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3 - Encontros -
Cameron levantou-se o mais rápido que pode para sair com Hayes, ele definitivamente não queria o garoto buzinando na frente da sua casa àquela hora. Mandou uma mensagem para os pais que ainda estavam no teatro, e partiu no carro do moreno.
– Qual o motivo desse rolé – perguntou Cam curioso – a festa não estava boa?
– Mais ou menos. Eu estava indo embora mas aí me lembrei de você – lançou ele maliciosamente – e resolvi te chamar para dar uma volta, conhecer a cidade e tudo mais. – Cameron olhou para Hayes com uma expressão confusa, queria entender a atitude do rapaz. Afinal, ele estava sendo extremamente gentil e simpático, ou estava rolando algo ali? Lembrou-se então de Candy lhe alertando sobre ele ser hetero, e namorado de uma de suas amigas, então concluiu, estava apenas sendo – suspeitosamente – simpático.
– Bacana da sua parte – sorriu educado – e pra onde vamos? – perguntou.
– Vamos para um mirante – revelou. – Um mirante – pensou Cam – afinal, que tipo de pessoa leva outra para um mirante? Se isso não for para um encontro – concluiu o pensamento – é um ponto alto da cidade, tem uma vista espetacular – argumentou Hayes – esse é definitivamente o melhor ponto de partida para começar conhecer São Francisco – Ok então – assentiu o loiro, ainda analisando.
...
[Ale] – podemos nos ver?
[Brooke] – Sim... Tá tudo bem? – questionou o rapaz falsamente.
[Ale] – sim, só queria trocar uma ideia, você pode vir aqui em casa?
[Brooke] – porra são dez e meia da noite, pode ficar pra amanhã?
[Ale] – isso te anima? – perguntou o moreno enviando uma foto de seu abdômen para Brooke.
[Brooke] – me dá 15 min ...lolol
...
(Nikki Hassman – Any Lucky Penny)
– E aí – perguntou Hayes deitando-se no capô do carro, em volto de toda aquela escuridão, apenas iluminado pela luz das estrelas e a lua – Curtiu o lugar? – atou olhando para Cam que se ajeitava, sentando-se ao seu lado.
– Caralho, essa vista é linda – suspirou o loiro – Acho que estou começando a me apaixonar por essa cidade – sugeriu ele com um sorriso nos lábios.
– Só pela cidade? – questionou Hayes perigosamente, olhando para Cam de uma forma diferente, e deixando-o desconcertado.
– É... Como? – Os dois eram jovens, eram bonitos, atraentes, Hayes, sobretudo, que havia desde a aula de esgrima, com sua demonstração gratuita de corpo perfeito, elevado os níveis de testosterona de Cameron nas alturas, e aquele ambiente, a música de fundo que tocava no carro, o clima, estava premeditadamente propicio para qualquer coisa que viesse acontecer ali. Neste caso, a iniciativa de Hayes em seduzir o jovem escocês.
Hayes então se levantou sentando-se do lado de Cam, que começava a apresentar algum desconforto. O moreno foi aproximando seu rosto com o do loiro, e quando estavam aptos para o beijo, Cameron deu um salto de cima do capô do carro atando em seguida:
– O que você está fazendo? – perguntou confuso.
– Nada que você não queira – sugeriu o rapaz.
– Hã? Como assim? – questionou o loiro.
– Como assim o quê? – indagou Hayes – eu percebi como você me olhou hoje no vestiário – atou prepotente.
– O quê? Você é louco? Eu olhei pra você sim, não vou mentir pra você, eu te achei gostoso, sim eu te achei, eu sou gay afinal, mas isso não significa absolutamente nada, quer dizer, eu até senti algo sim, mas, porra, você não é hetero e tem uma namorada? – questionou Cameron – e mais, você esta sendo um tanto prepotente, o fato de eu ter de olhado e ter te achado tudo isso que falei não te da o direito de pressupor algo.
– Hey – gritou o rapaz – vai com calma, eu não ia fazer nada à força aqui, tá parecendo uma menininha indefesa com esse discurso meloso – atou Hayes saindo de cima do capô do carro.
– É bem do tipo de vocês “heteros” – disse ele gesticulando aspas com os dedos – querer dar um foda casual com algum viadinho – e deu uma piscadinha – mas depois voltam para suas vidas perfeitas de bons atletas pegadores que são. Desse seu modus operandi, eu já estou vacinado, e sim, eu prefiro ser um menininha indefesa e melosa, mas pelos menos eu tenho certeza do que eu sou.
– Cala a sua boca seu...
– Isso, continua – sugeriu Cam com ironia – eu já sei exatamente o que você vai dizer! Isso aqui definitivamente não foi uma boa ideia, você pode me levar embora, ou você vai ser idiota o suficiente pra me deixar aqui. – Naquele instante Hayes se recompôs comedidamente, na verdade, a sua vontade era socar a cara do moleque e deixar ele ali, mas lembrou-se do seu propósito, era maior do que a sua vontade, e, sobretudo, maior ainda seria, o trabalho que o loiro daria para ele – esse viadinho vai me dar trabalho – pensou consigo mesmo – mas isso só vai me dar mais prazer de arrancar dinheiro dele – concluiu a conjectura.
– Em primeiro lugar, se acalma – atou o moreno – em segundo lugar, eu não sou esse idiota que você esta descrevendo e cuspindo na minha cara, desculpa se eu entendi errado, não foi minha intenção, é que, bem... Isso tem sido um tanto difícil para mim – lançou Hayes, algo mentiroso e começou ali, a descrever uma história que não existia, mas sim, fazia parte de um plano — Eu não tenho essa sua segurança, esse seu, cem por cento me garanto, e sou o que sou e ponto final. Mas me desculpa – disse ele fazendo uma cara charmosa e de dó – eu só queria te dar um beijo, e ver qual era, da minha parte pelo menos, mas entra aí no carro eu vou te levar.
Neste instante, todo aquele gesto sutil e “revelador” de Hayes havia desarmado por completo Cameron, o fazendo se sentir um completo idiota por ter tratado o moreno, da forma como fizera. Ambos então entraram no carro, e voltaram para casa de Cam.
...
Brooke mandou uma mensagem para Ale chegando à frente de sua casa, que fora respondida de imediato. E em seguida foi recebido pelo rapaz abrindo a porta de sua casa, e convidando o loirinho para entrar. Quando já estavam em seu quarto, Ale num súbito agarrou o jovem por trás prensando-o contra a parede fortemente e forçando o braço dele ao ponto de quase quebra-lo.
– Que porra é essa Ale, você está me machucando – dizia o garoto aflito.
– E vou machucar mais ainda seu filho da puta – dizia Ale nervoso – porque você fez isso hã? Porque Brooke, porque você espalhou a porra do vídeo? – perguntava o moreno cada vez mais nervoso e apertando o loirinho cada vez mais contra a parede.
– Eu não espalhei porra nenhuma – argumentava ele, enquanto rangia de dor – você esta me machucando, me solta seu filho da puta.
– Cala sua boca seu desgraçado, eu vou te matar – disse ele lançando o rapaz no chão e prensando ele com seus joelhos. Ale era o dobro do tamanho de Brooke, e subjugar o loirinho, não era algo difícil para ele – me fala seu filho da puta, porque você espalhou o vídeo, foi você que me chantageou... Você seu desgraçado, você armou tudo pra cima de mim, vestiu aquela mascara ridícula por segundos e aproveitou esse momento pra gravar aqueles trinta segundos de vídeo, porque você não mostrou sua cara também, seu viado filho da puta – foi então que Ale deu um soco na cara de Brooke, fazendo o jovem ficar aterrorizado.
– Eu juro que não fui eu, eu juro — dizia o loirinho aos prantos – você está me machucando.
– Eu vou te soltar – respondeu o moreno extremamente irritado – e você vai me contar essa história direito, eu juro por Deus, juro por tudo que há de mais sagrado Brooke Bryant, se você não me convencer, eu vou te esfolar vivo. – Ale então se levantou de cima do jovem, enquanto ele se ajeitava permanecendo sentado encolhido no canto do quarto, e olhando assustado para o moreno. – Pode começar – disse o rapaz sentando-se na cama.
– Ale, me desculpa – dizia o garoto chorando copiosamente – eu tive culpa sim – atou deixando rolar as lágrimas – mas eu não imaginei, eu juro que não imaginei que ia dar nisso, me perdoa Ale, eu adorei ficar com você...
– Cala boca... Cala boca – dizia Ale inconformado – nem ouse mencionar o que rolou entre a gente, porque não haverá um dia sequer até o último da minha vida, na qual eu não me arrependerei...
– Eu não te chantageei Ale, eu juro... Eu nem sabia que você tinha sido chantageado...
– Eu não cedi à chantagem, foi por isso que o vídeo vazou – respondeu o jovem cabisbaixo.
– E você acha que eu seria capaz disso?
– Sou eu que te pergunto Brooke, você seria capaz disso? – atou Ale evidenciando uma voz embargada – você tem noção do que isso pode causar na minha vida? – e deixou uma lágrima cair no rosto – O meu pai me mata, Brooke, o meu pai me mata, ele literalmente me mata, a minha família toda é de descendência hispânica, católica, ultraconservadora, meu pai é um ex-militar linha dura, candidato a senador na próxima eleição, e você mais do que nunca sempre soube disso, porque eu sempre desabafei com você Brooke, eu sempre achei que não era só sexo que a gente fazia – chorava o moreno – agora olha isso tudo!
– Ale... Ale, eu te prometo, eu vou concertar isso – dizia o rapaz mentirosamente – eu posso tentar pelo menos?!
– Brooke – disse o moreno rindo irônico – concertar o quê? O que podia ser feito eu já fiz, paguei um programador pra tentar rastrear o máximo possível o vídeo, e apagar ele. Se não tudo, pelo menos o suficiente pra isso não chegar nem perto de qualquer membro da minha família. – Se não foi você – atou o jovem – quem foi então? – Fazendo com que Brooke começasse a suar frio, na tentativa de dar uma resposta plausível.
– Eu... Seu eu te falar nomes, você vai atrás da pessoa... Então...
– Então o caralho... Fala! – disse o jovem se levantando.
– Eu enviei pra minha irmã...
– O quê? Aquela biscate que fez isso tudo?
– Não, não foi ela, foi um amigo dela, ela não quis me falar o nome, ele pegou o vídeo no celular dela, ele te chantageou...
– Ela vai me falar quem é – respondeu o jovem nervoso.
– Não ela não vai – disse o loirinho – ela também está chateada com tudo isso, ela não está nem conversando com o cara.
– Grande merda, ela vai me falar quem é e pronto. Ou eu...
– Não meche com a minha irmã – respondeu Brooke se levantando – ou ela vai envolver o meu pai, e isso pode ficar muito pior pra você e pra mim mais ainda... – dizia o jovem preocupado, na esperança de ter a história comprada por Alejandro.
– Então quer dizer quer dizer que você pode ficar tudo bem com o seu pai, e eu que me lasque?!
– Você – ainda – também está tudo bem com seu pai...
– E pelo jeito você esta disposto a reverter isso, não é verdade? Brooke.
– Isso é você que está dizendo! – respondeu o loirinho limpando o sangue seco do nariz, fazendo Ale rir cínico.
– As suas ameaças não precisam ser ditas, elas ficam nas entrelinhas – respondeu o rapaz enojado – me faz um favor Brooke, some da minha frente, porque o que você já fez, não tem mais concerto, mas reza, reza bastante pra isso não chegar até as vistas do meu pai.
...
(Hearts – Call My Name)
– Pronto – alertou Hayes – entregue – lançando em seguida um sorriso doce e charmoso para Cameron.
– Valeu – atou o loiro – É... Me desculpe pela minha reação, realmente aquilo parecia – disse procurando as palavras – bem, você já sabe – concluiu rindo e coçando a cabeça.
– Relaxa! – exclamou – eu também fui um pouco precipitado – respondeu o moreno forte, já contando vantagem dentro de si, com a mudança de comportamento arredia de Cameron. Que em seguida lançou-lhe um sorriso de canto de boca, como se denunciasse que aquele momento era então propicio para um beijo.
– Bem eu... Eu vou entrando, a gente se vê amanhã na escola? – perguntou idiotamente – Quer dizer – risos – claro que a gente se vê... É... Porra, eu não estou falando coisa com coisa, até amanhã...
– Cam – sussurrou Hayes segurando o antebraço do loiro – mais uma vez me... – Nesse momento Cameron então lançou um beijo no moreno, interrompendo sua fala, e sendo retribuído por ele. Continuaram por mais alguns segundos e por fim saiu do carro parando na porta da sua casa, dando mais uma olhada para Hayes dentro do carro, oferecendo-lhe um sorriso e entrando. O moreno retribuiu o sorriso com um breve acenar, e saiu dizendo em voz alta – viadinho otário, é romântico ainda por cima – disse entre risos anasalados e sarcásticos, enquanto passava as pontas dos dedos sobre seus lábios, pensando – beija bem o babaca – em seguida cuspiu duas vezes dizendo para si mesmo – tá maluco Hayes?!
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