Tão iguais, tão diferentes
2 Sobre aquele verão
Notas iniciais
Capítulo 2
Foram os fortes raios de Sol que insistiam em ultrapassar a persiana da janela, que a acordaram. Virou para o outro lado da cama decidida a prolongar o sono, mas ao ouvir um barulho vindo da janela abriu os olhos lentamente e com um pouco de resistência levantou pra ver o que era. Sorriu ao constatar que era exatamente o que estava esperando, uma coruja amarronzada com um pergaminho amarrado na pata. Abriu a janela e pegou a carta, ia começar a ler, mas a pequena ave deu algumas beliscadas em seu dedo indicando que queria uma recompensa pela carta. Julie pegou alguns biscoitos que estavam sobre a mesa e deu para a coruja que logo depois de comer partiu. A caligrafia perfeita no pergaminho não deixava nenhuma dúvida de quem havia mandado a carta.
Julie
Como estão indo as coisas por aí, amiga? Eu já soube que vocês chegaram bem e que estão aproveitando bastante. Aqui está tudo tranqüilo. Eu tenho saído com meus pais quase todos os dias, nós estamos aproveitando as diversas opções culturais que o País de Gales oferece. Na próxima semana eu volto de viagem e vou para a casa dos Weasley. O Rony disse que vocês voltam na próxima sexta, não é?
Se for isso mesmo quando vocês voltarem eu já estarei lá, eu devo ir na quarta.
Avise ao Harry que eu devo mandar alguma carta para ele também, mas de qualquer forma o mande um beijo. E prometa que vai me escrever para contar as novidades, viu?
Beijos
Hermione Granger
Sorriu assim que acabou de ler a carta, com certeza mais tarde escreveria para Mione contando tudo o que eles haviam feito. Já fazia uma semana que eles estavam em Porthcurno e já haviam aproveitado a praia, alguns clubes e até restaurantes locais. Era tão bom que ela e Hermione tenham ficado tão amigas. No início elas até brigaram um pouco, mas depois de três anos elas eram amigas inseparáveis do tipo que se apóiam em tudo. Só Mione conhecia os mais secretos segredos dela, e ela também conhece os de Mione, pois uma confia muito na outra.
Colocou a carta na mesinha do quarto e foi para o banheiro lavar o rosto. Foi muito gentil da parte de seu pai e de Harry deixar a suíte só para ela enquanto eles se apertavam no outro quarto e com um só banheiro. Às vezes ser uma mulher no meio de homens tinha suas vantagens.
Assim que saiu do banheiro olhou em direção a parede e viu seu velho violão ali parado, encarando-a. Ela o havia ganhado da mãe aos 11 anos, e desde então não o largou mais. Com ele, ela compartilhava todas as emoções, que saiam através de músicas que diziam tudo o que ela pensava e sentia. A música era sua paixão, e cantar era o que ela mais gostava de fazer. A melhor parte disso tudo era que em seu primeiro ano em Hogwarts ela havia conhecido pessoas que pensavam exatamente igual a ela, e com eles havia formado uma banda, a Pink Slip. Ela ficava no vocal, Roy na guitarra, Dougie no baixo e Bill na bateria. Juntos eles faziam um som diferente que agradava grande parte dos alunos da escola, principalmente os da Grifinória, já que shows particulares e secretos na Sala Comunal eram muito comuns.
Depois de se vestir pegou o violão e se sentou na cama, o café da manhã iria ter que esperar um pouco. Começou a dedilhar os primeiros acordes daquela música que estava em sua cabeça.
Every time I think of you
I get a shot right through
Into a bolt of blue
It's no problem of mine
But it's a problem I find
Living the life that I can't leave behind
There's no sense in telling me
The wisdom of a fool won't set you free
But that's the way that it goes
And it's what nobody knows
And every day my confusion grows
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for the final moment
You say the words that I can't say
–Com uma voz dessa você não tem porque cantar escondida no quarto.
–Ah, pai, que susto! Como você conseguiu entrar sem que eu percebesse?
–Você deixou a porta encostada. – Ele ria da surpresa dela – Você não vai tomar café? Seus ovos já estão esfriando.
–Eu já vou pai. E onde está o Harry?
–Ele tomou café e saiu com os garotos. Eles foram para o clube jogar algum jogo estranho que eu não sei o nome. Fu...fut...
–Futebol?- Agora era ela que ria do pai
–È isso ai. Vocês ficaram bastante amigos dos trouxas daqui, não é mesmo? Até aprenderam os costumes deles.
–Amigos não pai, só colegas. Depois das férias eu duvido que nós os vejamos novamente. E nós não aprendemos os costumes deles agora pai, eu e o Harry fomos criados com os trouxas, já conhecíamos esses costumes. Esqueceu?
–Ah isso não importa. O fato é que você deve se apressar, pois nós também vamos ao clube, eu tenho uma partida de tênis com os rapazes ok?
–Sim, senhor eu-não-pego-os-costumes-dos-trouxas, hahahaha – Ela disse brincando
–Não demore! – Ele deu um beijo em sua testa e saiu do quarto.
Julie largou o violão e escolheu alguma coisa para vestir. Antes de sair olhou mais uma vez pela janela e percebeu que o Sol coloria o céu em três tons diferentes. Não sabia o porquê, mas alguma coisa lhe dizia que tudo iria acabar bem.
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Já estava acostumado a lidar com a insônia, mas hoje ela parecia agarrar-se a ele sem a intenção de ir embora. Tentou mudar de posição, contar carneirinhos, até mesmo ler algum livro, mas nada parecia capaz de fazê-lo dormir. Como nada adiantava resolveu levantar-se, com toda a cautela para não acordar Sirius, e ir para os fundos da casa. A noite estava agradável, e a brisa que soprava do mar deixava o clima fresco na medida certa. Tirou os chinelos ao pisar na pequena faixa de areia e resolveu sentar-se de frente para o mar. Esse verão passou tão rápido que pareceu voar. Amanhã eles iriam embora para A Toca e logo depois para Hogwarts. Podia dizer que se divertiu como nunca. O contato com o mar foi maravilhoso para quem estava acostumado a só observá-lo de longe, as paisagens dessa cidade eram realmente de tirar o fôlego. Sirius se esforçou ao máximo para que ele e Julie aproveitassem cada momento e se desligassem um pouco do mundo da magia, e nisso ele obteve sucesso. Mas agora o verão estava acabando. Amanhã eles voltariam para o seu mundo, e junto com isso voltariam todos os problemas. Levou os dedos até a cicatriz e sentiu que ela ardia só com a simples lembrança do último encontro com o Lorde das Trevas. Sirius não deixou que nenhuma edição do Profeta Diário chegasse até ele, mas Harry sabia que o Ministério estava se esforçando para que ninguém acreditasse no retorno de Voldemort. Não seria um ano fácil. Harry agradeceria eternamente a Sirius pelos momentos de descontração, mas agora era a hora de voltar para a realidade.
– Uma moeda pelos seus pensamentos. – Harry levou um pequeno susto com a chegada tão repentina. Mas pelo perfume doce e floral ele soube que era Julie se aproximando e sentando ao lado.
– Estava tentando me conformar com o fato de que amanhã tudo volta ao normal. – ele disse.
– Já se conformou? – a menina quis saber.
– Não. – ele respondeu com um sorriso fraco.
– Nem eu. – ela abraçou os joelhos e olhou direto para o mar – Acho que se pudesse, ficaria por aqui mais uns dez anos. – sorriu e olhou de volta para ele.
– Também não consegue dormir? – Harry quis saber
– Por nada. – ela respondeu – Achei melhor sair pra dar uma volta, mas não imaginava te encontrar aqui.
– Bom, acho que nós dois precisaremos de um cochilo no carro amanhã. – ele disse sorrindo e fazendo-a sorrir de volta.
Um silêncio confortável se instaurou entre eles. Sendo quebrado apenas pelo barulho das ondas quebrando na areia.
– Tá a fim de cair? – foi Harry quem quebrou o silêncio.
– Que? Entrar aí? Agora? – perguntou Julie não o levando muito a sério.
– Sim! Agora! Ou a água está gelada demais pra você? – ele desafiou – Não achei que a garota mais aventureira que eu conheço fosse se intimidar com água fria. Tsc tsc tsc, que decepção.
– Não duvide de mim, Potter! – ela estreitou os olhos antes de responder, e continuou enquanto se levantava – Pensando bem, acho uma ótima ideia. Talvez assim você aprenda a nadar de uma vez por todas.
Estando de pé ela começou a se livrar das roupas. Tirou o short e camiseta, ficando apenas com o conjunto de calcinha e sutiã pretos que passavam desapercebidos como um biquíni. Observando tudo muito atento, Harry não pode evitar que o ar errasse o caminho até os pulmões enquanto ela se despia. Durante os banhos de mar ele teve tempo suficiente para observar e admirar o seu corpo. Julie era realmente muito bonita, isso ele sempre soube. A beleza da menina era invejável, e aliada à personalidade forte e ao jeito divertido tornavam Julie encantadora à olhos masculinos. Não era a toa que ela era uma das garotas mais cobiçadas Hogwarts. O próprio Harry se sentiu encantado pela loirinha no primeiro instante em que a viu. Lembra-se perfeitamente do efeito embriagante que os olhos dela lhe causaram no primeiro contato, mas com o tempo a amizade entre os dois acabou surgindo e essas ideias sumiram com a mesma rapidez com que apareceram. Essa sensação estranha era justificada pelo carinho que ele tinha por ela. Era apenas isso. Mais nada. Mas agora, olhando-a com pouquíssima roupa, o corpo curvilíneo e bronzeado a sua frente, não podia evitar pensamentos que nada tinham a ver com amizade.
– O que foi? Você vai ficar aí parado ou vai se levantar? – Harry precisou piscar algumas vezes para acordar de seu transe.
– Eu? Não, obrigado! Estou bem aqui, seco. – ele disse e riu da expressão de revolta da menina.
– Então quer dizer que o grande Harry Potter é um gatinho com medo de água fria? Olha, Harry, você não vai se afogar se ficar na parte rasa. – ela provocou para logo em seguida soltar uma gargalhada. Harry sorriu enigmático. Olhou para o mar e de volta pra Julie em sua frente. Limpou a areia das mãos para logo em seguida se levantar.
– Nunca, nunca mais na sua vida... – ele falava enquanto se livrava da camisa e dos óculos — ...duvide de Harry Potter! – Terminou a frase e antes que ela pudesse pensar em alguma resposta agarrou-a pela cintura erguendo-a do chão e correu em direção ao mar. Julie soltou um gritinho de espanto pelo movimento tão repentino e inesperado, mas logo se calou para não acordar seu pai.
– Harry, não! – ela tentou argumentar, mas já era tarde. Os dois já estavam dentro do mar e submersos. Quando retornou à superfície Harry estava parada a sua frente, dando gargalhadas de sua expressão que, provavelmente, mostrava o quão irritada ela estava. A mão dele ainda estava esquecida em sua cintura.
– Seu idiota! Eu não ia entrar! Você vai ver só! Pare de rir! – ela falava dando pequenos tapas em seu peito. Ele não parava de rir.
– Ai! Isso dói, Julie. – ele falou, ainda gargalhando – Você me desafiou. Só aceitei o desafio.
A água cobria os dois até a altura do pescoço. O mar estava calmo, apesar de frio. A mão de Harry agora percorria a extensão de suas costas, enquanto a outra permanecia parada na cintura, como se quisesse mantê-la por perto. Julie se aquietou e suavizou sua expressão.
– Harry – ela disse com um tom de voz suave, abaixando um pouco dentro d’água.
– Sim? – ele a olhava curioso com a mudança repentina de atitude. Abaixou alguns centímetros para ficar na mesma altura que ela.
– Eu queria... – o tom era suave e delicado, quase um sussurro. Harry não compreendia o que estava acontecendo. Olhou dentro daqueles olhos azul-acinzentados para logo depois se arrepender. Sob a luz da lua cheia eles ficavam ainda mais cinzentos e enigmáticos. Não conseguiria lê-los nem se tentasse. E quanto mais eles escondiam, mais fundo Harry precisava olhar na esperança de entender o que eles transmitiam. Em poucos segundos estava hipnotizado. — ...queria te dar isso. – ela terminou a frase enquanto espirrava uma quantidade considerável de água no rosto de Harry. Com o susto ele a soltou. Sentiu os olhos arderem um pouco pelo sal e ouviu quando ela nadou para longe às gargalhadas.
– Você me paga, yanke! – ele gritou e começou a tentar alcança-la, nadando na mesma direção. Logo a alcançou e a agarrou pelo pé. Os dois riam e se divertiam bastante. Espirravam água um no outro, tentavam afogar o adversário e fugir a nado.
– Chega, por favor! Eu estou ficando sem ar. – Julie disse, ainda rindo e parando por alguns minutos para recuperar o fôlego.
– Tudo bem – Harry também falava com dificuldade – Mas só porque eu não quero te humilhar.
– Ah, por favor, Potter! Você estava se afogando como um ratinho medroso. – Os dois voltaram a cair na gargalhada pela brincadeira. Nesse momento, uma onda quebrou com um pouco mais de força, lançando os dois corpos para mais perto um do outro. Harry voltou a segurar Julie pela cintura para ajudá-la a manter o equilíbrio.
Julie sentiu a mão de Harry agarrar sua cintura novamente, mas dessa vez a proximidade era maior. Eles dois nunca haviam ficado tão próximos assim. Foi obrigada a espalmar as duas mão no peito dele para manter-se equilibrada. Os músculos do peitoral de Harry eram definidos e estavam rijos de uma maneira que ela não esperava. Durante esses dias de praia ela pode notar as mudanças que as camisetas largas não evidenciavam. Além de mais alto Harry havia ganhado massa muscular. Continuava magro, mas seus músculos estavam mais definidos e um pouco mais evidentes. Olhou para cima, o que fez com que seus lábios quase se tocassem, e se deparou com duas esmeraldas em brasas a fitando. Os olhos dele ardiam, mas ela não podia evitar o contato. Sentiu a pressão da mão dele aumentar em sua cintura, enquanto a outra mão encontrava repouso no meio de suas costas.
– Harry... – ela tentou dizer alguma, mas não tinham palavras. Harry acabou com distância ridícula entre os lábios, e logo eles estavam grudados. O beijo começou lento e tímido. Os lábios se conheciam e pareciam entender-se perfeitamente bem. Ele tocou-lhe a pontinha dos lábios com a língua pedindo permissão para aprofundar o beijo. Ela, por sua vez, abriu um pouco os lábios para que a língua dele pudesse entrar como uma serpente faminta em busca da sua. Ensaiaram uma dança a parte, com movimentos delicados e sensuais, mas ao mesmo tempo urgentes e quase selvagens. Julie enterrou uma das mãos nos cabelos negros e molhados, enquanto a outra lhe acariciava os músculos do braço. Ele mantinha uma mão em sua cintura, segurando de forma firme e possesiva, enquanto a outra brincava entre suas costas e nuca. Sentia um calor explodir dentro de si como nunca antes sentira em sua vida. Merlin, como ela queria beijá-lo! Como queria estar exatamente assim, totalmente entregue em seus braços. Harry levou uma das mãos à sua coxa de forma delicada. Com a mesma delicadeza acariciou esta parte do seu corpo e a levantou um pouco, de maneira que os seus corpos ficassem completamente colados. Céus, ela sentia o quanto ele também queria aquilo. Sentiu que as pernas derreteriam a qualquer momento, tamanho era o calor em seu baixo ventre. Jamais sentira isso antes. Nem mesmo com...
A simples lembrança de Cedrico fez com que ela recuperasse a consciência e interrompe-se o beijo. Harry a olhava atônito, tentando entender o que acabara de se passar entre os dois.
– Julie, eu... – ele começou a dizer.
– Não. – ela interrompeu – Não, por favor. E-eu vou subir. Amanhã nós... – ela estava tão confusa quanto ele. Mal conseguiu terminar a frase. Saiu depressa do mar, pegou suas roupas na areia e entrou na casa com mais pressa ainda, deixando pra trás um atordoado Harry Potter.
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