Two lines
7 Capítulo 7
Notas iniciais
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~Regina
Ter passado o dia com Emma, mesmo dormindo, foi algo sensacional. Deus é testemunha de como eu estava triste por toda a situação em que nos encontrávamos. Colocar o pingo no "i" foi a melhor coisa.
Fui embora de sua casa logo quando acordamos da segunda "soneca". Já eram quase 19h e os pais de Emma haviam chegado em casa, inclusive: conheci David. E, mesmo que nosso contato tenha durado uns meio minuto, gostei do pai da teimosinha. Aquela família me cativou.
Chegada em casa, tratei de avisar à Emma, que já tinha deixado uma mensagem pedindo que eu avisasse. Preocupada que só ela! Logo depois que respondi, tomei meu banho, coloquei um blusão comprido e frouxo e fui até o quarto da minha irmã, que hoje não tinha aula. Algo ainda me incomodava.
– Zel? Posso entrar? — perguntei, batendo em sua porta.
– Pode sim! — respondeu de dentro do quarto.
– Como você está, enferrujadinha? Como foi o almoço com a Kris? — falei enquanto sentava na ponta de sua cama.
– Ai, Regi, foi ótimo! Ela continua achando que eu não quero nada sério, minha bichinha é toda desesperada! — riu.
– Isso não se faz, Zelena Mills! — ri — Mas, sério... Eu preciso te contar uma coisa...
– Vixe! O que foi que você fez, Regina? Tu tá metida com droga, morena?
– É sério, garota! Para de frescar com minha cara! — rimos juntas. Minha irmã era palhaça até nas horas mais sérias. Eu amava isso? Amava.
– Pois diz logo!!!
– Bem, lembra do dia do boliche? — assentiu positivamente com a cabeça. — Pois bem, eu saí de lá e fui pra uma sorveteria com Emma. E nós nos beijamos!
– Eu sabia que tinha alguma coisa rolando, safada! — me deu um tapinha no ombro.
– Zelena. Me leva a sério uma vez, cara! — implorei — Hoje eu passei o dia dormindo agarrada com ela!
– Só dormiram? Falo sério...
– Só dormimos. Mas esse não é o ponto, o ponto é que estou morrendo de medo de me decepcionar de novo, Zel. É sempre assim, eu penso que vai ser um amor recíproco e me lasco! Eu tô morrendo de medo. Morrendo.
– Regi, vou falar uma coisa muito séria pra você, tá? Eu sei que sou só um ano mais velha, mas você sabe das coisas que já passei. E que você também passou e ainda enfrenta. Você fala "dos seus relacionamentos", mas o que te fere ainda são as lembranças com o Robin — fiz menção de responder, mas ela não deixou. — Me deixe terminar, por favor. Eu me lembro da história envolvendo a Rose. Você não merecia isso logo dela, mas ele foi um cretino. Só que seu coração é tão bom, que você o perdoou. Perdoou todas as traições, todas as vezes que ele te colocou em segundo plano, todas as vezes que ele só usava do relacionamento de vocês pra ganhar "créditos" perante as pessoas. Mas você não pode se prender a isso. Seu coração merece essa segunda chance! Você acha mesmo que gosta dela?
– Sim. Ela é muito importante pra mim. — respondi.
– Você acha que vale a pena se arriscar?
– Ainda não sei. Quero conhece-la mais.
– Então, a conheça. Mas sem dar ouvido aos seus demônios. Lembre que você pode, e que as coisas ruins não vão te levar de novo. Você promete que vai tentar? — indagou-me, afundando os seus olhos nos meus.
– Tem como não prometer com você me olhando assim? Eu te amo, Zelena — abracei-a fortemente. — Obrigada por ser o meu porto seguro!
– Você também é o meu! Sempre juntas, garotinha! Amo você! — disse selando o abraço.
Me despedi da minha irmã e fui até a cozinha comer alguma coisa. Meus pais haviam saído para um jantar na casa de uns amigos... Peguei a maldita coca-cola e um pedaço generoso de bolo com nutella. Já disse que amo doce? Eu sou magra de ruim. Fiquei na cozinha mesmo e aproveitei pra mandar uma mensagem pra Emma...
"Resolveu não me responder, mocinha?"
Logo ela mandou a resposta.
"Eu só não queria incomodar..."
"Vc não incomoda!"
"Não? Jura de dedinho?"
"Hahahah, juro de dedinho, linda!"
"Então eu vou te encher, agora! Ah, gostei do linda... 🌚"
Fiquei conversando com ela até a hora de dormir. Me sentia em paz.
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~Zelena
Depois que minha irmã veio conversar comigo, me perdi um pouco no meu sentimento de culpa. Ela sempre foi o meu xodó, mas as vezes acho que perdi tempo demais com os meus estudos ao invés de cuida-la. Hoje em dia as coisas estão melhores, mesmo que nos vejamos direito apenas a noite e nos fins de semana.
Regina estuda de manhã, faz Jornalismo. De vez em quando faz uns freelancers. Eu estudo a noite e trabalho a tarde, vida de quase médica. Então, os nossos horários não batem muito. E antes eu passava o dia trancada estudando, medicina sempre fora o meu sonho e aquilo tomava muito da minha vida. Ainda toma, já que acabo ano que vem! Entrei precocemente (por mérito) na faculdade, antes mesmo de acabar o ensino médio. Era corrido. Tanto, que não via que ela precisava de ajuda.
Minha irmã foi diagnosticada com depressão aos 17 anos. No auge das mudanças pessoais. Quando os conflitos deviam começar a cessar os dela explodiram. Naquele tempo foi uma decepção atrás da outra.
Primeiro, ela sempre foi uma criança muito sensível. Isso não "passou" na adolescência e nós apenas achávamos que era coisa da personalidade dela. Segundo, com 15 anos ela decidiu namorar "sério" com o Robin que é 4 anos mais velho que ela. Deus, pra quê? Eu pensei que seria uma paixãozinha de verão, mas não. Quando começaram as crises do relacionamento ela ficava abatida, isolada. Enquanto o cara tava no auge da juventude, cagando pra sentimentalismo. Até que ele a traiu com a MELHOR AMIGA dela. Rose praticamente cresceu conosco, as vezes era até mais irmã dela do que eu. Mas se tornou uma dissimulada, ao menos pra mim, depois que ficou com Robin numa balada da vida e "firmou" um caso com o ridiculo. Logo depois disso, depois de 2 anos de um fiasco de namoro, pela essa água de Jesus, Regina acabou. Bingo? Nada disso.
Perdemos nossa avó materna às vésperas da maioridade da Regi. Todos éramos muito apegados àquela velhinha linda, mas Regina, como sempre, sentiu mais do que nós todos. Sentiu demais. Foi bem na época de vestibulares e creio que ela deve ter se sentido num liquidificador. Mas ela é tão forte, que conseguiu vaga na Universidade em que eu já estudava e no curso que ansiava. E com 18 anos! Mas ainda assim, isso não foi o bastante pra resgatar minha irmã. E eu continuava distante, já que já estava quase na metade da faculdade. Quando ela teve uma crise nervosa no meio da festa do ano novo, as coisas caíram por terra. Minha irmã tinha depressão.
Fiquei em choque. Me senti um nada. Quantas vezes ela deve ter "gritado" por socorro e eu não a escutei? Mas, prometi a mim mesma, nunca mais faltar com ela. Meus pais sentiram tudo e nos unimos ainda mais para mostrar à Regina que ela era nossa menina! Foi difícil no começo, para todos nós. Mas ela aceitou nossa ajuda. Começou terapia, eu comecei a leva-la junto comigo quando saía e coisas do tipo. Nos tornamos a metade da laranja da outra. Rose não fazia mais parte da vida da Regi pois havia se mudado para Boston. Na faculdade, Regina, Kristin e Killian logo se tornaram melhores amigos. O que ajudou muito! Eles deram muito apoio, também. Ela era, sim, uma nova pessoa. Mas de vez em quando os fantasmas ainda a assombravam.
Há dias em que ela acorda com o humor do caralho. Que não quer "se arrumar". Que se acha a pessoa mais impotente do mundo. Mas minha irmã é realmente forte e vem enfrentando tudo isso com braveza, apesar de qualquer coisa. Encontrou na fotografia um refugio e começou a levar isso a sério a mais ou menos um ano. Quando ela completou 21 anos, eu senti um orgulho danado da minha menina. Regina é extraordinária. E espero ser uma pessoa melhor sempre, por ela.
Adormeci perdida nos pensamentos. Mas com o coração cheio de esperança para ver minha "sistra" ser feliz com alguém e com ela mesma, novamente.
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~Rose
Boston. Londres. Londres. Boston. Eu precisava me decidir. Minha vida era estável em Boston, tão estável que eu estava entediada. Dá pra compreender? E em Londres eu tenho meus pais, alguns amigos. Preciso de mudanças. Estava a muito tempo com essa dúvida martelando em minha mente.
"Mamãe, o que acha d'eu comprar uma passagem só de ida para Londres? :')"
"Filha querida! É tudo que mais quero. Compre pra ontem."
Depois que li aquela mensagem de minha mãe, acho que era a hora. Eu voltaria para Londres!
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