Notas iniciais
Oi, oi! Há quanto tempo não posto uma história por aqui, hein? Bom, essa foi uma experiência totalmente nova, nunca tinha escrito algo nesse estilo (fiquei até com receio de pôr como Angst, porque não tinha certeza se eu realmente havia conseguido causar um desconforto com essa narrativa hehe)
Espero que gostem! Boa leitura ♥

Olho para a tela do celular e vejo que o motorista já está chegando para me buscar. Hora de dar uma última checada: cabelo está bom, maquiagem não está borrada e a roupa nova coube perfeitamente. Puxo a saia para baixo e a blusa mais pra cima pois não quero que dê a entender que estou fazendo um convite, além disso, não passo o batom vermelho. Pego uma caneta com a ponta afiada — pelo menos me parece afiada — e seguro firme na mão. Olho de novo para o aparelho e o motorista está lá fora. Percebo minha mão tremendo e respiro fundo, indo em direção ao carro.

Com um sorriso excepcional entro no carro desejando uma boa noite ao homem. Ele retribui com a mesma educação e pergunta para onde vou, mesmo já sabendo a resposta. Digo o nome do clube e fecho a porta. Agora é apenas eu e ele. Olho pro vidro e percebo que é fumê: ninguém consegue ver o que se passa aqui dentro e meu coração começa a acelerar. Aperto com mais força a caneta na minha mão.

Ele me oferece uma bala, de uva, minha preferida. Recuso com um sorriso, falando que estou bem. Ele insiste, esse é o momento que começo a crer que realmente tem algo a mais naquele doce: algo para me dopar; algo para me deixar sonolenta; algo para me apagar de vez... Recuso novamente, o que o faz guardar o bombom. Respiro mais calma agora.

O carro para no sinal vermelho. A rua está movimentada, isso é um bom sinal! Se eu gritar, irão escutar. Fecho mais as pernas e percebo que o motorista dá uma olhada em mim pelo retrovisor. Engulo em seco. Ele tenta puxar assunto: "Estuda?", "Faz faculdade?", "Viu a chuva de hoje?". Tento ser o mais monossilábica possível, sem perder a educação e o sorriso no rosto. Sinal verde, ele aperta o acelerador. Talvez tenha percebido que eu não ia responder muita coisa. Ele não precisa saber da minha vida.

Morar em cidade grande sempre vai ser um problema devido a distância de um local para o outro. Nunca sei se ele realmente está indo para onde eu pedi ou se ele está tentando fazer algum "atalho". Olho novamente para fora e percebo o número de movimento na rua diminuindo, isso não é bom sinal e os pensamentos voltam. Para onde ele está me levando? Algum local com ninguém por perto? Se eu gritar alguém vai escutar? Se eu ligar agora pra alguém, vai ter sinal? Ele vira em uma rua na direita e reconheço o lugar. Ele está seguindo o caminho certo. Respiro fundo e me afundo no banco. Eu só quero chegar logo.

Pego meu celular e penso em colocar a tática do despertador para fingir que meu namorado está preocupado me esperando no local, mas ele realmente está no caminho certo, talvez não seja necessário. Minha amiga enviou mensagem, perguntando se estava tudo bem e se eu já estava indo. Respondi que sim, que havia pego um Uber e logo chegaria. Ela ficou mais agitada e pediu para tomar muito cuidado e que já estava do lado de fora me esperando. Agradeci e foquei em tentar manter a calma.

A caneta continuava na minha mão, eu nem percebi o quão forte eu a segurava até que vi as pontas dos meus dedos brancos. Afrouxei um pouco, acho que hoje ela não será necessária. Olhei o GPS na minha frente e sorri: faltava apenas um quarteirão. Mas o homem dobrou em outra rua e o desespero todo voltou. Por que ele fez isso? Pra onde estava indo? Aquele não era o caminho indicado!

— Sabia que aquela rua está interditada por conta de construção? Mais outra obra da prefeitura. Acho que nunca se cansam de inventar coisa nova — Ele riu. Me esforcei pra soltar uma risadinha e concordar. Então o caminho estava certo! Realmente não seria hoje que a caneta seria necessária.

Ele dobrou novamente e finalmente vi as luzes conhecidas. Meu coração pulou, mas dessa vez era de felicidade. Paguei a viagem, dei boa noite e fechei a porta. Olhei para minha amiga, vi seu sorriso e ela viu o meu. Eles significavam a mesma coisa.

Cheguei viva.

Notas finais
Obrigada por ler até o final ♥
Se puderem deixar um comentário, vou amar!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!