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3 Laços
Notas iniciais
12 anos para o fim
Uma escola de Konoha, acessível apenas para aqueles de classe alta, avisa o término das aulas para os alunos com um sinal estridente. Aqueles designados para a faxina da classe lamuriam, uma tarefa difícil em uma sexta-feira. Aqueles livres despedem-se de seus colegas na frente do portão, ansiosos por mais um fim de semana.
— Sakura, vamos comer alguma comida nas barraquinhas – O loiro junta as mãos em um pedido e faz sua carinha mais irresistível – Vamos, por favorzinho!
— Eu só vou se o Sasuke for – Os dois olham em expectativa para o moreno que só vira o rosto em uma clara resposta, fazendo com que tombassem sua cabeça para frente em desolação – Já sabe sua resposta.
— Como se já não soubesse a reposta desse idiota – Ignora prontamente o olhar raivoso do Uchiha e continua – Eu iria de qualquer forma mesmo, sozinho ou não.
— Tanto faz – O moreno vira de costas para os amigos e com um breve aceno em despedida – Hoje não posso de qualquer forma.
Seus passos tornam-se apressados até o carro luxuoso estacionado recentemente. O dia tão esperado por si chegou e a vontade rara de estar em casa somente cresce com a aproximação do carro. Sua desatenção causada pela ansiedade cega-o para nem notar a presença de outra figura no carro além de motorista, fazendo-o fechar a porta com força além do normal.
— Sasuke Uchiha, modos – Até seu último pelo do corpo arrepia-se com a voz tão conhecida pelo mesmo – Não criei meu filho para ser um mal educado.
— Desculpa, pai – Abaixa sua cabeça em sinal de respeito e ajeita devidamente sua mochila – Não farei isso novamente.
— Ótimo – O homem volta seu olhar para o jornal em suas mãos – Um Uchiha sempre deve se portar adequadamente.
— Sim, pai – Responde de modo baixo, sorrindo fracamente para o motorista preocupado que o observa pelo retrovisor – Boa tarde, Kakashi.
— Boa tarde, senhor Uchiha – Apesar da máscara cobrir parte do seu rosto, seus olham deixam claro um sorriso – Hoje irá sair com seus amigos novamente?
— N-
— Está saindo demais com pessoas de classe baixa, Sasuke – A voz intimidadora interrompe a frase do mais novo – Deveria já estar se socializando com pessoas interessantes para nossa empresa.
— Pai, eu tenho somente 14 anos, apenas quero aproveitar um pouco – Reclama para o patriarca da família e treme internamente pelo olhar reprovador que recebeu – Desculpa.
O carro entra em um silêncio claramente desconfortante, apenas o som do motor do carro e comentários para si próprio do Fugaku – patriarca dos Uchihas – sobre as notícias presentes no jornal. Sasuke até tenta um início de conversa com o pai, mas teme por mais uma crítica vinda dele. A relação dos dois tornou-se complicada desde a decisão do irmão mais velho, o herdeiro inicialmente, de não assumir a empresa e a situação incomum do pai utilizando o Kakashi como motorista pouco facilita.
— Sasuke – A voz imponente é ouvida pelo carro e o pequeno Uchiha olha para o patriarca – Como estão suas notas?
— Está entre as melhores da classe, pai.
— Você sempre deverá ser o melhor, Sasuke – O carro para em uma rua e o Uchiha mais velho desce dele, sem antes completar sua frase – Nós, os Uchihas, somos os melhores.
— Eu estou orgulhoso de você, Sasuke – A voz do Kakashi é ouvida após a porta do carro ser fechada – Por suas notas.
— Obrigada, Kakashi – Sorri pouco animado para o homem no banco do motorista – Só queria ser um orgulho para ele, sabe?
— Seja o orgulho para si mesmo, não para os outros.
— Mal espero para chegar em casa – Relembra do motivo da sua pressa para chegar em casa – Faz tempo que ele não vem em casa.
Sem uma resposta de seu motorista para seu comentário, volta a olhar para a janela do carro.
Faz dois anos que o ex-herdeiro da empresa decidiu seguir os estudos na faculdade de jornalismo, contrariando totalmente a opinião de Fugaku. Sasuke sentia falta do seu irmão mais velho apesar de ter sentido raiva por sua partida, compreende melhor – com a pressão de seu pai em si agora – o motivo dele de almejar a liberdade longe da empresa Uchiha e do controle do seu pai. Atualmente, Itachi mora em uma cidade longe do alcance do pai e recusa qualquer ajuda financeira dele, preferindo viver em um apartamento simples com seus amigos e trabalhando em empregos com salários baixos.
A mansão dos principais Uchihas é vista com a aproximação, com seu imponente tamanho e arquitetura, Fugaku fez questão de ter o melhor arquiteto para a construção de sua casa e Yamato foi o único que excedeu as expectativas altas do patriarca. Tinha sua aparência única com seu toque de antiguidade e imponência, a maior casa do condomínio tão requintado.
O herdeiro é devidamente recebido por seus empregados e todos aparentemente preocupados com seu bem-estar e conforto. Gosta da maioria, pois basicamente são eles que o criaram desde pequeno, devido ao tempo escasso de seus pais para cuidar de si. Com a ausência de Itachi, eles tornaram-se as únicas pessoas que tinha uma conversa em casa.
— Senhor Uchiha – Uma idosa aproxima-se do adolescente para beijar sua testa – Seu chá da tarde já está devidamente colocado na mesa.
— Não precisa dessa formalidade toda, Nono – Sorri para a mais velha, conhecia-a desde bebe – Deve estar gostoso se foi você que fez.
— Desse jeito até me deixa honrada, querido.
— Onde o Itachi está? – Pergunta para Nono sorridente e desfaz seu sorriso com a expressão triste da senhora – Nono?
— Ah, meu querido – Ela retira um papel de seu bolso e o entrega para o jovem – O Itachi deixou um recado por telefone para você.
“Desculpa, maninho. O trabalho não folgou de novo. Deixa para uma próxima oportunidade”
O jovem nada diz e tão pouco precisaria falar, pois se tornou recorrente a falta de tempo do mais velho para uma visita. Intimamente desejava que fosse de fato o trabalho atrapalhando, mas poderia ser um afastamento dele do núcleo familiar e, consequentemente, de si. Sabia seus motivos e estes são fortes, porém a figura do irmão tão presentes em sua vida está aos poucos sumindo.
A mesa está farta de comida sendo suficiente para ele e ninguém para o acompanhar da família, é sua rotina diária em casa. Todas as refeições são feitas exclusivamente para ele, pois seus pais jamais tinham um horário definido para essas ocasiões e tão pouco fazem questão de sua presença. Por isso, sempre ia na casa do Naruto para dormir ou conversar.
Afasta a cadeira da mesa, limpa seu rosto com o guardanapo e percorre o caminho já tão conhecido para seu quarto. Entretanto, um barulho irritante de batidas na porta é ouvido pelo moreno.
— Sasuke, abre essa porta – Ouve gritos conhecidos e se aproxima devagar, imaginando quem era – Se não abrir essa porta logo, eu vou quebrar sua cara.
— Desculpa, senhor Uchiha – Uma empregada corre em sua direção, querendo abrir a porta para o convidado, mas é parada pelo moreno com uma mão no seu ombro – Senhor?
— Pode deixar que eu me encarrego desse convidado ilustre – Responde cinicamente com toda certeza de quem seria o convidado tão agressivo – Ele já é da casa.
— Até que enfim – Uma figura loira aparece com a abertura da porta acompanhada de Sakura e várias sacolas – Viemos ficar com você.
— Kakashi veio nos buscar – A rosada aponta para o motorista sorridente – E compramos umas coisas para comermos e assistirmos a noite.
— Achei que fosse comer nas barraquinhas, Naruto – Comenta Sasuke, dando espaço para eles entrarem e se acomodarem – Kakashi é mágico para sua presença ilustre estar aqui.
— Olha, seu retard...
—Mas já que estão aqui – O moreno desvia o olhar dos seus companheiros, envergonhado – Vamos nos divertir.
— Sasuke está de bom humor – Sakura entrelaça seus braços com a resistência do Sasuke para seu ato – Vamos aproveitar, Naruto.
— Ei, sem isolação – O loiro entrelaça o braço livre da rosada e sorri para eles vitorioso – Peguei uns filmes tão legais.
— Naruto... – Olha preocupado para seu amigo, sabia que sua situação financeira não era das favoráveis – Não gosto que gaste comigo.
— Idiota – Recebe um tapa dele atrás da cabeça como resposta e o olha raivoso – Eu tinha uma grana sobrando para a comida, filmes eram um melhor gasto.
— Nono, já que você está aqui – Chama a atenção da idosa para si e continua – A janta pode ser lámen?
— Para o Naruto? – Nono conhecia os companheiros dele desde pequenos – É sempre um prazer.
— Vovó – Naruto afasta-se dos outros e corre para um abraço na mais velha – Você é a melhor.
Com a janta determinado, os três sobem pelas escadas em direção á uma das salas da casa, onde tinha a maior televisão para a sessão cinema. É uma tradição do trio, quando um está triste é sessão cinema na certa, até o moreno frio não nega esse divertimento. E também é inevitável a batalha pelo filme certo.
— Eu quero filme de ação – Naruto cruza seu braços em indignação – É muito chato romance.
— Nem vem, Naruto – Sasuke pega o DVD do filme de ação da mão do loiro e pega o DVD de investigação – Muito melhor este aqui.
— Eu voto em romance – Sakura dá sua opinião e como sempre as três opiniões são divergentes entre si – Muito mais romance do que essas coisa aí.
Sem saída. O único jeito seria decidir no jogo pedra-papel-tesoura. Romance venceu.
O filme é uma comédia romântica e com Sakura não permitindo que eles dormissem durante o filme, lá estão todos sentados no sofá assistindo. Na mesinha, residia diversas porcarias e bebidas para todos, a única mulher foi responsável por essa parte no mercado. Desde cedo, Naruto e Sakura sabiam que Itachi não viria e já prepararam tudo.
Com o fim do filme, é decidido que o próximo seria o de ação e, antes de dormir, o de investigação.
— Preciso ir ao banheiro – A rosada levanta-se, colocando o balde de pipoca entre os dois adolescente – Não comecem o filme sem minha pessoa. Vou demorar um pouco.
— É engraçado – O loiro chama a atenção do outro para sua frase – Como parece tão simples esses amores.
— Amor, na minha opinião, é uma troca de interesses.
— Sasuke, larga de ser metido – Recebe um tapa de Naruto por sua frase – Acho que é depende dos dois, se um não quer... O outro não faz milagre.
— Tanto faz.
— Gostaria de saber como é beijar alguém – Vira-se rapidamente para o que está falando em um sinal de surpresa – Nem vem com essa cara.
— Uuuh, parece que alguém nunca beijou uma pessoa na vida – Ri zombeteiramente para a revelação do amigo – Nem foi tão surpresa assim.
— E você? Já beijou – Sem nenhuma resposta do Uchiha, Naruto recebe sua resposta – Eu não acredito. Sasuke Uchiha nunca beijou alguém? O cara mais desejado da escola nunca beijou.
— Cala a boca, besta – Seu olhar de raiva até poderia causar algum medo em uma pessoa comum, mas era seu melhor amigo na sua frente – É super comum isso. Só não quero que seja com uma pessoa errada.
— Eu também – O loiro aproxima-se com uma carinha estranha – Vamos fazer isso então.
— O que?
— Nos beijar – Seu melhor amigo dá de ombros para sua proposta sem ver sua cara indignada – Não será tão ruim assim.
— Até parece, Naruto – Afasta-se do outro e recebe um olhar curioso – Eu não gosto de homens, primeiramente.
— Eu nem sei do que eu gosto – Não percebe o desvio do seu amigo quanto a sua orientação – Mas eu confio em você e eu sei que nunca será uma pessoa errada.
— Ah, Naruto... – Olha para o rosto dele em uma cara de deboche e após vários segundos pensando – Ok. Se for para beijar a primeira vez, pouco importa o sexo da pessoa.
Aproxima-se do corpo do seu melhor amigo, surpreso pelo pedido seu aceito, com o intuito de terminar logo. Estão claramente nervosos com a situação e de forma indelicada juntam os lábios em um breve selar. Dura poucos segundos e ambos afastam-se limpando as bocas com as mangas de suas camisetas.
— O que aconteceu aqui morre aqui – O moreno ainda limpa seus lábios em sua camiseta – Entendeu?
— Entendeu o que? – A rosada entra pela sala no exato momento e recebe um silêncio em resposta – Ooook. Climão por aqui. Naruto fez alguma coisa de errado de novo?
— Ei, eu não fiz nada – A expressão do loiro é aliviada por não terem sido pegos – Apenas estamos discutindo os filmes.
— Já decidimos que será ação, Naruto – A mulher senta-se entre os dois com o balde de pipoca no seu colo – Podemos começar?
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