Uivadores
1 O Despertar da Garota
Notas iniciais
Quando a encontraram, se mostraram surpresos. Com roupas maltrapidas e sangue por toda parte, dormindo ao lado de uma das vítimas.
“12 anos, sério mesmo?” perguntava o delegado, indignado.
Os legistas retiravam os corpos, um por um. Podia-se sentir o cheiro do sangue à distância. Ainda se ouvia as crianças chorando na casa vizinha.
A garotinha abriu os olhos, esfregou-os e bocejou.
“Quem são vocês?”, sua voz era delicada e calma.
O delegado nada respondeu, balançou a cabeça em forma de negação e saiu da casa.
Olhou-a, um dia fora uma linda casa, porém, hoje estava completamente condenada. Ouviu um barulho ensurdecedor vindo de dentro da mesma, voltou correndo para a sala onde estava e lá encontrou aquela cena. Nunca pensou ver algo tão assustador assim.
A garota estava de pé, chorando com o cabelo em seu rosto, um choro agonizante. Todos, que antes estavam dentro da casa, agora estavam mortos, seus corpos mutilados e espalhados por todos os cantos. Sangue escorria das paredes, do teto, e de todos os lugares imagináveis.
A garota então se silenciou, olhou para o delegado. Uma visão aterrorizante. No lugar de seus olhos havia apenas dois buracos vazios, negros. Sua boca estava com um sorriso ameaçador, repleto de dentes incrivelmente afiados e cobertos de sangue. De trás da menina surgiu uma figura amedrontadora. Uma figura de quatro patas, de corpo esquelético coberto apenas por uma camada do que parecia ser couro em um tom cinza. Seus olhos eram totalmente negros e imensos. Sua cara parecia a de um cão. Seus dentes, assim como os da menina, estavam afiados e cobertos de sangue. Seu corpo trazia marcas negras e muitas cicatrizes.
O delegado olhou-o, aterrorizado, foi andando lentamente para trás e encostou-se a uma parede. Escorregou escorado a ela até o chão, se sentou. A figura quadrúpede foi andando, em passos pesados e barulhentos, até o homem, ficou cara a cara com o mesmo, olhou em seus olhos e em um instante abocanhou sua cabeça.
A menina chorava enquanto a figura destroçava o pobre homem, e quando acabou, a criança subiu no quadrúpede acinzentado e os dois agora vagam pela noite, podendo apenas ouvir seus uivos...
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