Ultima Carta
1 Capítulo 1
Notas iniciais
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Boa leitura!
Ela era perfeita. Sua pele alva, seus cabelos loiros, seu corpo esguio e bem talhado, nada como aqueles corpos malhados de academia, mas era algo natural, bonito de se ver. Eu a achava perfeita, bela ao natural. Ela não se achava bonita, muito menos se via do mesmo modo que eu a via.
Ela tinha problemas em casa, muitas vezes chegava chorando na escola, sua mãe a maltratava, não lhe dava atenção. Ela andava com algumas más companhias. Bebia, matava aula, as vezes fazia tudo o que eu mais repudiava, mas eu não conseguia deixar de ama-la.
Eu sabia tudo isso sobre ela, apenas observando a, em alguns casos, sem querer, ouvia conversas de seus amigos na escola, alguns queriam realmente ajuda-la, mas ela parecia não querer ser ajudada, parecia que não tinha mais amor a si.
Eu a amava, mesmo com todos os seus defeitos. Mas acima de tudo, eu amava suas qualidades. Seu jeito amoroso e carinhoso de ser, seu modo doido de agir, sem se preocupar com o que os outros irão pensar apenas viver. Mas acho que isso não foi o suficiente. E mesmo assim eu ainda a amava.
Quando eu a via chorar, sentia que todo o meu mundo — que também era o dela, de alguma forma, mesmo que ela não soubesse – desabava. Eu queria protege-la de todo o mal do mundo e de tudo o que pudesse machuca-la. Eu a amava.
Mas tudo o que me restava era observa-la de longe, pois ela quase não me percebia, e quando o fazia, eram os momentos que eu abria os maiores sorrisos, meu coração acelerava, eu suava frio, principalmente quando ela me abraçava.
Naquela época ela parecia feliz, pelo menos era o que eu achava, ela estava sempre sorrindo, brincando, sabia que ela estava quebrada, despedaçada por dentro, mas eu não podia fazer nada, apenas observa-la, do mesmo modo que eu fazia todos os dias, durante a maior parte do tempo, eu queria abraça-la, dar lhe amor, carinho, tudo o que ela precisava pra se por de pé de volta, mas eu não podia, ela mal sabia de minha existência. E ainda assim eu a amava.
Até o dia em que tudo se despedaçou de vez. Ela não ia para a escola fazia semanas, e quando aparecia, ela se mostrava cada vez mais em pedaços. Eu queria reconstruir seu coração e alma despedaçados, mas não sabia nem os motivos. Eu a estava perdendo, sem nem mesmo a ter. Quando eu via suas lagrimas descerem seu rosto, e sem que ninguém percebesse ela limpava, eu sentia meu mundo ruir, desmoronar. Eu só queria protege-la.Eu a amava.
Não a via, ou tinha noticia dela fazia uma semana, que para mim pareciam ser um ano,quando a bomba veio, ela havia se matado. Não havia tirado a própria vida, pois ela já estava morta por dentro, mas as pessoas não haviam reparado. Eu a amava
Não sabia como me sentir. Não sabia se me sentia feliz, por ela estar segura, em paz, e espero assim, feliz finalmente. Ou se me sentia triste, por ela ter ido embora, me deixado – quando na verdade, nunca foi minha. Mas ainda assim eu a amava, e agora ela estava em paz, protegida.
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