Notas iniciais
Boa tarde pessoal, como vocês estão? O capítulo está saindo um pouco mais cedo graças a minha beta reader que conseguiu betar mais rápido *-* Só relembrando que a fic está completa, então dependo apenas dela para que eu consiga postar os capítulos. Mas chega de conversa e vamos para o capítulo, com vocês o segundo capítulo de Two Years Later

02 anos se passaram.

Estava em uma estação de trem bem velha e suja, cheia de galhos espalhados pelo lugar. Já tinha ido lá com seus pais antes quando era criança, se lembrava disso, mas agora estava sozinha e o lugar estava obviamente abandonado. Já era de noite e o céu negro era iluminado apenas pela luz transmitida pela lua, todas as coisas estavam molhadas, provavelmente um temporal passou por ali há pouco, pensou ela.

Sentiu uma leve brisa, que a fez tremer, não tinha reparado que estava tão frio assim, porém não se incomodou permitindo que a brisa que abraçasse gentilmente. Começou a andar sem rumo, afinal, já tinha passado por situações assim diversas vezes.

— Sniff

Ouviu uma garota chorando que despertou sua curiosa fazendo com que olhasse para os lados, mas não viu ninguém. Aquilo era estranho, geralmente ouvia pessoas conversando, o fato não despertava seu interesse, no entanto, daquela vez foi diferente, na verdade, aquele choro era diferente, ela conhecia a pessoa que chorava, mas não lembrava quem era e isso a deixava sem chão.

— Venha filha, já está na hora de irmos para casa — falava um homem com a voz distante, assim como a garota que chorava.

Ela já tinha escutado aquela voz também, quem eram aquelas pessoas e o que faziam ali? Questionava sem obter qualquer resposta.

Do nada uma vontade incompreensível a possuiu, sentia a necessidade de encontrar os donos daquelas vozes, não queria que eles fossem embora, era tão triste e solitário naquela estação de trem, queria saber o porquê de a garota estar chorando.

— Vamos, já está tarde. — Insistia o homem.

— Por que pai? Por que as coisas tinham que acabar assim? — Questionava a menina em meio a soluços — eu só queria que ela desse um sinal! Apenas para eu saber que ela ainda está ali.

Aquelas palavras a pegaram de surpresa. Mexeu-se, como se tivesse recebido motivação, começando a correr cada vez mais rápido e cada vez aumentando ainda mais o ritmo, fazendo o máximo que podia para encontrar a garota que chorava e mexia tanto com o seu coração. Queria sair daquele lugar imundo e gelado, queria abraçar a menina e falar que estava tudo bem e por isso corria como se fosse o último dia da sua vida.

— Às vezes as coisas não acontecem como nós gostaríamos, filha — consolava o homem que aparentava ter um olhar triste e distante pela sua voz. — A vida nos prega peças e coloca obstáculos em nossos caminhos todos os dias, alguns maiores e outros menores e temos que superar para provar que somos dignos de continuar vivendo.

A voz do homem era sofrida, Hinata conseguia sentir isso, aquele homem sofreu muito, mas ainda assim tentava se manter forte para suportar a dor de todos os outros que estavam ao seu redor.

Os dois sofriam, na verdade, a Hyuuga percebia isso nitidamente e era por isso que ela queria ver eles com todas as forças, para acabar de vez com aquele sofrimento que os corroía.

Por isso continuava correndo, pulando por cima dos galhos e dos destroços que tinham em seu caminho até finalmente ver uma luz tão branca, que chegava a ofuscar levemente.

***

— Está certo, você tem razão, vamos para casa pai. — Admitiu a garota com a voz rouca de tanto chorar.

— Sim, vamos para casa, amanhã nós passamos aqui novamente se quiser. — O homem pegou a mochila da filha que estava jogada no canto do quarto, próxima a porta, e rumou em direção a saída.

Enquanto isso a mais nova se despedia da irmã, depositando um beijo em sua testa. Hanabi levantou-se da cadeira e se dirigiu para a saída, antes de alcançar a porta escutou seu nome ser sussurrado gentilmente, virou assustada para a cama como reflexo, porém sua irmã continuava de olhos fechados e corpo imóvel, como sempre, se decepcionou, provavelmente foi coisa de sua cabeça, ignorou e voltou a seguir seu caminho.

— Ha-nabi... – Sussurrou novamente uma voz tão fraca e tão baixinha que era quase inaudível.

Agora ela tinha certeza que não estava pirando, Hinata realmente tinha falado! E a mais nova sabia disso!

— Mana. – Hanabi falou alto.

Seu pai que até então estava esperando do lado de fora do quarto, entrou rapidamente para ver o que tinha acontecido ao ouvir a filha mais nova gritar. — Aconteceu alguma coisa filha? — Perguntou assustado.

A caçula apontou para a irmã com a mão direita, enquanto mantinha a mão esquerda sobre a boca, não conseguia acreditar no que estava vendo.

— Um médico! — Gritou Hiashi várias vezes e em seguida voltou a olhar a filha mais velha que começava a acordar de um sono que perdurou por dois anos.

***

Estava quase alcançado a luz, quando começou a ver uma imagem, conseguia ver três pessoas, uma mulher deitada em uma cama hospitalar, uma moça olhando-a fixamente e um homem com metade do corpo para fora da porta do quarto gritando por ajuda, demorou um pouco para entender que a mulher deitada era ela, porem ignorou esse fato, deu mais dois passos e em fim, passou pela luz.

Hinata tinha acordado meio zonza, como se tivesse ficado imóvel por anos, piscou três vezes até conseguir se situar onde estava. Aos poucos foi observando o local, olhou para o lado, se demorando no rosto mais maduro, com feições definidas e o corte de cabelo mais comprido, por fim reconheceu sua irmã que agora segurava sua mão. No pé da cama, seu pai também estava diferente, agora tinha a expressão do rosto marcada pelo cansaço, ambos aparentavam ter envelhecido enquanto ela esteve em cirurgia.

— Hinata! — Falou a mais nova com um sorriso de orelha a orelha.

A morena correu os olhos pelo quarto e percebeu que agora ele se encontrava mais cheio, estava presente no ambiente uma médica, uma enfermeira, sua irmã e seu pai.

— Hum, mana...

— O que? — Disse Hanabi prontamente.

— Eu tenho fome, tem como trazer uma porção de batatas fritas?

Aquelas foram suas primeiras palavras, que poderiam ser engraçadas, mas esse não era o caso após dois anos de espera.

Hinata observou seu pai se afastando aos poucos do leito com o celular na mão, até se retirar da sala, conseguiu ouvir um pouco da conversa que ele tinha com a outra pessoa que estava na linha, algo como: ela acordou, depois de todos esses anos ela acordou! Teria ouvido mais se a médica não tivesse se manifestado, ela era uma mulher loira, alta e de seios fartos, muito bonita.

— Boa noite Hinata, meu nome é Tsunade e eu vou ser a sua médica. — Disse enquanto se aproximava. – Vou apenas dar uma olhadinha em você bem rápido para ver se está tudo certo e lhe deixar a sós com a sua família, creio eu que vocês têm muito que conversar, além das batatas fritas, é claro. — Disse em tom de brincadeira ao final da frase.

Tsunade fez como prometido deu uma olhada rápida na Hyuuga e se retirou com a enfermeira, deixando as duas sozinhas com um silencio constrangedor.

Não tardou muito para seu pai entrar na sala para quebrar o silêncio.

— Onde está a mãe? – Indagou a filha mais velha.

— Ela está a caminho. — Informou o patriarca sempre com um sorriso no rosto. — Liguei para ela agora a pouco, deve chegar aqui a qualquer momento.

— Entendo.

— Eu vou pegar suas batatas fritas, filha. — Disse Hiashi saindo do quarto, transparecendo sua felicidade.

As duas irmãs ficaram em silencio novamente, o que não era comum das duas, sempre tinham a liberdade de comentar sobre qualquer assunto, e o fato de parecer estar debilitada começava a irritar Hinata, o silencio a incomodava, e ainda passar por uma cirurgia complicada como aquela, sua pele se arrepiou, ao ter o pensamento da cirurgia invadindo seus pensamentos, e o pior não saber o que falar ao acordar. Batatas fritas? Sério? Repreendeu-se mentalmente.

— Acho que eu estou tão feliz que nem sei o que falar direito. — Dizia entre lagrimas a mais nova.

— Não precisa chorar mana, está tudo bem agora, prometo não preocupar vocês de novo! — Sorria sincera.

— Acho bom mesmo, porque eu vim todos os dias aqui sem falta lhe ver. — Terminou de falar esfregando os olhos para limpar as lagrimas e lhe dando um sorriso, o mais sincero que conseguia.

Hinata não entendeu muito bem o que a irmã quis dizer com “eu vim todos os dias aqui sem falta lhe ver”, acabou preferindo mudar de assunto, já que Hanabi dava a entender que ela ficou dormindo quase uma semana após a cirurgia.

— E o Toneri? Já o chamaram? Queria muito falar ele. – Indagou ansiosa, querendo rever o namorado.

Aquelas perguntas pegaram a caçula de surpresa, sempre soube que em algum momento teria que falar sobre esse assunto, mas nunca passou pela sua cabeça que seria tão rápido assim.

— E-eu não sei. — Seu sorriso tinha desaparecido e seus olhos focavam no chão agora.

— Como assim? Ele foi para casa? Provavelmente estava muito cansado. — Concluiu sozinha sorrindo para a mais nova.

— Sim, muito cansado. — Repetiu as palavras da irmã com desânimo. Evitou seu olhar por alguns instantes, então se obrigou a olhá-la e forçar um sorriso ao prosseguir sua fala. — Ele foi para casa.

Há muito tempo que ele tinha ido para casa e nunca mais voltado, pensou Hanabi, mas não diria isso para irmã, pelo menos não agora, queria ter um pouco mais de tempo com ela ainda feliz.

Hinata abriu os lábios para fazer mais perguntas sobre Toneri, mas sua atenção foi voltada para a porta recém-aberta com uma velocidade assustadora.

— Então era verdade! Você realmente está acordada filha! — Sorria Yukiko, mãe de Hinata enquanto ia em direção a filha mais velha para abraçá-la. — Eu senti tanto a sua falta!

Aquele abraço a pegou desprevenida, o que não a impediu de retribuir o abraço de sua mãe, com amor e carinho, permitindo-se deixar que algumas lágrimas caíssem pelo seu rosto, como se não a abraçasse a um bom tempo.

Após alguns minutos, Hinata afastou o braço de sua mãe de seu corpo.

— Foi só uma cirurgia mãe, não precisa ficar tão preocupada assim.

Aquelas palavras pegaram todos que estavam no quarto de surpresa, para eles era óbvio que Hinata não esteve presente durante dois longos anos, mas aparentemente para a Hyuuga, hoje ainda era o dia em que ela tinha entrado na sala cirúrgica.

— Filha... — Começou Yukiko com cautela, não queria estragar aquele momento. — Houve algumas complicações cirúrgicas, os médicos tentaram de todo o possível, e infelizmente você entrou em coma logo após a cirurgia, desde então nós vínhamos te visitar aqui no hospital.

— Co-como? Por quanto tempo? — Perguntou não conseguindo acreditar no que sua mãe estava falando.

Yukiko hesitou, mas por fim cedeu e deu a resposta para a filha

— Dois anos. — A mãe segurava fortemente a mão da primogênita.

O mundo de Hinata parou e sem perceber sua mente a levou para a 8ª série na aula de geografia em que a professora explicava o que aconteceria com o mundo se ele parasse de girar:

“— Professora, o que aconteceria se a terra parasse de girar?

— É uma boa pergunta Karin, vejamos, se a terra parasse abruptamente de girar todas as construções e seres vivos sobre a superfície terrestre voariam em uma velocidade aproximada de 1600km/h para o leste, além disso, ventos e tempestades gigantescas aconteceriam, mas essas tempestades seriam muito mais rápidas e intensas do que a própria explosão de uma bomba atômica, incêndios seriam causados por todo o planeta. Consequentemente os oceanos também se locomoveriam, e tsunamis gigantescas ocorreriam em direção aos polos do planeta. Em sequência o núcleo de ferro da terra também iria parar de girar, o que desencadearia o rompimento da barreira magnética que temos e que nos protege dos raios radioativos que vem do sol.

A turma tinha ficado inquieta com a explicação da professora.

— Gente, não tem com o que se preocupar. — Falava a professora tentando retomar o controle da classe. — A probabilidade de a terra parar é praticamente nula”.

Hinata estava quieta, via sua mãe movendo a boca, mas não ouvia nada do que ela dizia. Então retornou para dentro de seu pensamento virando a cabeça para o lado, observando com mais cautela sua irmã, que agora deveria ter catorze ou quinze anos, as feições mais maduras que outrora havia reparado, mas não se importou. Que situação ridícula pensou, não sabia nem a idade da própria irmã.

O mundo não tinha parado, quem tinha, era ela!

Notas finais
Então, o que acharam desse capítulo? para quem tiver interesse o link da fonte sobre a terra parando é esse: http://www.fatosdesconhecidos.com.br/o-que-aconteceria-se-terra-parasse-de-girar-por-42-segundos/ No mais, espero que tenham gostado do capítulo, assim que possível vou postar o próximo ok ;D Viu gente, deixem comentários, é legal e deixa a autora feliz *-* prometo responder todos heheh