Uivar Dos Lobos
1 Apenas Um Sorriso...
Notas iniciais
"Por que será que quando um homem constrói uma parede, o homem seguinte precisa imediatamente saber o que está do outro lado?" (Tyrion Lannister)
Jon se lembrava de Arya, naquele momento o que mais desejava era ter a companhia da meia irmã, que era uma das poucas pessoas que o amava mesmo sendo bastardo, Tyrion havia lhe advertido pouco antes de chegarem a Muralha, lembrava claramente de suas palavras: " Você é esperto demais para acreditar nisso. A Patrulha da Noite é uma pilha de estrume para todos os inadaptados do reino. O vi olhando para Yoren e seus rapazes. São aqueles seus novos irmãos, Jon Snow, o que acha deles? Camponeses mal humorados, devedores, caçadores, furtivos, violadores, ladrões e bastardos como você acabam todos na Muralha, à espreita de gramequins e snarks e todos os outros monstros contra os quais sua ama de leite lhe preveniu. A parte boa é que não existem gramequins nem sarks e, portanto, o trabalho pouco perigo oferece. A parte ruim é que por causa do frio se torna estério, mas, seja como for, não está autorizado a se reproduzir, suponho que isto não importe".
Doía ver o treinamento que Sor Alliser Thorne oferecia a Jon e os outros, Pypar nem sequer sabia empunhar uma espada, e Grenn nem aguentava Halder! Estava mais que claro que Jon era melhor que os outros, e desde começou a ajudar Grenn; Halder e Pyp (apelido de Pypar) aceitaram sua ajuda.
Grenn já aguentava Halder e Pyp já empunhava a espada... era um começo... após algum tempo, Jon até poderia se referir a alguns deles como irmãos, porém a saudade de Arya ainda lhe atormentava.
Era noite e Jon estava em seu turno de vigia, até que por mais indesejada que fosse, foi tomado por uma súbita curiosidade, e sem permissão, desceu e ultrapassou o grande portão que separava os dois lados, quanto aos guardas, não conheciam Jon, e claro que não recusaram algumas moedas em troca, ainda mais com uma pequena parcela de ajuda de Fantasma, que Jon permitira que o seguisse. Caminhou um pouco antes de adentrar na mata, ela era densa, como um véu sobre a cabeça de Jon, não havia nenhum ruído, parecia inabitada, exceto por algumas sombras, que o assustava cada vez mais.
Aos poucos foi ouvindo alguns ruídos, eles o incomodavam, sentia uma angústia, e quase podia ouvir com clareza as palavras ao vento, palavras que nunca foram ditas por motivos os quais Jon desconhecia.
Por um momento pensou que não se passava de um sonho, mais logo afastou a ideia, Fantasma estava ali com ele, e disso Jon tinha certeza. Respirou fundo e continuou a andar, caminhava levemente, mesmo sabendo que não havia ninguém ali, talvez para respeitar o silêncio, talvez por pura tolisse, ele nunca poderia responder esta pergunta.
Jon ouviu uma agitação ao longe que em uma fração de segundos estava a poucos metros de distância, ele ouvia, porém não via.
Fantasma uivou alto, sozinho, ele virou a cabeça para ver o lobo, porém se deparou com dois olhos azuis e teve de segurar a vontade de gritar, havia a poucos centímetros dele, entre o rapaz e Fantasma, era como uma sombra, alta, descarnada e dura, com os ossos velhos e uma carne pálida como leite. Sua armadura dava uma leve impressão de mudar de cor quando se movia, em um momento branca como neve, em outro negra como sombra, e haviam momentos em que parecia se misturar a cor cinza esverdeado das altas árvores da Floresta Assombrada, porém o que mais encantava Jon, eram seus olhos, azuis, vazios, como se algum dia houvessem conhecido a vida, ao invéz da incômoda sensação de solidão que eles passavam, recordou por um momento de algo que seu pai havia ensinado a todos seus filhos "Se tirar a vida de um homem, deve olhá-lo nos olhos e ouvir suas últimas palavras".
Ouviu o conhecido som de uma espada sendo desembainhada, Jon fez o mesmo e investiu contra o que suspeitava ser um Outro, ele bloqueou e o atacou com movimentos até então desconhecidos pelo rapaz, a rapidez dos movimentos do inimigo fizeram Jon recuar, e em uma agilidade desumana, foi imobilizado.
Os olhos pareciam lhe dizer com uma voz áspera: "Suas últimas palavras", Jon olhou em volta, Fantasma não avançara contra o inimigo, talvez até mesmo seu lobo fosse mais sensato do que ele... isso ele nunca descobrira, "Arya" pensou, lembrou-se de seu sorriso, se pudesse vê-lo de novo... apenas um sorriso... sentiu a espada gelada adentrar em seu corpo e o sangue quente que havia em suas veias ser substitído pela carne fria e vazia de um Outro, suas últimas lembranças foram do uivo de Fantasma que esteve com ele até o último mísero segundo de sua vida e de um inevitável sorriso que se formou nos lábios do rapaz, ele sabia que havia escolhido corretamente sua última palavra, e aos poucos, a vida fugiu do alcance de Jon.
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