Two Pieces
1 Prólogo
Notas iniciais
- Venha, é por aqui. – Santana disse ao arrasta-la ladeira acima. – Chegamos, a visão privilegiada do Central Park.
Dani havia se arrastado parte dos degraus que subiram, mas devia admitir que a vista daquele prédio fosse a visão privilegiada do Central Park.
- O que nos trás aqui? – Perguntou.
- Acho que essa é minha vez de retribuir o Sol. Você me deu o amanhecer, eu lhe dou o oposto. – Santana sorriu, um sorriso angelical, fazendo com que Dani se desmanchasse por completa.
- Eu realmente não esperava por isso. – Dani retribuiu o sorriso, tornando escadas irritantes em um de seus melhores momentos.
- Vem – Santana estendeu-lhe a mão, trazendo logo a loira para debaixo de seus braços.
O Sol caminhava para debaixo das árvores, levando toda luz, deixando espaço para que as estrelas brilhassem. Dani se acomodou um pouco mais nos braços da moça, enquanto se despediam do dia.
Don’t you shiver?
- Já tentou contar estrelas? – Santana perguntou, quase com saudades da infância, onde contar estrelas ainda era permitido.
- Contar estrelas? Já tentei achar constelações, contar estrelas nunca. Como se brinca?
- Basta olhar pro céu e contar, quem conseguir contar mais, ganha.
- Então, comece.
- Uma. Acabei!
Dani olhou para cima, e logo depois para a garota, sem entender nada do que estava acontecendo.
- Está tentando me deixar ganhar? Isso não é justo.
- Não há como não ganhar. Vejo apenas uma estrela.
- Então acho que precisa de óculos. O céu está cheio delas.
- Talvez o seu. Eu vejo apenas uma estrela, eu vejo apenas você.
Danielle sorriu, abrindo espaço para que a morena lhe beijasse. Um beijo doce, como todo começo de romance deve ser. Um beijo meramente estranho para Santana Lopez, acostumada com beijos maliciosos e cheios de segundas intenções. Nem com Brittany se sentira assim, um beijo doce. Um beijo doce, como devia ser um lar.
Havia pouco tempo que conhecera Danielle, mas gostava do jeito que se sentia ao seu lado. Dani era uma caixinha de surpresas prestes a ser decifrada em Nova York. Era diferente das demais pessoas da cidade. Era simples, se contentava com um amanhecer e um violão. Era bonita, e fazia Santana se sentir em casa.
- Você devia ter dito que passaríamos a noite fora, agora estou com frio e não trouxe blusa alguma.
- Acha que não pensei nisso? – Santana a encarou, como quem diz “é, eu planejei tudo”.
Santana abriu a mochila que carregava e lhe entregou um moletom da Gap.
- O que mais está escondendo? – Dani perguntou surpresa, enquanto vestia o moletom.
- Algumas cartas na manga – Santana riu – Gostou da blusa?
Dani assentiu.
- Ótimo, porque até a hora de irmos embora, ela estará com seu cheiro. E eu pretendo dormir agarrada com ela.
- O qu acha de sairmos daqui? Dar um passeio pela cidade, sei lá...
- É uma boa ideia. Talvez pudesse me mostrar o que eu ainda não conheço, já que está aqui a mais tempo do que eu.
- Você provavelmente já conhece os pontos turísticos. O que acha de eu te mostrar a minha Nova York?
Caminharam algumas quadras em silêncio. O silêncio não era constrangedor, pelo contrario, parecia à melhor coisa do mundo. Não era um silêncio gelado, era aconchegante, por somente a presença já significava muito.
- Já passou por essas ruas antes? – Dani perguntou, quebrando todo o silêncio.
- Já, diversas vezes.
- Aposto que passou com pressa e não reparou na fachada de nenhum destes prédios, acertei?
- Ninguém nunca para em Nova York.
- Nós iremos parar, hoje. Essa é a minha Nova York, parada. – Dani estendeu a mão para a garota – Vem comigo?
Santana era conduzida por Dani por várias e várias ruas, descobrindo uma cidade completamente diferente á medida que caminhavam.
The night is getting darker, soon the stars will be faling down to rescue us
Passavam por prédios, teatros, bares, e estações. Não faziam ideia de onde chegariam, apenas andavam, contemplando as luzes da selva de pedra.
- Conheço um lugar que talvez goste, e não fica muito longe daqui.
Dani fora surpreendida pela moça ao seu lado.
Santana se referia a uma fonte, que também servia como queda d’água, o lugar perfeito para se conquistar alguém.
- Quedas d’água são românticas, não acha? – Santana fez uma pergunta retorica – Gostou?
- Eu adorei, é a primeira vez que venho aqui.
- Sabe, as pessoas costumam se baijar em quedas d’água...
Santana não obteve resposta.
- Danielle...
- Sim?
- Isso foi uma indireta.
- Foi?
Santana assentiu esperando por algo, controlando friamente o riso.
- É, são mesmo muito românticas.
Santana não entendeu porque a garota havia respondido sua pergunta somente agora.
- Eu estava tentando mandar uma também, mas acho que não sou muito boa nisso.
A latina riu, tomando a loira para si. Era divertido estar ali, não havia monotomia perto dela. Sentia como se algo estivesse crescendo por debaixo de sua pele, era só questão de tempo até reconhecer que aquilo era amor.
A noite acabara com cada uma em suas respectivas casas. A morena carregava a blusa que Dani vestia por todo o apartamento, cumprindo o que antes havia dito, dormiria agarrada àquela blusa.
Santana sentiu seu celular vibrar.
“Obrigada por hoje. Espero que tenha bons sonhos, pois eu sonharei contigo. XOXO, D.”
Cheirava a blusa novamente, trazendo todas as memorias do dia á tona.
- Boa noite, minha Dani.
Notas finais
Don't you shiver? = Você não se arrepia?
The night is getting darker, soon the stars will be falling down to rescue us = A noite está ficando mais escura, logo as estrelas irão cair para nos salvar.
Espero ter ajudado, e que tenham gostado do prólogo. Conto com vocês no próximo capítulo?
Até breve, Little Crush.
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