Two Pieces

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Sentiram minha falta? Brincadeira.. o capítulo ficou curtinho, mas ficou no ponto que eu queria...

A médica entrou no quarto olhando o prontuário e em seguida para Rachel.

– Vamos ver. – Se posicionou para poder ver a parte íntima da morena que ainda gritava. – Rachel… você ainda está com 4cm de dilatação.

Rachel olhou para ela respirando fundo, os olhos arregalados.

– Impossível, ela já está com 4cm há quase 5 horas. – Hiram segura a mão da filha tentando aliviar a pressão que ela exercia na mão de Quinn. – Você não pode fazer nada?

– Esse é o problema senhor Berry eu já fiz tudo o que podia. – A médica olha para Quinn e depois para Rachel. – Apliquei a Prostaglandina e depois mandei a enfermeira aplicar a Ocitocina. Já era para ela está com pelo menos 8 de dilatação.

– Eu não aguento mais. – Rachel murmurou.

– Epidural? – Quinn sugeriu mantendo a calma.

– Pode ser a nossa solução, mas… — A médica tocou a barriga por alguns instantes como se procurasse algo. – Vamos prepara-la para fazer um CTG.

A enfermeira se afastou para preparar os equipamentos.

– O que é isso? – Rachel balbuciou.

– Quero ver como estão os batimentos dela. – A médica explicou. – Não precisa se assustar, é apenas uma precaução ok?

Rachel buscou o olhar de Quinn que lhe deu um sorriso.

– Vai ficar tudo bem. – Acariciou o rosto da morena. – Agora… me diz, qual vai ser o nome dela?

***

Quinn deitou ao lado de Rachel na cama grande, enrolaram-se no edredom com algumas guloseimas que a morena havia pedido. Na televisão grande passava uma reprise de Friends, um prazer oculto de ambas. Rachel estava apoiada em seu corpo com a cabeça em seu ombro olhando para a tela atentamente enquanto levava um doce de morango aos lábios. Já estava em seu oitavo mês de gravidez e a barriga estava enorme, sentia-se incomodada quase o tempo todo com o inchaço e os desconfortos da situação.

O episódio que assistiam era aquele em que Rachel entra em trabalho de parto e Ross e o resto da trupe a leva para o hospital, mas o trabalho de parto é longo e frustrante para a mulher.

– Quero que o meu seja rápido. – Rachel resmungou.

Quinn soltou uma risada acariciando a barriga de Rachel.

– Aposto que a pequena Berry nascera como uma diva.

Rachel rolou os olhos antes de deixar o sorriso chegar aos seus lábios.

– Ela ainda não tem nome. – Sussurrou sentindo o carinho de Quinn.

– Podemos fazer uma lista. – Respondeu tentando ignorar a pontada que sentiu ao perceber que sem querer havia se incluindo naquilo. – Se você quiser ajuda.

– Quero. – Rachel se apertou nela, Quinn fechou os olhos tentando acalmar o coração traidor.

– Você tem algo em mente?

– Eu queria nomes judeus. –Rachel respondeu de olhos fechados.

Quinn esticou o braço para a mesa de cabeceira e pegou o celular, acessou um site de buscas e rapidamente buscou alguns.

– Aqui tem uns bonitos. – Quinn mostrou para ela.

– Leia para mim. – Rachel murmurou quase caindo no sono.

– Hnnn… que tal Lela?

– Não gostei.

– Raizel?

– Minha filha não é personagem de uma série.

– Sarah?

– Não.

– Judy?

– Sua mãe iria adorar isso. – Soltou uma risada fraca. – Tenho que ligar para agradecer o conjuntinho de toalhas, são lindos.

– Ela gosta de costurar. – Quinn sorriu. – Hnnn… Judy então?

– Está na lista.

– Ok… que tal… Bella?

– Não, sem vampiros e nem lobisomens. – Bocejou ouvindo a risada de Quinn.

– Adele? – Acariciou a barriga da morena. – Uma diva.

– Gostei… está na lista.

– Hnn… adorei esse aqui. – Quinn sorriu. – Mia é um bom nome.

– Mia? – Ergueu a cabeça olhando para a loira. – Não acho que combinaria… Mia Hudson ou Mia Weston.

Quinn manteve os olhos na tela como se ainda estivesse procurando um nome. Rachel deu de ombros se aconchegando no ombro da loira de novo.

– Ponha na lista. – Murmurou bocejando outra vez.

– Mas você não gostou. – Quinn mantinha o rosto livre de expressões.

– Eu me referia a sua lista. – Rachel sorriu, traçou uma reta no braço da loira. – Para quando você tiver uma filha…

– Não sei sobre isso. – Quinn fechou o navegador e guardou o celular, tentou ignorar a sensação ruim em seu peito. – Falei com a Beth hoje…

– Eu sei… minha mãe ligou. – Rachel fechou os olhos enquanto traçava padrões no braço da loira. – Ela perguntou se queremos ajuda para pintar o quarto. Aceitei, afinal você não pode fazer tudo sozinha e vai ser ótimo ter a Beth por aqui.

– Santana e Kurt disseram que vão vir ajudar. – Quinn ajeitou as cobertas em torno da morena. – E ele está muito irritado porque você não fala o sexo do bebê… diz que assim seria muito mais fácil montar o enxoval e o quarto. Juro que estou me perguntando como você está se segurando para não fazer tudo rosa.

– Também estou me perguntando. – Soltou uma risada fraca. – Você vai fazer o que eu pedi?

– Já comprei o stencil e as tintas. – Quinn acariciou o braço da morena. – Certeza que quer um quarto verde e preto?

– Unhum… já encomendei os móveis. – Murmurou. – Kurt está zangado com isso… ele queria ajudar…

Quinn acariciou os cabelos escuros até sentir a respiração tranquila da mulher que havia adormecido. Beijou os cabelos escuros e se moveu para deixar a morena confortável na cama, limpou tudo e desligou a televisão antes de ir para o quarto do bebê.

Separou as tintas e começou a misturar o corante a tinta branca para fazer os dois tons de verde que a morena queria. Verde claro e um verde um pouco mais escuro. Começou a separar os pincéis e os stencils.

Rachel acordou olhando pelo quarto antes de ser atingida pelo cheiro gostoso de panquecas. Se levantou com dificuldade antes de ir até o banheiro, sua bexiga estava lhe matando de tão cheia. Enrolou-se em um roupão e saiu para o corredor ouvindo as vozes.

– Quinnie. – Chamou entrando na sala. – Quem está…

– Rach! – Uma criatura de cabelos loiros pulou da mesa, os cabelos cacheados batiam abaixo dos ombros e os olhos verdes examinavam sua barriga com curiosidade. – O bebê está bem?

– O meu amor. – Rachel a abraçou desajeitada. – Estava com saudades, o bebê está bem sim.

Beth sorriu a puxando pela mão até a mesa.

– Bom dia. – Sentiu o beijo no topo de sua cabeça, Shelby tratou de lhe servir um suco fresco. – Como você está se sentindo?

– Inchada e cheia de dor. – Resmungou vendo Beth se servir de ovos e algumas fatias de bacon.

– Está linda. – Shelby lhe censurou. – Ela não está linda querida?

– Está sim. – Beth concordou com a boca cheia. – Não está Quinn?

– Está linda de mais. – Quinn sorriu colocando um prato de panquecas na mesa. – Coma enquanto estão quentes.

– Quando vocês vão começar a pintar? – Rachel se serviu das panquecas e do mel.

– Não é necessário, eu fiz a maior parte durante da madrugada e terminei agora de manhã aplicando o stencil que você queria.

– Está falando sério? – Rachel parou com uma garfada já próxima a boca. – Você não dormiu?

Quinn deu de ombros se servindo de café e roubando uma tira de bacon do prato de Beth que reagiu com um olhar ofendido.

– Quinnie! – Rachel a repreendeu.

– Termine o café e eu te levo para ver o quarto. – Quinn sorriu com o canto dos lábios.

***

Quinn acariciava os cabelos escuros procurando dar algum conforto a Rachel que respirava rapidamente pela boca.

– Quando… Beth… nasceu…

– Foi difícil assim. – Quinn completou acariciando o rosto da morena. – Mas valeu a pena assim que ela foi colocada nos meus braços.

– Você vai estar comigo, não vai? – Soltou em um fôlego só.

– Você quer que eu esteja? – Sentiu o apertão forte em sua mão. – Eu vou estar lá.

– Segure-a… não a deixe…

– Shhh… guarda o fôlego. – Olhou para a médica que passava a ligar os eletrodos na barriga de Rachel. – Vamos ouvir o som mais lindo do mundo ok? Os batimentos dela.

Rachel tentou se manter calma, o barulho dos batimentos preencheram o quarto, mas estavam irregulares. Não era como da primeira vez.

A médica olhou para a enfermeira e acenou com a cabeça, a mulher saiu correndo do quarto.

– Rachel, vamos precisar fazer uma cessaria. – Retirava os eletrodos enquanto falava com a morena.

– O que? Por quê? Por quê o coração dela ta batendo assim? – Rachel disparou.

– Rachel, a bebê não vai aguentar esperar mais. – A médica afastou a aparelhagem enquanto três enfermeiras entravam no quarto. – Ela está entrando em sofrimento, precisamos fazer a cessaria. Quinn, preciso da sua autorização.

– Minha? – Olhou para a morena que estava tendo outra contração.

– Rachel te colocou como contado de emergência. – Ajudava a segurar o braço da morena para a veia poder ser puncionada.

A loira trocou um olhar com Hiram antes de olhar para uma Rachel apavorada.

– Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. – Murmurou para ela, olhou para a médica. – Façam a cirurgia.

– Entra comigo. – Rachel sentia todas aquelas pessoas se mexendo ao redor, agarrou a mão de Quinn com mais força.

– Desculpe Rachel, mas ela não pode. – A médica respondeu.

– Doutora a sala 4 está livre. – Ouviu alguém dizer e logo sua cama começava a se mover.

– Quinn…

– Vai ficar tudo bem. – Garantiu para a diva. – Vai ficar tudo bem.

– O nome… o nome… — Rachel sentiu que saia para o corredor e todo o alvoroço das pessoas que estavam esperando, prendeu a mão de Quinn na sua, a loira andava junto dela.

Quinn conseguiu ouvir o nome antes das portas se fecharem e ela ser impedida de prosseguir.

Shelby a segurou pelo braço a puxando para junto dos outros enquanto Hiram explicava o que tinha acontecido, ele estava abatido e preocupado. Quinn deixou o corpo cair em uma das cadeiras e apoiou a cabeça na parede.

– Vai ficar tudo bem. – Shelby sussurrou para ela. – Vai ficar tudo bem.

Sentiu sua mão ser envolvida pela mão quente da Corcoran e o peso leve de Beth subindo em seu colo.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone