Túnel

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Eu quis fazer minha homenagem para o jogo que eu venho jogando há cinco anos, mas não sabia exatamente como fazê-la. Acabou que escrevi esse texto no meio da aula e resolvi postá-lo. Obrigada por lerem!

A luz ainda estava distante, mas se aproximava a medida que Sieghart dava passos pelo túnel sujo, cheio de lodo, ratos, insetos e alguns monstros que vez ou outra tentavam atacá-los.

Várias perguntas rodavam a mente do gladiador. De onde ele havia vindo? Qual era o seu propósito? Por que ele estava se esquecendo de tudo dia após dia? Perguntas sem respostas já que, em pouco tempo, ele se esqueceria até mesmo do próprio nome.

Parou de olhar para os seus pés e observou o que estava ao seu redor. A cavaleira de cabelos vermelhos, como sempre, tomou a frente do grupo e os dirigia solitária para a luz fraca. Ela não olhava para trás e deixava a cabeça alta. Sieghart sabia que ela estava amuada e tremendo, porém tentando manter a pose altiva que tinha batalhado tanto para conseguir impor.

Ryan carregava Arme em suas costas. A maga havia tentado diversos feitiços para livrar a Grand Chase daquele lugar e acabou totalmente cansada, sem obter sem muitos resultados. O elfo não suportava ver a menor ter que se arrastar pelo túnel naquele estado e a fez subir em suas costas, carregando-a sem muitos esforços.

Lire, Holy, Ronan, Amy e Jin estavam reunidos no meio do túnel, andando em silêncio e com passos ritmados. Mais afastado, Lass observava a arqueira com um olhar que demonstrava preocupação. Do outro lado do túnel, o mais distante possível dele, se encontrava aquele caçador de recompensas que já havia esquecido o nome.

Mari estava ao seu lado, com o rosto denunciando a falta de esperança em sair daquele lugar, e Lin passava o braço pelos ombros da tecnomaga em um ato de conforto.

Um pouco atrás de Elesis, Rey e Dio andavam lado a lado, com a asmodiana reclamando do mau cheiro do lugar, infestado de ratos mortos. Atrás de todos, o rapaz da Grandark não parecia olhar para nada e nem ninguém. A moça do florete tentava acompanhar o grupo, mas o cansaço a dominava.

Engoliu o seco da garganta. Estava com sede. Aos poucos, também se esquecia de como era a sensação de saciar a necessidade de algo líquido.

A cada passo, se esquecia de algo. Se esqueceu dos pais, da cidade em que passou a infância, dos inimigos que combateu, das mulheres com quem se deitou, da maldição que o dominava, dos momentos felizes na Grand Chase...

Todos sabiam: a luz daria não só ao fim do túnel escuro. Eles sorriam uns para os outros, em um ato de assegurar um falso conforto. Um “vai ficar tudo bem” enquanto não iria.

O imortal estranhou o toque em sua mão, até perceber que Elesis estava segurando-a de forma carinhosa, do mesmo jeito que faziam quando os dois estavam sozinhos. Eles sempre davam as mãos antes de se amarem.

A espadachim sorriu, demonstrando todo o peso que carregava consigo desde sempre. Oh, aquele sorriso doloroso era a pior coisa que Ercnard poderia ter visto em todo o mundo. Elesis desabava e desistia de tudo com aquele ato. Ele retribuiu o aperto na mão e entrelaçaram dedos. Olharam para frente e seguiram para a luz cada vez mais próxima.

Enquanto segurasse a mão de Elesis, Sieghart não se esqueceria de mais nada.

Notas finais
#LongLiveTheChase
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!