Two Worlds
1 É tudo tão... Estranho...
Notas iniciais

"Bem, vou me apresentar primeiro... Meu nome é Alexia Heart, tenho 16 anos, tenho 1.65m de altura, tenho medo de altura e de escuro, estou no 3° ano do ensino médio e... Acho que é só isso... Ah sim, estou, no momento, sentada no banco de passageiro do carro do meu pai, pois estamos nos mudando de cidade..."
—Espero que você faça amizade logo querida- disse meu pai, sem tirar os olhos da estrada- e também espero que goste da casa nova.
Eu apenas asenti com a cabeça, eu também esperava aquilo.
Depois disso, meu pai ligou a seta para a direita e dobrou a esquina, e então, no final da rua ele parou em um sobrado verde claro com janelas brancas, que tinham jardineirinhas do lado de fora, porém sem plantas, a varanda continha algumas caixas de papelão vazias, o jardim da frente tinha o gramado verde, mas alto- talvez eu pudesse cuidar do jardim caso minha mãe deixasse.
No mesmo momento em que pensei em minha mãe eu a vi saindo da casa com algumas caixas nas mãos e as colocando na varanda, eu desci do carro e fui correndo abraça-la, afinal ela tinha ido primeiro com a mudança, enquanto eu e meu pai havíamos arrumado o porão e guardado algumas coisas que pertenciam a minha avó... Ela tinha morrido havia duas semanas e me disse algo que não entendi mas era tipo isso:
"Querida Lex—era assim que ela me chamava- por favor continue o que eu comecei..."
Estas foram suas últimas palavras...
—Que saudade eu estava de vocês dois- ela disse e me deu um abraço bem apertado, depois ela abraçou e beijou meu pai.
—Qual é o meu quarto mãe?- eu perguntei, olhando para as janelas do andar de cima.
—É o da última porta à direita.
Então, eu voltei ao carro, e peguei algumas caixas em quais se liam "Lexy" e as levei para dentro da casa. A casa parecia ser bem aconchegante e quente por dentro, ela parecia aquelas casas que a gente vê em filmes, com carpete, papel de parede, lareira, um balcão na cozinha e talz. Bem então eu subi as escadas com um pouco de dificuldade pois as caixas começavam a pesar em meus braços.
Quando cheguei em meu quarto, a porta já estava aberta, o quarto tinha a parede do lado oposto da porta com um papel de parede de conchas, e as outras três paredes eram de um amarelo bem clarinho- como eu sempre gostei de praia e de tudo relacionado à água- simplesmente adorei o quarto. A cama, a escrivaninha, e as prateleiras, já estavam montadas... Só faltava colocar as coisas que eu trouxe, ou seja, eu tinha muito trabalho pela frente...
Passei muito tempo arrumando meus livros- eu não tinha muitos, mas eu gosto que eles fiquem alinhados- demorei um pouco para perceber que... eu não tinha guarda-roupas...
—Mãe!- gritei indo do quarto até a escada.
—Fala lexy- minha mãe disse. aparecendo atrás de mim, me virei com um susto.
—Nossa mãe, não faz isso de novo.
—Desculpa não tive a intenção- ela disse e coçou a testa- mas então o que você ia me falar?
—Ah sim- eu disse batendo de leve em minha testa- eu tenho guarda-roupas?
—Ah,- ela disse fazendo o mesmo gesto que eu- vem cá eu te mostro.
Então ela pegou meu pulso com suas mãos macias e quentes que eu sempre adorei e me levou de volta para o meu quarto.
—Aqui querida- ela disse quando parou em frente à parede do lado esquerdo da porta, e, eu não tinha percebido :, que havia uma maçaneta ali no meio do nada.
Minha mãe pegou a maçaneta, a girou para a esquerda e puxou, eu pensei que isso seria em vão, mas ali tinha um closet escondido e era bem espaçoso, dava pra eu me esconder ali dentro.(Autora: você e mais pessoas... (Aquela carinha))
Minha mãe havia soltado minha mão e tinha se virado para mim, ela me olhava com seus olhos castanhos, sorrindo de um jeito carinhoso, e seu cabelo cor de mel caia sobre seus olhos.
—Então- ela me disse tirando minha cara de idiota olhando o closet- gostou?
—Amei mãe!- dei um pulinho e um gritinho, e a abracei- obrigada mãe.
Ela me abraçou de volta e depois me soltou.
—Muito o que fazer a jovem padawan tem- disse saindo do quarto, (sim, ela adora Star Wars) eu a escutei rindo no corredor.
—Vamos começar então.
Minha mãe voltou e disse apenas colocando metade do corpo e a cabeça na porta:
—Que a força esteja com você- e saiu correndo e rindo.
Eu abaixei a cabeça e, rindo, eu balanço minha cabeça de um lado para o outro levemente.
Comecei então a arrumar minhas roupas no closet.
—Lexy!- ouvi minha mãe me chamar, depois de algum tempo do andar de baixo- o almoço chegou!
—Tô descendo- gritei e já fui em direção à escada e desci.
Então eu almocei, ajudei minha mãe com a louça e subi de novo para terminar de guardar minhas roupas.
Quando terminei, eu andei até o fundo do closet e me sentei virada para a porta. Caso eu quisesse me esconder já sabia o lugar perfeito...
Então eu me levantei, saí e fechei a porta do closet. Saí do meu quarto e desci as escadas.
—Mãe, precisa de ajuda?
—Não lexy, pode descansar agora- ela disse sem se virar para mim, pois continuava a arrumar a estante da sala.
—Okay, mas se precisar é só chamar- eu disse subindo as escadas, mas quando eu estava nos últimos degraus, meu pai chamou.
—Filha!- ele disse e eu escutei a porta se fechar atrás dele, enquanto eu descia de novo as escadas- tinha mais umas caixas no carro e têm seu nome nelas.
—Obrigada pai- eu disse quando peguei as caixas de sua mão, eram pequenas e não estavam pesadas, tinham o meu nome mas não era a minha letra. As levei para o meu quarto e fechei a porta atrás de mim.
—Esta letra não é minha... Mas de quem será?
Eu então coloquei as caixas sobre escrivaninha, me sentei na cadeira e peguei um estilete na gaveta. Então eu peguei a caixa maior e cortei a fita adesiva que estava fechando a caixa.
Quando eu a abri, tinha um livro com a capa verde-escuro de veludo com couro na lombada do mesmo. Junto dele tinha uma caixinha, a mesma parecia com uma caixinha de anéis, quando eu abri tinha um medalhão, com o rosto de uma coruja (é igual o da foto do capítulo :P).
Quando eu o virei tinha um poema escrito:
"The Heart can be wrong;
The Heart can be whrigt;
But only a Heart,
Can end this fight"
Eu não sabia se a poesia falava sobre a minha família, pois meu sobrenome é Heart, ou se falava sobre o coração (Heart quer dizer coração em inglês :P).
Eu peguei a outra caixa e a abri... Tinha vários origamis (dobraduras) de vários animais dentro, eu não entendi para que isso servia.
Então eu peguei o livro e o abri, tinha várias anotações... As letras me eram familiares mas eu não consigo me lembrar quem tem uma letra assim... Ou quem tinha... É claro, minha avó tinha esta letra... Que saudades dela. Sem mesmo eu perceber lágrimas começaram a rolar em minhas bochechas e pingavam no livro...
Então eu pensei nas coisas felizes que minha avó me fazia, e em como ela não queria me ver triste... Enxuguei minhas lágrimas e controlei minha respiração para que eu não chorasse mais.
—Okay Alexandra- eu mesma disse baixo- vamos ver o que sua avó estava anotando.
Quando eu ia começar a examinar o livro minha mãe me chama:
—Lexy!-ela gritou lá de baixo e eu me levantei sai do quarto, fechando a porta atrás de mim, e desci as escadas.
—Fala mãe!- eu disse já no andar de baixo.
—Eu vou visitar uma amiga da faculdade quer vir junto?
—Mas e a casa?
—Ah, já está tudo em ordem né!?- ela disse e pegou sua bolsa e as chaves do carro e da casa.
—Okay,- eu disse e a acompanhei para o carro.
Ela me contou que essa amiga estudou com ela e que tinha um filho da minha idade por isto ela decidiu me levar.
—Filha você lembrou de colocar suas lentes hoje?- ela me disse sem tirar os olhos da rua.
—Nossa mãe,- eu disse é coloquei minha mão na testa- não, mas meus óculos estão aqui- eu disse pegando meus óculos da minha bolsa e colocando-os.
Eu tenho sempre que sair ou com minhas lentes de contato, ou com meus óculos escuros pois eu tenho heterocromia (aquela doença que cada olho é de uma cor) meus olhos são um dourado inteiro e o outro meio verde e meio azul.
—Chegamos!- minha mãe disse e estacionou o carro em frente à uma casa azul com as janelas brancas e a porta da frente marrom, havia algumas flores na frente da casa que acompanhavam o pequeno caminho de pedras que levava até a varanda.
Assim que descemos do carro, uma mulher loira que usava um vestido florido, abriu a porta e veio até nós duas.
—Marceline- minha mãe disse e a abraçou ela retribuiu o abraço- que saudades de você.
—Eu também tava morrendo de saudades Léia- a mulher tinha uma voz suave mas ao mesmo tempo rígida.
Elas se soltaram do abraço e minha mãe me apresentou, Marceline disse que eu era muito bonita depois nos disse para entrar. Nós entramos e ela nos levou até a cozinha. Ela havia feito um bolo de chocolate para nós.
—Ah, Alexandra- ela disse e eu parei de olhar pela casa que se parecia com a minha só as cores e os móveis eram diferentes- eu vou chamar meu filho, pode ficar à vontade.
—Eu posso usar o banheiro?
—Claro vem comigo, eu te mostro onde é.
Ela disse e me levou até o segundo andar. A casa era muito bonita, os quadros que ela tinha de flores eram lindos. Então ela parou em frente à porta aberta do banheiro, um cheiro de lavanda vinha de lá.
—Aqui querida- Marceline disse ao se virar para mim- pode usar, eu vou chamar o Thomas.
Asenti com a cabeça, e entrei fechando a porta atrás de mim. Fiz minhas necessidades, e quando estava lavando as mãos ouvi alguém descendo as escadas, provavelmente Marceline, pois escutei uma voz grossa vinda do corredor, assim que sai do banheiro, trombei com alguém alto, forte e que era muito gentil, eu quase cai e ele me segurou. (Kawaiiii >///<)
—D-desculpa- eu disse olhando para o chão.
—Não foi nada- ele disse ainda segurando meu braço. Ele é forte. (>.<)- vamos descer?
—Claro- eu disse andando até a escada e descendo a mesma, ele estava bem atrás de mim.
Quando chegamos na cozinha Marceline o apresentou, ele era Thomas, seus olhos verdes eram lindos, eu quase me perdi neles, mas eu virei o rosto quando ele olhou para mim, eu corei um pouco.
Depois que eu comi um pedaço de bolo e tomei uma xícara de café com leite, Thomas me chamou para jogar algo na sala.
—Tudo bem- eu disse me levantando da cadeira- mas tem que ser FPS.
—Okay- ele disse se levantando com uma cara meio de dúvida, e caminhou até a sala- mas duvido você ganhar de mim.
—Vamos ver então- eu disse o acompanhando até a sala é me sentando no sofá.
Thomas ligou seu PS4 e colocou COD:Ghosts, mal sabe ele que eu sou a StarlitComic, um jogador que "tritura" os caras no jogo, quer dizer, uma jogadora. Começamos uma partida PvP (player vs player), e em menos de alguns minutos ele já tinha morrido umas 4 vezes. Continuamos à jogar e eu ganhei dele em 3 de 4 mapas que a gente jogou, afinal eu não sou tão má assim.
—Nossa- Thomas disse se levantando e indo até o videogame- eu acho que você é a única menina que conseguiu me vencer.
—Quer saber o porquê disso?- eu disse mas queria não ter dito.
—Fala aí!- ele disse se sentando ao meu lado e me encarando.
—Sabe aquele jogador, StarlitComic?- eu disse o encarando de volta.
—Sei claro, o cara é um mito. O que tem ele?
—Não é ele...- respirei fundo e contei- é ela... E sou eu...
—Sério!?- Thomas fez uma cara idiota como se não pudesse acreditar.
—Sério, eu posso te mostrar um dia desses.
—Eu iria adorar.
Então nós começamos a conversar sobre coisas aleatórias. Quando ouço minha mãe me chamar para irmos para casa. Me despeço do Thomas e de Marceline. Espero ter feito uma boa impressão...
Quando eu cheguei em casa, meu pai estava assistindo ao jogo de futebol e disse que havia pedido pizza. Minha mãe então disse para eu ir tomar banho, eu asenti e subi para pegar minhas roupas no quarto e, após isso, me dirigi ao banheiro para fazê-lo... Quando acabei o banho desci e a pizza tinha acabado de chegar; comi dois pedaços e subi para o meu quarto, deitei em minha cama e fitei o teto... Eu tinha a impressão de já ter visto o Thomas em algum lugar... Mas não sabia onde... Estava tentando me lembrar de onde eu teria o visto, quando vejo uma luz azulada saindo da gaveta da minha escrivaninha, saltei da cama e abri a gaveta... A luz vinha do colar com o rosto de coruja gravado, seus olhos brilhavam como se quisessem me avisar de algo, então o peguei e tentei abri-lo mas nada aconteceu, então eu olhei para o livro que eu havia deixado aberto sobre a escrivaninha e notei que um poema brilhava... Era mais ou menos assim:
"I, the descendant of the Heart, want to go to the world of my domain, so therefore appear gate that I can help my people"
Eu não percebi, mas li isso em voz aClaro e quando eu acabei de recitar este poema, o colar ainda em minha mão começou a brilhar mais intensamente e eu o abri... Não sei como e nem o porquê, mas dentro do pingente tinha um buraco de fechadura... E pelo o que eu saiba... Eu não vi chave alguma nas coisas de minha avó...
—É claro- eu disse colocando minha mão direita na testa e passando sobre os olhos, levemente.
Eu me lembrei de ter visto uma chave no pescoço daquele menino... O Thomas... Como eu vou explicar pra ele tal coisa? Tipo imagina eu chego pra ele "ei preciso do seu colar para abrir uma fechadura que fica no meu colar e que só aparece quando recito um poema" .
Claro que eu não vou dizer isso... Ele ia achar que... Ah sei lá.
Eu fechei o pingente e ele parou de brilhar, o coloquei no pescoço, senti que eu precisaria proteger e esconder aquilo... Ouço passos vindos do corredor, eu rapidamente guardo o livro e outras coisas que estavam sobre a escrivaninha, e olho para a porta, vejo meu pai, que tinha acabado de chegar ali.
—Filha- ele disse apoiando na porta com o cotovelo e colocando a mão sobre seus cabelos pretos levemente- amanhã vamos até a casa do seu tio.
—Que tio?
—Faz um tempo já que não nos vemos, então ele "descobriu"- meu pai fez aspas com as mãos- que nos mudamos para cá, me ligou e disse que queria que fôssemos conhecer a família dele.
—Ah, tudo bem pai.
—Ótimo querida, mas sua mãe disse que vai ter que resolver umas coisas no trabalho então, vamos só nós dois OK?
—OK pai- eu disse sentada na cama.
—Agora boa noite- ele disse e entrou no quarto me deu um beijo na testa, voltou até a porta e apagou as luzes.
—Obrigada pai.
Ele então encostou a porta e, eu só então percebi o quanto tudo aquilo era estranho... Deitei na cama e me cobri, fiquei pensando em tudo o que acabara de acontecer... Não podia ser verdade... Sei lá... Fiquei pensando nisso e adormeci...
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