Tão gelado quanto sangue.
10 Nossos corações são jovens.
Notas iniciais
É como se o relógio estivesse sempre correndo
Mas meu tempo não deve ser desperdiçado
Maio de 1966.
O vestido rosa de Annie era a única coisa que John não gostava naquele momento. Ele era tudo, menos de bom gosto. Annie conseguia ficar linda mesmo dentro daquela monstruosidade. Mas o que eles podiam fazer, ela era a Madrinha do casamento de Jocelyn e Frank, enquanto John era o padrinho.
Eles estavam de volta em sua cidade natal na Califórnia para o casamento dos dois.
John e Frank entraram na igreja e ficaram esperando Jocelyn chegar. Annie chegou e tomou lugar do lado da noiva. Ela sorriu para John, que retribuiu o sorriso.
A marcha nupcial começou a tocar e Jocelyn entrou com o seu pai na igreja. Eles se pareciam bastante. Mas Jocelyn tinha traços bem femininos, enquanto o pai tinha traços bem marcados pela idade. Ele era grande e troncudo. E tinha sempre o mesmo o olhar irritado. John se perguntou o que o irritava tanto...
Jocelyn foi entregue a Frank e a cerimônia se iniciou. O padre começou citando uma passagem da bíblia. John não tinha muitas crenças, mas gostou daquela passagem.
– O amor é paciente, o amor é bondoso. Não se inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. – disse o padre, que já era bem velhinho.
Logo depois o padre começou a falar sobre a importância do casamento e como era muito bonito ver dois jovens se unindo no sagrado matrimonio.
Mas o que John realmente gostou foi a troca de votos. Eles diziam coisas tão lindas um para o outro. John quis ter esse momento com Annie. Ele já queria casar com ela, agora a vontade era imensa.
– Eu os declaro marido e mulher. – disse o padre. – Pode beijar a noiva.
Frank abraçou Jocelyn e lhe beijou apaixonado. John e Annie bateram palmas e riram.
***
John e Annie dançavam como dois adolescentes na pista de dança. Eles dançavam ao som da banda favorita de Jocelyn e Annie, The Beatles. Elas agiam iguais a duas garotas quando ouviam ou falavam deles e John achava isso super divertido. Ele gostava da banda também, mas não como as duas.
A festa depois do casamento fez John pensar na festa que daria quando fosse se casar com Annie. Não seria tão grande, porque ele não gostava de grandes festas, mas com certeza teria bastante musica e comida. E ele dançaria com Annie a noite inteira. Ele sorriu ao pensar nisso e Annie sorriu de volta.
– Você sabe que eu quero me casar com você, não é? – disse John baixinho só para Annie ouvir.
– Isso é um pedido? – o olhou com uma sobrancelha arqueada.
– Não oficialmente. – disse John dando de ombros.
Ela o beijou de leve nos lábios.
– E isso é um sim, não oficialmente.
John sorriu. Ela também queria casar com ele e isso o fazia ficar feliz. Eles poderiam ser um casal finalmente.
Eles saíram da pista e foram jantar. Eles foram sentar-se à mesa dos noivos e comeram ao lado dos amigos.
Frank e Jocelyn estavam tão felizes com o casamento. Ela não parava de sorrir e ele olhava toda hora para John e dizia “ela não é incrível”. John apenas assentia. Mas eles realmente formavam um casal perfeito. Eles tinham personalidades iguais. Os mesmos gostos, as mesmas manias.
John ficou feliz pelo amigo. Encontrar uma garota assim não era fácil, mas Frank também era um daqueles rapazes que as garotas sempre sonhavam em casar. Frank era alto, loiro e tinha grandes olhos azuis. A única coisa que estragava seu rosto era um bigode que ele tentava crescer. Mas isso era o de menos.
Frank cutucou John e lhe perguntou:
– E quando você e Annie vão se juntar?
John riu.
– Bom, acho que isso não demora muito.
Frank assentiu.
– Vejo como vocês se olham. – disse Frank. – Principalmente, ela. Porque desde 63 que eu não confio muito nos sentimentos dela, mas agora é possível ver em seu olhar o quanto ela te ama e isso me ficar contente por você, John. Porque eu sei o quanto você a ama.
John abraçou o amigo.
– E é por isso que eu sou seu amigo até hoje. – ele disse. – Você sempre foi sincero. – Frank sorriu. – E eu consigo ver o quanto você ama Jocelyn e isso me faz ficar feliz por você.
Eles riram e começaram a jogar conversa fora.
Eles eram amigos há tanto tempo que aquilo tudo era tão natural.
John sentiu uma necessidade tão grande de casar com Annie que ele quase não conseguiu segurar. Era como se ele soubesse que seu tempo estava acabando e que a qualquer minuto ele não a teria mais. Ele tinha que correr atrás de sua felicidade logo. Senão ele a perderia. Ele não queria a perder. Não depois de tudo o que passaram. Seus corações eram tão jovens e batiam um pelo o outro.
Annie era o lugar que ele gostaria de chamar de lar. E ele não iria perdê-la nunca mais.
Ele se levantou e pegou a mão dela e foram dançar novamente. Ela deitou a cabeça em seu peito e ele a apertou contra ele. E ele sentiu ela suspirar contra ele.
Vou aproveitar a vida enquanto puder
E segurar esse momento em minhas mãos
Vou voar até aprender a pousar em meu lar
Chasing the Sun – Hilary Duff
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