Two Souls
4 Objetos Escondidos
Notas iniciais
"... e junto com ele, caiu lá dentro."
Quando Akui caiu, as telhas e alguns pedaços de madeira, caíram sobre ele.
Ele se levantou e parecia intacto. Nenhum corte ou ferida estava em seu corpo (na verdade o corpo é meu), apenas poeira e alguns pequenos pedaços de telha e lascas de madeira.
Ele havia caído em um quarto bem pequeno e super empoeirado. Aquele devia ser o sótão. Lá só tinha uma cadeira (que por sinal, como todo o resto estava cheia de pó) com algumas cordas caídas em sua volta manchadas com... Sangue! Aquele lugar parecia uma sala de tortura, até porque tinha algumas manchas de sangue nas paredes, no chão e na própria cadeira. Por final, bem no canto do quarto, tinha um baú preto com alguns detalhes prateados.
Akui andou até o baú, e o abriu (ele estava destrancado). Dentro do baú tinha uma caixa não muito pequena, vermelha com estampa de rosas e tinha uma fechadura prateada. A caixa era de metal, então apenas uma chave poderia abri-la.
Ele pegou a caixa e foi até a porta do quarto (que estava caída no chão estraçalhada), e logo avistou uma escada que levava para o andar de baixo.
Chegando ao andar de baixo (que tinha apenas um sofá coberto por um lençol branco, obviamente cheio de pó), que não era muito grande e por sinal, algumas outras marcas de sangue nas paredes e no piso. Ele começou a andar pra todo lado procurando por algo. Chegou até o sofá, jogou o lençol branco pro outro lado da sala, e começou a rasga-lo em alguns pontos que pareciam costurados com linha preta (a cor da linha era diferente da cor do sofá, pois ele era marrom avermelhado).
Depois de rasgar uma parte do sofá, ele colocou sua mão dentro dele e começou a ficar remexendo à procura de algo provavelmente pequeno.
Até que... Ele encontrou uma chave.
♠
A chave não era muito pequena. Era prateada com alguns detalhes bonitos. Era um estilo antigo de chave, e raro, até porque nunca na minha vida eu vi uma igual a esta.
Akui parecia ter conseguido tudo o que queria naquela casa, então logo depois de ter encontrado a chave, ele foi embora. E claro, ele voltou do mesmo jeito que chegou: praticamente voando.
Depois que chegou em casa ele foi direto pra minha cama (quando chegou, ele entrou pela janela do meu quarto), pegou a chave e abriu a caixa. Dentro dela, ele tirou o que parecia ser... Uma faca? Ou talvez fosse uma mini-foice? É meio complicado descrever... Era uma faca parecendo uma foice, mas, tinha duas lâminas! Uma lâmina (a maior) mais pra cima e uma lâmina um pouco menor logo abaixo. Era a ferramenta (ou arma) mais estranha que eu já vi.
Na ponta das lâminas, estava umas manchinhas vermelhas... Será que... Usavam ela para matar? E aquela casa abandonada onde Akui esteve? Aquela sala de tortura... Tudo está ligado ao passado de Akui! Se ao menos ele tivesse me contado um detalhe sequer de seu passado...! Ele é um pouco reservado e é claro, eu já havia percebido isso antes, por isso eu não costumo perguntar coisas que tem a ver com o seu passado ou coisas do tipo, mas acabo de perceber que eu devia ter perguntado.
Depois de algum tempo encarando a ferramenta, Akui finalmente decidiu se mecher. Pegou a ferramenta e se dirigiu até a cozinha, foi até o armário e começou a mecher nas gavetas, até encontrar uma pedra de amolar facas, e começou a amolar sua ferramenta.
Ele ficou um tempão amolando aquela coisa sem parar. Talvez em sua vida passada, ele tenha sido um robô. Acho que nunca vou saber. Quando terminou, ele voltou ao quarto e guardou a ferramenta na caixa e trancou-a com a chave. Depois disso ele começou a ficar pisando forte no chão (que era de madeira), mas não a ponto de quebra-lo é claro, até encontrar uma parte oca e arrancá-la do chão. De onde ele tirou a madeira, tinha um pequeno espaço vazio, que por mera coincidência cabia a caixa de metal. Ele a colocou dentro do buraco e fechou com a madeira que tinha tirado, e depois de encaixá-la perfeitamente no chão ele ficou pisando em cima. Por incrível que pareça, a tábua estava perfeitamente encaixada.
Akui terminou o que tinha que fazer, e foi direto pra cama e me deu o controle do corpo novamente. Voltei à consciência (e ao normal também), mas eu estava terrívelmente cansada, e completamente gótica sem saber o porquê. Mas por estar cansada peguei no sono rapidamente.
♠
Um bom tempo se passou, e eu acordei. Eu estava praticamente morrendo de fome, e pulei da cama e corri para a cozinha. Avancei na fruteira e peguei uma maçã, e olhei pro relógio. Eram 2:40 da tarde! Eu estava tentando lembrar de algo importante que eu havia esquecido.
— Fruta que caiu! Esqueçi que hoje eu tinha que ir trabalhar mais cedo! Droga!!!
"Ah! Akui me paga!" eu pensava enquanto corria desesperadamente até meu quarto e pegava minhas coisas. Depois que terminar de pegar minhas coisas e de ter jogado tudo de qualquer jeito na minha mochila, saí correndo de casa implorando para que o ônibus ainda não tivesse chegado.
Felizmente eu cheguei no ponto junto com o ônibus, então deu tempo. Demorou trinta minutos até que eu chegasse na estação de metrô.
Eu tinha chegado à tempo, então eu fiquei esperando que o metrô aparecesse. O que eu não esperava, era encontrar uma pessoa que reconheci logo de cara! Era...
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