Tóxico

1 Houji, Houji-Shintenhouji!


Notas iniciais
Bom... Primeiro capítulo, a Brittany surge de novo para causar na Houji-houji-Shintenhouji! Espero que gostem e mandem reviews com críticas, dúvidas, sugestões, etc! =]

Juntos. Lado a lado. Como sempre conversavam sobre seu dia e as pequenas coisas da vida. Vestiam os uniformes de suas respectivas escolas enquanto voltavam do hospital para casa, não sem antes passar em uma farmácia para comprar os remédios receitados pelos médicos.

O trem estava razoavelmente vazio e, por isso, sentaram-se lado a lado em silêncio. Kunimitsu conhecia aquela expressão da americana muito bem, estava a tempo demais sem dizer nada, olhando para a janela de forma contemplativa, ocasionalmente, mordia o lábio inferior enquanto arrancava o esmalte lilás com as unhas... Ela estava assim há dias, havia esperado até ela estar pronta... Ela tinha algo para dizer, só que não sabia como, ainda assim, o rapaz estoico esperou que descessem do trem e chegassem até a simpática praça que havia nas proximidades da casa de ambos para começar a perguntar o que havia de errado, não esperaria mais.

– Brit-chan, você pode falar o que está te preocupando. – afirmou para deixar claro que havia compreendido a situação e convidando-a a sentar-se em um banco que estava vazio, bem na frente do pequeno parquinho onde algumas crianças ainda brincavam sob a supervisão das mães.

– É que... Bom... Eu vou me mudar... De novo. – falou com um suspiro, preferiu falar de uma vez olhando nos olhos do amigo.

– Vai para onde? Coréia? Voltar para a América? – o rapaz indagou ajeitando os óculos, só porque começava a se acostumar com a constante presença da americana doida e irresponsável em sua vida.

– Não... – negou com um aceno de cabeça. – Nós continuaremos a nos ver às vezes, mudarei só de cidade... Vou para Osaka.

O capitão ergueu uma sobrancelha e olhou para ela de forma questionadora, tinha uma noção do motivo dela estar indo para Osaka, seu pai havia comentado sobre a fusão com uma grande companhia que tinha sede na cidade, mas não sabia de todos os detalhes sobre o negócio.

– Seu pai não vai continuar vindo frequentemente para Tokyo? – questionou.

– Sim, vai... Mas ele vai passar, em tese, a maior parte do tempo em Osaka até a conclusão da fusão e tem o helicóptero da empresa a disposição toda vez que precisar vir aqui para Tokyo... Ele faz questão de cuidar pessoalmente desse procedimento longo e delicado. – respondeu. – Eu não quero deixa-lo, né? E meu pai não quer que eu pegue o trem-bala todo dia para vir para a escola.

Iie, ele é sua família, está correta de ir para lá. – Respondeu enfático e num leve tom compreensivo, chegando a esboçar um sorriso quase imperceptível. – Mas onde você vai estudar? A cidade não é grande o suficiente para ter muitos colégios internacionais.

– É... Eu sei... Na verdade tem um colégio americano e um francês... Só que me recuso a estudar em uma escola americana de novo... O francês a esta altura do ano não dispõe de vagas e por isso, vou ter que estudar em um colégio japonês normal... Isso que me preocupa. – falou em um muxoxo enquanto observavam as mães chamando as crianças de volta para casa o Sol já estava se pondo, aquilo só aumenta a sua tristeza, lembrava-se de sua mãe a chamando de volta pra casa em um dia quente de primavera.

– Seu Japonês é muito bom, por que se preocupa? – indagou estranhando a atitude.

– Eu falo japonês bem, entendo bem, apesar do sotaque... Leio razoavelmente bem e escrevo razoavelmente bem... – comentou.

– Então, qual o problema? – Tezuka não conseguia entender o problema.

– Meu curso não é generalista como aqui... É voltado para as Aplication de Ciências Humanas, Econômicas e Artes... Sabe quantas aulas de química tenho por semana? E o conteúdo delas? — suspirou. – Além disso, não tenho uma experiência de vida muito boa no meio dos nativos, em geral, eles não gostam muito de estrangeiros, ou melhor, dos gaijins.

Não imaginava algo assim, era verdade que já havia visto o dever dela de química e biologia e achado ridiculamente fácil, ao contrário dos de outras matérias que estavam em um nível bem mais avançado do que ele próprio tinha na escola. Nunca havia parado para pensar que os métodos de ensino japonês e britânico fossem tão diferentes, enquanto ele tinha aulas sobre tudo, ela focava na área que, teoricamente, iria seguir na faculdade.

– Brit-chan... Vai dar tudo certo. – Tezuka abriu um pequeno sorriso para sua irmã de consideração, algo raríssimo no capitão e que poucas pessoas tinham tido o enorme privilégio de ver, ele falou aquelas palavras porque sentiu que ela precisava ouvi-las. – Me promete uma coisa?

– Tá bom... O que? – perguntou intrigada diante da súbita interrupção.

O capitão levantou-se e ajudou a garota a levantar-se também e continuaram o caminho para casa, os últimos raios de Sol despontavam no horizonte, anunciando o fim de um dia. Porém, para Brittany, aquele era o fim de um período muito bom em sua vida e o amanhã seria o início do novo, inexplorado e selvagem.

– Me promete que você vai tentar parar com seus joguinhos e com seus rolos com aquele tipo de garoto e tentar ser uma garota relativamente normal? – ele fez questão de olhá-la severamente nos olhos, não queria que ela virasse a “vadia” da escola. – Estou dizendo relativamente, porque já perdi minhas esperanças de você ser totalmente normal.

– Sim, prometo que vou tentar e fazer o possível. – suspirou pesadamente, sabia que ele fazia isso para preserva-la, mas seria algo difícil... Ainda assim, valia a pena tentar, era uma chance de começar do zero e tentar fazer tudo certo.

–--//---

O sinal da escola tocou anunciando o início de mais um dia de aulas, Brittany aguardava o professor na porta de sua nova sala de aula com o bilhete que havia pego na secretaria com uma senhorinha bem simpática, parece que o Presidente da Sala iria lhe apresentar a escola, o que era bom e ficou feliz quando viu que sua primeira aula era Inglês: seria mais fácil se apresentar para a turma em seu idioma nativo, não que sentisse vergonha, mas temia gozações por seu sotaque se tivesse que fazer em japonês. Ignorava os olhares curiosos sobre si, dava uma última checada em seu visual no espelhinho de bolso, mas não conseguiu ignorar o garoto com uma atadura no braço que passou lançando lhe um leve olhar curioso de canto de olho enquanto conversava com outro garoto de cabelos castanhos e um pouco mais baixo.

O professor de inglês chegou e Brittany apresentou-lhe o papel que tinha em mãos, ele conferiu o papel e pediu que a jovem esperasse do lado de fora até que a sala estivesse em silêncio, assim que o momento chegou chamou a garota dizendo que podia entrar.

– Por favor, apresente-se para a sala em inglês. – sorriu para a nova aluna.

A garota entrou com um ar confiante, sentia todos os olhares em si, talvez por conta das unhas pintadas de um acobreado brilhante ou pelas madeixas negras com mechas violetas. Postou-se na frente da sala sorrindo confiante e colocando uma das mãos na bolsa customizada.

Muito prazer, me chamo Brittany Jane Carter, sou Americana. – os olhos de muitos alunos se arregalaram e começaram burburinhos, o rapaz com braço enfaixado apoiou o queixo na mão interessado. – Gosto de moda e esportes. E não, nunca fui chearleader!

Muito bem, Carter-san, pode sentar-se naquela carteira vaga ao lado de Mr. Shiraishi, ele que é o Presidente da Sala e te apresentará à escola. – o professor indicou uma carteira próxima à janela ao lado do garoto de braço enfaixado.

Ela agradeceu o com uma mesura educada e andou até seu lugar, colocou a bolsa de forma displicente ao lado da carteira e sentou-se tirando o estojo e o caderno de 10 matérias de dentro da bolsa. O professor prosseguiu com a aula, Brittany não anotou, absolutamente, nada, pois tudo aquilo era muito óbvio e muito básico para a mesma, apenas o assistia falando com uma expressão de grande tédio enquanto desenhava quadrados e círculos na folha a sua frente, com a cabeça apoiada em uma das mãos até o final da aula. Nas aulas seguintes, tudo transcorreu com tranquilidade, as aulas passavam rapidamente e a americana as acompanhava, anotando em seu caderno, por fim, o sinal do intervalo tocou.

– Muito prazer, sou Shiraishi Kuranosuke, Presidente da Sala e do Comitê de Saúde da Escola. – falou o rapaz com braço enfaixado em um tom simpático, virando-se para a dona da carteira a sua esquerda. – Gostaria de ar uma volta pelos prédios da escola?

– Acho que você sabe meu nome. – foi à única coisa que Brittany se limitou a responder educadamente. – E seria ótimo ver a escola, mal achei essa sala quando cheguei aqui de manhã.

Ele riu e começaram o "tour” rápido, Shiraishi levou-a primeiro ao topo do prédio e depois para o pátio central, dali para o ginásio de esportes, passando pelas quadras de tênis, piscina e as áreas reservadas ao clube de arco e flechas e o campo de baseball. Enquanto andavam, o rapaz fazia perguntas pessoais para conhecer melhor a morena, nada muito invasivo, o de praxe, na verdade, mas ela se esquivava habilmente das tentativas do garoto de estabelecer algum diálogo mais extenso.

– Você está sendo muito esquiva. Por quê? – ele estava surpreso. As respostas vagas e esquivas dela o pegaram de surpresa, não eram as típicas, em geral as garotas ririam timidamente e responderiam um “Arigatô, Shiraishi-san” ou algo parecido e se apresentariam para ele.

– Bom, porque sua namorada não iria gostar de ver você falando com uma pessoa como eu. – cortou-o com uma expressão séria de que não daria abertura. – Pra mim, você só cheira a problemas.

– E eu sou um problema? – Shiraishi riu de canto. – Me pergunto se você está me ofendendo ou elogiando?

– Decida você, não faço juízo de valor. – respondeu de forma mais áspera.

– Acho que vou ficar com o segundo, pelo meu ego. – ele riu esperando que ela respondesse. – E você parece uma pessoa muito interessante, Carter-san...

Ela não respondeu e ficaram algum tempo em silêncio, Brittany parecia mais interessada em olhar algo que estava atrás do oriental, por isso, Shiraishi, muito discretamente, olhou por cima dos ombros e para os lados, algumas garotas da escola olhavam para a nova aluna com uma cara de dar medo, um olhar assassino em direção a Brittany e o rapaz se questionou se isso acontecia toda vez que ele se apresentava para uma garota nova ou era apenas porque a nova aluna era estrangeira. Decidiu leva-la de volta para a sala, em breve o sinal iria bater.

– Gosta de fazer o que? – perguntou. – Já sabe em que clube vai entrar?

– Você não desiste? – Brittany começava a se irritar, mas pelo olhar dele e o sorriso... Não ia desistir tão fácil, por isso, tratou de responder logo. — Eu jogo um pouquinho de tênis... – sorriu enquanto tirava o papel alumínio que protegia sua maçã e cortava os pedaços para comer. – Mas sou melhor em lacrosse...

– Entre no clube de tênis, então! – o rapaz sorriu.

Maybe... Mas não sei o peso real dessas atividades em meu currículo para UCLA... – comentou em tom casual.

– Com certeza são importantes, atividades extracurriculares também devem ser bem vistas nas universidades de seu país, Carter-san. Mal não fará, certo? – o rapaz respondeu.

– Não sei, entre fazer algo que não conte nada e não fazer nada, prefiro não fazer nada... E pode me chamar apenas de Britanny... Vocês japoneses e toda essa formalidade... – fez um movimento negativo com a cabeça e revirou os olhos.

Assim que retornaram a sala, um garoto de cabelos castanhos se aproximou rapidamente curioso, chamando a atenção da estrangeira que interrompeu a conversa e olhou para ele com certa curiosidade e firmeza, como se questionasse o que ele fazia ali ouvindo uma conversa particular e metendo-se em sua vida, ela não tinha nenhuma intenção de ser gentil.

– Este é Oshitari Kenya, joga comigo no time de tênis. – Shiraishi apresentou o amigo. – Conhecido como Naniwa’s Speed Star.

– Muito prazer, Brit-chan, pode me chamar de Kenya! – Kenya não fazia muitas cerimônias e tinha ouvido o comentário anterior da garota.

– Encantada. – limitou-se a dizer com um sorriso polido. – Por que o título?

Mas a conversa não prosseguiu, o sinal tocou anunciando o fim do intervalo; a professora que daria a próxima aula já estava pronta para começar e, para o desespero de Brittany era Química. A aula corria razoavelmente bem, a professora colocava a matéria na lousa e fazia algumas questões para os alunos, até que aquela sádica que escrevia na lousa olhou para a lista de chamada e chamou Brittany para ler um trecho do livro. A americana engoliu seco, pegou seu livro e leu o trecho pedido em voz alta, podia ouvir algumas garotas segurando o riso causado por conta do forte sotaque da americana. Olhou para os lados em desespero e viu o colega de classe, Shiraishi sorria confiante para ela, continuou a leitura sem se importar com os burburinhos e comentários sobre seu sotaque bem evidente e ignorando o fato de não estar entendendo absolutamente nada do que estava escrito sobre alguns compostos inorgânicos e orgânicos, o que quer que isso fosse.

A aula continuou relativamente tranquila, Brittany estava começando a ter uma vaga ideia do que eram compostos orgânicos e inorgânicos e tudo estaria em perfeita ordem até o fim da aula se não fosse as palavras fatídicas que saíram da boca daquela sádica perante a lousa que se dizia professora:

– Guardem todo o material, deixem apenas uma caneta sobre a mesa, pois aplicarei uma pequena prova surpresa. – falou enquanto tirava uma pilha de papéis da mala. – São apenas duas questões que é para testar seus conhecimentos até aqui... Valendo meio ponto extra na prova um.

Alguns alunos reclamavam, Shiraishi fez um gesto preguiçoso e colocou a mão nos cabelos castanho-platinados, para leva-las a mesa logo em seguida, era um bom aluno e sempre ia bem em todas matérias, mas não gostava de provinhas surpresas que aquela professora adorava dar, mesmo que fosse ótimo em química. O rapaz olhou para o lado, para ver a reação de Brittany e viu que a garota de cabelos negros estava completamente atônita, para não dizer desesperada... Era a matéria regular dos colégios, qual era o problema?

A professora entregou a folha e Brittany olhou para as questões... A garota não fazia nem ideia de como começar a responder, olhou para o lado e deveria ter passado muito tempo olhando para a folha, porque Shiraishi já estava terminando a prova... Colocou a caneta na folha, sorriu para ela e... E nada! O sinal soou e aquela megera passou recolhendo as folhas de prova que alguns entregaram preocupados, outros sorrindo, o rapaz de cabelos castanho-claros estava bem tranquilo para quem tinha acabado de fazer uma prova surpresa. O resto do dia foi bem mais calmo para a garota, que disfarçadamente durante a aula de matemática, digitou um sms desesperado para a única pessoa que, em dias atrás, poderia lhe ajudar.

“Me ferrei no 1º dia... A vaca da prof passou uma prova surpresa!
Love,
Brit!”
.

Minutos depois o celular vibrou anunciando que uma nova mensagem havia chegado, no visor do endereço remetente constava como Mitsu-kun:

“Por que você não pode ser mais educada? A professora está apenas fazendo o trabalho dela. Tenta pedir ajuda para algum colega de sala... Porque só nos veremos quinta-feira não há tempo suficiente para estudar.”

Suspirou pesadamente, olhou de soslaio para sua direita e lá estava o tal de Shiraishi. Não, não pediria ajuda para ele, precisava encontrar outra pessoa... Talvez uma garota para começar a se integrar e deixar de ser a forasteira do lugar, queria tentar não ser a gaijin, apesar de não querer se parecer com nenhuma daquelas meninas esquisitas a sua volta... Todas tão inocentes ou, pelo menos, se faziam de inocentes e santas... Pensando melhor, não queria ser igual a elas! Achava totalmente ridículo como davam gritinhos de surpresa ou coravam violentamente quando Kenya falava algo ou Shiraishi e ficavam elogiando-os sem parar, mesmo quando o rapaz de cabelos prateados parecia incomodado com a quantidade de pessoas a sua volta... Quanta babação de ovo por nada! Se perguntava se espécimes como eles eram raras no Japão.

–--//---

O fim da semana já havia chegado ou quase, sexta-feira era quase fim de semana e Brittany quase poderia comemorar seu sucesso em fugir de Shiraishi nos intervalos, apesar de estar ficando cada vez mais desesperada com as aulas de Química e Biologia. Mas agora era hora de descansar, pegou seu almoço e olhava em volta, todas as mesas ocupadas, menos uma. Caminhou até aquela mesa vazia bem no canto, aquilo já estava virando um hábito, sentar-se sozinha, sentia os olhares curiosos e comentários enquanto passava, se já comentavam do seu cabelo ou de suas unhas, o que diriam quando vissem sua rosa carmim em sua nuca? Sorriu sozinha ante o pensamento enquanto se sentava em uma cadeira de costas para a parede, Brittany detestava ser pega de surpresa e não poder ver se alguém se aproximava por suas costas, tirou o iPod da mochila, colocou os fones e ligou-o, não tinha a intensão de socializar. Logo veio uma música agitada que lembrava das mega-festas e de toda sua glória na antiga escola, dançar como se não houvesse amanhã, se divertir, ficar com um cara bonito...

– Comer sozinha é muito triste, sabia? – a voz suave soou em seus ouvidos, Brittany sorriu de canto e ergueu os olhos verdes que encontraram os castanhos.

– Estou acostumada, fora o Brasil, estrangeiros não são muito bem vistos pelos alunos locais. – voltou a comer sem se importar em convidar o colega de turma para se sentar, ainda assim ele se sentou. Ela olhou para ele, os olhos verdes sérios e com uma expressão impaciente – Você não tem amigos, não? Vá almoçar com eles e me deixe em paz, got it?

– Eu almoço com eles todos os dias… E você me parece uma pessoa interessante, Brit. – a ênfase proposital no apelido era uma espécie de provocação.

– Olha, Shiraishi-san... – a garota foi interrompida pelo japonês.

– Me chame de Kuranosuke. – ele comia, mas estudava-a.

– Tudo bem... Kuranosuke! – bufou. – Quase todas as garotas dessa escola morreriam aqui para ter um pouquinho dessa atenção que você desperdiça comigo... Elas te agradam e te mimam... Porque, pelo que percebi, garotas japonesas são assim mesmo, cuidam do que amam! E eu não tenho interesse nenhum em conhecer você, socializar com as pessoas... Quero que minha passagem por aqui seja rápida e indolor.

– Eu não disse que você era uma pessoa interessante? – Shiraishi sorriu, olhando para o eletrônico da garota. – Uma pessoa que tem mechas violetas, e gosta de música eletrônica deve ser muito interessante. Mas eu gostaria apenas que você entrasse no clube de tênis feminino. Você não vai se arrepender, te garanto! Vai ser um grande desafio e pelo que pude perceber, você gosta de desafios.

– Minha resposta para seu pedido continua sendo não... – ela tinha prometido à Tezuka que tentaria se comportar na nova escola e não ser... Bom... Não ser ela! Mas já nas primeiras semanas encontrava dificuldades de evitar isso.

– As garotas daqui não curtem muito esse tipo de música... Eu gosto bastante de música eletrônica, em especial trance. – comentou mirando nos olhos de Brittany um olhar desafiador.

Ok, estava impossível de cumprir a promessa que havia feito para Tezuka em seu último dia em Tokyo, os olhos castanhos de Shiraishi eram magnetizantes e o olhar dele era cheio de intenções, ele estava anunciando explicitamente que queria jogar com ela... A culpa não seria dela, então, iria jogar com ele e atrair a ira de toda Shitenhouji quando enjoasse dele e o descartasse como qualquer outro, mas a culpa era toda dele! Ela tentou se manter longe e ser uma boa garota, contudo aquele ser na sua frente estava tornando tudo aquilo impossível... Não, não podia desistir tão facilmente de sua promessa, iria continuar tentando, uma hora ele iria desistir, só deveria estar animadinho porque Brittany era uma novidade na escola, logo o tempo passaria, ela deixaria de ser uma novidade e ele a deixaria em paz.

– Sua namorada deve ficar extremamente incomodada com o fato de você estar aqui comigo e não com ela. – respondeu grossa, deixando claro que o queria fora dali, mas ele se recostou na cadeira.

– Não tenho mais namorada... – se limitou a responder tranquilo, sem desfazer aquele maldito sorriso.

– Não quero uma ex-namorada maluca me atacando ou tentando me matar, obrigada. – Brittany foi muito enfática e irônica.

– Eu vi você nas quadras de tênis do parque, ontem à tarde... Tem uma base boa, aprendeu com alguém muito bom... Saiba que você fez com que Ikeda-san passasse por um momento muito difícil, mesmo perdendo... – sorriu de canto, ignorando todos apelos dela. – Ela é a capitã do nosso time de tênis feminino, você deveria tentar entrar.

– Perdi. Perdedores são sempre perdedores... E a resposta continua a mesma. – afirmou categórica.

– Ok... Vejo que não vou conseguir convencê-la tão facilmente... Você tem personalidade e realmente é bem interessante. – Shiraishi disse aparentemente se dando por vencido, mas após um curto tempo com os olhos fechados direcionou um olhar fatal para Brittany. – Vamos fazer assim... Jogamos uma partida de um set.

– Perdão, como assim? – Brittany perguntou não entendendo onde ele queria chegar.

– Isso mesmo, vamos jogar uma partida de um set. – repetiu apoiando o queixo na mão enfaixada e debruçando-se mais sobre a mesa, encarando-a com aqueles olhos penetrantes. – Se eu ganhar todos os seis games, você entra para a equipe feminina de tênis... Mas se você conseguir marcar três pontos em mim... Eu deixo você em paz o resto do ano letivo; só tratarei de assuntos estritamente acadêmicos e somente quando for realmente necessário.

Brittany pensou, sabia que era boa, só que tinha várias limitações por jogar tênis há tão pouco tempo e não ter o talento como muitas tinham... Mas pelo que ouvira pelos corredores, Shiraishi era muito respeitado e muito admirado por todos os alunos. Ele também fazia parte do clube de tênis e parecia ser um bom jogador, pois era capitão do time, pelo que ouvira... Era arriscado, muito arriscado... Pois sabia que não era tão boa assim, porém, se marcasse apenas três pontinhos, ele a deixaria em paz e conseguiria manter sua promessa com Tezuka de pé.

– Não... Eu não farei isso, posso te ignorar e me livrar de você sem ter que jogar com você. – afirmou categórica.

– Certo, então... Se você já se considera incapaz de marcar três pontos em uma partida de UM SET, então, significa que eu ganhei, certo? – o rapaz soltou um sorriso convencido, lembrava-se de alguém comentando sobre a competitividade natural dos americanos e como esse era o ponto fraco deles, sua maior vaidade era a vitória.

– Tudo bem, então! – concordou a americana, sentindo seu orgulho latejar de dor. – Quando e onde?

– Hoje, às 19 horas... Na mesma quadra que você estava ontem. – o rapaz sorriu vitorioso e se levantou. – Bom, eu tenho treino agora... Considere isso uma vantagem, pois já terei me desgastado quando for jogar com você. Até mais tarde, Brit!

–Até! – o sorriso vitorioso estava impregnado no rosto de Brittany.

Shiraishi se levantou e saiu do refeitório da escola, a garota apenas observava a movimentação dele, logo viu Kenya e alguns outros garotos, todos sentados juntos na mesma mesa, se levantando e indo atrás do rapaz de braço enfaixado, um moleque de cabelos vermelhos pulava debilmente ao redor deles falando algo não importante que viu em algum manga em voz altíssima. Via alguns olhares curiosos voltados para si, mas preferiu ignorá-los, pegou suas coisas e levantou-se, iria para casa, afinal, precisava se preparar para sua libertação.

Notas finais
Espero que gostem e mandem reviews com críticas, dúvidas, sugestões, etc! =]