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1 - Quatro Sextos -


Notas iniciais
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Sinceramente a vida desses seis jovens não era regrada, era, contudo, sobrecarregada de conflitos, mentiras, traições, coisas que não deveriam ter feito jamais. Porém estavam ali, subjugados por eles mesmos, a cena, o desfecho sem volta de seus atos havia por fim culminado naquilo, na morte de um deles.

São Francisco, três meses antes.

Aquela seria mais uma semana de aula comum após as férias de verão, retorno, amigos se abraçando, alguns definitivamente se odiando, histórias compartilhadas sobre suas férias na Europa, no interior ou com os avós numa fazenda qualquer no Kansas. Sim, seria mais uma semana qualquer de volta às aulas se não fosse pelo vídeo que corria viral, nos celulares de todos os alunos pelos corredores da escola San Francisco High, era Alexandro Aguero, fazendo sexo com outro garoto. Na verdade, o fato crucial do vídeo ter causado tanto espanto e murmurinho, não era por se tratar de cenas de sexo explicito entre dois rapazes, mas sim, por se tratar de Alejandro, pra já Ale, um atleta promissor, o melhor em waterpolo, popular pelas suas demandas amorosas com várias meninas do colégio, que incrivelmente havia firmado antes das férias de verão um relacionamento sério e até duradouro com Frida, uma jovenzinha simplória, que se admirava até ela, pelo interesse do jovem e másculo atleta.

– É parece que alguém foi pego com a baguete no forno – Disse Troye dando um risinho malicioso e trocando alguns toques de mão com o amigo Hunter. Os dois eram aqueles tipos de amigos inseparáveis, um verdadeiro bromance, faziam parte da liga de waterpolo junto com Ale, que não era lá seu grande amigo, mas compartilhavam ou vez ou outra, festas.

– É elementar meu caro Troye – respondeu Hunter rindo da piada do amigo – Isso ainda vai dar muito mais o que falar, e porra, o Ale, quem diria, o machão pegador do mundo – gargalhou – morde a fronha!

– Nesse caso – risos – fez alguém morder – gargalhou Troye – Hoje tem a festa na casa da Candy, nós vamos claro! – impôs Hunter, colocando a velha irmandade a frente de suas próprias vontades.

– Fechou – concluiu Troye batendo na mão do amigo e entrando para a aula, a primeira do ano, de química.

Os dois rapazes acomodaram-se um do lado do outro, e procuraram entre os que ali estavam um rosto familiar, na verdade queriam ver a cara de Ale, pois ainda não o tinham visto desde a chegada na escola.

– Acho que ele não vem essa semana – sugeriu Candy sentando do lado dos meninos – é pelo Ale que estes olhos afoitos procuram não é? – indagou a loira.

Os dois então riram e concordaram balançando a cabeça, em seguida dizendo – Certeza que ele não vem mesmo!

– Só é uma pena o vídeo ter sido dele – arqueou uma das sobrancelhas em desgosto – seria muito mais interessante se fosse de vocês dois – e gargalhou comedida.

– Cala boca – respondeu ambos e coro – De onde você tirou essa idiotice, nós somos irmãos – atou Hunter.

– Relaxa meninos – disse se levantando e abanando uma das mãos – eu só estou brincando, é que o bromance de vocês é muito fofinho – e saiu rindo, sendo chamada a atenção por Mr. Khughpinsk.

– Parece que a senhorita voltou bastante animada para a aula de química Mrs. Hurtinghton... Posso começar então?

Neste momento a aula fora interrompida pela entrada de nada mais nada menos que Alexandro, vestindo um jeans surrado e o moletom roxo e amarelo com as insígnias da equipe de waterpolo. Criou-se então uma conversinha paralela entra os alunos na sala, fazendo com que Ale colocasse o capuz do moletom na cabeça na tentativa de cobrir, pelos parcialmente o rosto envergonhado. Sentou-se na última carteira e silenciou-se por completo.

– Bom dia para o senhor também, Mr. Aguero, e sim, pode chegar atrasado e entrar na minha sala! – Ralhou o professor.

– Foi mal Mr. Khughpinsk – desculpou-se, voltando a cabeça brevemente para os dois rapazes Hunter e Troye que davam risinhos. Ele então olhou para frente e por mais nenhum segundo, virou sua cabeça de lado. – Bom, acho que posso dar inicio a minha aula. – E fora interrompido novamente, e dessa vez era pelo o inspetor que trazia junto consigo um aluno novo.

– Com licença Mr. Khughpinsk – disse o inspetor batendo na porta – mas temos um aluno novo por aqui! – exclamou.

Quando o menino surgiu por de trás do inspetor, era como se tivesse causado em todas as meninas da sala, uma vertiginosa falta de ar, o jovem era bonito, cabelo loiro escuro ondulado, tinha um porte atlético, mas nada exagerado, apenas os ombros saltavam com mais evidência, tinha a tez bem branca e de estatura média, e transmitia uma face extremamente tímida. Pronto, se Ale estava preocupado com os comentários da sala sobre seu desempenho sexual, a chegada do garoto novo havia de uma vez por todas, colocado um fim, pelo menos naquele momento.

– Qual o seu nome rapaz? – Perguntou o professor trazendo o aluno para o centro da sala e despedindo-se do inspetor.

– Cameron – respondeu com uma voz grossa e séria – Cameron Clifford – deixando o sotaque à vista.

– Você é britânico? – perguntou o professor curioso.

– Sim! – exclamou – Sou da Escócia.

– Ok Mr. Clifford, arranje um lugar para sentar-se, ou melhor, sente-se com o senhor Aguero, é o garoto sozinho na última carteira.

– Ok! Obrigado.

Enquanto o garoto passava entre as carteiras deixando no ar o cheiro do seu perfume, era uma mistura de tangerina com limão, as meninas mexiam em seus cabelos, e davam-lhe sorrisos pretensiosos, que sequer eram notados pelo jovem rapaz, ele estava tão tímido e centrado em sentar-se e ficar quieto o mais rápido possível, que passou reto feito um tiro.

– Oi – disse ele baixinho enquanto o professor já lecionava.

– Oi – respondeu Ale sucinto – já vou te avisar logo de cara que você não vai querer ter amizade comigo nesse momento, posso te garantir isso! – atou seco fazendo o jovem apenas olhar para frente vidrado.

...

No fim da tarde quando os jovens saiam da escola, Ale procurou rapidamente por Frida, não havia visto a garota desde a manhã, e estava preocupado, afinal ela não atendia o celular desde a noite anterior, quando o vídeo estourara.

– Boa metida Aguero – gritou uma voz entre a multidão de alunos que aglomeravam na saída, fazendo com que todos rissem, e chamando a atenção de Cameron que lhe observou após a chacota, sendo bruscamente interrompido por Candy.

– Oi, você é o menino novo não é – disse ela com aqueles ares oferecidos. Candice era daquelas garotas que todos os atletas na escola já haviam pegado, então, se ela realmente quisesse ficar com algum garoto, ela teria que tentar com alguém novo. – Nós fizemos a aula de química e de matemática juntos hoje, meu nome é Candy – e foi logo lhe dando um beijo no rosto.

– Oi – respondeu o loiro assustado com o beijo repentino – Desculpa eu não...

– Sim, eu percebi, você não reparou em mim, mas tudo bem, isso acontece nas primeiras vezes, não que eu seja uma garota que não seja percebida, mas você sabe – atou em risos e mexendo nos cachos encaracolados presos por uma fita de cetim rosa – vai haver uma festa hoje na minha casa, gostaria de ir?

– É – o garoto estava atordoado com tanta conversa – Sim, acho que seria uma boa ideia.

– Ótimo! – respondeu ela eufórica, certamente pensando no sexo que faria com ele – Você tem whats app?

– Tenho sim! – e passou o numero para ela.

– Vou te mandar o endereço...

– O garoto, o garoto que foi zoado agora pouco, eu sentei com ele na sala de química, aconteceu alguma coisa, porque ele foi um tanto hostil comigo hoje de manhã! – perguntou Cameron.

– Aconteceu? – gargalhou ela – e como aconteceu, mas te mando o vídeo por whats daí você tira suas conclusões. Bom british boy, vou indo nessa... Te vejo logo mais!

– Valeu!

...

Alejandro tocou a companhia da casa de Frida duas vezes até ser atendida pelo irmão da menina. Que fez cara feia e foi logo dizendo que ela não queria falar com ele.

– Eu não vou embora daqui enquanto ela não falar comigo – respondeu o moreno.

– Você acha mesmo que você esta em condições de exigir alguma coisa seu...

– Fala! – atou Ale – termina de falar...

– Ela não quer falar com você, é melhor você ir embora antes que eu tenha que tomar uma atitude.

– Eu não vou sair daqui enquanto eu não falar com ela.

Kevon então deu dois passos em direção ao moreno, quando foi interrompido por Frida.

– Kevon! – exclamou – para, eu vou falar com ele...

– Tem certeza disso? – perguntou o irmão enojado.

– Por favor Kevon.

– Qualquer coisa você me grita, e saiu dando uma olhada fulminante no jovem.

A tarde estava calma, e os ventos percorriam as folhas das árvores em volta da casa, porém o clima estava tenso, e, sobretudo Ale.

– Frida, por favor – disse o jovem olhando para a morena.

– Por favor? Ale... Como você pode fazer isso comigo?

– Eu... Não foi de propósito! Eu juro...

– Não foi de propósito... Porra foi por qual motivo então – gritou ela.

– Frida – o garoto simplesmente não sabia o que responder – Foi só uma aposta idiota...

– Uma aposta? Como assim? Você tá louco? – dizia consternada – Você é um verdadeiro idiota Ale.

– Não foi pra valer, eu... Eu não senti nada... – respondeu o jovem.

– Ah não! – Exclamou sarcástica – Não foi pra valer... Então você não tava de pau duro, então você não beijou o pescoço dele enquanto metia nele com vontade – Ela vomitava as palavras enojada – então você não alisou o abdômen e cintura dele e nem gemeu junto com ele... Eu transava com você seu nojento filho da puta! – dizia ela gritando.

– Cala boca – ele então esbravejou, fazendo Frida silenciar-se assustada e dar um passo pra trás.

(Jewel – Standing Still)

– Você é patético Ale, você é PA-TÉ-TI-CO! – concluiu a garota abrindo a porta da sua casa e pedindo que o moreno saísse de sua varanda

Frida... Frida, please!

I’m not your beard, go find another – e entrou na casa batendo a porta na cara do garoto, que saiu estancando os olhos lacrimejados enquanto pegava o celular e fazia uma ligação.

– Alô!

– E então, tudo certo? – disse outra voz do outro lado da linha.

– Sim! Tudo certo...