Two Pieces
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Brody abriu a porta com um sorriso recebendo um abraço forte da mãe. Era uma mulher magra de cabelos lisos e castanhos e olhos azuis profundos como os do filho.
– Olá mamãe. – Brody suspirou antes de olhar para o pai.
A postura militar ainda estava lá, os ombros largos e rígidos, olhos verdes escuros e um belo bigode grisalho.
– Pai. – Brody acertou a postura recebendo um aceno seco de cabeça. – Vamos entrar.
Deu passagem para os dois entrarem na sala onde Leroy e Judy conversavam tomando um pouco de café.
– Bom dia. – A senhora Weston cumprimentou. – Senhor e senhora Berry eu presumo, como estão? E a nossa menina?
Leroy arqueou as sobrancelhas com um leve sorriso enquanto Judy respirava fundo.
– Mamãe. – Brody se apressou. – Este é o senhor Berry e esta a senhora Fabray.
– Ah… perdoem-me… — A senhora sorriu encabulada. – Eu sou Joanne e este é John meu marido.
– Leroy. – O Berry se levantou estendendo a mão apertando fortemente a deJohn Weston. – Está é Judy.
Os cumprimentos rápidos e frios foram trocados.
– Rachel está com a mãe. – Leroy olhou para Brody que prontamente fechou os olhos.
– Vocês não são casados? – A mulher manteve o tom leve.
– A senhora quer ver alguma foto da Mia? – Brody prontamente perguntou. – Ela está linda.
– Elas irão demorar? – Joanne olhou para o filho com uma leve repreensão nos olhos.
– Creio que já estão voltando, o apartamento de minha filha não é tão longe e quando sai elas já estavam terminando de aprontar as meninas.
Joanne arqueou as sobrancelhas.
– Aprontando as meninas? – Perguntou delicadamente.
– Sim, Mia e Beth. – Judy explicou, suas suspeitas começavam a aumentar. – Tivemos uma noite das meninas ontem.
– Beth insistiu em dormir com Mia outra vez? – Leroy perguntou bem humorado.
– Não, dessa vez não, ela dormiu com a Shelby. – Judy soltou uma risada. – Mas ela recitou as falas da peça com perfeição pelo menos umas centenas de vezes ontem. Rachel a encorajava cada vez mais.
O barulho da chave na porta atraiu a atenção de todos, Beth disparou para dentro correndo para o colo da avó. Shelby entrou seguida de Rachel, carregavam algumas sacolas, e por ultimo Quinn que carregava o bebê conforto que estava coberto.
– Três paparazzi nos seguiram até o mercado e na volta. – A diva resmungou, ainda não tinha visto as visitas.
Rachel se virou e prontamente abriu um sorriso.
– Senhor e senhora Weston, mas que prazer vê-los. – Se adiantou recebendo um abraço caloroso da mulher e um aperto de mão do homem. – Quinn pegue a Mia.
Quinn pousou o bebê conforto na mesinha e puxou a coberta para baixo.
– Oi meu amor. – Sorriu para a menina que sorriu de volta.
Mia esticou aa cabecinha para trás enquanto balbuciava olhando para Quinn com expectativa, a loira se curvou para ela, mas fora empurrada para o lado por Joanne.
– Me dá. – A senhora sorriu pegando Mia. – Ela é minha, não é? É da vovó.
Quinn arqueou a sobrancelha, seu olhar encontrou o de Rachel antes de olhar para Mia que permanecia séria.
– Olha John, ela é linda, exatamente como o Derek quando nasceu. – Joanne sentou no sofá, olhou para Rachel acrescentando. — Não viemos antes porque o irmão do Brody levou a esposa até a nossa casa, eles tem um menino de três anos e descobriram que ela está esperando outra vez. E agora o nosso Derek está indo para o Iraque.
– Não sabia que você tinha um irmão. – Rachel se sentou no braço do sofá ao lado de Leroy.
Quinn pegou o bebê conforto e o cobertor os levando para o quarto. Brody se limitou a dar de ombros.
– Derek é fuzileiro. – Joanne comentou orgulhosa. – Se formou como o primeiro da classe na Academia e também no colégio. Ele era o zagueiro do time de futebol, o chamavam de braço de ouro.
Rachel arqueou as sobrancelhas olhando para Brody, mas ele revirou os olhos.
– Os senhores tomam o brunch conosco? – Shelby saiu da cozinha onde havia guardado as compras e perguntou educadamente.
– Perdoem-me a minha falta de educação. – Rachel arregalou os olhos. – Esta é a minha mãe, Shelby Corcoran.
– É um prazer. – Shelby deu um sorriso simpático.
– Igualmente. – Joanne a olhou disfarçadamente. – Nós aceitamos o convite.
– Beth. – Quinn apareceu na sala. – Pegue os deveres do colégio, vou te ajudar a fazer logo depois de comermos.
Beth se aconchegou em Judy soltando um suspiro.
– Esta é Quinn Fabray, mas acho que vocês já a conhecem. – Rachel ergueu a mão segurando a de Quinn. – E aquela é Beth, minha irmã.
– Sua irmã? – Joanne olhou para Beth.
– Sim, minha irmã. – Rachel retrucou, entrelaçou os dedos com os de Quinn.
– Me ajuda? – Shelby se virou para a Quinn e depois para Judy. – Vem também?
– Sim. – A loira mais nova beijou os cabelos de Rachel enquanto Judy concordava com a cabeça. – Foi um prazer senhores, agora eu peço licença.
Quinn e Shelby se afastaram entrando na cozinha.
– Quero panquecas. – Rachel falou alto. – Me ouviu Fabray?
– Bacon! – Beth gritou em seguida. – Por favor mamães!
Leroy soltou uma risada baixa enquanto Judy movia Beth para o sofá e ia atrás das outras duas.
– Por favor, vovó! – Beth pediu fazendo beicinho.
– Você terá o seu bacon. – Judy respondeu. – Se suas mães deixarem.
– Mães? – Joanne franziu as sobrancelhas ajeitando Mia em seu colo, a menina estava agitada.
– Sim, eu tenho duas mamães e um papai. – Beth sorriu para a senhora. – Titio Brody disse que eu sou muito especial por isso, assim como a Mia também é e é por isso que eu vou ajuda-la.
Joanne permaneceu parada encarando Beth.
– Você tem duas mães? – Perguntou mansamente.
– Sim, eu sai da barriga da mamãe Quinn e sou filha do coração da mamãe Shelby. – Beth continuou sorrindo. – Eu tenho duas mamães e a Mia também tem.
– Mia também tem? – Joanne olhou para Brody.
Leroy apertou o joelho de Rachel.
– Ela é filha da barriga da Rachel e filha do coração da mamãe Quinn. – Beth falou orgulhosa.
– Que absurdo é esse que essa criança está falando? – John possuía um timbre de voz grosso.
– Beth vai pegar o seu dever. – Rachel mandou docemente.
Beth olhou para o senhor Weston antes de levantar e ir para o quarto de Rachel onde estava sua mochila.
Brody se levantou afastando-se do pai.
– Beth é adotada. – Rachel explicou com calma. – Quinn engravidou quando tínhamos um pouco mais de 16 anos, não podia mantê-la e então a minha mãe a adotou quando tinha apenas dias de vida. A maneira mais fácil de explicar para ela tudo isso foi da maneira como ela explicou aos senhores.
– Vocês precisam ensina-la a ter freio. – Joanne comentou casualmente. – Crianças possuem uma mente fértil.
John encarava o filho com firmeza, Brody apoiou-se na parede e encarou o pai.
– Beth é muito inteligente e criativa sim. – Rachel respondeu com leveza.
Joanne tentou acalmar Mia, mas a menina não parava de agitar os braços.
– Ela dormiu? – Brody olhou para Rachel.
– Acordou para mamar duas vezes e suja apenas uma. – Rachel se levantou indo até a filha. – Vem cá meu amor, deixa mamãe ver qual o problema.
Entregou a menina a contragosto para Rachel. Mia se acalmou quase instantaneamente se acomodando no colo da mãe, resmungando muito pouco.
– Vocês tinham que ver ontem. – Rachel balançou Mia. – Quinn estava cantando e ela começou a cantar junto.
– Sério? – Brody sorriu.
– Sim, Quinn estava cantando para Beth e Mia estava no meu colo olhando as duas. – Rachel alisou os cabelos rebeldes da menina. – Ela agitou os braços e começou a “cantar” junto.
– Será que foi ciúmes? – Leroy arqueou as sobrancelhas.
– Não, ela é muito pequena para sentir ciúmes. – Rachel sorriu. – Acho que ela queria a atenção da Quinn. – Olhou para Mia. – Você também queria a atenção da mamãe não era?
Joanne endureceu a expressão e olhou para o filho que aparentava serenidade.
Mia resmungou se esticanddo no colo de Rachel, a morena olhou para Brody.
– Pega o moisés?
– Claro.
O moreno saiu da sala com um suspiro de alivio. Aquela visita seria a mais longa e curta da história e fosse qual fosse a sua duração iria causar um belo estrago e muita dor de cabeça. Leroy foi atrás dele para ajuda-lo.
– Não me diga que seus pais…
– São fanáticos religiosos e homofóbicos? – Brody suspirou estendendo a armação para ele. –Eu adoraria poder dizer isso.
Leroy fechou os olhos fazendo uma prece silenciosa.
– Será um final de semana…
– Não se preocupe, eles vão embora antes do final de semana chegar ao fim. – Brody o interrompeu passando por ele.
*
Hiram entrou na sala ouvindo a conversa que vinha da cozinha. Jogou as chaves sobre a mesa de centro e se aproximou do aposento.
– Bom dia. – Cumprimentou a todos. – Cheguei em boa hora pelo visto.
– Papai. – Rachel sorriu, sentiu a atmosfera na mesa ficar mais tensa. – Acheo que fosse demorar mais.
– Não, não. – Hiram se aproximou beijando a têmpora de Leroy. – Apenas fui dar uma caminhada.
John Weston largou os talheres e se levantou bruscamente atraindo os olhares, encarou a esposa que olhava para os dois Berry.
– Vamos. – Falou irritado. – Agora Joanne.
– Brody. – Joanne olhou para o filho mais novo. – O que isso significa?
– O que estava bem claro, vamos voltar para casa. – John rosnou, seus olhos eram uma mistura de desprezo e raiva. – O que estava claro desde que o seu filho era um moleque que ficava saltitando por ai. Eu sempre soube que ele era um danificado. Eu deveria ter te dado mais surras seu moleque…
– Olhe como fala. – Brody pousou as palmas das mãos na mesa e se levantou sem tirar os olhos do pai. – Olha a maneira como você fala. Você não está dentro da sua casa.
– Você não tem moral alguma para me dizer qualquer coisa. – John ergueu a mão. – Sua bicha desgraçada.
Leroy se levantou de um impulso. Mia se agitou chorando, havia se assustado com o baque da cadeira no chão.
– John se acalme. – Joanne olhava para a neta. – Ele tem uma filha, John, ele tem uma linda menina. – Se levantou segurando o braço do marido. – Ele vai se casar e se afastar dessas coisas, dessa família pecadora e vai construir uma família de verdade.
– Com licença. – Hiram se ofendeu.
– Você está falando dos meus pais. – Rachel gritou. – Cale a maldita da boca antes de falar da minha família.
Quinn a segurou, seus olhos pousaram em Brody que estava vermelho.
– Pega a Mia e a Beth e as leve para o quarto. – Pediu em voz baixa, sentiu que aquilo ficaria feio.
Judy se levantou e pousou as mãos nos ombros de Rachel.
– Querida, Mia está chorando. – Sussurrou, chamou Beth com um aceno de cabeça. – Vamos levar as meninas lá para dentro.
Quinn trocou um olhar com a mãe que acenou com a cabeça. Shelby se manteve sentada com a coluna reta e rígida, acenou para Beth obedecer a avó. Rachel possuía os olhos escuros e a mandíbula rígida.
– Mia precisa da mãe. – Judy insistiu.
Rachel se levantou lentamente dando um olhar de aviso para Quinn, segurou Mia em seus braços.
– Beth. – Chamou saindo da cozinha.
Judy esperou Beth passar na sua frente antes de seguir as três. Esperaram até a porta bater.
– Para começar. – Brody falou em voz baixa. – Nunca mais falem desse jeito dos avôs da minha filha. Nunca mais vão abrir a boca para falar desse jeito ou de qualquer jeito que seja sobre esse assunto debaixo do meu teto ou dentro da casa de Rachel e muito menos perto de Mia.
– Você não pode estar considerando criar minha neta aqui, perto dessas coisas. – Joanne se exaltou.
– Rachel e eu vamos criar a nossa filha cercada de amor e cuidado. – A veia saltou no pescoço groço. – E sim, mamãe, estou falando em cria-la com os quatro avós presentes, um pai, duas mães e uma irmã que também é a tia. Essa é a família da minha filha. A família a qual eu estou criando.
– Isso não é uma família. – John gritou.
– É a minha família. – Brody gritou de volta. – E é a família da minha filha. Você compreendendo ou não.
– Isso não é normal. – John esbravejou. – Você não pode criar uma criança inocente no meio disso. Dessas coisas, dessas abominações.
Hiram conteve Leroy.
– Eu não posso é criar a minha filha perto de vocês. – Brody abaixou o tom de voz. – E não mãe, não vai ter casamento. Essa ideia nunca foi nem considerada. Mia surgiu em um acidente. O melhor acidente da minha vida se a senhora quer saber.
– Brody você tem que se casar. – Joanne implorou. – Crie minha neta direito, em uma família normal. Arranje um trabalho de homem e sustente a sua família.
– Não. – Correu os dedos pelos cabelos curtos. – Eu vou criar a minha menina com a mãe dela e com a companheira que a mãe dela escolheu. Eu tenho um trabalho e o meu trabalho garante que a minha filha receba de mim todo o amparo que me cabe dar a ela. Agora, por favor, eu vou pedir para que vocês se retirem.
Deu a volta na mesa parando na entrada da cozinha.
– Eu acompanho os senhores até a porta.
John segurou o braço de Joanne que chorava silenciosamente, a puxou parando na frente do filho.
– Não se incomode de nos procurar. – Rosnou.
– Eu não tinha a pretensão. – O moreno retrucou se afastando na direção da porta da sala, rapidamente a abriu. – Passar bem.
*
Quinn abriu a porta vendo Rachel andar de um lado para outro no meio do quarto enquanto Judy trançava os cabelos de Beth. A morena se movia furiosamente e só parou quando Quinn entrou em seu campo de visão.
– Eles ainda estão dentro da minha casa? – Rosnou se aproximando enraivecida.
– Não, Brody os colocou para fora e disse que Mia não terá contato algum com eles. – Quinn respondeu em voz baixa. – Se acalme.
– Não mande eu me acalmar. – Rachel retrucou com os dentes cerrados.
– Vamos terminar de comer Beth. – Judy fez a menina andar. – Comportem-se, Mia está no quarto.
Quinn olhou para a cama onde Mia estava deitada com travesseiros a sua volta. A porta bateu suavemente e ela prontamente tomou o rosto de Rachel entre suas mãos.
– Eles nunca mais pisam na minha casa e muito menos vão ficar perto da nossa filha. – Rachel diminuiu o tom de voz.
– Se acalme um pouco, eles são pais do Brody e avós da Mia. – Falou com serenidade, viu os olhos escuros se estreitarem. – Essa decisão não cabe a você e sim ao Brody e ele já se decidiu.
Rachel fechou os olhos respirando fundo, mordeu o lábio tentando acalmar as batidas do coração. Estava com tanta raiva.
Sentiu os lábios macios exercendo uma leve pressão sobre os seus. Quinn estava ali para lhe acalmar.
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