Tão gelado quanto sangue.
12 Em qualquer lugar, eu teria te seguido.
Notas iniciais
E eu, vou tropeçar e cair
Eu ainda estou aprendendo a amar
Apenas começando a rastejar.
Say Something – A Great Big World & Christina Aguilera.
Agosto de 1959.
A batida insistente na porta de seu quarto o fez despertar irritado. Porque diabos não o deixavam dormir em paz? Ele abriu os olhos e levantou a cabeça e encarou a porta.
– Já acordei. – ele berrou.
– Então venha logo tomar café da manhã. – respondeu sua mãe.
Ele se soltou na cama e apertou o rosto no travesseiro. Ele suspirou. Ele não queria acordar cedo, mas não era opção. Todos ali acordavam cedo.
Ele afastou a manta que ele usava para dormir e colocou os pés no chão. Coçou o perto nu e se levantou. Foi até seu banheiro e tomou banho. Voltou para o quarto e se vestiu. Abriu a porta do quarto e desceu até a sala de jantar onde o café da amanhã estava posto. Ele se sentou de frente para a mãe. Ele tinha uma aparência cansada, mas ele achava que era por causa de correr de um lado para o outro atrás de Melanie. A irmã estava sentada ao lado da mãe, que a servia.
O pai não estava na sala, com certeza porque já havia ido trabalhar. Ele ia cedo demais. John se serviu de café e não colocou açúcar no café. Ele tinha aprendido a gostar assim de café com a mãe, que tomava escuro como a noite e amargo. E ela era uma pessoa tão doce. Ele achava que era por isso que ela o tomava amargo.
– Fiquei sabendo que acompanhou Annie até a casa dela ontem à noite. – disse a senhora Miller com um sorriso.
Ela sempre falou que John e Annie iriam se casar. John sempre se recusava, mas agora ele até achava que a mãe estava certa.
– Não foi nada. – disse John dando de ombros e tomando um gole razoavelmente grande no café.
A mãe sorriu como se entendesse.
– Ela se tornou uma garota adorável não é mesmo?
John sentiu seu rosto esquentar. Ele não queria falar sobre a garota maravilhosa que ela havia se tornado.
Ele apenas balançou a cabeça. E encheu a boca com torradas. John se sentia desconfortável em falar de garotas com a mãe.
– John, a Dayana viu Annie te dando um beijo. – A mãe disse e John arregalou os olhos. – Não tem problema.
John terminou de mastigar as torradas e tomou outro gole de café para ajudar as torradas a descerem.
– Tem sim. – ele disse passando a língua nos lábios. – Ela tem namorado.
– Ela está casada? – perguntou a mãe limpando a boca de Melanie.
– Não. – ele disse desconfiado.
– Então... – a mãe pegou Annie no colo e saiu da sala.
John refletiu o que a mãe havia falado e decidiu que era verdade. Ela não estava casada com Kevin, ela só estava namorando ele. John iria conquistá-la e seria nesse verão.
Ele saiu de casa e seguiu em direção a casa da senhora Campbell. Ele tocou a campainha e esperou Dayana abrir a porta e lhe dar um sorriso amável. Dayana era uma mulher tão gentil, era uma tristeza ela não fazer parte das senhoras respeitáveis da vizinhança. John achava isso errado, mas as mulheres mais velhas não.
– Oi, senhora Campbell. Annie está?
– Já vou chamar ela, John. – ela disse e abriu mais a porta. – Entre por favor.
John entrou na casa. Era um lugar não tão grande quanto a casa de John, mas era espaçosa. Era uma casa de um andar só e John achava estranho, estava tão acostumado com as escadas.
Annie apareceu vestida com um pijama azul marinho e o cabelo bagunçado.
– O que aconteceu? Caiu da cama? – ela perguntou bocejando.
– Queria saber se não quer passear comigo hoje? – John perguntou e ele viu os olhos de Annie brilharem.
– Claro, Johnny. – ela disse e deu uma piscadela para ele. John sentiu seu coração disparar. – Espere só um pouquinho, ok?
– Claro.
A senhora Campbell se sentou ao lado dele e perguntou como as coisas estavam. Ele a respondeu com educação, mas sabia que sua mãe a deixava informada de tudo que acontecia.
Depois do que pareceu uma eternidade, Annie apareceu na sala. Ela estava lindíssima. Usava uma saia azul marinho e uma camisa branca. Seu cabelo longo estava solto e ela sorria animadamente.
– Vamos, Johnny. – ela disse.
– Claro, Annie.
Eles caminharam juntos pela rua de Annie. Logo depois que eles passaram por um grupo de garotas pulando corda, Annie pegou sua mão. Ele sentiu como se todo seu corpo ficasse inerte depois disso. Porque ela estava fazendo isso? Ela não era namorada de Kevin. Ela deveria agir como se fosse namorada dele.
– Quais são os planos para hoje? – ela disse.
– Pensei em te levar para tomar sorvete. – ele disse e ela sorriu.
– Então vamos!
***
Eles entraram na sorveteria e sentaram-se na mesa mais distante. Annie pediu uma taça de sorvete gigantesca e John pediu um milkshake. Eles conversavam animadamente. Os sorvetes chegaram e eles comeram em silencio. Esse silencio não era uma daqueles desconfortáveis, mas uma daqueles que os olhares preenchiam tudo.
Ele não entendia porque se sentia assim quando estava perto dela. Porque as palmas da sua mão suavam daquele jeito e seu coração disparava toda vez que ela olhava para ele. Claro, que ele iria conquistá-la. Mas o que eram esses outros sintomas? Será que estava se apaixonando por ela? Ele queria que a resposta fosse não. Ele não queria se apaixonar. Mas ele sabia que seguiria ela até o inferno, se ela pedisse. Ele entregaria a vida para ela. E isso o assustava.
Eles terminaram o sorvete e decidiram andar na praia. Ela pegou na mão dele e eles caminharam de mãos dadas como se fossem namorados. John não conseguia tirar o sorriso dos lábios.
Annie se sentou na areia e ele fez o mesmo. Eles olharam para o mar e para o céu azul daquela tarde. Não haveria dia mais feliz para John. Ele sabia disso.
– Como vai sua mãe? – perguntou Annie. – Ela parecia cansada da ultima vez que eu a vi.
Ela também tinha notado. John ficou um pouco preocupado pela mãe.
– Hoje de manhã ela parecia estar bem.
Annie assentiu.
– Alguma namorada na escola interna, Johnny? – Annie perguntou e levantou uma sobrancelha.
– Nenhuma. – John respondeu dando de ombros.
Ela sorriu. Era como se ela esperasse essa resposta.
– Me leve para casa. – ela disse. – Que eu quero me arrumar, nós vamos dançar essa noite de novo.
Eles se levantaram e John a levou de volta para casa.
***
Eles entraram novamente naquele salão abafado e John se sentiu à vontade. Ela o levou para o meio da pista e começaram a dançar ao som de Elvis. Era como estar no paraíso, na visão de John. Dançar com ela era tudo que ele queria. Frank estava lá com Jocelyn novamente. John percebeu que o amigo gostava dela. Mas ele não sabia se a garota gostava do amigo dele da mesma forma.
Annie foi buscar algo para tomarem e voltou com um liquido suspeito dentro do copo.
– Isso é bebida alcoólica? – perguntou John.
Ela assentiu.
– Experimente.
Ele tomou tudo de uma vez e sua cabeça rodou. O gosto era horrível. Queimou sua garganta enquanto descia.
Annie tirou um cigarro e fumou lentamente.
– Quer um? – ela perguntou.
John assentiu. Ela lhe entregou um e o acendeu com o dela. Ele ainda sentia vontade de tossir, mas a nicotina já começava a fazer seu efeito calmante. Annie encostou-se a uma das paredes do salão e John ficou parada na frente dela.
– Quero saber o que acha de mim? – ela disse.
– Como assim?
– Se me acha bonita. – ela disse levantando as mãos. – Se me acha uma garota atraente. Essas coisas.
John não queria começar a falar o quanto ela era linda e como ela era o tipo de garota para ele. Então, ele apenas disse:
– Te acho linda.
Annie sorriu.
– Bom saber disso.
– Eu também queria dizer que eu gosto muito de você. Muito mesmo.
O sorriso de Annie se abriu mais ainda.
– Ah, Johnny. – ela disse com um suspiro. – Vamos dançar.
E eu, vou tropeçar e cair
Eu ainda estou aprendendo a amar
Apenas começando a rastejar.
Say Something – A Great Big World & Christina Aguilera.
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