Título ainda não escolhido

1 Prólogo (A Passagem)


Notas iniciais
Isso é apenas uma introdução à história. Não queria simplesmente começar a narrar o Dean no inferno sem contexto, então bolei uma introduçãozinha mostrando como foi sua passagem.

E lá estava ele. Após passar por tudo aquilo, então aquele seria seu fim. Finalmente havia descoberto o significado de negócio de família — sacrificar-se e morrer em nome de uma pessoa que você ama. De uma pessoa importante e que não se poderia deixar morrer, de alguém que era sua responsabilidade. “Cuide do seu irmão” – as palavras do pai ainda ressoavam em sua cabeça. E foi o que ele fez. Passaria o resto da eternidade no pior lugar que alguém pode estar para que seu irmão não morresse por um ato bobo.

– Uma facada nas costas. – Ele pensou, muito vagamente e sem força. – Quem diria que Sam morreria com uma facada nas costas.

Dean não sabia quanto tempo havia passado desde sua chegada. A visão de tempo naquele lugar insano era extremamente distorcida. Pensar em qualquer coisa doía e parecia sem nexo algum. Mas ele precisava ao menos tentar manter-se concentrado em algo, já que cada vez que parava de pensar, uma forte tontura tomava conta dele, tudo ao seu redor balançava como se estivesse em um pequeno barco no meio de uma tempestade.

– O quê está acontecendo...? – Seus ouvidos, antes abafados e surdos, detectaram vozes. Várias e diferentes vozes desconhecidas. Seus olhos, mesmo fechados, pareciam detectar uma fortíssima luz vermelha. – Mas o quê...

Bruscamente, ele viu-se sentado numa sala branca, com decoração moderna e uma mesinha de centro. Não estava mais atordoado, tonto ou confuso. Parecia 100% sano. Não entendia nada.

“Um segundo, a Doutora está um pouquinho ocupada no momento!” Uma voz feminina e muito suave soou nos alto-falantes da sala, e um bipe duplo e agudo seguiu-a. “Por favor, aguarde com paciência!” Tudo que Dean podia fazer era obedecer.

Depois de um curto espaço de tempo, uma jovem e bonita mulher chegou à sala, sorrindo com os lábios e trazendo consigo alguns papéis.

– Olá, Dean Winchester. – Ela disse, olhando para o confuso rapaz sentado no sofá. Seus cabelos vermelhos vibrantes estavam presos e muito bem penteados. – Bem vindo ao inferno. Eu serei sua guia. Vamos dar um rápido passei pela sua mente, enfatizando o que há de pior e estragando o que há de melhor!

Dean começou a se levantar do sofá, mas quase instantaneamente, a tontura tomou conta de sua cabeça, mas dessa vez muito mais forte. O pânico que a estranheza da cena começava a despertar nele foi sufocada por uma enchente de lembranças, mais fortes que um sonho lúcido, porém mais fracas que uma alucinação. Tudo se misturava numa grande insanidade de imagens, sons, sentimentos, cheiros e vozes. Cada vez que sei pai lhe olhou com decepção. O grito das pessoas que não conseguiu salvar. Cada vez que quase deixou Sam em perigo. As cantigas de ninar que sua mãe cantava. O cheiro do fogo queimando a carne dela, naquela noite terrível do incêndio. Cada garota que ele teve que deixar para trás em função do seu “trabalho”, embora não quisesse. Embora aquilo tudo fosse terrível, a pior parte foi relembrar as coisas boas e ser apresentado a uma releitura das mesmas – as alegrias se transformavam em egoísmo; os sorrisos em sorrisos falsos; os churrascos e sanduíches que havia comido em animais mortos e podres; coisas banais como ir cortar o cabelo em narcisismo. Toda a qualquer coisa boa se distorcia e parecia não ter valido a pena. Causava um sentimento que era um misto de dor, revolta e peso na consciência.

Quando ele voltou a si, parecia que anos haviam se passado. Suava, arfava, estava tomado por um sentimento de desespero e solidão. Mas a mulher apenas o olhava de forma amável.

– Olá, Dean Winchester. – Ela repetiu como um robô. – Bem vindo ao inferno. Eu serei sua guia. Vamos dar um rápido passei pela sua mente, enfatizando o que há de pior e estragando o que há de melhor!

Notas finais
:D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.