Two lines
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Chegando ao caixa eletrônico, que ficava na parte interior do banco, só Regina entrou. Foi o bastante para que Emma pensasse sobre o que acabara de acontecer.
– Mas que diabos foi aquele choque quando a mão dela ficou no meu tórax? E minha bochecha esquentando porque, porra, ela tava tirando molho da minha boca... Putz, Emma, você acabou de conhecer a menina. Se poupe. — Emma tinha um monólogo, em silêncio.
O monólogo da loira foi cortado por Regina estalando o dedo à frente do seu rosto.
– Acorda!
– Nossa, eu me distraí total. Deu tudo certo?
– Ah, sim, deu sim! Embora toda vez que eu pague uma conta seja um dor nova. Mas, deu sim. Vamos na Saraiva, agora?
– Sim, sim!
As duas seguiram até a livraria que tinha sido o ponto de referência para o encontro. Entraram e cada uma foi para sentidos opostos. Enquanto Emma procurava na parte de "Literatura Estrangeira", Regina foi para "Romances". As duas escolheram os títulos que desejavam e se encontraram na hora do caixa. Mais uma conexão estranha(?). Compararam os títulos enquanto esperavam numa fila não tão grande.
– Estou vendo que nossos gostos são meio opostos, Emma! — Regina riu durante a observação
– Eu não ando com cabeça para ler Clarice Lispector, mas adoro, se assim você queira saber
– Cê jura? Ela é minha escritora favorita! Estou comprando esse livro pra dar de presente à minha irmã, eu simplesmente não empresto nenhum livro. Prefiro gastar dinheiro dando um exemplar pra pessoa do que emprestar um meu, sério! — explicou
– Nossa, mas é muito ciumenta mesmo! — riu de Regina — mas tem gente que é assim mesmo, não tiro sua razão, cansei de chorar pitanga depois de emprestar um livro e me devolverem danificado. Mas não aprendo a lição nunca!
– De besta, viu? De besta! — Regina caçoou
As duas continuaram rindo e conversando até que a vez delas chegou. Pagaram, pegaram seus livros e saíram da livraria, quando Emma lembrou:
– Eu já ia esquecer de passar em alguma loja pra ver se encontro um presente pro meu pai... Você tá apressada?
– Hã, hã! — e negou com a cabeça
– Então massa, prometo não demorar! — piscou
As duas estavam na escada rolante em direção ao andar da loja de ternos que havia por ali, quando Regina se surpreendeu ao ver uma silhueta familiar passando perto
– Robin!!! — gritou para o cara enquanto ainda nem tinha chegado ao andar.
Quando percebeu quem o chamava, Robin tratou de desligar o celular que estava em sua orelha e parou para esperar Regina.
– Quanto tempo, coisa linda! — Robin disse, abraçando Regina bem forte e quase levantando-a do chão
– Por onde você se meteu, seu cretino? Eu estou morrendo de saudade, não sabia que você estava na cidade! — disse Regina se desvencilhando do abraço e ficando frente à frente com o homem que acabara de encontrar
– Eu cheguei ontem, mi amor! Nem deu tempo avisar, vim aqui só pra ir na agência de viagem e acabei me prologando naquela loja de artigos pra colecionadores...
– Ah, claro que tinha de ter ido lá, há coisas que nunca mudam!
– Infelizmente ainda não me curei deste vício... Tem coisas que demoram pra passar... — um silêncio se instalou — mas, quem é essa que está com você?
– Ah, sim... Claro... Desculpa não ter apresentado! Essa é a Emma — apontou para a loira que estava meio recuada — esse é Robin — direcionou seu indicador para o rapaz — meu eterno primeiro namorado! — brincou Regina, fazendo Emma estagnar
– O que foi? Eu sou tão feio assim? — perguntou Robin, aproximando-se
– Não... Ai, não! Que isso... Eu só me distraí por um minuto — estendeu a mão em direção ao rapaz — eu sou Emma Swan, prazer!
– Que lindo nome, combina com a dona! — disse, galanteador, retribuindo o aperto de mão
– Gentileza sua! — Emma fingiu simpatia
– Bem, a Emma estava indo para uma loja de ternos, tu não quer ir e nos ajudar? — perguntou Regina à Robin
– Eu adoraria!
– Nossa, não precisa! — disse Emma — eu acabei de lembrar que tenho aula de balé hoje e, certamente irei demorar na escolha do presente pro papai, fica pra outro dia?
– Pode ser! A Regina tem os meus contatos, se precisarem de ajuda, é só chamar! — Robin fez questão de dizer
– Combinado! Agora, eu preciso ir, nos encontramos depois! — disse Emma para os dois
– Não, não, eu levo você em casa! Robin se cuida sozinho, né, garoto?
– Ah, claro! E mesmo assim eu ainda tenho que passar no salão pra dar um jeito nessa barba... Qualquer coisa te ligo, tá? — disse enquanto beijava e apoiava suas mãos nas bochechas de Regina — foi um prazer te conhecer, Cisne — disse tentando fazer piada com o nome da loira a sua frente, coisa que Emma detestava
– Prazer foi meu, Robin! — fingiu, mais uma vez, simpatia
Se despediram e as duas seguiram em direção ao estacionamento.
– Eu pensava que você tinha dito que não tinha pressa... — Regina tomou a iniciativa e falou
– Nossa, desculpa, eu realmente tinha me esquecido das minhas aulas de balé! — Emma falou, mas não sabia porque diabos tinha "inventado" aquela ida pra casa repentina, já que sua aula só era as 18h e não eram nem 14h, mas de certa forma ela não tinha gostado do que tinha visto. Como assim Robin era o "eterno primeiro namorado" de Regina? Ela era hetero? Porque uma hetero piscaria pra ela? Daria um abraço nela? Como assim uma hetero limparia de forma tão magnífica o canto de sua boca? Emma não acreditava, também, que estava se perguntando todas aquelas bobagens...
Quando chegaram no estacionamento, logo acharam o "500" pérola e vermelho de Regina e entraram logo em seguida. Estavam em silêncio desde então e já haviam se passando quase 10 minutos. A única coisa que Emma havia falado era que sua casa era na direção da faculdade
– Você precisa me ensinar o caminho, se não nós vamos no perder — Regina quebrou o gelo
– Depois da faculdade você pega a 74th e segue em frente até o final, chegando lá você pega a primeira à direita, depois de um quarteirão à sua esquerda você vai ver a casa onde eu moro. Ela é de madeira e vidro. — disse Emma, roboticamente
– Tá melhor que meu gps! — Regina riu mas não viu a outra garota fazer o mesmo e concentrou-se nas coordenadas que havia ouvido
Pouco tempo depois elas chegaram ao seu destino e Regina ficou encantada com a casa de Emma. Era com certeza mais "futurista" que a sua. A motorista parou bem em frente.
– Bem, a senhorita está entregue! — disse Regina olhando para a passageira
– Nossa, muito obrigada, Regina! Você é um anjo! — falou Emma, agradecida
– Você que parece um anjo, não eu... — Regina falou e viu o rosto da loira corar
– Er... B-bem... Obrigada! — falou sem graça — desculpa por hoje mais cedo mais uma vez e obrigada pela companhia, espero que a gente se veja mais pela faculdade a partir de agora — disse Emma da forma mais natural que conseguiu, inclinando-se para cumprimentar Regina. Quando Regina fez o mesmo elas se atrapalharam na hora do beijo na bochecha e quase rolou o famoso encostar de bocas — pois bem, tchau! — Emma parecia nervosa e tratou de abrir a porta e sair do carro
– Tchau, moça! — Regina disse de dentro do carro mesmo sabendo que Emma não a ouvia mais.
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"Você não podia ter reagido daquela forma... Emma você só pode ser louca mesmo, de onde já se viu ficar mordida de ciúme de uma pessoa que ACABOU de conhecer? Mas se bem que ela foi tão simpática, ficava sorrindo em sua direção toda hora, nossa e ela tinha olhos lindos... Que olhar magnífico" Emma bateu a mão na cabeça, como se aquele tapa fosse calar a boca de sua própria consciência. A garota realmente estava muito confusa com tudo que acabara de acontecer. Estava sozinha em sua casa e ainda assim trancou a porta do quarto, parecia querer ficar sozinha a todo custo. Não entendia nada com nada do que havia acontecido naquele dia que ainda nem sequer havia acabado.
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Regina seguiu até sua casa e no caminho quase todo pensou sobre a reação de Emma depois de terem encontrado Robin. Ela não queria pensar besteira mas, ainda assim, insistia em afirmar para si mesma que a outra garota havia ficado com ciúme. Todos os pensamentos que envolviam os momentos que acabaram de passar foram dispersados por um momento quando o celular de Regina tocou.
– Alô?
– Não tem mais meu número salvo, menina? — disse Robin, no outro lado da linha
– Ai, é você!! É porque o celular está conectado ao som do carro e não mostrou o nome do contato — respondeu Regina
– Vou acreditar... — riu — mas sim, eu tô te ligando porque fiquei com a impressão que sua amiga se incomodou com minha presença — jogou verde
– Você achou? Deve ter sido impressão, a Emma só tinha de ir pra aula — Regina falou meio surpresa pela afirmação de seu ex
– Vocês estão juntas, né? — perguntou em disparada
– Que isso!!! — Regina respondeu com exaltação e até freiou o carro — Não, Robin! Não estamos não! De onde você tirou isso? — perguntou
– Ah, o jeito que ela reagiu depois de você ter falado que eu era seu "eterno primeiro namorado", o jeito como vocês pareciam próximas e conectadas, você precisava ver como ela te olhava na escada rolante... E acho que você nem se tocou! Acho que ela está até bem chateada porque de repente você só deu atenção à mim e esqueceu da menina, nem lembrou de apresentar!
– Nossa, não me toquei mesmo não e nem agi propositalmente... Será que ela ficou chateada mesmo? Tadinha, era a primeira vez que a gente saia. Quer dizer, a gente se conheceu hoje mais cedo...
– Sério??? — perguntou Robin desacreditado — vocês pareciam se conhecer a MUITO — fez questão de frisar — tempo! Mas, enfim, eu posso estar pensando demais
– Ah, sim, com certeza você tá pensando demais!
– Tudo bem então, senhorita! Vou te deixar tranquila... Eu só precisava tirar essa dúvida — na verdade, duas, mas ele não podia deixar transparecer que realmente queria saber se sua ex estava namorando uma mulher
– Se era só isso, estamos combinados! — riu — acabei de chegar em casa e preciso arrumar umas coisas, nos falamos depois e não desapareça! Um beijo! — despediu-se Regina
– Um beijo, mi amor!
Regina já tinha estacionado na garagem de casa quando a ligação acabou e tratou de pegar suas coisas e subir para seu quarto. Passou antes no da irmã, Zelena, que não estava em casa mas como uma tinha a chave do quarto da outra, entrou e deixou o livro "Paixão Segundo G.H." na ponta da cama da mais velha. Saiu e foi para o seu. Ela não parava de pensar sobre o que Robin havia falado no telefone.
No dia seguinte, as coisas pareciam ter voltado ao normal. Horários, aulas, etc. Regina, Kristin e Killian foram apresentados para as amigas de Emma: Ruby, Mulan e Peter. A turma se deu muito bem, principalmente Killian e Peter, se é que isso possa ficar subentendido. Logo uma semana passou e os 7 já estavam devidamente entrosados. Tinham marcado de ir ao boliche no sábado que viria, que seria daqui 3 dias...
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