Tão Perto... Tão longe...

14 A dor da perda e vozes que ressuscitam.


Notas iniciais
Hello povo!!! Confesso que demorei de propósito pra aumentar a curiosidade de vocês! rsrs Obrigada pelos comentários fofos e engraçados do último capítulo, amo vocês e espero que gostem desse capítulo, caprichei bastante!!! Boa leitura!

SASUKE´S POV

No momento em que minha espada perfurou Sakura eu fiquei paralisado, incapaz de pensar ou de fazer algo. No entanto, quando ela retirou a arma de dentro de si e começou a cair, algo em mim despertou e eu ainda consegui segurá-la.

A última coisa que ela fez foi acariciar meu rosto.

— Não... Sakura, não! – comecei a gritar desesperadamente – SAKURA! POR FAVOR, NÃO!

Não tive forças para continuar sentado e desabei sobre ela, eu a segurei firmemente, me negava a acreditar que a havia matado... Não ela... Foi tudo tão rápido, eu nem sabia o que havia acontecido. Minhas mãos estavam manchadas com o sangue dela, tão vermelho quanto o sangue da minha mãe naquela noite. Tudo se repetia na minha mente, de novo e de novo. Eu via sangue, e corpos que um dia foram dos meus pais, olhos sem brilho encarando o nada. Mais sangue e então meu irmão surgiu, ou melhor, o corpo dele. Estava caído em uma pedra, machucado... Então vi Sakura, olhei para ela, o sangue escorria por sua boca e manchava seu cabelo claro, deixando-o com aspecto grudento.

Minha Sakura...

Encontrava-me tão entorpecido que mal notei quando diversos chakras adentraram a clareira, não me dei ao trabalho de olhar, nada mais importava, ela estava morta e meu mundo também.

Alguma coisa acertou meu queixo, fazendo-me voar longe, demorei um pouco para perceber que se tratava de um soco. Tentei fazer minha mente voltar a funcionar e ergui a cabeça para ver quem tinha me acertado e... Naruto?

Coloquei-me de pé alarmado e o observei enquanto ele pegava Sakura e a entregava para um de seus seguidores, aquele que tinha a pele tão pálida quanto giz, não me lembrava de seu nome. Naruto me encarava com a expressão mais fria que eu já o vira usar, começou a caminhar na minha direção com os punhos cerrados. Mas não importava, pois outro estava segurando o que era importante para mim. Eu não me importava em saber o motivo de estarem ali ou como haviam me encontrado, eu só queria voltar a segurar Sakura, queria sentir o resto do calor dela.

— Tire as mãos dela! — Sussurrei, mas ninguém pareceu ouvir. Será que eu realmente tinha falado alguma coisa?

— NÃO ACREDITO QUE FOI CAPAZ DISSO, SASUKE, O QUE VOCE GANHOU COM ISSO? – ele gritou, mas eu não conseguia entender. Do que ele estava falando? Por que não me devolvia Sakura?

— EU FAREI VOCE PAGAR! – continuou no mesmo tom ríspido e ameaçador, algo que eu sabia que não combinava com ele.

Então ele avançou e me esmurrou mais uma vez e eu acordei do meu transe. Com dificuldade me equilibrei e olhei para ele pela primeira vez, olhei de verdade, e vi nada mais do que ódio. Naruto, aquele que tentava sempre consertar tudo, o otimista, o que me dizia que ódio e vingança não eram a solução estava ali, totalmente distorcido diante de mim. Suas mãos tremiam e os olhos pareciam ácido azul derretido.

— DIGA ALGUMA COISA! — gritou enquanto avançava e desferia vários golpes em mim e eu não dizia nada, apenas ficava quieto, pois eu sabia o que era sentir ódio.

Meu rosto estava coberto com sangue, mas nem por isso Naruto parou.

— DIGA!

— Me... Perdoe. – foi a única coisa que eu consegui pensar para dizer.

— O QUE? COMO QUER QUE EU PERDOE VOCÊ DEPOIS DISSO?!

Ele ia me acertar outro soco quando o seguraram por trás e o puxaram de cima de mim. Lee o arrastou uns dois metros e Naruto tentava se desvencilhar dele com chutes e protestos.

— Naruto-kun, já chega se acalme. – Lee dizia.

Naruto o ignorou até que uma voz feminina o chamou com urgência.

— Naruto-kun! Naruto-kun! – era Hinata.

Pela primeira vez a vi ali, estava sobre Sakura, que não estava mais com o cara e sim na grama outra vez, e a examinava com cuidado.

— Ela ainda está viva, acho que posso salvá-la, mas temos que ser rápidos. – ela disse, e depois continuou falando com Naruto, porém eu não escutei, pois a palavra “viva” ressoava em minha mente.

Sakura estava viva... Viva! Então minha mente clareou e eu levantei às pressas e corri para onde ela estava. Quando Naruto e Lee notaram minha aproximação tentaram me parar, me impedir de tentar salvar a garota que eu amava.

— SAIAM! – vociferei.

— Não deixaremos que você a mate. – Lee falou – não importa se terei que te enfrentar, não me importo de morrer pela Sakura-chan.

— Me deixem passar! – com tudo eu quebrei a defesa dele e me ajoelhei perto de Sakura, praticamente empurrei Hinata e o garoto, mas isso não importava. Sakura importava. Segurei o rosto dela entre as mãos.

— Sasuke, mas o que você está... – Naruto começou a dizer.

— Não, Naruto-kun... – foi Hinata quem disse.

Puxei Sakura e encostei o ouvido em seu peito. Demorou um pouco até que eu escutasse o fraco bater de seu coração. Um sorriso bobo tomou meus lábios, mas logo sumiu. Virei-me para Hinata.

— Tem certeza de que pode salvá-la?

— N-Não, mas eu posso tentar, a chance é pequena.

— É o suficiente pra mim. Vamos para o meu esconderijo. – falei enquanto levantava com Sakura nos braços.

— De jeito nenhum! – Naruto se pôs a minha frente – acha que eu deixaria você torturá-la mais? A Sakura-chan vai conosco até a pousada e nós cuidaremos dela lá.

— Exatamente, você já fez o bastante Sasuke, não deixaremos que a leve de novo. – o garoto branco como giz falou.

— Vocês não entendem – minha voz era de suplica agora – eu não posso deixá-la.

— Sasuke-kun... Você... – Hinata não terminou, mas algo em seu tom me dizia que entendia o que eu queria dizer.

— Olha, odeio interromper a conversa de vocês, mas a cada minuto que passa a Sakura perde mais sangue. – a voz veio da borda da clareira. Era Kiba, ele estava com os braços cruzados e parecia entediado.

— Naruto, ele tem razão. – o garoto branco disse.

— Então vamos. – ele me olhou – me dê a Sakura-chan.

— Não, eu irei junto.

— Como assim? Você tentou matá-la e agora quer salvá-la? – Lee estava indignado.

Imagino que a cena que eles viram quando chegaram realmente sugeria que eu havia tentado matá-la, com certeza demoraria até explicar isso e eu estava preste a falar que não tínhamos tempo quando Hinata leu minha mente.

— Não adianta nos preocupar com isso, temos que salvar Sakura-chan, deixe que o Sasuke-kun vá.

Naruto continuou me encarando, os punhos cerrados e cobertos pelo meu sangue. — Sai, faça alguns pássaros, vamos voando.

Imediatamente Sai pegou um pergaminho em branco e desenhou pássaros, em seguida fez um selo de mão e os pássaros ganharam vida, eram enormes.

— Eu a levo. – Sai falou estendendo os braços para pegar Sakura. Quando não entreguei ele acrescentou: — pelo ar será mais rápido e ela vai ficar mais confortável.

Respirei fundo e a acomodei em um dos pássaros gigantes, e depois subi no animal. Todos me encaram.

— Eu disse que irei também.

Ninguém tentou me impedir e logo estávamos todos montados em animais gigantes e voávamos o mais rápido possível até a vila, onde eles deviam estar acomodados.

A viagem não era longa, mas pareceu demorar um século. Quando chegamos à pousada fomos direto para um local espaçoso onde pudéssemos deitar Sakura, a recepcionista não nos interrogou apenas trouxe o que Hinata pediu.

A Hyuuga começou a concentrar o chakra verde em Sakura, não tinha tanto efeito quando o da própria Haruno teria, parecia fraco demais.

— Você é ninja médica? – indaguei.

— N-Não, mas aprendi um pouco... – ela estava claramente nervosa.

— É melhor deixarmos que ela trabalhe sem pressão. – Lee falou e começou a sair do lugar.

— Verdade. – Sai concordou e também saiu.

Kiba nem tinha se dado ao trabalho de entrar, então só havia sobrado eu e Naruto de plateia.

— Vem, ainda não terminamos de conversar. – aquela postura fria voltou.

Eu não queria deixar Sakura, mas foi o jeito, caso contrário eu seria arrastado dali.

Segui Naruto para fora da pousada, ele estava mais calmo e eu havia percebido que evitava olhar para mim. Por fim parou embaixo de uma árvore e se virou para mim.

— Por quê? – foi a única coisa que disse, no entanto dizia tudo o que ele queria.

— Eu não tentei matá-la.

— Ah, é? E o que foi aquilo então? Estavam brincando de pique com a espada? – sua voz se tornou mais triste quando proferiu as próximas palavras. — Eu queria que você parasse de ser um idiota e voltasse pra vila, eu achei que conseguiria te parar antes que fizesse algo, mas eu não consegui... Por que, Sasuke? Por que está fazendo tudo isso? Por que a Sakura?

Suspirei e me sentei sob a árvore.

— Naruto, eu sei que sua vontade é de acabar comigo agora, era o que eu faria em seu lugar... Quando trouxe Sakura pro meu esconderijo eu só pensava em te deixar com mais raiva de mim, eu queria que você começasse a sentir a dor da perda assim como eu senti com meus pais e com meu irmão e eu sempre soube dos seus sentimentos por ela, embora nunca tenha comprovado se era verdade ou não, mas mesmo assim usei isso a meu favor, eu a usei como forma de diversão, no entanto, os dias foram passando e eu comecei a me aproximar dela, comecei a sentir aquele carinho que ela tinha por mim e me senti culpado por tê-la sequestrado, sem falar que em momento algum ela tentou fugir. Sabe, pela primeira vez na vida eu estou me dando bem com aquela rosada, e eu nunca tentaria matá-la, nunca mesmo. Aquilo foi um acidente, estávamos treinando juntos e alguma coisa aconteceu, foi muito rápido e quando dei por mim, a espada já havia a perfurado.

— Sasuke, você acha mesmo que a Sakura-chan tentaria fugir de um local do qual ela desconhece? Sem falar que ela conhece o seu poder, ela não tentaria lhe enfrentar, e acima de tudo, ela ama você, faria tudo o que você pedisse, mesmo que isso signifique ficar presa em um esconderijo pelo resto da vida à mercê dos caprichos de um Uchiha egoísta! – a raiva dele estava voltando. – dane-se se vocês estão se dando bem, alguma vez você perguntou se ela realmente queria estar ali? Você a levou contra a vontade!

— Você não entende Naruto, no começo pode ter sido assim, ela tinha medo, mas o tempo foi passando e eu descobri que sentia algo por ela, algo que me permitiu passar por cima das idiotices que havia feito e pedir perdão. Dei a ela a chance de voltar para Konoha, mas ela não quis. Depois soubemos de Tobi e ela realmente quis voltar porque achava que você poderia estar em perigo por causa dela — nesse momento ele arregalou um pouco os olhos —, mas eu pedi que não fosse, pois Tobi havia mandado matá-la e achei que em Konoha não poderia protegê-la. — falei suspirando mais uma vez — eu sei que me odeia agora Naruto, e desconheço suas razões para não ter me matado ainda, mas eu te peço que se ela não sobreviver… Por favor, acabe comigo.

Um minuto de silencio se formou. Ele continuava me encarando. Desde que formamos o time 7, Naruto era meu amigo e meu rival, sempre querendo competir e sempre me superando de alguma forma. Ele batalhava para aprender todos os jutsus que podia, corria atrás. Já eu, tinha tudo de bandeja, o poder sempre veio até mim e tudo o que eu fazia era lamentar a morte da minha família e odiar o meu irmão. Sempre achei que era melhor que Naruto porque eu havia conhecido meus pais, havia tido uma família, mas isso nunca me tornou melhor do que ele, pois assim como os poderes, eu ganhei uma família quando nasci, mas Naruto perdeu a dele. Ele nunca conheceu seus pais, mas ainda assim lutou por uma família: Kakashi, Jiraya, Iruka, Sakura...

Eu não sabia ao certo qual era a relação que eles haviam criado no tempo que eu fiquei fora, mas apostava no amor fraternal, eram como irmãos, então eu sabia o que Naruto sentia agora, pois eu sabia como era ter um irmão e perdê-lo.

— O que disse é verdade Sasuke? — seu tom tinha amenizado e ele voltara a ser o Naruto de sempre, pelo menos por um momento. Apenas assenti e ele continuou. — mas se ela sobreviver, eu peço que você desapareça Sasuke, parece que você não quer realmente voltar para a vila, então eu peço que pare de machucar as pessoas que se importam com você. A Sakura-chan não merece viver sofrendo, e você só causa dor a ela. Não sei se irá desistir do seu plano maluco de destruir Konoha, porém de qualquer modo eu estarei lá para defender a vila e para proteger quem eu amo. Você é o meu melhor amigo Sasuke, mas quando um amigo chega a esse ponto... A escolha é óbvia. — sua voz havia soado calma e ríspida.

— Há muito eu desisti de atacar Konoha, mas será como você quer. Tem razão, sou um perigo para ela e qualquer outra pessoa que me ame. Vou sumir Naruto. — mal acreditei em minhas próprias palavras, era isso então? Estava desistindo de ter algum futuro com Sakura?

Ainda assim eu sabia que ele estava certo, eu vinha causando muita coisa ruim por onde eu passava... O melhor era me afastar. Meu coração estava mais leve depois de desistir da minha vingança. Se eu fosse para longe, Tobi iria atrás de mim e deixaria Sakura de lado, assim eu esperava. Se ela morresse... eu imploraria para Naruto me matar, nem que precisasse andar de joelhos atrás dele pelo resto da minha vida. Eu não queria viver sem ela, eu não queria voltar a ser aquele Sasuke arrogante. Eu queria poder ver o sorriso dela todos os dias, queria acordar ao lado dela e sentir que finalmente eu tinha uma vida da qual não me arrependeria.

Naruto não disse mais nada apenas suspirou e se afastou, ele ficou esperando tão ansioso quanto eu. O tempo passou se arrastando, e minha agonia só aumentava. Quando finalmente Hinata apareceu do lado de fora eu levantei correndo.

Sua expressão não era boa, ela estava pálida e tremia um pouco. Todos já estavam perto dela para saber o que tinha acontecido.

— E-Eu sinto muito... Eu não consigo, meu chakra está no limite e quase não fiz progresso, o sangramento está muito forte e ela está muito fraca... – sua voz vacilou um pouco e ela se virou para mim – me desculpe Sasuke-kun... Eu tentei...

Apenas assenti vagamente, pude perceber que estava exausta e não conseguiria continuar. De todos que estavam ali, ela fora a única que entendera meus sentimentos por Sakura, a única que acreditava em mim.

— Posso vê-la? – perguntei.

— Acho melhor não. – Sai falou.

— Hinata, por favor. – ignorei Sai e continuei olhando para a Hyuuga.

— C-Claro... – ela me abriu passagem.

— Hinata, tem certeza? – Naruto perguntou.

— Tenho.

Entrei quase correndo no aposento. Sakura estava deitada de costas, seu rosto quase não tinha mais cor, e era quase impossível ver o movimento de seu peito enquanto ela respirava. Aproximei-me lentamente e passei uma das mãos em seu cabelo, continuava sedoso como sempre.

— Sakura... – sussurrei – me perdoe.

Pela segunda vez na vida eu senti meu coração apertado. Mais uma pessoa que eu amava estava morrendo na minha frente e por minha causa. Talvez o meu destino não fosse amar alguém, talvez o fato de ter a personalidade que tenho fosse para manter as pessoas afastadas, para que elas não se machucassem perto de mim... Se eu não tivesse trazido Sakura... Se eu não tivesse me juntado a Tobi... Se eu não tivesse ido atrás de subordinados... Se eu não tivesse me juntado a Orochimaru... Se eu não tivesse saído da vila... Se eu não tivesse me apaixonado...

Ela não estaria assim agora.

Sakura fazia parte de mim, e agora essa parte estava se esvaindo, deixando um grande buraco no local. Eu nunca me perdoaria, eu sabia que se ela morresse não haveria um dia sequer que eu não me culparia, não haveria um dia em que eu pudesse sorrir verdadeiramente como eu sorria para ela...

Não! Eu me recuso a deixá-la morrer assim, não é justo. Coloquei minha mente para trabalhar a todo vapor, tinha que ter algo que eu pudesse fazer... Claro! Por que não pensei nisso antes?

Corri para fora da pousada novamente, todos pareciam ter perdido as esperanças e estavam vagando em seus próprios mundos.

— Sai! – chamei impaciente. – preciso de um dos seus pássaros.

— O que? – ele se virou para mim.

— Eu sei como salvá-la. – disse mais impaciente ainda, cada minuto era muito.

— Como pretende fazer isso? – Naruto perguntou chegando mais perto de mim.

— Não dá para explicar, Naruto, ela está morrendo!

— Como saberemos que não é armação? – Lee perguntou.

— Não saberão, vocês precisam confiar em mim – me virei para Naruto – eu sei o que você viu lá no Vale do Fim, eu sei que mesmo tendo dito antes para eu sumir você nunca desistiria de mim, porque eu sou seu amigo, não é? Então, Naruto, não desista da Sakura também. Sei que é difícil acreditar em mim depois do que você viu na clareira, mas, de todas as pessoas, você é o único que me entende de verdade.

Ele arregalou levemente os olhos, e eu entendi porque, quer dizer, eu nunca diria algo assim, era como se estivéssemos com os papeis trocados. Ele sorriu um pouco e em seguida se virou para Sai.

— Eu confio nele.

E isso bastou para que ele me desse um dos pássaros. Antes de sair eu havia pedido para Hinata estancar o máximo de sangue que conseguisse e pedi para Naruto cuidar dela pra mim.

Eu voei o mais rápido que pude enquanto ia de volta para o esconderijo. Nem esperei o pássaro descer direito quando chegou e já fui pulando. Entrei às pressas na caverna, dei de cara com Suigetsu.

— Onde está a Sakura-chan? Queria falar com ela e...

— Não tenho tempo! – passei correndo por ele e segui para os corredores mais abaixo.

Bati com toda minha força na porta de Karin, na verdade continuei batendo até ela abrir.

— Mas o que é que você... Sasuke? – disse assim que me viu.

— Karin, preciso da sua ajuda. – minha voz saiu meio desesperada. – Eu sei que nunca trato você bem e confesso que só te trouxe comigo por causa de seus poderes, mas agora eu te peço para me ajudar. – ela ficou tão chocada quanto eu com minhas palavras, mas eu não estava nem aí, só queria salvar Sakura.

— O que você quer? – ela ainda estava atônita.

— É a Sakura, ela está muito ferida, precisa de você. – sua expressão mudou instantaneamente quando falei o nome da rosada, seu rosto se tornou duro e inexpressivo.

— Então se trata disso? Você tenta me matar e depois eu que tenho que salvar a sua namoradinha? Eu não sou um objeto que você pode ficar usando, Sasuke, tenho sentimentos. Eu sempre estive disposta a morrer por você, na esperança de que só assim entenderia o que eu sentia... Mas você nunca ligou, não é mesmo? E agora quer que eu a salve para poder ver vocês dois felizes enquanto eu sofro cada dia mais? Acho que não... Você nunca precisou de mim antes, então não precisa agora. – ela me fitou e eu percebi que fazia o possível para não chorar.

Mas uma vez repensei meus atos, e se eu não tivesse tratado Karin tão mal? E se eu tivesse apenas conversado com ela uma única vez? E se eu tivesse dado valor?

— Por favor... – senti mais um pedaço de mim cair. Respirei fundo e a fitei – Karin... Por favor.

— Favores não irão salvá-la Sasuke. – e com isso ela bateu a porta.

Minha última esperança... Acabado, tudo estava acabado... Que sentido tinha ter vivido sempre por um objetivo, sendo que todas as decisões resultariam em um só fracasso?

Quando retornei à pousada apenas Kiba estava do lado de fora, ele parecia estranhamente sossegado com tudo o que estava acontecendo.

— Pela sua cara eu não diria que conseguiu algo.

Eu não respondi.

— Sabe, se ela morrer, é melhor implorar ao Naruto para deixar você viver, pois você merece carregar esse peso por toda a vida.

Talvez ele tivesse razão… eu merecia…

Assim que entrei na sala, quatro pares de olhos me fitaram esperançosos. Balancei a cabeça em sinal negativo.

— Eu… não consegui. – minha voz não passava de um sussurro – me desculpem…

— Não… Sakura-chan. – Hinata começou a soluçar.

Fui até Sakura e a olhei com ternura, tentando guardar cada detalhe, eu não queria vê-la morta, seria demais para absorver. Tentei lembrar seus sorrisos, o brilho em seus olhos, os cabelos que eu tanto amava, o nosso primeiro beijo e a nossa primeira vez… De repente relembrar tudo aquilo se tornou uma tortura. Senti uma lágrima escorrer por meu rosto e em seguida várias outras se juntaram a ela. Quando dei por mim estava inclinado sobre o corpo desfalecido de Sakura.

— Me perdoe...

Senti os olhos de todos em mim, mas não me importei, além disso, eu sabia que não era o único naquela sala que estava aos prantos. Tentei me recompor da melhor maneira e beijei levemente os lábios gélidos da Haruno. Depois saquei uma kunai e levei para perto de seu cabelo.

— Sasuke, o que está fazendo? – Naruto gritou no mesmo instante em que eu cortei uma pequena mecha do cabelo de Sakura.

— Sasuke-kun… – Hinata pronunciou.

Guardei a kunai e a mecha de seu cabelo e a olhei pela última vez.

— Eu amo você.

Virei-me e caminhei até Naruto, ele tinha lágrimas nos olhos e mexia inconscientemente no cristal em seu pescoço.

— Você tem uma promessa a cumprir. – falei sem rodeios.

— Não vou te matar Sasuke.

— Eu mereço viver com isso, não é? – repeti as palavras de Kiba.

Não esperei que ele respondesse e sai da sala. Meu corpo inteiro parecia pesado e respirar se tornava cada vez mais difícil. Já estava quase na floresta quando Naruto me alcançou.

— Sasuke, não tem que fazer isso, pode voltar pra vila conosco, pode ter uma vida normal. Nós vamos superar… juntos. Sei que pedi para ir embora, mas... — ele respirou fundo, parecia agoniado, os olhos estavam vermelhos — eu estava com raiva, muita raiva. Não sei o que aconteceu na clareira, mas algo me diz que não foi de propósito e depois de vê-lo lá dentro com ela eu...

Ele não terminou, apenas me encarou com olhos brilhantes, esperando minha resposta.

— Eu nunca poderia voltar para Konoha depois de hoje. Como encararia todos? Como teria uma vida normal? Eu não sou como você, Naruto.

— O que você vai fazer então?

— Vou sumir. Sei que não vai me matar e eu não sou covarde o suficiente para fazer isso sozinho.

— Sasuke, você não está pensando direito. A Sakura-chan, ela...

— Ela está morta Naruto! – gritei para ele – agora me deixe em paz! Siga o seu caminho… Quer ser Hokage, não quer? —voltei a andar.

— Eu ainda não desisti de você, Sasuke. Você mesmo me disse isso. – ainda pude ouvi-lo dizer.

Eu queria estar longe daquele lugar antes que Sakura fosse realmente dada como morta. Eu sabia que tinha uma parte dela que estava lutando bravamente para permanecer viva nesse exato momento, mas também sabia que era uma parte muito pequena e eu não queria estar perto para ver essa parte perder. Pode até ser covardia minha, eu não sei.

No entanto o meu maior questionamento era: o que vou fazer agora? Com certeza eu não voltaria para o esconderijo. Então apenas caminhei sem rumo pela floresta, uma hora eu chegaria onde tinha de chegar.

KARIN´S POV

Assim que bati a porta na cara de Sasuke, as lágrimas tomaram conta dos meus olhos e dessa vez não consegui segurar. Desde que eu voltara para essa caverna eu não era mais a mesma, chorava por tudo e me sentia tão, tão sozinha. O homem que eu supostamente amava estava completamente mudado e totalmente entregue a outra garota.

E o modo como ele me pediu para ajudá-la, tão desesperado, como se perdê-la fosse o pior pecado do mundo… Bem, talvez fosse mesmo, quer dizer, vamos ser sincera Karin, está na cara que ele a ama… Sasuke nunca me olhou como a olha, nunca me tocou como a toca, nunca me beijou...

Quando voltei para o meu quarto ontem a noite eu me sentia vazia, muito mais do que qualquer outra vez. Chorar tanto aliviou um pouco a carga que eu levava a tanto tempo, mas agora, nesse momento, eu não sabia o que sentir ou o que fazer. Ele me pediu ajuda e eu disse não. Ele precisava de mim! Não, Sakura precisava de mim e eu neguei, mais uma vez coloquei a culpa nela pelos atos de Sasuke.

Respirei fundo e enxuguei as lágrimas, em seguida sai correndo do meu quarto em direção à entrada, onde encontrei com Suigetsu, sentado sozinho numa pedra.

— Karin. — ele me cumprimentou e então percebeu meu rosto inchado — estava… Chorando?

— Não. – respondi rápido demais e desviei o olhar.

— Estava sim, o que houve? – havia certa preocupação em sua voz, notei isso pela primeira vez.

E eu não sei o que deu em mim, mas pela primeira vez na minha vida, não vi Suigetsu como o cara chato que vive me atazanando, e sim como um amigo que me escutaria se eu tentasse conversar. Sentei ao seu lado numa pedra e contei tudo da maneira mais rápida. Confiei nele como nunca antes. Quando por fim terminei a história estava chorando como uma criança, muito mais do que estivera a poucos minutos.

— Bem… você sabe o que tem que fazer. —ele disse calmamente.

— Está dizendo que eu preciso salvá-la?

— Se você realmente ama Sasuke como diz, deve salvar a Sakura-chan. – Suigetsu ficou incomodado quando eu mencionei o fato de Sakura estar machucada, mas tentou permanecer calmo. — por ele, Karin, não por você.

— Mas, ele não me ama. Nunca fez nada por mim, por que eu faria algo por ele? – Minha voz subiu algumas oitava no final da frase e eu pigarreei. — E ele foi tão arrogante...

— Sabe Karin, eu não acho que você o ame de verdade. Acho que você está tão acostumada a querer acreditar que existe algo entre vocês que não percebe que na verdade só está se iludindo cada vez mais.

Tentei contra argumentar, no entanto eu não tinha palavras, fiquei muda de verdade. Nunca tinha pensado nisso. Será que eu amava o Sasuke realmente? Ou talvez minha visão física dele não significasse amor? As palavras de Suigetsu foram duras, mas necessárias.

— Você é tão cega, Karin… – Suigetsu sussurrou.

— O que?

— Nada… Por favor, salve a Sakura-chan, é a coisa certa a se fazer. – ele respirou fundo e me fitou bem fundo nos olhos – Sasuke pode não gostar de você da maneira que você quer, mas ele reconhece suas habilidades como ninguém, caso contrário não a teria escolhido para fazer parte do time Taka… e… ele não é o único que te admira, quer dizer… Você é um porre às vezes, mas é engraçada, bonita e eu gosto de você, quer dizer, eu sei que você me odeia, na v-verdade e-eu também te odeio, nem sei por que disse isso, m-mas eu gosto de você de um modo diferente. Não! Calma, não é isso que eu tenho que dizer, bem, eu não gosto de você, ok? Só um pouco, bem pouco, na verdade.

Eu o encarei por um tempo e então um sorriso se formou em meus lábios, aquela era a confissão de amor mais desengonçada e atropelada que eu já tinha visto.

— Acho que eu também posso te odiar um dia Suigetsu. – dei um leve beijo em sua bochecha e comecei a correr montanha a baixo, na esperança de ainda encontrar Sakura viva.

SAKURA´S POV

Vozes. Oscilavam em minha mente. Eu as conhecia, mas não podia dizer de quem eram. Às vezes estavam muito perto e às vezes pareciam não passar de um sussurro ao longe…

Eu estava à deriva em algum lugar, desde quando estava ali? Parte de mim gritava que eu devia estar em outro lugar, no entanto eu não sabia para onde ir… Eu estava morta? Porque se estava, não era como eu imaginei que seria… Não havia uma luz branca me chamando, não havia portas intituladas como céu e inferno. Na verdade, não havia nada ali, era completamente escuro, embora eu enxergasse perfeitamente, não era quente nem frio, mas mesmo assim os pelos da minha pele se eriçavam cada vez mais, e o silencio tomava o lugar, excerto pelas vozes, claro. Só que, aquelas vozes não pertenciam àquele lugar… não fazia sentido que elas pertencessem… Bem, nada estava fazendo sentido no momento, mas isso em especial era minha maior preocupação.

Tentei me mover, porém meu corpo estava muito pesado… Aliás, que corpo? Mesmo enxergando nitidamente no escuro, eu não via corpo algum ali — o que era estranho, pois eu podia senti-lo —, será que eu ao menos existia? Quem eu era? Tentei lembrar meu nome. Nada. Com todas minhas forças me concentrei nas vozes, que ficaram cada vez mais altas.

— Não podemos deixá-la morrer… tem que ter um jeito… – talvez fosse uma voz masculina, era difícil dizer em meu estado atual.

— Vou tentar de novo.

Quase que imediatamente meu corpo sentiu algo quente na altura do peito, parecia com pequenos animais andando sobre mim, era um pouco dolorido, mas suportável.

— Nada?

— Não. — eu não tentava mais saber de quem era a voz, estava mais interessada no contexto.

Algo morno acariciou-me o rosto.

—Vamos. Acorde, por favor.

Depois disso tudo começou a se afastar novamente, não era uma sensação muito boa. Eu sentia como se parte de mim estivesse indo embora enquanto a outra ficava ali naquele mundo estranho procurando por algo que talvez nem existisse: um fio de esperança.

Não sei quanto tempo passou até voltar a ouvir as vozes e dessa vez estavam mais excitadas. Era uma mistura de vozes de timbres diferentes, formavam um burburinho na minha mente e eu não conseguia saber do que falavam.

Alguma coisa desceu pela minha garganta, era quente e tinha um gosto de ferro e sal. Concentrei-me de novo nas vozes, distinguindo-as.

— Isso vai funcionar?

— Sim, é eficaz.

— Por que está fazendo isso por ela?

— Não estou fazendo nada por ela, é pelo Sasuke.

Sasuke… Sasuke… Eu soube que conhecia aquele nome quando meu corpo reagiu a ele. Meu coração bateu forte e minha respiração se tornou ofegante. Sasuke.

As vozes.

Agora eram completamente nítidas, estavam em ao meu lado e todo aquele mundo começou a desmoronar. E então eu percebi: eu estava entre a vida e a morte, mas por algum motivo eu estava voltando aos poucos.

Concentrei-me novamente em Sasuke, ele era importante pra mim, alguém que eu amava… A outra parte de mim que procurava esperança.

— Sasuke! – meus olhos se abriram subitamente.

A princípio não vi nada além de uma luz cegante, porém logo a minha visão começou a se adaptar e eu olhei em volta. Havia pessoas ali, pessoas que eu não conheci logo de cara, somente quando um homem louro falou comigo foi que me toquei quem ele era.

— Sakura-chan! Sakura-chan! – ele gritou e me abraçou – você voltou!

— Naruto? O que aconteceu?

— Oh, Sakura-chan… – essa era Hinata e chorava feito uma criança.

Em menos de um segundo me vi cercada por meus amigos da folha, Lee, Sai, Naruto, Hinata e Kiba… Bem, este estava mais afastado, mas não importava, eram os meus amigos!

— O que aconteceu? — perguntei novamente.

— Sakura-chan, você estava morta. — Naruto me disse.

— Ela não estava morta, mas estava bem perto disso. — uma voz disse antes que eu pudesse me pronunciar.

Percorri o local com os olhos e encontrei Karin encostada na parede do outro lado da sala. Havia um pouco de sangue escorrendo de seu braço.

— Karin?

— Ela salvou você. — Lee me disse.

— Você… Obrigada. De verdade.

— Não se preocupe com isso. Uma mão lava a outra, não é? — ela deu de ombros — Se não precisam mais de mim eu estou indo. — ela se virou.

— Karin, espere, pra onde você vai?

— Sei lá, voltar pra caverna ou vagar por ai. — ela me olhou profundamente — espero que você seja feliz com ele, Sakura, ele te ama. — e então ela se foi.

— Quem me… Sasuke… — olhei para Naruto — onde ele está?

Meu coração começou a se agitar em meu peito. Eu queria ver Sasuke, queria falar com ele, pois agora as lembranças voltavam e a última vez que eu o vira fora na clareira e ele estava perturbado. Eu queria tranquiliza-lo, olhar bem fundo em seus olhos negros e dizer que tudo ficaria bem, que eu estava bem. Ainda doía um pouco, mas eu estava bem.

— Onde ele está Naruto? — tornei a perguntar quando ele não respondeu. Minha agitação dando lugar à ansiedade.

— Ele… Bem — Naruto começou a ficar vermelho.

— Ele foi embora. — foi Kiba quem disse.

— O que? — perguntei incrédula, como assim Sasuke havia ido embora?

— Ele foi porque achou que você estava morta. O que é irônico considerando que ele já tentou te mat…

— Kiba-kun! — Hinata o interrompeu.

— Mas eu não estava morta. Ele não tentou me matar!

— Sim, Sakura-chan, mas o Sasuke… – Lee deixou a frase morrer.

— Não se preocupe tudo ficará bem agora. Nós a levaremos de volta para a vila. – Sai me informou.

— Mas… O Sasuke… Não! Não irei sem ele! — falei tentando me levantar, mas Naruto me segurou quando cambaleei.

— Sakura-chan, me perdoe, mas ele se foi novamente e dessa vez eu tenho quase certeza de que é para sempre.

Notas finais
O que acharam? Agora que vocês querem me matar mesmo, né? Rsrs vou tentar não demorar muito de verdade. Espero que tenham gostado! ♥ beijos!