verdade de seu irmão já em sua boca para ser dita.
No entanto, ele parou com a mão ainda na maçaneta, sem girá-la, ao ouvir a voz de Rei do lado de dentro, aparentemente conversando com alguém.
— Ele… está vivo?
Shouto não esperou pela resposta da outra pessoa, seja lá quem estivesse ali dentro, decidindo por fim abrir a porta. Do lado de dentro não estava apenas Rei, como também seus irmãos, Natsuo e Fuyumi, e — para sua surpresa — o herói Hawks, que mantinha uma expressão séria em seu rosto que sempre fora tão iluminado diante das pessoas.
— O que você está fazendo aqui? — Shouto perguntou, ignorando a reação de choque que se passava pelo rosto de sua família com a notícia que Hawks havia trago. Àquele ponto, ele apenas podia supor que Enji havia contado a história toda para Hawks, o que provavelmente deveria irritar Shouto, tendo em vista que o pai não havia aceitado nem mesmo a sua visita no quarto em que estava internado. No entanto, ele estava mais curioso do que qualquer outra coisa. Por que Enji havia confiado aquilo a Hawks? O que ele estava planejando fazer?
— Endeavor me enviou — Hawks respondeu exatamente o que se passava pela mente de Shouto. O herói se virou para Rei, ainda mantendo a postura séria — E sim, ele está vivo, nós descobrimos que o vilão que usava o nome de Dabi é na verdade seu filho.
— Mas… como… — Fuyumi balbuciou, enquanto Rei colocava a mão no rosto, tentando controlar em vão os sentimentos, as lágrimas que começavam a cair ao pensar em seu filho mais velho.
Natsuo permanecia em silêncio, provavelmente ainda absorvendo a notícia.
— Não sabemos como, mas de algum jeito ele planejou a própria morte — Hawks suspirou, colocando a mão nos cabelos loiros — De qualquer forma, ele já se encontra sob custódia. Não se preocupe, nós não pretendemos fazer nada de mal a ele.
— Então o que vocês farão? — Shouto perguntou, sentindo a irritação começar a surgir de dentro dele — E por que meu pai não está aqui? Por que enviou você no lugar dele? Por que ele ainda está fugindo e se escondendo de toda a merda que criou?
Hawks lhe lançou um olhar cansado, o que não facilitou em nada para Shouto se acalmar. Ele apertou os punhos e olhou determinado para o herói, deixando claro que era bom ele lhe dar respostas diretas, pois se Hawks estava cansado, Shouto estava muito mais com toda aquela situação.
— Vamos, se acalme — O outro falou, levantando as mãos — Eu vou te dar as respostas assim que for a hora… espera, que horas são? — Ele indagou de repente, olhando o relógio que estava na parede oposta à cama de Rei — Oh, merda, já deve ter começado! Com licença… — E Hawks se aproximou da pequena televisão acima de uma mesa de canto no quarto, ligando-a e colocando em um canal de notícias.
Shouto estava prestes a abrir a boca e, de canto de olho, ele viu Natsuo dar um passo à frente, também pronto para começar a falar alguma coisa, no entanto a voz que veio da televisão os parou antes mesmo que fizessem alguma coisa.
— … diante disso, eu estou oficialmente me aposentando do cargo de herói para me focar exclusivamente aos cuidados da minha família… — Endeavor falava no que parecia uma coletiva de imprensa, seu rosto piscava com os flashes das câmeras e ao dizer aquilo inúmeros repórteres perguntavam desesperadamente por mais detalhes.
— O que ele está fazendo? — Fuyumi quem conseguiu perguntar enquanto assistiam, ganhando um “silêncio!” de Hawks, que aumentava o volume da TV.
— Você quer dizer que não sabia esse tempo todo que seu filho estava vivo? — Alguém da imprensa perguntou, embora a televisão não tivesse desviado do rosto de Endeavor nem por um segundo.
— Eu só soube recentemente, em nosso último confronto, e é por isso que decidi tomar essa medida. Não posso mais continuar como um herói depois do que aconteceu com a minha família.
— E o que você fará com ele agora, Endeavor?
— Mas a culpa dele se tornar vilão foi sua?
— Sei que não há muito o que fazer agora, mas é por estar assumindo a responsabilidade dos atos de meu filho é que decidi encerrar as minhas atividades como Herói. Dabi irá responder nos termos da lei, é claro, e eu estarei de agora em diante ajudando a minha família e isso inclui ele. Peço desculpas por tudo o que eu e o vilão intitulado como Dabi causamos à sociedade, estou disposto a pagar por tudo.
As perguntas da imprensa continuaram, agora tomando foco para a situação da população perdendo mais um importante herói e como Hawks seria classificado, pelo menos por hora, com a posição de herói número um de todo o Japão.
Endeavor falava, assegurando a todos, que estariam em boas mãos e Hawks era bastante capaz, mas nada disso importava mais para os Todoroki que assistiam à televisão.
— É por isso que eu não respondi a sua pergunta, garoto — Hawks falou para Shouto, dando um sorriso fraco.
E novamente em poucos dias Shouto se viu surpreso demais para ser capaz de dizer qualquer coisa. Ao menos dessa vez, ao notar pelo silêncio dos demais no pequeno quarto, ele não estava sozinho naquela situação.
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