Notas iniciais
Olááá pessoaal, tuuudo bem com vocês? Capítulo saindo muitooo mais cedo do que o previsto Queria agradecer a leitora Haruka sempai que comentou em TODOS os capítulos postados, isso me deixou extremamente feliz *-* Sem mais delongas, com vocês o nono capítulos

O entardecer daquela terça-feira a fizera viajar pelos acontecimentos de poucos dias. Recordava-se do beijo com o Uzumaki, e tal lembrança a perseguira o dia inteiro, a lembrança do coração palpitando contra sua garganta e das pequenas ondas elétricas que sentiu enquanto seus lábios se encontraram faziam com que se sentisse estranha, há muito tempo não tinha sentimentos como aquele. Até que sua memória lhe traiu e a levou para um momento doloroso, quando tinha doze anos de idade.

Naquela época, por causa de sua timidez, tinha dificuldade para fazer amigos. Quando tentava conversar com alguém acabava gaguejando, fato que se tornou motivo de chacota em sala de aula e com os alunos mal-intencionados. Revivia cada momento, lembrava-se das faces de cada colega, e dos gritos ofensivos como: “A gaguinha está tentando fa-fa-falar”, “me disseram que é contagioso, não se aproxime dela”, “Eu pensei que seu nome era Hinata e não H-Hi-Hinata-ta”. Eram cruéis, só não menos de quando a derrubavam no chão para abrir passagem ou “brincavam” de fugir dela em um pega-pega sem fim, onde apenas ela era a pega, mas tudo tinha mudado quando conheceu o aluno novo Toneri.

Naquele dia, estava no parquinho do colégio, era um dia ensolarado com algumas nuvens brancas cobrindo o céu, e se fechasse os olhos poderia sentir aquele dia na palma da mão, todos a sua volta estavam brincando, enquanto ela estava sozinha no balanço observando tudo atentamente, mas não reparou quando o grisalho veio até si, ele tinha um sorriso no rosto e a convidou para brincar com ele, mesmo após todos os colegas terem advertido.

O Otsutsuki tinha se tornado a sua salvação no passado, fazendo com que todos parassem de ferir os sentimentos da Hyuuga. Ele prometeu que sempre daria suporte a ela, não importasse o que acontecesse. E com o passar dos anos foram se aproximando cada vez mais, até que na adolescência eles se apaixonaram e começaram a namorar.

Para ela aquela foi a melhor fase de sua vida, tinha o namorado dos sonhos, que prometeu que sempre estaria do seu lado, que faria tudo por ela, moveria até montanhas se fosse necessário.

Bom... pelo menos era nisso em que ela acreditava até o dia em que despertou da cirurgia e a realidade bateu forte em sua cara, ele a abandonou no momento em que ela mais precisava de um ombro amigo, deixando-a sozinha para enfrentar o mundo, justo quando ela mais precisou de ajuda, ele não estava mais lá. Estava sozinha como estivera nos dois anos em que esteve em coma.

Hinata tinha acabado de estacionar o carro, sem perceber lágrimas começaram a rolar por sua face, naquele momento odiava a existência de Toneri, do que ele tinha feito, e o único sentimento que fulminava dentro de seu coração sobre o grisalho era raiva, raiva por todas as coisas que ele prometeu e não cumpriu.

A garota inspirou profundamente aguardando um tempo no carro para se acalmar, limpou seu rosto com as costas das mãos e foi para o consultório de sua psicóloga. Era um espaço aconchegante, com duas poltronas beges no centro, e um aparador dourado entre as duas, atrás tinha um espelho com bordas decoradas em rosas douradas envelhecidas, sentou-se na primeira poltrona ao lado de um vaso com folhagens verdes, e esperou pacientemente ser chamada pela psicóloga que a atendia há muito tempo, gostava de ir até lá, Kurenai era uma mulher extremamente atenciosa e percebia que já tinha tido um grande avanço comparando com quando despertara do coma. O fato de ter ficado dois anos por fora de tudo a afetara muito no início, mas uma das coisas que mais a afetou era a dificuldade de acreditar nas pessoas, também conhecida como pistantrofobia.

— Olá, Hinata, pode entrar. – A psicóloga a chamou gentilmente.

Levantou-se e foi em direção a sala já conhecida, sentou-se na poltrona de sempre que ficava ao lado da janela com vista para cidade enquanto esperava que Kurenai fizesse o mesmo, na poltrona ao lado da sua. A sala era bem delicada, contava com duas poltronas beges e entre elas uma mesinha de canto com lenço de papel em cima.

— Então, como foi a sua semana? – Deu início a sessão.

— Muito boa. — Conteve-se em uma resposta básica.

— Suas aulas já começaram? — Se interessou retirando alguns papéis de dentro de uma pasta escura.

— Não, vão começar só semana que vêm. — Explicou ajeitando o corpo na cadeira para ficar mais confortável.

— O que você teria para me contar hoje então?

— Bom, o Kiba decidiu que não vai mais fazer faculdade de Direito mesmo, lá na Grécia ele acabou ficando em uma família de fazendeiros, e além de conhecer um monte de cidades maravilhosas, se apaixonou ainda mais por Veterinária. — Cruzou os braços em frente ao peito, sua reclamação não era apenas porque ele escolhera outro curso.

— E como você se sente em relação a isso?

— Com um pouco de inveja e... — Fez uma breve pausa. — E traída. — Desabafou. — Inveja, porque depois da cirurgia era para eu ter feito um intercambio também e isso não aconteceu e você sabe o porquê.

— Sim, mas por que esse sentimento de traição?

Kurenai trabalhava assim, deixava Hinata contar o que aconteceu e depois fazia perguntas para entender exatamente os sentimentos da Hyuuga. Parecia óbvio isso, mas sua primeira psicóloga não falava nada, nunca, chegava a ser constrangedor até, pois ela só ficava ouvindo Hinata falar.

— Eu não sei, não é como se ele tivesse feito uma promessa, mas na minha cabeça eu, ele e a Ino iríamos nos formar juntos.

— Então, o que aconteceu, foi que você criou uma expectativa que no fim não foi realizada, certo? — Concluiu a psicóloga rabiscando algo nas folhas.

— Acredito que sim.

— E o que mais que aconteceu nessa semana?

Sua mente foi levada ao dia do shopping, e seus acontecimentos: — Bom.... Eu fui ao shopping com a minha irmã e o namorado dela.

— Uhum.... — Kurenai fez sinal com a cabeça para prosseguir.

— Lá eu acabei encontrando com o Naruto, acho que eu já falei dele alguma vez aqui com você.

— Sim, o moço loiro que a levou para casa duas vezes.

— Isso! Então, encontrei com ele enquanto minha irmã e meu cunhado estavam vendo filme, nós lanchamos, ficamos conversando por um tempo e depois que minha irmã e meu cunhado saíram do cinema, nós fomos para casa. – Relatou omitindo a parte final. Não sabia por qual motivo, mas estava com vergonha de falar da parte do beijo com Kurenai, já tinha contado tantas outras coisas mais constrangedoras que essa, mas ainda assim, não se sentia pronta.

— Sim, e o que mais aconteceu? — Os olhos da psicóloga a fitaram com intensidade.

— Foi isso — Retorquiu sem jeito desviando o olhar.

Kurenai observou-a por um tempo.

— Entre você e o Naruto, eu digo, aconteceu alguma coisa? — Ela pontuou. — Algum sentimento talvez?

— N-não — Droga, pensou, tinha gaguejado! Qualquer um que a conhecesse só um pouquinho sabia que ela gaguejava quando ficava muito nervosa.

— Hinata, eu preciso que você me conte toda a verdade para que eu possa lhe ajudar. — Informou com cautela inclinando o corpo mais à frente e tocando gentilmente o joelho da menor.

— Mas eu estou falando — Mentiu.

— Está bem. — Kurenai concordou dando-se por vencida. — Quando você estiver pronta para me contar o que exatamente aconteceu, você me fala.

Kurenai avaliou Hinata esperando alguma objeção da morena, mas como ela não se pronunciou contra continuou com o assunto.

— O Toneri pode ter traído sua confiança, mas não significa que todos serão iguais a ele. — Kurenai esclareceu como se soubesse o que tinha acontecido entre a Hyuuga e o Uzumaki. — Esse processo de confiar, em regra, é demorado mesmo, então, novamente, quando você se sentir à vontade para me relatar o que aconteceu entre você e o Naruto eu vou estar aqui, mas não fique procurando motivos para ser infeliz, você é uma menina linda e está recomeçando sua vida agora.

As palavras de Kurenai fizeram Hinata se perguntar: por que tinha beijado o Naruto? Estava obvio em sua cabeça que o “primeiro beijo”, ou melhor, o “quase beijo”, ou talvez ainda, um “meio beijo”, foi ele quem tinha dado quando virou o rosto daquela maneira.

Mas e depois? Está certo que ele tinha chegado extremamente próximo a ela, mas daquela vez Naruto não foi até o fim, ele deixou para que ela escolhesse se eles iram se beijar ou não. Agora ela estava em dúvida, se tinha feito aquilo por vontade própria ou teria sido apenas o calor do momento? Sentiu o Uzumaki tão próximo a si na hora que fez seu coração disparar e o corpo inteiro tremer por dentro e, quando percebeu, já tinha o beijado.

E que beijo tinha sido aquele? Era mil vezes melhor que qualquer outro que ela já tinha dado ou recebido, e em vez de isso ser algo bom só complicava tudo ainda mais.

— Mas é o que eu estou tentando fazer. — Hinata respondeu a psicóloga em meio aos seus pensamentos conturbados.

— Eu entendo, mas se você quiser que eu te ajude a superar essa barreira que lhe impede de confiar nas pessoas, eu preciso que você me conte o que aconteceu.

— No caso, você está pedindo que eu confie em você. — Ironizou a frase da psicóloga com o problema que ela tinha.

— Sei que é pedir demais, mas é o único jeito.

Hinata não respondeu nada.

— Vamos fazer assim, vou lhe dar como tema de casa: confiar nas pessoas, você vai começar com coisas bobas na sua família mesmo, pede para sua mãe ou irmã lhe ajudar com isso — Explicava Kurenai — 1° você irá vendar seus olhos e pedir que uma das duas lhe guie pela casa.

Hinata ficou prestando atenção, aquilo tudo parecia tão ilógico.

— Eu sei que isso parece bobo para você agora, mas isso vai lhe ajudar a confiar mais nas pessoas e começar com os membros da sua família vai facilitar, já que você confia muito mais neles, depois que você fizer isso essa semana, nós vamos começar a progredir.

A conversa entre Hinata e Kurenai prosseguiu até a sessão extrapolar quinze minutos do horário usual. Toda aquela conversa fez com que a morena percebesse que, mesmo não parecendo, confiava bastante na psicóloga, caso contrário, nunca teriam tido qualquer progresso.

Assim que Hinata entrou no carro e começou a dirigir para casa as palavras da psicóloga começaram a martelar em sua cabeça, confiança, pensou, no fim tudo se resumia a isso, todos os outros problemas que ela tivera Kurenai conseguiu resolver, mas a capacidade de confiar nas pessoas, ou talvez, de dar outra chance para o amor, era a maior dificuldade que Hinata tinha.

Ao chegar a casa a Hyuuga se deparou com Ino sentada no sofá.

— Ino? O que você está fazendo aqui?

— Queria conversar com você. — Sorriu.

— Você quer alguma coisa para comer?

— Não, não, obrigada.

— Tem brownie de nutella, tem certeza? — Hinata fez vontade na amiga.

— Assim você acaba com a minha dieta — Reclamou a loira jogando os braços para cima. — Vou querer um pedaço.

A Hyuuga foi até a cozinha, serviu dois pedaços de brownie e convidou a Ino para ir até seu quarto, chegando lá a Yamanaka se jogou na cama, esperou Hinata se sentar para iniciar o assunto: — Então, você se lembra daquele cara com quem eu estava saindo?

— O tal Sai?

— Isso, então... eu e ele começamos a namorar. — Ela sorriu ao contar a notícia.

— Não acredito! — Indignou-se. — Como é que eu vou te chamar de encalhada agora?

As duas deram risadas. A amizade havia se fortalecido naquele semestre, então ficaram conversando sobre o Sai por mais um tempo, até Ino mudar de assunto drasticamente.

— Então.... Como andam as coisas entre você e o Naruto? Fiquei sabendo que vocês dois tiveram um encontro — A loira tinha um sorriso maroto na face.

— O que?! Quem é que te contou uma coisa dessas? Nó-nós nunca tivemos nenhum e-encontro!

— Aham, pela sua gagueira dá para ver que não tiveram mesmo, eu te conheço, lembra? — Ino gargalhava com o constrangimento da amiga.

Hinata atirou uma almofada na outra, mas não a acertara.

— Hey! — Protestou a Yamanaka.

— Fala logo quem te contou isso. — Mandou Hinata.

Se dando por vencida Ino preferiu revelar.

— A Hanabi.

— Tá explicado. — Revirou os olhos.

— Mas então, me conta como foi. Vocês se beijaram? — A loira interessou-se já voltando com a mesma empolgação que tinha antes.

— O que?! Ó-ó-óbvio que n-não, de onde você tirou essa ideia maluca? — Suas bochechas estavam completamente ruborizadas.

— Meu Deus do céu! — A amiga disse pausadamente, como se fosse um babado. – Vocês dois se beijaram! Eu não acredito Hina, anda, me conta tudo.

Estava decidido, Hinata odiava, não, ela detestava ficar nervosa, acabava se tornando muito óbvia e não conseguia mentir.

Deu-se por vencida e contou para Ino o que aconteceu exatamente no domingo que passou, incluindo a parte do beijo, e também contou sobre a conversa que teve com sua psicóloga antes de chegar em casa.

— Você devia ter contado a parte do beijo pra ela. — Alfinetou Ino.

— Eu sei, mas eu ainda não estava me sentindo pronta e também nem sei se aquilo chegou a significar alguma coisa para mim.

— Você só pode estar de brincadeira. Eu tenho certeza que você só está assim porque fica pensando no Toneri e acha que o Naruto vai fazer a mesma coisa que ele. — Ino reparou que Hinata estava com os olhos baixos. — Hina, o Naruto é um cara bom, diferente do Toneri, ele é um homem e age como tal, sou amiga dele há muito tempo e ele nunca decepcionou ninguém quando o assunto é confiança.

— Eu sei, mas ainda assim eu não consigo.

— Você sabe que a Kurenai está certa, né? Já está na hora de deixar o passado para trás e começar a seguir em frente, talvez dar essa chance para o Naruto possa esclarecer tudo.

— É mais fácil falar do que fazer. — Criticou resmungando a Hyuuga enquanto brincava com um fio solto em sua roupa, que no momento parecia ser mais interessante do que aquela conversa.

— Bom, a decisão é sua, mas agora você já sabe a minha opinião. — Disse dando a última mordida em seu brownie.

— Sim.

— E aí? Já contou para o Kiba sobre o que aconteceu no shopping?

— Ainda não — respondeu deitando o corpo na cama e mirando o teto — não quero atrapalhar as férias dele com probleminhas bobos.

— Do jeito que vocês dois se entendem, acho incrível não ter contado ainda.

Hinata deu risada, realmente ela se dava muito bem com Kiba, foi amizade à primeira vista, como ele costumava brincar.

As duas ficaram conversando até as nove horas da noite, quando Ino decidiu ir para casa, Hinata guiou a loira até a porta para se despedir.

— Há e não esquece, nós vamos ao shopping assistir um filme esse fim de semana, antes de começar as aulas.

— Quem vai ir? — Hinata demonstrou interesse.

— O grupinho de sempre: eu, Sasuke, Sakura, Naruto, Neji, Tenten, Sai e você. — Sorriu.

— Mas são todos casais. — Indignou-se. — Menos eu e o Naruto, você está armando pra cima de mim, isso sim! — Esbravejou batendo o pé.

— Claro que não. — A loira deu risada. — Vamos apenas nos divertir, eu vou buscar você aqui na sua casa sábado, beleza?

— Está bem. — Murmurou.

— Eu vou indo então Hina, até amanhã. — Ino deu um beijo na bochecha da amiga e saiu porta a fora.

A Hyuuga ficou observando a loira até ela entrar no carro, então voltou para dentro de casa, pegou algo na geladeira para comer e subiu para seu quarto.

Aquele dia tinha sido longo, Hinata nunca se sentiu muito a vontade de contar sobre sua vida e o que mais fez nesse dia foi isso, pareciam horas intermináveis, mas será que Ino e Kurenai estavam certas? Ela estaria mesmo tentando evitar ser feliz por que não conseguia esquecer o passado? As perguntas bombardeavam sua cabeça, até decidir tomar o remédio para dormir e assim que deitou na cama a última imagem que veio em sua mente antes de pegar no sono foi no dia em que assistiu o nascer do sol e viu de perfil Naruto sorrir.

Notas finais
Então, o que acharam? Conheceram mais do passado da Hinata e mais um pouco sobre Toneri. Além claro de agora vocês saberem um pouco mais do que se passa na cabeça em relação a tudo o que está acontecendo. Título do próximo capítulo: Meu jeito de ser! Me contem, o que vocês esperam para o próximo cap? Vejo vocês nos comentários, beijos