Tênue

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Hey, olhem eu aqui de novo com um capítulo saindo do forno. Espero que gostem!

"A saudade é o pior castigo e eu não quero levar comigo" (Chico Buarque)

Maria já tinha tudo arquitetado. Desde que voltara para o México, há quase um mês, ela planejava detalhadamente seu encontro com Esteban. Ele seria o primeiro da sua lista, por mais que quisesse ver seus filhos, ela tinha que ser meticulosa nesse momento.

Maria desde sempre teve aptidão para os negócios, e mesmo presa, conseguiu fazer uma pequena fortuna, fora a que ela conquistara ao lado de Esteban. E, ao sair da prisão, Maria movimentou uma de suas contas em silêncio, pois ainda não era o momento para fazer alarde de seu regresso.

Depois de anos, Maria só conseguiu confiar em uma pessoa, Luciano. Seu advogado e amigo, ele fora o único que acreditou em sua inocência, quando todos lhes deram as costas, ele foi quem segurou sua mão, quem lutou pela sua liberdade e por isso ela era imensamente grata à ele.

E com a ajuda do mesmo, ela preparou o grande momento que estava por vir.

—Como está a reserva do restaurante? — perguntou Maria olhando Luciano através do espelho de seu quarto.

—Confirmada em nome de Luciano Cerezuela.

—E Esteban? — virou-se para o amigo.

—Também confirmou hoje cedo. Está tudo indo como planejado Maria. Ele acha que está indo para uma negociação com um possível investidor para as empresas San Román. — sorriu tentando acalmá-la.

—O que não é de todo modo uma mentira. Ele irá para reunião com uma investidora, mas o que ele não sabe é que ela já tem ações na empresa. — sorriu.

—Você sabe que estarei com você aonde for, mas é isso mesmo que você quer? Esse é um caminho sem volta Maria.

—Eu sei Luciano, mas estou decidida. Eles têm que pagar por tudo que fizeram comigo. Chame do que você quiser, justiça ou vingança, pra mim tanto faz. O que eu quero é que o culpado tenha seu julgamento.

—Você realmente acredita que Esteban pode ter sido um dos suspeitos do assassinato de Patrícia?

—Todos tinham motivos, não descartarei nenhum da minha lista, nem mesmo Esteban. Ele pode até ser o pai dos meus filhos, mas se ele for o assassino... A justiça terá que ser feita.

—Sim, você tem razão.

—Como estou? — Luciano se aproximou de Maria. — Apropriada para a situação?

Maria trajava um vestido verde, salto alto e o cabelo em um coque formal. Seus brincos combinavam com o vestido e em uma das mãos pousava um anel de esmeralda.

—Você está linda, como sempre Maria – sorriu Luciano. — Esteban não sabe o que lhe espera essa noite.

—Hoje será o inicio de tudo. A partir de hoje começarei a caçada ao assassino. Não descansarei até encontrá-lo.

—Peço que tome cuidado, ele foi tão meticuloso todos esses anos. Meu receio é que ele tente fazer algo com você.

—Se ele o fizer, pode ter certeza que eu estarei preparada. — sorriu apaziguando o clima que se instalara no recinto. — Agora tenho que ir. — ela o abraçou. — Deseje-me sorte.

—Boa sorte Maria. Confie e tudo dará certo.

—Assim espero – sorriu. Maria se direcionou até a cama e pegou sua bolsa. — Até mais tarde.

—Até.

Pela manhã Esteban e Ana Rosa estavam preparando os últimos detalhes da cerimonia que aconteceria no jardim da mansão. Às vezes ele se pagava pensando em seu casamento com Maria, era inevitável. Se ainda estivessem casados completariam 25 anos, bodas de prata.

Ele sabia que tinha que esquecer de Maria, afinal ela ficaria presa para o resto de suas vidas, por seus filhos ele tinha que seguir em frente. E no final de tudo não seria tão ruim, Ana Rosa era uma pessoa atenciosa com ele e seus filhos, mesmo tendo seus conflitos. Entre eles, a diferença nítida de idade.

A mesma disse que isso não importava, por mais que muitos falassem que ela iria se casar com ele apenas pelo dinheiro, ele sabia que não era assim. Ana Rosa era apaixonada por ele, e quem sabe com o passar do tempo e a convivência, Esteban poderia se apaixonar por ela.

Já era tarde quando Ana Rosa saiu da mansão, ele aproveitou então para se arrumar para a reunião que teria logo em seguida. Luciano, um possível investidor, teria marcado com ele em um horário pouco convencional. Mesmo relutante, Esteban aceitou, afinal negócios são negócios.

Ao descer Esteban avisou Transito que estava saindo e que era para a mesma avisar ao resto da família que jantaria fora. E assim seguiu para o restaurante. Ao chegar, Esteban falou com a hostess e ela lhe informou que ele era o primeiro a comparecer e o encaminhou até a mesa.

O empresário aproveitou enquanto Luciano não vinha para olhar alguns e-mails em seu celular. Após quinze minutos, Esteban ouviu uma voz feminina um pouco distante.

—Logo o garçom virá, aproveitem a noite. — falou a Hostess.

Até então Esteban estava focado em seu celular e não percebeu a presença da mulher em sua frente.

—Boa noite senhor San Román.

E foi ai que ele a viu. Uma assombração talvez? Pensara ele. Não era possível! Maria estava parada em sua frente. Nunca em sua vida ele poderia imaginar essa situação.

—O quê... O quê faz aqui? — tentou recuperar-se do espanto inicial. — Você deveria estar presa!

—Estou aqui pelo mesmo motivo que o seu e alguns mais. Vim tratar de negócios. — sorriu irônica. — E, bem, você já ouviu falar em uma coisa chamada indulto? Pela lei, agora sou uma mulher livre. — Ela se sentou à mesa. — e é por isso que estou aqui. Quero recuperar tudo o que é meu incluindo meus filhos. Mas é você que irá decidir como ocorrerá. Então, meu querido, vai querer do jeito fácil ou do difícil? A escolha é toda sua.

Notas finais
Até o próximo capítulo pessoal. E como eu sempre digo, criticas construtivas são sempre bem vindas ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.