Two Pieces
18 Crash Diet & Second Chance
Notas iniciais
''As estações mudam, independentemente do lugar onde voce está.''
–Bruna Vieira, A Menina Que Colecionava Borboletas.
Algo gelado me atingiu, dei graças a Deus por minha blusa não ser clara, o vermelho estava todo manchado pela coca- cola, e juro que aquilo estava tão gelado que se alguém estivesse gravando poderia ser meu Ice Bucket Challenge. Eu olhei para cima e não acreditei.
Tudo congelou a minha volta.
Tanto por eu estar praticamente congelada, quanto a cena que se instalava a minha frente. Também responsaveís pelo arrepio na minha nuca, que descia até a cintura. As pessoas continuavam entrando, acho que Austin falava algo no meu ouvido mas soava como um eco distante. Tudo continuava congelado, nublado. Eu continuava pingando coca- cola.
Á minha frente, estava Luana, com 20 e poucos anos, os cabelos com luzes soltos, uma franja tapando metade da testa, seu óculos Ray Ban estavam em sua cabeça,estava segurando um copo, meio vazio, de coca diet e estava acompanhada de alguma de suas amiguinhas que ela deixará para trás ao se mudar. Quase tão perplexa como eu, me encarava, de olhos arregalados, parecendo fazer um esforço enorme para não abrir a boca num ''O'' enorme. Eu mal podia acreditar. Devia ter ouvido minha mãe até ela completar a sua frase, afinal Luana já havia voltado. Apesar de eu continuar achando estar em meio á alucinações, mais algum de meus pesadelos. Tenho que acordar.
–Você — murmurei a olhando incrédula, olhei de volta para minha roupa — TINHA de ser você!
Ela engoliu a saliva quando eu terminei.
–Ally. . .
–Não acredito! Parece que você continua a mesma não é?!
Disse me retirando a caminho do banheiro. Austin estava prestes a me seguir mas Luana disse algo como ''Deixa que eu vou atrás dela''.
Entrei no banheiro, aparentemente vazio, e fui em direção ao papéis toalha. Nada. Luana que havia ido em direção ao outro suporte voltou com dezenas de papéis empilhados na mão. E na outra o mesmo copo.
–Oque foi? Veio jogar o resto da coca em mim?
Pergunto com expressão raivosa, meu musculos se tencionavam enquanto ela se aproximava.
–Não — bufou de leve, deixou o copo na pia, chegou perto de mim, me encarando com os olhos castanhos mel — eu vim te ajudar Ally.
–Duvido.
–Eu mudei tá, não sou mais a . . . — eu tentava esquivar do papel em sua mão — Para poxa! Ally eu estou tentando te ajudar.
–Eu não preciso da sua ajuda, não tenho mais 13 anos! Ou 10, ou qualquer porcaria que seja.
–Você fica alegando que eu não mudei mas quem fica presa no passado é você!
Olho para ela, desisto de esquivar, eu precisava da ajuda dela, decidi ouvir quieta.
–Obrigada — Ela disse voltando a manusear os papéis — Ally, eu era infantil, muito infantil. E na verdade eu tinha . . . inveja. Inveja de você — Arqueei as sombrancelhas pra ela — É eu sei. Você era, é, tão bonita, mesmo sem ajuda da maquiagem nem nada, delicada por natureza, inteligente, educada, poxa você era perfeita, é claro que eu tinha inveja! E você era tão madura para sua idade, tanto na mentalidade quanto. . . Enfim, me desculpa por tudo.
– Você passou anos brigando comigo por querer ser como você, porque queria ser como eu?
Perguntei, com momentos rondando a minha volta. Dessa vez ela me olhou incrédula.
–Você — ela balbuciou- você queria ser como . . . eu?
–Sim — assenti — Você sempre sabia quando e oque dizer, seu sorriso iluminava tudo, e quando voce entrava na sala todos te olhavam, era perfeita. Tinha iniciativa, e era corajosa, sem medo de falar ou se impor. Tinha espirito de liderança, todos te seguiam naturalmente, porque isso sempre parecia o certo a fazer. Sempre achei você incrível Luana, todos esse anos, só queria ser sua amiga, ser tão incrivél como você.
–Talvez agora possamos. . . — Ela disse jogando os papéis no lixo, meu vestido estava bem melhor, não ótimo, mas aceitavél — Você pode me perdoar, e me dar uma segunda chance?
A olhei, ela havia mesmo mudado. Deixará de ser grande por fora e pequena por dentro, era grande de todos os jeitos. Eu estupidamente continuava querendo ser como ela, mas só um pouco. De uma maneira boa. Ela merecia uma segunda chance, todos erramos afinal.
–Claro.
A abraçei. Há lugar melhor para reconciliações do que o banheiro feminino? Se sim, me diga.
Agradeci por ninguém ter entrado no banheiro.
–Ally?
Austin me chamava do lado de fora.
–É seu namorado?
–Sim.
Sorri pra ela.
–Vai lá, ah é quase me esqueci, mais tarde quero um autográfo Ally Dawson.
Ela disse rindo bati de leve em seu braço e saí do banheiro. Austin estava parado, ao lado da porta.
–Voce tá bem?
–To ótima, longa história.
–Eu sei — franzi a testa para ele — Deu para ouvir do lado de fora.
Maneei um não com a cabeça.
–Bisbilhoteiro. -Sorri e o apontei de forma acusadora. Ele riu. -Meu bisbilhoteiro.
Ele me beixou na bochecha, e passou os braços ao meu redor.
***
Domingo passou mais que voando, por sorte, nenhuma foto do meu acidente diet apareceu na internet.
Eu e Luana estavamos nos dando bem, apesar da tal da segunda chance ter menos de 24 horas. Estava dando certo, e eu estava feliz por isso.
Peguei uma folha, e escrevi em letra de mão ''Para minha maior fã, Luana, Ally Dawson.''
Desci as escadas até a sala de estar, Luana estava esparramado pelo sofá branco, as paredes do lado oposto do sofá eram de acrilico ou seja lá oque for aquele meterial transparente, a luz do sol invadia a sala ultrapassando nuvens, a tv estava desligada e Luana segurava seu smarthphone na mão, digitando freeniticamente. Nem deu bola para mim. Cheguei perto e joguei o papel em seu rosto.
–Aqui!
Ela suspirou de susto. Nada de gritos? Okay. Só um breve ''Ah''.
–Oque é isso Allycia?
Disse franzindo a testa, e examinado o papel, os olhos passando pelas letras. Abriu um sorriso presunsoço e me puxou começando uma longa e torturosa sessão de cosquinhas.
–Ai ai ai para para para! — Disse em meio aos risos — Posso estar rindo, mas não estou feliz!
Luana riu e me soltou, oque fez com que eu parasse deitada no tapete aos seus pés.
–Você parecia bem feliz.
Disse dando de ombros, a olhei falsamente brava. Levantei peguei seu celular, e me sentei ao seu lado.
–Oque é isso? — Ela rapidamente pegou o celular da minha mão. — Nossa, é seu namorado?
–Claro que não — ela revirou os olhos. — Eu ainda não te disse, mas estou aqui a trabalho. Na sua escola.
–Oque?
–Isso aqui é um progeto especial do qual eu vou participar, mas é segredo, então você vai ter que esperar como todos os outros alunos.
–Mas não sou como todos os outros, sou sua prima!
–Sem favoritismos — disse levantendo a mão em rendição. — Desculpa.
–Tudo bem, mas quando saberei?
–Amanhã mesmo.
Disse sorrindo animada. Mas que progeto será esse?
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