Tártaro

2 Capítulo 2 - Confusão


Notas iniciais
Não gostei muito desse capítulo. Estou me provando um péssimo escritor de séries, e pior ainda de histórias medievais. Ou talvez não seja bom com zumbis. Bom, vou tentar melhorar nos próximos capítulos, sempre acho o começo mais díficil.

Estávamos todos assustados. O braço de Truv havia sido irremediavelmente quebrado, e a marca dos dentes havia alcançado seus ossos. Ele estava ajoelhado, gritando, e não era apenas ele. A multidão que estava lá para assistir o julgamento gritava também, e eu talvez também estivesse, mas não me lembro.

Lembro-me de Truv estar ajoelhado, o braço quebrado completamente vermelho por causa do sangue que escorria, enquanto um monge tentava endireita-lo para aplicar algumas ervas com poderes curativos. Não havia nada a fazer, o braço dele nunca mais seria o mesmo, eu sabia, meu pai sabia, mas não dissemos nada. Truv chorava como um garoto, e estava cada vez mais branco. Achamos que talvez ele fosse morrer ali mesmo.

Talvez fosse melhor se ele morresse. Nos meses em que passei fugindo, havia visto muita gente ferida se transformar em daimons. Parecia que a magia negra se manifestava de pessoa em pessoa através de ferimentos e, quanto pior o ferimento, mais rápido ele se tornava um deles. As pessoas que morriam antes de se transformar ficavam imunes, e isso era ótimo, o problema eram aqueles que eram arranhados e continuavam fugindo.

Digo tudo isso para falar da velocidade em que as coisas aconteceram. Um homem normal leva horas para virar um daimon, ao passo de que, pessoas feridas gravemente viram em poucos minutos. Acho que tem a ver com a condição física. Se estiver muito fraco, o tempo é encurtado. E Truv estava muito fraco, e extremamente abalado, de modo que, em apenas dois minutos, era um deles. Não sabíamos disso. Não tínhamos como saber.

Enquanto o monge amassava as ervas na boca e depois espalhava nos ferimentos, Truv começou a ofegar. Não era como quando alguém estava cansado, e sim a respiração de alguém prestes a morrer. Era ruidosa, frequente, e achamos que estivéssemos perdendo-o. E estávamos. Ele parou de se mexer, sua cabeça pendeu, o queixo batendo no peito. Ainda estava ajoelhado, mas parecia estar morto. E estava.

- Ele está sem pulso. – Disse o monge, balançando a cabeça negativamente, como para dizer que não havia mais nada que ele pudesse fazer. Soltou o pulso de Truv e levantou seu rosto, cujos olhos estavam abertos e brancos, como o de seu assassino. Passou as mãos levemente sobre suas pálpebras, e as fechou. – Que Elder lhe acolha em seus braços. – Disse. Elder era o deus da vida e da morte. Acolhia as almas que abandonavam a terra e, quando estavam preparadas, lhe devolviam em outra forma.

O monge parecia pronto para deitar o corpo de Truv, mas assim que encostou em seus ombros, a cabeça do homem levantou. Foi um movimento tão abrupto que Kashin, o monge, gritou e caiu para trás. Seu grito chamou nossa atenção, e vimos o ex-conselheiro se levantar, seus olhos brancos como antes. Sentimos medo. Meu pai tentou falar com ele, chamar seu nome, mas não ouve resposta.

E então, ele avançou. Seus passos eram lentos, com seus pés arrastando-se no chão, mas mesmo assim ele andou. Estava morto, mas andava. Sua alma havia sido levada a Elder, mas o corpo, apenas um receptáculo vazio, estava se movendo por conta própria, como uma marionete, daquelas em que eu costumava ver em feiras. Lembro-me de sempre dar uma moeda de prata para os donos daqueles bonecos de pano, fascinado com os movimentos que eles faziam.

Vi quando Truv avançou e arranhou o rosto de Kashin, fazendo-o gritar. Um dos dois soldados que havia trazido Karl tentou conter o daimon, mas recebeu uma mordida no braço, atravessando a fina armadura de couro que levava. O segundo se adiantou, e com um movimento, decapitou aquela criatura. Foi um golpe certeiro, que fez o sangue espirrar para todos os lados enquanto a marionete sem cabeça caía no chão. Agora, definitivamente morto.

Nessa hora, devo perdoar pela falta de detalhes. Entrei correndo no interior do castelo, para fugir daquela loucura. Estava pálido, suando frio, não acreditando no que havia visto. Vomitei em um dos cantos do castelo, não porque vi homens morrendo na minha frente. Já havia executado bandidos, e lutado em algumas pequenas batalhas nas fronteiras de casa.

Não, o motivo para eu estar tão abalado era o medo. Sentia medo daqueles olhos brancos, da pele cinzenta, da aparente imortalidade daqueles seres. Os dois estavam mortos, mas algo dentro de mim dizia que isso estava longe de acabar. E estava certo. Ouvi gritos no salão principal, mas não fui até lá. Corri, corri o tanto quanto podia, subindo as escadas circulares que davam para o segundo, e depois mais escadas, parando no terceiro andar e entrando no meu quarto. Tranquei a porta com uma pesada barra de madeira, e usei a luz do dia, que entrava pela janela, para procurar os equipamentos de guerra que eu guardava. Eu tinha uma faca, uma bela faca com aproximadamente 20 centímetros de lâmina, e um cabo simples, sem adornos. Havia também um escudo redondo feito de madeira, com bossa de ferro.

Havia também uma armadura com o símbolo do deus Thet, o deus dos guerreiros. Era um símbolo estranho, sem sentido para um guerreiro. A armadura era completamente prateada, mostrando um belo brilho quando polida. No centro, havia um par de asas. A cor variava de pessoa para pessoa. Algumas pintavam de branco, outras de preto, e já havia visto marrom, azul e verde. O motivo do símbolo eram as lendas que diziam que Thet possuía uma espada, Durandal, que se dizia possuir asas na empunhadura, permitindo que ela voasse até o inimigo.

Por fim, havia meu capacete, botas e manoplas. Joguei aquela máscara do julgamento no chão, e cobri meu rosto com um elmo também de ferro, sem viseira, prateado assim como a armadura. As manoplas cobriam o braço e as mãos, enquanto a armadura protegia os antebraços e as pernas. As botas eram de couro, para não atrapalhar o movimento. Completamente armado, arranquei a trava da porta e a abri. Havia um completo silêncio no terceiro andar. Lentamente, comecei a descer as escadas.

E entrei no inferno.

Notas finais
Eu realmente preciso dos review agora, pois, apesar de saber as partes que não me agradam, só tenho a minha opinião. Pretendo continuar escrevendo, mas não prometo melhorar sem não descobrir o que os leitores querem. Espero pela ajuda de vocês :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.