Two Pieces
1 Forever.
Notas iniciais
Se gostarem comentem xD
Bjo Bjo u.u
Narração em primeira pessoa, da Alex :D
“We’re only lost children, Trying to find a friend, Trying to find our way back home” — Two Pieces, Demi Lovato.
Eu era uma garota perdida, observava-o andar pela escola, sempre cheio de pessoas ao redor, cercado por garotas bonitas e maquiadas. E eu, bem, eu era apenas eu. Uma nerd, de óculos e cabelo preso, sem maquiagem e atrativos algum, a 1° da classe em quase todas as matérias, porque em Educação Física, o mérito ficava para ele. Não tinha amigos e claro, um namorado; Não que eu nunca tenha tido um namorado, mas não foi uma boa experiência, e depois de Paul Morks eu nunca mais tive vontade de ter um. Já ele, sentava em uma mesa cheia de pessoas na hora do almoço, com tantas garotas ao redor que dava até nojo olhar. Mas não vou me desmerecer tanto, eu tenho sim uma amiga, o nome dela é Melanie, uma das mais populares da escola, talvez a mais bonita, não me pergunte como viramos amigas, sempre fomos, ela era minha vizinha, nos encontrávamos todos os dias e quando chegamos ao colegial, começamos a estudar juntas, ela a popular e eu a excluída.
Certa tarde, já tinha terminado o teste, claro, e fui para os corredores, estava tão cansada de tudo e de todos que fui ao banheiro e fiz algo que nunca imaginei, soltei meus cabelos longos e ruivos, passei um pouco de batom, base para esconder minhas sardas, sem muito resultado e me olhei no espelho. Confesso que não parecia eu, talvez assim ninguém me reconhecesse.
Quando saí do banheiro, ele estava lá, no bebedouro. Eu queria sorrir e acenar, mas eu me sentia estranha daquele jeito, não queria que ele me conhecesse desse modo, não queria que me visse como algo que eu não era então olhei para o outro lado, e segui meu caminho para os jardins. Afinal, ele nunca veria uma nerd como eu.
Sentei na grama do jardim. Estava deserto, um milagre na verdade, porque sempre havia um que matava aula, mas era final de semestre, todos precisavam passar. Peguei um espelho na bolsa, e um lencinho. Olhei-me no espelho e sinceramente não gostei do que vi. Meu rosto estava triste e diferente. Peguei o removedor de maquiagem da Melanie, ela sempre deixava um comigo, caso precisasse. Terminei de tirar toda aquela maquiagem e deixei meus cabelos soltos, gostei deles assim, pareciam mais leves.
Deitei-me e observei o céu por baixo dos óculos, ainda tinha cerca de uma hora até que alguém terminasse a prova, então, estaria livre. A visão que tinha era uma das mais inspiradoras, um céu bem azul, límpido, comtemplado com nuvens relativamente cinzas. Muito bonito.
Ouço um movimento repentino, mas não me importo, deve ser só o vento, fecho os olhos e sinto a brisa, respiro um ar puro, um cheiro um tanto conhecido.
Alguém se deitou ao meu lado. Ah, não...
- Oi... — Ele diz. Continuo de olhos fechados
- Oi.
- Hm, observando o céu, hein? – Ele ri sozinho. Não posso deixar de transparecer um pouco do meu sorriso enviesado.
- Bem, qual o seu nome? – Ele me pergunta. A esta altura eu já estava sentada.
- Qual o seu? – É claro que ele não sabia o meu nome, quem saberia o nome da nerd da sala?
- Ian... Hendricks. E o seu?
Eu já sabia que seu nome era Ian, mas claro que não disse nada.
- Alex... Grais...
- Lindo nome. Assim como a dona dele. – Ele solta um sorriso galante.
- Sério? – Pergunto em ironia e com uma cara cínica me defendendo.
- Com toda certeza.
- Hm, Obrigada... Eu acho.
Ele deita de novo.
Resolvo me deitar também.
Um silêncio confortável se instala, ficamos assim até o constrangimento bater, para o meu lado.
- Então...
- O que? – Ele pergunta assustado. Estava quase dormindo, eu sorrio e fecho os olhos.
- O que? – Ele repete agora mais próximo.
- Nada – minha voz saiu mais estridente do que eu precisava – É só que você que veio sentar-se ao meu lado, e acho que tenha um motivo para ficar ao lado de uma estranha!
- Você não é uma estranha!
- Ah não? Então me diga o que sabe de mim!
Ele olhou nos meus olhos por uns instantes. Olhou para baixo e deu um sorriso de lado.
- Seu nome é Alex Grais. A primeira aluna da classe. Uma garota extremamente inteligente, mas é péssima em Educação Física. Sei também que você simplesmente odeia usar maquiagem e seus óculos. Eu sei que sua comida preferida da cantina é lasanha, a propósito a minha também, seu perfume é o Laslus, um cheiro cítrico, que combina com pessoas excêntricas, ao contrario de você, que é a mais doce que eu já conheci, e você só usa esse perfume para sentir-se rebelde, suponho. Sua flor preferida são lírios, você odeia praia, e seu livro preferido é Harry Potter, pois foi o que te encantou quando era pequena. Odeia seus pés, pois os acha estranhos, odeia seu nariz e seu queixo, odeia sua cintura e sua voz gravada, odeia que mexam em suas coisas sem a sua autorização e que a interrompam, mesmo que você o faça às vezes. E sei mais um milhão de coisas sobre você, que até mesmo você não saiba. Como: Que a gente estudava junto na primeira série e você chorava toda vez que sua mãe ia embora, ou que você amava a sua letra logo quando começou a escrever, porque a achava fofa, toda redondinha. Eu sei sim, Alex, muita coisa sobre você.
Eu não sabia o que falar e muito menos o que fazer, só deixei que se aproximasse. Então ele juntou seus lábios aos meus e foi a sensação mais maravilhosa do mundo. Como se nada mais importasse, como se não houvesse diferenças sociais, nem nada que nos prendesse ao mundo. Como se tivéssemos nossa própria dimensão. “I and A”.
Ficamos um longo tempo, um muito bom longo tempo, trocando carinhos e beijos. Assim que o cansaço bateu, nos deitamos na grama úmida, sob o sol da tarde. Deitei minha cabeça em seu tórax, ele tomou minhas mãos e ficamos conversando. Mas ainda havia coisas a se explicar.
- Como? – Eu não precisava dizer mais nada, percebi o entendimento mútuo em seus olhos.
- Bem, eu ficava observando você, quando não estava olhando, é claro. Perguntei a pessoas próximas de você, descobri que amava lírios, porque todo mês você compra um buquê e descobri que odiava praia, na excursão que tivemos para uma praia deserta ano passado e você passou mais da metade do luau na cabana, mas mesmo assim estava linda.
- Eu estava com uma blusa totalmente folgada e uns shorts, como poderia estar linda?
- O problema das mulheres é que elas não veem beleza nas coisas mais simples.
- Ok, mas... Por que eu?
- Porque você é diferente! Não se joga em cima de mim quando me vê, é inteligente, tímida, doce, linda, uma aluna exemplar e mais outras qualidades infindáveis.
Ele me deu um beijo estalado na bochecha e eu soltei uma gargalhada, daquelas bem estranhas.
- Ah, e ri verdadeiramente, seja por coisas bobas, ou divertidas. E também, porque beija muito bem.
Eu corei, ele corou, nós coramos. O mundo se tingiu de vermelho e nós nos beijamos outra vez.
- Okay. Mas e aquela garota. A Emily Stalin? Vi vocês dois outro dia.
- Bem... – Olhar dele ficou magoado por um instante, mas quando encontrou os meus olhos verdes esmeralda, tudo sumiu. Verde no Azul elétrico. Quase deu pra ver a conexão se formar – Ahn, ela me traiu e eu não aguento dor de corno muito bem, sabe?
- Oh se sei! – Soltei uma risada para esquecer memórias. – Pois é.
- Posso te acompanhar até em casa?
- Pode, mas, ainda são 2 e pouca da tarde!
Ele deu um sorriso enviesado. Essa não...
- Bom, não exatamente, são quatro e 30 da tarde, ou seja, você perdeu uma aula e metade da outra, o que quer dizer que não tem direito de assistir mais nenhuma.
- Ok. Não pode ser sério! Como assim? E a minha reputação?!
- Bom, temos ótimos motivos!
- Argh! Tenho que concordar...
- Vamos?
- Claro!
Levantamos e pegamos nossas mochilas, adeus escola por hoje!
E eu ainda teria ajuda para encontrar o caminho da volta para casa.
Nunca pensei que isso fosse acontecer. De forma alguma poderia imaginar que Ian Hendricks era apaixonado por mim, e bem, a um bom tempo já.
Agora, eu tinha plena certeza de que não estava mais perdida. Meus dias de tristezas chegaram ao fim. Agora eu era dele e ele era só meu.
Encontramos um amigo um no outro, deixamos de ser crianças perdidas, encontramos nosso caminho de casa. Agora, éramos mais que apenas observadores nos cantos. Éramos amantes da vida. Tudo ganhou sentido e cor. Nós fomos para um lugar somente nosso. Onde nada importasse, apenas nossos corações e sorrisos.
Isso sim é ser bonito. Mas não apenas por fora, mas também por dentro. E com a certeza de ter encontrado o meu herói da Marvel, eu voltei para casa feliz. De braços dados com aquele que um dia eu observei, mas que agora estava ao meu lado. Forever.
Notas finais
Goodbyeee!!!
Fale com o autor