Two Pieces
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Quinn estava de braços cruzados olhando por uma das janelas altas do hospital. O acumulo de paparazzis estava lhe deixando irritada.
– Parece que a Anne Hathaway também teve o primogênito aqui. – Kurt apareceu ao lado dela olhando para os fotógrafos. – Pelo que eu ouvi foi ontem a noite.
– Vou mandar um bouquet de flores. – Quinn comentou sem olhar para ele.
– Você trabalhou com ela não foi? – Kurt continuou.
– Sim, é uma linda mulher e excelente atriz.
– Porque diabos você está aqui fora? – Kurt cortou o papo furado e foi direto na questão.
– Eu não sei… — Suspirou. – Ver o Brody com a Rachel e a Mia me…
– Para, agora e não complete essa frase. – Kurt a puxou pelo ombro para que ela lhe encarasse. – Eu juro que se você completar essa frase eu te jogo daqui de cima e vai ser uma excelente foto para os paparazzi.
Quinn esboçou um sorriso fraco.
– Ela está pedindo por você. Ela quer que você esteja lá. – Kurt a segurou pelo rosto. – Confia em mim, ela te quer lá mais do que qualquer pessoa.
Quinn acenou com a cabeça respirando fundo.
– Vem comigo? Preciso comprar uma coisa.
***
Rachel estava com Mia no colo enquanto os pais falavam abobalhados sobre como iriam paparicar a menina. Shelby estava ao lado da filha mais velha com um sorriso nos lábios. Brody havia saído para fazer uma ligação aos próprios pais.
– Ela parece com você. – Shelby acariciou a cabeleira negra da menina com o dorso do dedo. – Quando nasceu, não parece?
– Identica. – Hiram suspirou com os olhos saudosos.
– Vocês ainda vão fazer o exame? – Leroy perguntou, seu semblante ficou sério ao perguntar.
– Brody acha desnecessário, mas eu quero. – Rachel olhava o rosto da menina. – Apenas para formalizar a situação toda.
– É melhor. – Leroy concordou balançando a cabeça. – E quanto a Quinn?
Rachel ergueu os olhos para encarar o pai.
– Ela realmente gosta de você. – Hiram comentou trocando um olhar com Shelby. – Era só ver como ela estava contando a história de vocês e a maneira como ela ficou quando você entrou para a sala de cirurgia.
– E é exatamente por isso que eu estou perguntando. – Leroy sustentou o olhar da filha.
– Nós ainda não conversamos, mas eu espero de coração que… — Olhou para Mia e sorriu. – Que ela nos aceite na vida dela.
– Eu não acho que isso será um problema. – Shelby acariciou os cabelos da filha.
– Temos muito o que conversar. – Rachel olhou para a mãe. – E eu tenho que pedir muitas desculpas.
– Acredite que isso não será um problema. – Shelby sorriu. – Instinto de mãe.
– Quando vou desenvolver o meu? – Rachel perguntou rindo.
– Você o tem desde que se descobriu grávida meu amor. – Shelby olhou para a neta. – É sempre a primeira coisa que sentimos.
– E se eu errar? – Buscou os olhos da mãe. – Se eu não souber educa-la? Se eu acabar a machucando? Ela é tão pequena e tão frágil.
– Não existe um manual. – Shelby acariciou o rosto da filha. – Tudo é um grande aprendizado e sim, você vai errar e esse é só o primeiro dos seus medos. Ainda virão muitos pela frente.
– Olha pro papai. – Hiram pediu suavemente. – Agora você é mãe e eu sei que você tem dúvidas de como vai cria-la ou educa-la. Isso é algo que você e o Brody irão decidir juntos e a Quinn também se for o caso. Sobre a educação? É só olhar a sua criação. É com amor, é brigando na hora certa, dando conselhos e todo o resto com o qual você foi criada.
– Vocês vão me ajudar? – Pediu.
– Não podemos, não podemos dizer como você vai criar a sua filha. – Leroy sorriu para a filha. – Agora é você que decide e eu tenho certeza que digo por nós três que esse medo que você está sentindo, essa apreensão sobre o bem estar dela, sobre ela estar alimentada ou saudável é algo que nunca passa.
– O que você tem nos seus braços é maior do que qualquer prêmio que você vá ganhar. – Shelby continuou acariciando os fios de cabelos da filha. – Isso é o que faz tudo valer a pena.
Rachel olhou para a filha e a encontrou com os olhos azuis abertos lhe encarando curiosamente.
– Hey… — Sussurrou pegando a mãozinha e a beijando na palma. – Eu te amo.
Uma batida suave na porta antes que Quinn empurrasse a madeira para poder entrar, segurava uma taça nas mãos.
– Interrompo? – Olhou para os olhos cheios de lágrimas de Rachel antes de se aproximar.
Hiram se afastou deixando a loira tomar o seu lugar ao lado da morena.
– Não, estava apenas… — Olhou para os dois homens e para a mulher. – Estava apenas tendo uma conversa de adulto com os meus pais.
Quinn franziu as sobrancelhas antes de dar um beijo suave na testa da morena.
– Comprei uma vaca preta. – Ergueu a taça. – Diz a crença popular que da leite.
Rachel soltou uma risada enquanto Shelby se curvava para enfim pegar a neta no colo.
– Não se preocupe eu pedi para fazerem com sorvete vegan e root bear. – Quinn entregou a taça para a pequena.
– Obrigada. – Sussurrou pegando o canudo e sugando o líquido espesso. – Está ótimo.
Quinn afastou os cabelos de Rachel do rosto da diva deixando os dedos escorregarem para a linha do maxilar fazendo um carinho sutil.
– Se sente cansada? – Perguntou em voz baixa, Rachel apoiou a cabeça contra o travesseiro, mas a virou para poder olhar Quinn.
– Nem um pouco, na verdade eu me sinto cheia de energia.
Quinn abriu um sorriso, desceu os dedos em uma caricia sutil pelo nariz de Rachel.
– Tem que descansar. – A loira sussurrou.
– Já estou deitada. – Rachel amuou os lábios formando um leve biquinho.
– E ficará deitada até a médica dizer que pode se levantar. – A beijou na testa outra vez.
– Quando vamos poder ir para casa? – Tomou mais um gole da bebida.
– A médica quer manter vocês por mais um dia então… vocês só receberam alta depois de amanhã.
– Mas a minha pressão está ótima. – Rachel retrucou.
– Rachel… — Quinn arqueou uma sobrancelha.
A diva fez um barulho de discordância com a garganta, mas permaneceu quieta, a porta se abriu de novo e por ela entrou Brody.
– Falou com os seus pais? – A Berry perguntou para ele que esticava o pescoço para ver a filha.
– Falei, minha mãe gritou tanto na minha orelha que eu acho que fiquei surdo. – Resmungou parando ao lado de Quinn. – Eu praticamente tive que proibi-la de vir para cá com o meu pai.
– Por quê? – A morena franziu as sobrancelhas.
– Vocês ainda estão aqui e eu não quero incomodar. – Ele encolheu os ombros dando um pequeno sorriso. – Eles terão muito tempo para poder ver a neta.
– E essa é a coisa mais idiota que você já me disse. – Rachel balançava a cabeça em descrença. – Me da seu celular.
– O que? – Ele olhou para Quinn que continha o riso. – Rachel!
– Me da o teu celular agora, quero falar com a sua mãe.
Brody buscou o olhar de Quinn que ergueu as mãos lhe indicando que o mais sensato era se render, resmungando pegou o celular no bolso da calça e o estendeu para a morena.
– E você, não me faça fazer o mesmo com Judy. – Olhou para Quinn arqueando as sobrancelhas.
– Ela já sabe, mas ela mesma disse que vai vir no mês que vem porque acha melhor você e a neném estabelecerem uma rotina antes e eu já enviei fotos da Mia para ela. – Quinn respondeu calmamente. – Mas se quiser tentar a sorte, você pode ligar e falar com ela.
– Pode ter certeza que eu vou. – Rachel resmungou voltando sua atenção para o celular de Brody.
A morena achou o número que queria e prontamente ligou.
– Boa tarde, senhora Weston? – Rachel abriu um sorriso. – Aqui quem fala é Rachel Berry. – Esperou por alguns momentos sempre concordando com algo. – Eu e a Mia estamos muito bem, obrigada. – Abriu outro sorriso. – Estou ligando porque ao que parece o seu filho cometeu a burrice de dizer a senhora para não vir ver a neta por enquanto, estou certa? – Ouviu a concordância. – Pois, eu estou pedindo para que a senhora e o seu marido venham o mais depressa que conseguirem. É um pedido meu, por favor. – Abriu o terceiro sorriso seguido. – Não será incomodo algum, muito pelo contrário. – Ouviu a senhora dizer algo. – Quem agradece sou eu e, por favor, venha e se puder traga fotos do Brody bebê, estão todos dizendo que ela se parece comigo, mas eu tenho quase certeza que ela tem o nariz e a sobrancelha dele além dos olhos. – Franziu as sobrancelhas. – A senhora não a viu ainda? – Lançou um olhar afiado para o Weston que rolou os olhos. – Isso será corrigido imediatamente, não se preocupe.
Brody se virou e caminhou até Shelby sendo prontamente seguido por Quinn, Rachel estava entretida na conversa com a avó paterna de sua filha. Hiram e Leroy conversavam em voz baixa mais afastados deles.
– Já a pegou no colo? – Shelby desgrudou os olhos da neta para olhar o homem.
– Não. – Brody esfregou as mãos na jeans. – Ela é muito pequena eu tenho medo de machuca-la.
– Não seja bobo, ela não é tão frágil assim. – Shelby soltou uma risada fraca. – Vamos, pegue.
– É melhor não.
– Olha… — Quinn tomou a frente e pegou Mia com todo cuidado. – Se você nunca fizer isso vai se arrepender.
Brody olhou para a filha e rodou os ombros.
– Vamos. – Quinn com cuidado o incitou. – Segure na cabecinha com cuidado. – Brody tremia quando apoiou a cabeça de Mia na palma de sua mão, engoliu em seco. – Apoie o corpo com o outro braço, assim… — Quinn se afastou deixando Brody segurar a menina sozinho.
Brody abriu e fechou a boca algumas vezes antes de soltar um suspiro, seus olhos azuis ficaram mais brilhantes pelas lágrimas que ele segurava.
– E então? – Shelby passou um braço pelos ombros de Quinn a puxando para um abraço. – Como se sente?
– Eu… — Parou limpando a garganta. – Eu sou pai.
E durante tudo isso Rachel estava secretamente tirando fotos da cena.
***
Puck estava apoiado na parede, estavam em uma das salas de espera do hospital. Beth estava sentada em uma das cadeiras com um pacote bem embrulhado sobre as suas pernas.
– Cadê a mamãe? – Perguntou para o pai.
– Ela já está vindo. – Puck respondeu com um sorriso pouco animador.
Shelby vinha andando por um dos corredores sem entender porque Noah havia lhe mandado uma mensagem antes de entrar diretamente no quarto com a menina.
– Beth. – Chamou a filha que prontamente saltou da cadeira e correu para ela. – Oi meu amor!
– Mamãe! – Beth sorriu.
– Vamos? Tenho certeza que você está doida para ver a Mia. – Shelby agachou para poder olhar a filha.
– Só um instante. – Puck suspirou se aproximando das duas. – Beth tem uma pergunta.
– Tem? – Sorriu para a filha. – E qual é a pergunta?
– Por que eu nunca vi uma foto sua comigo na sua barriga? – Beth sorriu ao final da questão.
– Por quê?
– É, a Mia estava dentro da barriga da Rach. – Beth continuou, fez um sinal com as mãos indicando uma barriga grande. – E tem um monte de fotos dela com a Mia lá dentro e eu nunca vi uma foto minha dentro da sua barriga.
Shelby olhou para Puck que fechou os olhos e os desviou.
– Meu amor… — Shelby começou, parou lambendo os lábios nervosamente. – Vem cá.
Colocou Beth sentada em uma das cadeiras, Noah sentou ao lado da menina e Shelby do outro.
– Acontece que… que… você é minha filha. – Shelby pegou as mãos da menina enquanto Noah retirava o pacote e o colocava na cadeira ao seu lado. – E eu te amo muito, muito mesmo, mas…
– Mas? – Beth arqueou uma sobrancelha exatamente como Quinn fazia.
Shelby sorriu tentando segurar o choro que por algum motivo queria sair, não havia sido desse jeito que havia planejado ter essa conversa com a menina e muito menos com ela tendo apenas 7 anos.
– Você é filha da mamãe de coração. – Shelby explicou. – Você é filha do coração do mamãe.
– Mas os bebês vem da barriga. – Beth franziu as sobrancelhas.
– O que a sua mãe quer dizer… — Puck começou com a voz grossa. – É que você não nasceu dela, mas que o coração dela te escolheu para ser a filha que ela tanto queria.
– Eu não nasci da senhora? – Beth franziu as sobrancelhas claras, os olhos verdes estavam confusos.
– Depois que a Rachel nasceu, a mamãe ficou muito doente e descobriu que ela não podia mais ter bebês saindo de dentro dela. – Shelby explicou suavemente. – Então eu escolhi você para ser minha filha e eu seria a sua mamãe, entendeu?
– Então… quem de que mamãe eu vim? – Beth olhou de Shelby para Puck. – O senhor é o meu papai ou eu tenho outro papai? Onde a senhora me escolheu? Vendem bebês no supermercado?
– Não. – Shelby acariciou o rosto de Beth que começava a ficar vermelho. – Não vendem bebês em supermercados, não se vendem bebês é algo muito errado fazer isso.
–Eu sou o seu papai. – Noah respondeu atraindo a atenção da menina.
– Eu tenho outro papai?
– Não, eu sou o seu único papai. – Olhou para Shelby antes de acrescentar. – Mas você tem duas mamães.
– Eu não quero ter outra mamãe. – Beth fungou, se agarrou em Shelby. – Eu só quero ter a minha mamãe.
– Calma Beth. – Shelby segurou a menina.
– Eu não quero que essa outra mamãe me tire da senhora. – Beth fungou outra vez enquanto chorava.
– Ninguém vai te tirar de mim. – Shelby secava as lagrimas da filha. – Ninguém.
– Ela me deu pra senhora? – Beth afastou-se para olhar a mãe. – Como o ursinho que eu vou dar pra Mia?
Puck fechou os olhos respirando com força.
– Beth. – Chamou a filha que olhou para ele. – É um pouco mais complicado que dar um ursinho.
– Então ela me emprestou? – A menina perguntou chorando. – Eu não quero… não quero ser emprestada.
– Não… — Puck se ajoelhou na frente da menina segurando as mãos dela que se agitavam. – Ninguém te emprestou, presta atenção no papai.
Beth parou, seus ombros desciam e subiam enquanto ela chorava.
– A sua outra mamãe te ama muito. – Puck controlava a voz, seus olhos verdes estavam presos nos da filha, mas ao contrário dos seus olhos os de Beth possuíam poucas pintinhas douradas no verde. – Mas ela não podia ficar com você, porque, ter um bebê é algo muito difícil e por mais que ela e eu quiséssemos ficar com você nós não iriamos conseguir te dar tudo o que você precisava e por isso nós pedimos a Shelby para ficar com você e te criar como filha dela. A sua mamãe Shelby foi muito boa em deixar que eu fosse o seu papai e que a sua outra mamãe sempre estivesse perto de você…
– Perto? – Beth olhou para a mãe. – Quem é ela?
Shelby chorava silenciosamente quando estendeu a mão e limpou as lágrimas da filha mais uma vez.
– Você sabe quem é… — Sua voz era baixa como uma carícia para a menina. – Você tem os meus cabelos loiros, os mesmos olhos verdes, o mesmo nariz que ela… você a adora e sempre que a vê na tela da televisão ou a vê no cinema diz para todos que ela é sua tia… sua tia…
– Minha tia Quinn. – Beth a interrompeu. – Quinn é a minha outra mamãe?
Shelby mordeu o lábio inferior antes de acenar com a cabeça e respirar fundo.
– É meu amor, a Quinn é a sua outra mamãe.
Beth olhou para o pai e para a mãe antes de desviar de Puck e sair correndo pelo corredor de onde Shelby tinha vindo.
***
Rachel estava tirando foto de Brody e Quinn, o homem continuava com Mia no colo.
– Agora eu tenho o papel de parede perfeito. – Rachel cantarolou.
– Eu acho que você tem que descansar. – Quinn olhou para a morena. – Está falando muito, vai acabar tendo gases desse jeito.
Hiram soltou uma risada quando Rachel deu língua para Quinn.
– E ela acabou de ter uma filha senhores. – Quinn brincou soltando uma risada.
A porta se abriu de supetão e por ela entrou uma Beth vermelha com o rosto coberto por lágrimas.
– Beth? – Quinn a chamou assustada. – O que foi?
– A senhora mentiu pra mim. – Beth bateu o pé no chão. – Todo mundo mentiu pra mim!
– O que? – Quinn olhou para a porta e viu Puck entrar, mas sinalizou para ele ficar longe quando ele fez menção de pegar Beth. Shelby parou na porta e se apoiou na madeira sendo logo acudida por Leroy. – Do que você está falando meu amor?
– Eu não quero ter duas mamãe. – Beth bateu o pé no chão outra vez. – Eu não quero que você seja a minha mamãe.
Quinn arregalou os olhos vendo a menina fungar, com cuidado olhou para Shelby que acenou com a cabeça enquanto tentava seca as lágrimas e era abraçada por Leroy.
– Beth… — Engoliu em seco. – Beth eu preciso que você me ouça…
– Eu não quero duas mamães! – A menina repetiu elevando a voz.
Mia se contorceu no colo de Brody que prontamente teve uma ideia.
– Beth! – Chamou a menina com a voz mais calma que conseguiu reunir. – Só você pode nos ajudar.
Quinn olhou para ele sem entender o porque dele estar se intrometendo no assunto, mas ele a ignorou e se aproximou da pequena Corcoran. Ele se agachou deixando Mia ficar um pouco mais baixa que a loirinha.
– Eu estava justamente falando com a Quinn e com a Rachel sobre isso ai.
– Sobre ter duas mamães? – A menina murmurou fungando.
– Exatamente. – Brody acenou com a cabeça. – É que… só crianças muito especiais tem mais de um papai e uma mamãe, você sabia disso?
Beth negou com a cabeça olhando para Puck que apenas lhe encarou de volta, ninguém sabia onde o Weston queria chegar.
– Você está mentindo? – Beth perguntou ainda chorando.
– Não, eu não estou mentindo. – Brody ficou sério. – Você sabe muito bem que a Rachel tem dois papais e uma mamãe e todos nós sabemos como a Rachel é especial. Ela não tem dois papais? O Leroy e o Hiram e tem uma mamãe que é a sua mamãe a Shelby.
Beth passou as mãos no rosto tentando secar as lágrimas enquanto concordava com a cabeça.
– Só as crianças muito especiais tem esse direito, sabia? – Brody abaixou o tom como se confidenciasse um segredo a menina. – Mas… nós os adultos sempre cometemos um erro. Nós não contamos para essas crianças que ela tem mais de um papai e uma mamãe.
– Por quê? – A menina fungou.
– É que nós sempre acabamos achando que vocês crianças não vão nos entender… — Brody murmurou chateado. – Esquecemos como as crianças são inteligentes e tem a capacidade de amar. Você pode amar?
– Posso. – Beth respondeu com um murmurio.
– Eu sei que pode, e é por isso que nós precisamos da sua ajuda. – Brody continuou com um tom mais sério. – Sabe… a Mia é uma dessas crianças muito especiais que tem um papai e duas mamães.
– É? – Beth olhou para Mia com curiosidade.
– Exatamente, eu sou o papai dela e a Rachel é uma das mamães e você sabe me dizer quem é a outra mamãe dela? – Brody inclinou a cabeça para o lado.
Beth ergueu os olhos e olhou diretamente para Quinn que estava com os olhos verdes marejados e presos na filha.
– A Quinn? – Perguntou em dúvida.
– Viu como você é inteligente?! – Brody sorriu antes de soltar um suspiro. – Bem, explicado isso temos alguns problemas que eu espero que você possa me ajudar.
– Quais? – Beth limpou o rosto mais uma vez.
– É que você é filha da Shelby…
– Sou filha do coração. – Beth murmurou.
– Exatamente você é filha de coração da Shelby e a Shelby também é mamãe da Rachel…
– A Rach saiu da barriga da mamãe. – Beth murmurou outra vez.
– Mais uma vez está correto. – Brody sorriu para ela. – Então você e a Rach são irmãs por causa da Shelby, correto?
– Sim. – Beth concordou.
– Isso está resolvido, mas a Quinn é a mamãe de quem você saiu da barriga, certo?
– Sim. – Beth murmurou de novo.
– Mas ela é mamãe de coração da Mia, então isso quer dizer que…
– Eu sou irmã da Mia. – Beth sorriu olhando para a neném antes de olhar para ele confusa. – Mas eu também sou titia?
– Bem… esse é um problema, mas nós tínhamos conversado e decidimos que você decidiria quem você seria. – Brody ficou sério enquanto olhava para a menina. – Se você seria a titia ou a irmã mais velha, mas… mas… todos nós concordamos que você terá uma incumbência muito grande.
– O que é incumbência? – Beth ergueu a cabeça com as sobrancelhas franzidas.
– É uma tarefa. – Brody explicou. – Quer saber qual é?
A menina acenou com a cabeça.
– Você vai cuidar da Mia e vai protege-la, para que quando ela saiba que tem duas mamães e um papai ela não se assuste. E não existe ninguém no mundo melhor pra isso do que você. – Brody inclinou a cabeça. – Você aceita?
– Com uma condição. – Beth ergueu um dedinho.
– Me diga qual e podemos negociar. – Brody estreitou os olhos claros.
– Ela tem que saber agora. – Beth definiu. – Vai ser melhor.
– Agora? – Brody olhou para Mia. – Você acha melhor assim? Dizer agora com ela neném?
– Eu não sei… — Beth mordeu o lábio. – Agora estou confusa.
– Por quê?
– Ela é muito pequenininha, não vai entender. – Beth suspirou olhando para Mia. – Já sei! – Levantou o rosto sorrindo. – A minha mamãe… — Parou olhando para Quinn e depois para Shelby. – Minha mamãe Shelby sempre me diz que quando eu não entendo o dever da escola eu tenho que repetir e repetir até que eu consiga entender.
– Verdade? – Brody arqueou as sobrancelhas. – E o que você acha disso?
– Podemos dizer agora para a Mia e ir repetindo até que ela entenda. – Beth apoiou as mãos nos quadris.
– Então você aceita? – Brody sorriu. – Você vai protege-la? Vai ensinar a ela como é ter duas mamães e um papai?
– Vou. – Beth inflou o peito. – Mais ninguém pode ensinar isso para ela. A Rach tem dois papais e uma mamãe só.
– Mas para isso você vai ter que querer ter duas mamães e um papai. – Brody conteve o sorriso.
Beth parou e olhou para Quinn, com cuidado passou por ele e foi até a loira que continuava ajoelhada no chão.
– Quinn… — Murmurou acanhada. – A senhora ainda é a minha outra mamãe? A que eu sai da barriga.
– Eu sempre vou ser. – Quinn respondeu e prontamente recebeu um abraço apertado de Beth e um beijo na bochecha.
Beth se afastou e foi até Shelby que sorria.
– Ainda sou sua filha de coração? – Perguntou olhando para cima.
– Pra sempre. – Shelby respondeu sentindo Beth agarrar suas pernas. – Eu nunca vou deixar de ser.
Beth sorriu para Shelby e voltou até estar na frente de Brody.
– Eu tenho duas mamães e um papai. – Afirmou toda segura. – Eu posso ensinar para a Mia.
– Perfeito! – Brody sorriu. – Vamos contar para ela agora?
Beth esticou o pescoço olhando para a neném.
– Não. – Murmurou em voz baixa. – Ela está dormindo.
– Então quando ela acordar? – Brody também falou baixo.
– É. – Beth concordou.
– Quer segurar? – Brody perguntou vendo a menina acenar freneticamente com a cabeça. – Então senta lá do lado do Hiram.
Hiram sorriu sem esconder as lágrimas que vazavam por seus olhos.
– Por que o senhor está chorando? – Beth parou olhando para ele.
– Estou chorando porque agora a Mia tem alguém para ajuda-la e que vai protege-la e isso me deixou muito feliz. – Hiram respondeu com um sorriso. – Agora… você já sabe se vai ser titia ou irmã?
– Eu não sei. – Beth franziu as sobrancelhas. – Isso é muito confuso.
O comentário da menina arrancou uma risada generalizada.
– É… é confuso sim, mas você é uma menina esperta. – Hiram a viu subir e sentar ao seu lado.
– Eu sei, sou muito especial e a Mia também.
– A Mia também. – Brody respondeu e com cuidado colocou a bebê nos braços de Beth que a segurou com firmeza. – Cuidado viu?
– Eu tenho. – Beth respondeu sorrindo.
Quinn se levantou limpando as lágrimas de seu rosto e olhando para uma Rachel que não escondia nem as lágrimas e nem o sorriso. A morena esticou a mão e prontamente entrelaçou seus dedos aos da loira e a puxou sutilmente para perto dela. Quinn sentiu uma mão em seu ombro e se virou para encontrar os olhos de Brody.
– Obrigada. – Murmurou respirando fundo. – Muito obrigada por isso.
– Você cuidou da minha filha quando eu não pude então eu vou cuidar da sua quando você não puder. – Brody lhe deu um sorriso.
– Você acabou de agir como um pai. – Quinn acenou com a cabeça. – Muito obrigada.
Os dois ficaram quietos se entreolhando sem dizer uma palavra antes que Beth falasse em voz alta.
– Mamãe Quinn… — A menina parou quando todos os olhos se voltaram para ela, suas bochechas ficaram rosadas quando olhou para Shelby. – Eu posso chamar a Quinn de mamãe Quinn?
– Se é o que você quer. – Shelby respondeu suavemente. – E se ela deixar.
– Eu posso? – Beth olhou para Quinn.
Quinn abriu um sorriso largo e acenou com a cabeça sem confiar em sua voz naquele momento.
– Eu tenho fotos na sua barriga? – Beth perguntou curiosa.
– Um monte. – Quinn respondeu com a voz fraca, parou um segundo para limpar a garganta. – Eu vou pedir para a minha mãe trazer para você poder ver, tudo bem?
Beth acenou com a cabeça sorrindo antes de olhar para Puck.
– Eu tenho outra vovó?
– Tem. – Puck respondeu sorrindo. – Você tem a vovó Judy.
– Você tem uma família inteira Beth, você e a Mia. – Hiram afastou os fios dourados do rosto de Mia os colocando atrás dos ombros de Beth.
– Ouviu isso Mia? – Beth sussurrou para a bebê em seus braços. – Nós temos uma família inteira!
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